Esta frase remete a um passado não muito distante em que eu precisei tomar uma atitude semelhante ao que está escrito acima. Ao ler, recordei da situação e senti que deveria escrever em algum lugar sobre isso.
De fato, é muito difícil nos despedirmos das pessoas pelas quais temos muita estima, principalmente quando nos apegamos às lembranças que causam um grande impacto dentro de nós. São maiores que o momento presente mesmo este estando desgastado e dessa forma, ficamos presos somente às coisas boas, apegados à esperança de que ocorra melhorias na relação, que é apenas uma fase que pode mudar e ser superada, entretanto, nem sempre temos o resultado que almejávamos, a situação piora e não conseguimos desapegar da pessoa, por mais difícil que esteja suportar a dor.
Embora eu já tenha exposto o meu ponto de vista por aqui sobre o desgaste natural das relações, sobre o desapego e questões que envolvem a parte afetiva, eu sempre tenho algo a frisar e desta vez, eu digo isso não somente a vocês que estão lendo, mas também a mim mesma, pois se você deixou uma pessoa ir por sentir que ela não podia oferecer o que você desejava, não se arrependa da escolha que fez, pois muito provavelmente você estava certo em se afastar dela. Jamais em hipótese alguma, devemos aceitar migalhas do outro, pois antes do apreço que sentimos por qualquer outro ser existente nesse planeta, devemos ter um sentimento ainda maior por nós mesmos, além disso, a gente sente quando a pessoa quer ficar, e essa coisa que o outro conta sobre estar mais ocupado com outros projetos e mesmo assim não mão de você nas horas vagas é apenas uma forma que ele ( ou ela) conseguiu para massagear o próprio ego tendo várias coisas ao mesmo tempo sem conseguir conciliá-las.
Todavia, não estou dizendo que quando alguém entra numa relação amorosa, precisa parar a vida para se dedicar exclusivamente à pessoa com a qual está se relacionando, até porque isso não é nada saudável tampouco coerente. O que estou querendo dizer é que quando a pessoa simplesmente deseja estar ao seu lado, ela não coloca obstáculos, não inventa desculpas, tudo flui harmonicamente sem entraves e sentimentos de dúvida, pois tudo isso dá lugar apenas à sintonia leve que há entre vocês.
Por exemplo, no meu caso, quando comecei a me sentir aborrecida com uma pessoa que só pensava no seu trabalho, os assuntos eram exclusivamente voltados à sua vida profissional, eu não conseguia sentir que aquela relação teria fururo, apesar de eu desejar muito. Eu sentia uma imensa admiração por ele ser um homem trabalhador, dedicado, sempre se empenhando para obter resultados positivos, porém eu sentia lá no fundo que eu não deveria estar ali, minha intuição me dizia ( e eu não queria ouvir) que eu estava apenas servindo como adorno para momentos de lazer e não era aquilo que eu buscava, não era aquilo que eu queria ser para ele, então em pouco tempo eu fui honesta comigo e com ele ao dizer que não queria mais estar naquela posição. Aquilo doeu! Passei muitos meses ainda pensando no ‘SE’. SE eu tivesse feito isso ou aquilo, ele teria gostado mais de mim, ou SE eu tivesse sido persistente, talvez as coisas se ajustariam. Bobagem!
Ele nunca mais se preocupou em saber se estava tudo bem comigo, e claro que eu nem deveria esperar isso dele, porque quando decidimos nos afastar, o desapego deve ser completo, não se deve esperar nada do outro, apenas seguir em frente sem olhar para trás.
E, apesar de ter sido uma experiência ruim o fato de saber que a pessoa por quem eu havia criado sentimentos tão bonitos estava pouco ligando para a minha existência, com o tempo eu passei a perceber que isso é muito comum entre as, pessoas, eu não poderia mais me sentir a pior vítima do Universo apenas pelo fato de uma pessoa não se importar comigo. Os ‘SE’ foram desaparecendo, pois eu, assim como qualquer pessoa que se respeita, não precisa fazer nada, tampouco ter alguma fórmula ou seguir um manual para agradar as pessoas. Temos apenas que ser nós mesmos!
Por consequência, ficamos tão cegos com a realidade, que nos esquecemos que uma relação falida é como uma roupa velha que não nos serve mais, porque nosso corpo já tomou uma outra forma, então precisamos desapegar da peça, por mais especial que ela tenha sido um dia para nós. Ficará apenas recordações.
Portanto, fui aos poucos tendo outra percepção, na medida que o tempo foi passando e percebi o quão ferido meu ego ficou com aquela situação, eu me sentia culpada, minha autoestima estava no lixo, porque meu ego insistia em querer que eu ficasse ali, refém de uma situação desconfortável para o meu EU, no entanto, mesmo em frangalhos, eu consegui me sobressair porque ouvi a minha intuição e mesmo inconscientemente, preferi sair machucada a ter de conviver com migalhas. Eu ouvi a minha voz interior e segurei firme, porque o meu amor próprio falou mais alto e esse foi um dos motivos pelo qual eu percebi que havia uma jornada que estava prestes a seguir, o caminho da espiritualidade!
Além do fato de eu também ter conseguido enxergar que aquele ‘amor’ era uma simples projeção, que tudo o que eu enxergava nele e 'precisava’ daquelas qualidades na minha vida, eram coisas que eu tinha dentro de mim e não sabia usar. Foi libertador saber disso! Ouvir a minha voz interior só me levou a crer que a vida tem um propósito bem maior comigo, e com todos nós, portanto, não se apegue às banalidades cotidianas, aos sentimentos gerados pelo ego, às pressões que a sociedade coloca em todos nós, às convenções, etc.
Se apegue em você mesmo!
Solte e deixe ir quem não foi capaz de retribuir o amor que você transmitiu, pois nem todas as pessoas conseguem amar pessoas, muitas delas amam apenas as coisas e vivem na ilusão de um relacionamento satisfatório com base nos seus egos e sequer percebem isto.
Seja grato pela experiência e siga em paz, porque o Universo vai te trazer situações e pessoas compatíveis com o que você está emitindo. Lembre-se que gostar de quem não gosta da gente é indigno, te coloca numa situação de mendigo afetivo e o outro só será capaz de dar esmolas enquanto você não souber se posicionar e tiver consciência que também é um ato de amor deixar a pessoa livre para viver a vida que ela quer ter, mesmo que nós não estejamos inclusos nessa caminhada.