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mudei para cintiagfaria.tumblr.com
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primaveras atenuam o estado do mundo gramíneas são partículas de brama o todo provém da energia uno ainda que o todo se modifique e seja barro e seja fel o uno permanece circular, fecundativo, umbilical o sol é um astro lapidado pelos anéis dos menestreis gaitas, poetas, lótus pigmentos do sal da terra assim, espero o reencontro na beira do lago pushkar consagraremos nossa união ao ser de tudo o que existe ao todo sublime da relva oculto nos olhos de alquimia do grande oráculo: de baixo da árvore mais vasta e de sombra mística debruçaremos nossos corpos enfim será: seremos.
minha alma pendurada como nal na praça XV vejo os automóveis como fetos presos nos pentelhos do século twenty something um mirante habita a cabeça indigesta da humanidade a humanidade é um céu hebreu um inferno herético das nuances obscuras estalando cal o movimento do tempo pontilha a vida na Terra de desconcertos líricos e uma lista de música aleatória aralcárias moram em mim meus órgãos coincidem com os das flores que evaginam no vácuo adolescentes urram seus cus atômicos em carteiras abortivas professores sobrevivem no ofício fabril de conceber um corpo dócil
pi vezes meu corpo expelido pela androgenia de deus. o que busco diminuido à X. meu clítoris se comprime nos estreitos corredores. metais ejaculam bile na minha boca. sinto o ar perfurar a célula poliglota dos equívocos sonoros da minha lucidez. atiro-me dentro da abscissa coronária do mundo. anarquia ventricular. músculo externo das pulsações bíblicas do apogeu sexual dos dromedários. o deserto é o órgão intuitivo dos cata-ventos primitivos. desejo de voltar a origem helicoidal do corpo, do tempo, da palavra.
os conventos da equação pura da estrutura humana não permitem que a madre reze a missa. degolam as línguas que engolem a saliva de deus. destroem o corpo, porque precisam queimar árvores e toda marca do que existe em seu estado natural. nascem plantas do meu útero. mãos trucidam a minha falta de gosto pelas vestimentas. a pólvora foi inventada antes mesmo das bocas engolirem a porra, o estado, as instituições. o corpo se intermina na capacidade de não se acostumar, de não se submeter, de ter a teimosia necessária para destronar a gravidade do absolutismo hierárquico da vida contemporânea. enfileiram-me verdades, dão-me o que saber (quem escolhe que o que se dá na escola?) por razões místicas, trago o gene do cio das mandragóras. por explicações líricas, meu canto é vasto. nasci para desaplicar as fórmulas. a ordem terrestre não se aplica a desordem do universo. tudo se circunda, se agride, se choca. no toque efêmero das aves, prevejo um abalo sísmico, o magma, o nascimento trágico de magnólias japonesas.
Marina Abramović, “Rhythm 0,” 1974
Marina Abramović is best known for her performance pieces, in which she tries to explore what is possible for an artist to do in the name of art. Her best known piece was the recent “The Artist Is Present,” in which she sat motionless for 736.5 hours over the course of three months, inviting visitors to sit opposite her and make eye contact for as long as they wanted. So many people began spontaneously crying across from her that blogs and Facebook groups were set up for those people.
Her bravest piece, however, is my favorite. This piece was primarily a trust exercise, in which she told viewers she would not move for six hours no matter what they did to her. She placed 72 objects one could use in pleasing or destructive ways, ranging from flowers and a feather boa to a knife and a loaded pistol, on a table near her and invited the viewers to use them on her however they wanted.
Initially, Abramović said, viewers were peaceful and timid, but it escalated to violence quickly. “The experience I learned was that … if you leave decision to the public, you can be killed… I felt really violated: they cut my clothes, stuck rose thorns in my stomach, one person aimed the gun at my head, and another took it away. It created an aggressive atmosphere. After exactly 6 hours, as planned, I stood up and started walking toward the public. Everyone ran away, escaping an actual confrontation.”
This piece revealed something terrible about humanity, similar to what Philip Zimbardo’s Stanford Prison Experiment or Stanley Milgram’s Obedience Experiment, both of which also proved how readily people will harm one another under unusual circumstances.
This performance showed just how easy it is to dehumanize a person who doesn’t fight back, and is particularly powerful because it defies what we think we know about ourselves. I’m certain the no one reading this believes the people around him/her capable of doing such things to another human being, but this performance proves otherwise.
quereriam-me aqui agora diferente disso sentada por cima das cabeças de crianças miseráveis com suas nádegas e braços sobrevivendo ao espetáculo que fizemos de suas vidas que mal penetraram na terra e já não mereceram entrar na fila preferencial do assoalho humano, uma metralhadora giratória das letras p a z
le petite mort em francês orgasmo, a pequena morte o espectro que nos ronda o estado inconsciente na ejaculação interrupta do atlântico.
miro os dedos a entrar pela jugular do sol o alvo de nossa quimera atingirá as vértebras do tempo? o que fazemos com o corpo culminará em um cemitério de relógios? o amanhecer é um tiro na genealogia dos pássaros, um golpe contra o indeferível socorro que peço a natureza, intrépida, para que minha boca consiga abrir um buraco na Terra, arrancar as visceras do santuário humano. o templo mundano está cheio de ódio e por isso, permaneço indiferente às horas, porque é noite e eu preciso debruçar-me por cima de nosso século, preciso pairar por entre as flores de um outono bélico e ter a percepção clara da sístole em meu peito
é sobretudo, um sentir humano no qual cansam-me as explicações entender é abrir mão da minha condição éterea, árborea é formular caminho, apontar o sentido na bussóla atômica do institivo andar
nunca me vi diferente de selva com a boca num solsticio japonês tocava o instrumento oceânico da vida perpetuada por toda a sua guerra e por toda a sua graça
a carne das flores degolava as genitais da relva
meu corpo era oculto pelas árvores e pedras tragava o mistério do planeta, dos deuses, dos sexos dos astros, da ciência da antiguidade, da grécia antiga da roma antiga, da arte moderna
do cristianismo, dos números das filas, das retas programadas para o caos
que me importava se o homem veio do barro ou do macaco... ou entender o porquê arrepiava-me o sol quando morria às 6?
era tudo sobre perceber-se e perceber o outro e as estações e a grama verde que entrava por entre a roupa quando nos sentávamos para observar lesmas e gaivotas percorrendo a vastidão terráquea
crês-me capaz de soerguer sadismos? de levantar com a face despedida do pejo de sublinhar palavras das quais leio nos dicionários primitivos da língua por fim de reter a etimologia dos ocasos
beyond the black rainbow……. by Yo Vo on Flickr.
há um sentimento entre as bordas da relva. um culto à vastidão: lança-me às estrelas… reconhece em meu corpo um mapa? fala a língua primitiva dos ocasos? identifica-me em tudo o que existe e por principio de existência, se enamora com as conchas. dai-me o necessário para a contemplação da terra e para doer de suas forças… afasto-me da transitoriedade mundana e aproximo minhas mãos ao centro apocalíptico astral de meu próprio templo (não é jesus que volta, sou eu que retorno - à mim e ao contato mais íntimo entre minhas mãos e a natureza).
ouvi dizer que são flores que comem o seio. flores canibais? você me pergunta. sim. flores e vulvas correndo vazando às quatro da tarde de um dia qualquer
falemos em questão da língua: órgão muscular que fica no ventre da boca. gosto de como a palavra relva, gozo e pântano soam. acho que as palavras despencam suntuosos segredos do plano místico que meu olho capta na topografia de cada ser ao meu redor. componho outonos em homenagem as andorinhas e espero que me beijem (o sol, as plantas e os humanos) o corpo. ps:selvagem é quem anda pelado mesmo no frio
depositam-se em meu corpo sedimentos de uma aurora que fora naufragada na pequena ilha anatômica dos deuses que também são poetas e por isso, falavam-me encostados em troncos aprendi o silêncio que cada coisa guarda e ficava perdurando durante horas a fio a aprender a absorver o que me diziam as pedras o que me diziam as pedras? desvelei-me por mares atrozes, sentia-me desnivelada do tempo e de seu curso... não aceitava a ideia de permanecer presa na matéria. o esotérico permanecia fraco. meu íntimo se atingia por tudo aquilo que permanecia exterior e preso em morais pífias... na ânsia de não querer que dominassem-me, acabei por continuar servil a realidade mundana, transitória e ilusória do mundo. as escolas, instituições, as relações que foram capitalizadas, os contratos de afeto, as obrigações diárias... por um momento de fraqueza, ignorei que tudo isso é o que esconde o Ser da Terra, sinfônico, lírico, vulcânico, belo (lembrei também de Quintana, quando disse que eles passarão, eu passarinho). o que me diziam as pedras? agradeço pela sabedoria vegetal adquirida. pude, enfim, devir árvore. pude, finalmente, tocar meu corpo e ser oceânica em tudo o que meu instinto capta no planeta. e ser grata a natureza, cântico dos cânticos em minha alma.