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❝ My mate who had waited for me against all hope, despite all odds ❞
❝ you must be haunting me│feyre & rhys
Insanidade ou não, já era tarde demais para Rhysand voltar atrás.
Quando decidira procurar a floresta que vislumbrara em seus sonhos, estava consciente da possibilidade de encontrar à ela no local. Apesar de seus melhores intentos, via-se desejoso da chance disso acontecer, de finalmente conhecer o rosto por trás das visões. Porém, sabia que não devia dar vazão a tais esperanças. Não quando apenas a sensação dela despertara emoções adormecidas há quase 50 anos. Não quando a imagem de mãos pálidas passou a ser um dos motivos para adiar sua entrega ao vazio. Não quando a simples noção de que, em algum lugar, alguém estava seguro o suficiente para pintar um intricado de flores, acalmava um recanto de sua alma. Ansiar por encontrá-la ali só traria danos, principalmente quando a expectativa de vê-la não fosse atendida — assim, ignorara a apreensão.
De qualquer forma, o ar gélido irá mante-la longe, num local aquecido, argumentou consigo, mas as palavras não soaram convincentes. Várias madrugadas vendo através de outros olhos, fez com que tentasse montar um perfil. Pela caça sabia que se tratava de uma mulher corajosa, determinada, paciente. Dos desenhos tirou a conclusão de que era talentosa e sensível. Das flechas limpas e bem cuidadas, decidiu que também se qualificava como meticulosa. E, embora não se permitisse definir aquela estranha e bem vinda ligação, não podia deixar de pensar que o clima frio seria a última coisa a impedi-la de fazer o necessário. Caminhando entre as árvores altas, balançou a cabeça, interrompendo o olhar esperançoso que relanceava ao redor. Como é possivel que alguém me obedeça quando nem eu mesmo o faço?, indagou — não sem sentir certa diversão ao lembrar da sua corte dos sonhos.
O high lord teria entrado num estado nostálgico, lembrando da insubordinação de seus amigos e da beleza de Velaris, mas algo atiçou seus instintos, sobressaltando-o mesmo no silêncio da floresta. Não foi sequer um barulho, apenas uma sensação, que o impulsionou a se afastar da muralha, adentrando ainda mais no território mortal. O canto dos pássaros e os sons provindos de outros animais começaram a se tornar mais abundante, sinal de que se afastara bastante da área que consideravam perigosa.
Então, o ruído de madeira rangendo chegou aos seus ouvidos e ele soube, soube, que ela estava perto. Por um momento, Rhysand considerou ir embora, afastar-se dali o mais rápido possível, mas… E se aquilo fosse um presente do Caldeirão, assim como os vislumbres de uma vida simples haviam sido um acalanto nas noites mais sombrias? Não podia se enganar, tinha decidido que a encontraria no instante em que resolveu mentir para atravessar a muralha. Com o coração vergonhosamente acelerado, desviou da vegetação ao abrir caminho até sua artista. Melhor dizendo: sua caçadora, quem estava concentrada na pequena lebre a poucos metros de distância. Segundos se passaram enquanto absorvia os traços tensos do rosto que ansiara por conhecer. A emoção que o invadiu era indescritível, diferente de tudo que já sentira. Ele tinha que se aproximar, sequer era uma opção não fazê-lo.
Escolheu um galho fino e seco que, como esperara, quebrou-se facilmente sob seu pé. Com a atenção de um gavião, assistiu como a frustração mudou o rosto esquálido da garota a sua frente. Ele devia estar fora de si para que o estado físico de uma desconhecida o deixasse tão lívido, porém, ele sabia mais que isso. Uma respiração e então saiu da sombra da árvore que o escondera dos olhos perspicazes dela, vendo-os se arregalarem minimamente antes de começarem a estuda-lo. Cautelosa, desconfiada. Rhys encobriu tudo que sentia com facilidade, assumindo sua expressão habitual de superioridade e arrogância. Vagarosamente se aproximou da figura frágil, como se fosse um leão e aquele seu território. “ Encontrado” replicou com languidez, as iris violetas transladando-se da face hesitante para os pés que se moveram, demonstrando que havia percebido o movimento — e que estava deliciado com a reação. Ela sentia o perigo que o rodeava, aparentemente. Garota esperta. Ondeando a mão vagamente para o local onde a lebre havia desaparecido, destacou o óbvio: “ Parece que sua presa fugiu.” Apesar de parecer uma provocação pelo tom e linguagem corporal usada, surpreendentemente, o high lord da temida corte noturna não sabia o que dizer. Contudo, insanamente, não conseguia partir.
Havia uma sensação incômoda na boca do estômago, que a Archeron estava mais inclinada a classificar como medo. Aqueles olhos violeta pareciam enxergar dentro dela, e o estranho não parecia querer se dar ao trabalho de desviar o olhar, como se estivesse consciente demais de sua imponência para se preocupar com a decência. Feyre, por outro lado, apenas manteve as mãos no arco, a corda ainda tensionada, embora a mira estivesse apontada para o chão. Os olhos estavam semicerrados enquanto encarava o homem, buscando maneiras de passar por ele; simplesmente sair dali. Nesta dizia que ela não era muito inteligente, uma vez que não havia recebido a instrução necessária quando mais jovem e, naquele momento, Feyre sentiu-se exatamente assim; a capacidade de raciocínio parecia ter sido suprimida frente ao outro: uma presa encurralada. Os instintos gritavam para que corresse, pressentindo que aquele não era um homem comum; o sorriso lânguido e a postura displicente só pareciam ser maiores indicativos de que era perigoso, do tipo que gosta de torturar e saborear o sofrimento de suas presas aos poucos. O que a garota não sabia era por que ele havia escolhido justamente ela. Com sua aparência, o moreno poderia atrair qualquer mulher, e até homens, para si não havia sentido em desgraçar uma esquálida caçadora, mais do que ela já o era.
“Devo agradecer a você por isso”, retrucou, um tanto ríspida, quando ele mencionou a lebre. Teria de refazer todos os passos até que uma nova presa surgisse, e isso poderia levar horas; poderia tomar o tempo dela até a noite. Já fazia duas semanas que Feyre só conseguia caçar animais pequenos, que não duravam mais que dois dias na casa de quatro pessoas. E considerando a fome, não seria a mais nova que diria aos demais para que racionassem o alimento, embora já tivesse tentado por mais de uma vez. Sempre que pensava em Elain, contudo, e na forma como parecia estar sempre a beira da fraqueza, Feyre decidia que podia tentar caçar pelo menos um animal por dia na floresta. Isto é, se estranhos enxeridos não espantassem suas presas. “Mas não tem problema. Isso só vai me custar o restante do dia...”, sussurrou, mais para si mesma do que para o moreno, enquanto já se punha a analisar os arredores. Talvez se aproximasse ainda mais da muralha em busca de comida; talvez arriscasse ser morta por um féerico não é como se fossem sentir falta dela. Se por nervosismo ou para distraí-lo de suas intenções a Archeron não sabia ela perguntou: “Não tem medo de féericos? Estão dizendo que eles atravessam a muralha cada vez com mais frequência. E, caso não tenha percebido, essa floresta fica quase no limite com as terras deles”. Então, direcionou ao outro mais um olhar minucioso, como se dissesse que aquele não era o lugar para alguém da estirpe dele, embora definitivamente houvesse algo deslocado no homem. Bem, de qualquer forma, ela não podia deixar de analisar o tom meio azulado de seus cabelos, os quais combinavam perfeitamente com a túnica. Aliás, os detalhes em formato de estrelas e luas na lapela eram bonitos demais, fazendo com a humana se lembrasse dos desenhos em sua gaveta.
arhyscando:
❝ I knew right then what you were. I knew that you were my mate, and you were in love with another male, and had destroyed yourself to save him, and that … that I didn’t care. ❞
feliciitysnow:
favorite fictional ladies : [5/-] ♡ feyre archeron, acotar trilogy
I was not prey any longer, I decided as I eased up to that door. And I was not a mouse.I was a wolf.
Starting right ( now ) I'll be strong I'll play my fight song And I don't really care If nobody else believes 'Cause I've still got A lot of F I G H T left in me
créditos rai-there1x1 ♥
I LOVE YOU with thorns and all (( a soundtrack to the polyamorous fairies ))
I. Little do You Know Alex & Sierra II. You Don’t Own Me Grace ft. G-Eazy III. Takin’ Back My Love Enrique Iglesias feat. Ciara IV. When a Man Loves a Woman Hannah Huston version V. One Call Away Charlie Puth VI. All of The Stars Ed Sheeran VII. Your Song Ellie Goulding VIII. Earned It The Weeknd IX. Obsessed Mariah Carey X. Black Magic Little Mix XI. S&M Rihanna XII. Like I Can Jordan Smith & Regina Love version XIII. Get On Your Knees Nicki Minaj ft. Ariana XIV. One More Night Maroon 5 XV. Only Love Can Hurt Like This Paloma Faith XVI. Take a Bow Rihanna.
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XVII. Disturbia Rihanna XVIII. Blank Space Taylor Swift XIX. Animals Maroon 5 XX. Fight Song Rachel Platten.
❝ fb: the masquerade │s p r i n g [court] ❁ ❀ ✿
Os fios alaranjado lhe pendia pelas costas, ondulando como as águas de um oceano vermelho enquanto ela cruzava o salão, distribuindo sorrisos amáveis, como se os rostos cobertos com as mascaras de diversas formas e cores pertencesse à velhos amigos. A reciproca no entanto, não era verdadeira. A expressão de desgosto era notável, mesmo com apenas partes do rosto a mostra. Os olhares que recebia eram frios e ao mesmo tempo podiam quase perfurar a pele macia da mais nova GrãFéerica. Os olhares gélidos recaíram também ao homem no qual Amarantha estava pendurada, exibindo-o como um troféu. No entanto, ele não era o prêmio naquela noite. Rhysand era apenas um presente, a oferenda da paz que Lucien havia ido barganhar. Depois que o ruivo saiu de seus aposentos, Amarantha passou boa parte da noite pensando que talvez sua reação tivesse sido um pouco… exagerada.
Não que ela se arrependesse de ter arrancado o olho do féerico, nada disso. Ela havia feito por um motivo, gostado e não havia mais nada que ela pudesse fazer sobre aquilo. No entanto, as consequências de seus atos podiam ser um tanto danosa a visão de futuro que ela havia a tantos anos se prendido. Era uma visão que ela acalentava todas as noites e antes de tomar qualquer decisão importante ela se pergunta se aquela decisão iria levá-la para mais perto ou mais longe daquele futuro. Nos seus sonhos, a cadeira no grande salão do castelo Sob a Montanha era preenchia por ninguém mais e ninguém menos que Tamlin, o GrãoDuque das Terras que agora ela frequentava. Quando Lucien a ofendeu, ela sabia que tinha que lhe dar uma resposta rápida, afinal ela não tolerava ser desafiada —— não quando seu reinado ainda era recente demais para que qualquer hostilidade fosse respondida com misericórdia. —— Mas ela gostaria que ele não tivesse o feito, afinal agora que o melhor amigo do homem com o qual ela planejava passar o resto da vida a odiava, e até ela tinha de admitir que não era uma boa forma de começar as núpcias tão desejadas. Não, aquilo precisava ser remediado prontamente. O descontentamento de Tamlin com os Lordes das Terras Noturnas eram de vasto conhecimento, desde que o homem havia achado uma boa ideia assassinar os pais de Tamlin. Amarantha sabia o quanto sentimentalista o homem era o suficiente para saber que dar uma lição nos lordes das Terras Noturnas poderia ser tomado como um ato de boa fé. Depois de ter Rhysand ao seu lado, ela tratou de despachar um pedido formal de desculpas para Lucien e encorajou um baile, para que entre as comidas deliciosas que as terras de Tamlin produzia e os vinhos das Terras Estivais eles pudessem celebrar a paz.
Os dias que se seguiram tomaram o rumo que a ruiva esperava. Parecia ser da vontade do Caldeirão que o futuro que ela apenas imaginava se tornasse realidade em breve. Amarantha estava de tão bom humor que a falta de calorosidade do povo das terras primaveris não a incomodou em absoluto. O sorriso em seus lábios parecia ter sido pregado em suas bochechas com algum tipo de magia permanente e ela sentia-se especialmente benevolente quando avistou o jovem de cabelos ruivos e mascara de raposa. Guiou Rhysand até que seu acompanhante e ela estivessem perto do ruivo, o suficiente para que Amarantha esticasse suas mãos e toca-se lhe os ombros delicadamente. A GrãRainha tinha tido a decência de fingir um semblante abatido e pesaroso antes de sua voz melodiosa chamar seu nome. “Lucien?” Ela esperou até que ele se virasse e então suspirou pesadamente. “Eu só gostaria de lhe dizer pessoalmente o quanto eu estou verdadeiramente arrependida de tudo o que houve entre nós dois. Ficou claro para mim, no momento em que você partiu que havíamos passado dos limites.” Embora suas palavras não passassem de mentiras, em nenhum momento seu tom de voz soou menos sincero, no entanto o brilho de excitação presente em seus olhos davam a entender que ela estava feliz demais com o rumo das coisas para ter gastado mais pensamentos que o necessário nos sentimentos do ruivo.“Espero sinceramente que possamos colocar isso para trás e aproveitar o que o futuro nos aguarda.”
O metal dourado que agora ocupava o vão de seu olho arrancado podia ser entrevisto através da máscara de raposa, independente do quanto ele tentasse esconder. Em certo ponto, Lucien decidiu que não deveria fingir que seu rosto era normal; assim como ele, a Corte Primaveril teria de aprender a conviver com sua face danificada. A única coisa que a magia fora capaz de fazer foi preencher aquela parte de sua cabeça com aquilo que se assemelhava a ouro; nada mais que isso, e o herdeiro da Outonal se perguntou o que sua mãe pensaria a respeito. Por certo já deveria ter ficado sabendo acerca do que lhe ocorrera; as notícias viajavam rápido entre as cortes e Prythian, mais ainda quando se tratavam de desgraças ––– muito recorrentes no reinado de Amarantha. Saboreou um gole do vinho provindo da Corte Estival, mas a bebida se tornara amarga em sua boca, e já não provocava o efeito de euforia esperado. Lucien desconfiava que nem uma imensa quantidade do vinho seria capaz de fazê-lo. Estava mergulhado em amargor, sem esperança de que as coisas melhorariam. Aproveitar aquele baile seria quase uma blasfêmia quando o restando do continente ruía, e só o Caldeirão sabia o que estava por vir.
Estava quase certo de que Amarantha não compareceria ao evento, até que a avistasse cruzar o salão, em trajes espalhafatosos que tinham o único propósito de atrair a atenção para ela. A risada maligna parecia ressoar a cada vez que a mulher se dignava a dá-la, e Lucien sentia bile subir em sua garganta ao escutá-la. Os membros da Primaveril mostravam-se cautelosos frente à senhora de Hybern, e faziam questão de abrir espaço para que ela transitasse por onde quisesse. Rhysand ––– aquele maldito bastardo, pensou Lucien consigo mesmo, comprimindo as mãos em punhos ––– acompanhava Amarantha pelo salão, como o bom cão que se tornara. Os lordes da Corte Noturna haviam destruído com os senhores da Primaveril, e a presença do herdeiro no salão só fazia com que tudo soasse ainda mais afrontoso. Ah, se ele pudesse matar a ambos ali mesmo. Esperava que Tamlin surgisse logo no salão, mas o Grão-Senhor não estava em lugar algum. Percebendo que Amarantha se encaminhava para onde ele estava, Lucien imediatamente virou-se, buscando uma saída de emergência. Havia certo temor naquele ato, e embora não admitisse para si mesmo, o ruivo tinha medo da figura que se aproximava. Mas ela era mais rápida; dotada de habilidades superiores ao da maioria dos grão feéricos, mais o que havia tomado das outras cortes. A mão esguia alcançou o ombro de Lucien, e ele estremeceu ante o toque, mesmo que camadas de tecido separassem a pele dela da dele. Ouvir seu nome naquela voz o repudiava mais que tudo; era como se ela estivesse proferindo alguma maldição. O feérico virou-se vagarosamente, engolindo em seco durante o processo. Tudo o que dizia, bem como suas expressões, eram evidentemente forçadas. O homem ouvira falar do poder de manipulação dela, e soube porque muitos haviam acreditado em Amarantha no início. E eu espero sinceramente que você vá pro inferno, ele queria responder, chegando até a abrir a boca para dizê-lo. Contudo, fora exatamente aquele tipo de imprudência que lhe custara o olho. “É claro que sim”, falou, esforçando-se para esconder o sarcasmo. "Não vejo por que não. Exceto que terei de aproveitar o futuro com um olho a menos”.
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Feyre & Rhysand for @tomriidle
I didn’t want you to fight alone. Or die alone.
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Lucien’s POV
Ele não sabia por que Tamlin havia aceitado aquilo. Ou melhor, desconfiava do motivo, embora não concordasse. Mas não era ele quem tomava as decisões, ainda que se posicionasse ferrenhamente sempre que discordava do melhor amigo. Havia argumentado durante toda a semana, implorando a Tamlin que não cedesse aos caprichos daquela sádica. Vira o brilho em seus olhos antes que ela lhe arrancasse o olho; sabia que Amarantha era doente, e não pararia. Nunca pararia. O Grão-Senhor da Corte Primaveril não queria despertar ainda mais a fúria da vadia de Hybern; não depois do que vira do que ela era capaz. Os lordes das demais Cortes haviam cedido frente ao poder de Amarantha, e a Primaveril só se mantinha inteira ainda porque a mulher parecia nutrir certa afeição ––– ou seria obsessão? ––– por seu Grão-Senhor. Lucien, naquele momento, só queria uma coisa dela: distância. Vira o nojo estampado na face do amigo quando retornou sem um dos olhos, e aquilo fora pior que a sensação de perder o glóbulo. Ele sabia que sua aparência não era das melhores; assemelhava-se a uma criatura morta-viva, que gradativamente perdia partes do corpo. Ele próprio vomitara ao encarar o reflexo no espelho, incapaz de se olhar por muito mais tempo. Além disso, havia passado vários dias sem poder mirar a luz solar, isolado no breu de seus aposentos, num estado de semicegueira que o acompanharia para o resto de sua existência imortal. Nenhum feérico teria poderes para restaurar seu olho ––– Lucien teria de se conformar com isso.
A ideia das máscaras havia sido dela. Um sinal de benevolência e complacência, de modo que ninguém visse o rosto horrendo do herdeiro da Corte Outonal. “Que amável da parte dela”, ele havia comentado em seu melhor tom sarcástico, tão logo ouviu da boca de Tamlin, sentindo-se imediatamente enojado ao perceber que Amarantha estava se deliciando em brincar com a vida deles. Ela não poderia ter se arrependido tão rápido de suas ações; havia algo errado, mas Tamlin estava esperançoso. Não que confiasse na mulher; ele apenas achava que tudo de ruim que poderia acontecer já havia acontecido. À contragosto, Lucien se vestiu para a ocasião, tomando o cuidado de colocar uma de suas adagas preferidas junto o cinto, bem como a espada, que embora parecesse decorativa, serviria a seu propósito quando a hora chegasse. A vestimenta foi finalizada com uma máscara de raposa. Os olhos estreitos do animal escondiam grande parte de seu olho danificado, mas a cicatriz que cruzava sua face ainda podia ser vista da altura do nariz para baixo, onde a máscara não encobria. Não sabia quem havia escolhido aquele animal em específico para ele, e não refletiu muito sobre o assunto enquanto descia as escadas. Os ombros estavam meio encurvados naqueles dias, assim como estiveram quando abandonou a Corte Outonal. Era como se cada pedaço de sua dignidade fosse aos poucos arrancada dele.
Toda a Corte Primaveril havia sido convidada para o baile de máscaras, e o salão estava quase cheio quando Lucien chegou ao primeiro piso. Até mesmo os criados usavam máscaras de animais menores, como pássaros e insetos. O único olho do ruivo varreu o salão em busca de seu alvo, mas não encontrou a mulher de cabelos de fogo em parte alguma. Não podia dizer que não desejava matá-la, pois seria uma mentira. Entretanto, não a mataria sem a permissão de Tamlin.
i THINK i need a new town
to l e a v e this all b e h i n d
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Estava particularmente frio naquela manhã, e as poucas peças de roupa que a encobriam não eram suficientes para mantê-la aquecida. Sequer podia movimentar-se o suficiente para fazer o sangue circular; a caçada tinha mais a ver com aguardar a presa em silêncio, quase tão importante quanto abatê-la. Feyre havia aprendido com muito custo a identificar a hora certa para atacar, e atacar no momento errado era, no caso dela, sinônimo de fome. Os dedos semicongelados seguravam o arco com firmeza. Havia certa raiva que preenchia a garota, e que a movia como um todo; ressentia-se da família, mas não ousaria abandoná-la à própria sorte ––– não quebraria a última promessa que havia feito à mãe. Não sabia, contudo, que isso demandaria tantos sacrifícios de sua parte. Quando a mãe morreu, a família de Feyre ainda não havia caído por completo na desgraça que os assolara, e eles viviam com todo o conforto que a renda de comerciante do pai poderia proporcionar. O que diria sua mãe se a visse naquelas condições? Será que teria tanto nojo dela quanto Nesta esboçava? Decerto, eram muito parecidas, e por mais que a caçadora se assemelhasse em aparência à genitora e à irmã mais velha, jamais poderia se igualar a elas em elegância. Besta semisselvagem ––– era assim que a viam, e Feyre não contestava.
O som do estalar de um galho chamou sua atenção para a esquerda. Aquela parte da floresta parecia ainda mais fria que o restante, além de fechada e escura. Feyre não era uma garota destemida ––– pelo contrário: era constantemente assolada por medos ––– mas em alguns momentos o temor de passar fome superava qualquer receio que tivesse em relação à floresta e aos feéricos que poderiam por ela vaguear. Ainda que jamais tivesse se aproximado da Muralha mágica que separava o mundo mortal do mundo deles, a garota supunha que ela não deveria estar longe. Uma lebre surgiu em seu campo de visão, e a jovem tensionou o arco, pronta para lançar a flecha, quando um som às suas costas chamou sua atenção ––– o mesmo que fez com que o animal fugisse. De alguma forma, a humana sabia que estava sendo observada; era a presa de algum predador. Devia estar preparada para morrer depois de tanto tempo andando por aquela floresta, mas nunca estava realmente. Demorou preciosos segundos para se virar, deparando-se com o que só poderia ser o homem mais bonito que já vira na vida. Não vestia roupas próprias para uma caçada, tampouco apresentava qualquer resquício de sujeira. Feyre queria considerar a possibilidade de aquele ser um feérico, mas não sabia qual era a aparência de um. “ ––– Perdido? ”, arriscou perguntar, enquanto dava um passo para trás.
rykesmeadow:
I am honored, honored to be your mate.