Blackout || Scott, Britt, Rick, Hector, Licy, Theo, Suzie e Ben
Hector viu a situação logo sair do controle, o que podia ser esperado em um grupo de adolescentes onde o medo e a preocupação reinavam. Tirou o lenço do bolso e enrolou na mão discretamente, ocultado o corte que deixara de sangrar para não exaltar os ânimos já alterados. Ele tinha que se manter frio, calmo e calculista, buscar na poderosa memória a planta daquela casa caindo aos pedaços. Esforçou a audição tentando identificar o som do gerador funcionando por cima dos murmúrios e respirações descompassadas de seus colegas de faculdade. Scary House era um apelido mais inocente do que um aviso da hipotética história sangrenta da casa. Não era amaldiçoada, não haviam espíritos vingativos arrastando correntes pelos corredores e, com certeza, não haviam corpo enterrados nas fundações da estrutura. Contudo, a dor de cabeça e o desaparecimento de todas as pessoas estremeceram as bases da descrença de Hector em questão do sobrenatural. “Senhores, e senhoras.” Chamou num tom mais alto tentando atrair a atenção de todos. “Eu sei que cada um de nós quer fazer algo para ajudar e resolver a situação, mas desta maneira não vai servir. Acalmem-se, avaliem sua própria condição e vamos raciocinar. O gerador está em cima em algum lugar que não detenho conhecimento, eu não estava aqui quando o trouxeram e o instalaram. Os boatos que ouviram estão certos, o andar de cima é bem menos agradável e limpo que o térreo, onde nós estamos.” Falava calmamente, mas mantinha o tom de controle e urgência na voz. Até onde sabia, podiam só estar fingindo escutar e esperando o momento oportuno para cada qual correr na direção que bem entendessem.
“Estamos em oito pessoas, cinco garotos e três garotas. Alguns em estado preocupante.” Impor uma separação, delegar funções não era seu objetivo, mas teria que fazer algo que não prejudicasse todos os demais. “Sugestão.” Avisou levantando as mãos ligeiramente em sinal de paz. “Poderíamos nos dividir em grupos iguais ou proporcional às necessidades de cada andar, somente homens para cima. Ou, tentar algo que podemos fazer de maneira segura.” Hector apontou para a entrada e se dirigiu para lá com passos rápidos. Tentou abrir a porta, se resultado. Forçou com o ombro e o peso do corpo, igualmente sem resultado. Não insistiu mais uma vez que a porta não tinha um material tão resistente e encontrar dificuldades não condizia com suas expectativas. Moveu-se para as janelas forçando-a para se abrirem, mas estavam emperradas. “Agora, não se aproximem.” Tirou o paletó e enrolou no braço. Voaria vidro para todo o lado e não queria que mais alguém se machucasse. A primeira cotovelada fez uma dor difusa espalhar pelo braço, fraca demais para sequer trincar o vidro. Hector trincou o maxilar e juntou a força que conseguiu no próximo golpe só para ser jogado no chão em seguida. “O que foi isso?” Chocado, esfregou o braço que tremia por conta da intensidade do choque, lentamente voltando ao normal. “Quem mais vai subir? Eu me ofereço.” Depois disso, luz seria um conforto bem-vindo.
Parecia ridículo, mas logo quando se levantou, Felicity não queria soltar a mão de Hector. Nunca em sua vida achou que pudesse passar por uma situação parecida, e agora que estavam certos que não era um trote.. Não faziam a mínima ideia do que era, e isso a preocupava. O fato de estar sem luz era o menor de seus problemas, a morena já havia acostumado a visão desde pequena, quando fugia para os jardins no meio da noite, e não estava tendo tantas dificuldades em ficar na penumbra, ainda mais depois de seus olhos lentamente se acostumarem. No entanto, apesar de Theo ter dito corretamente que a dor já havia passado, Licy estava bastante curiosa a respeito de como poderiam ter feito aquilo. Droga era improvável, ela não tocara em bebida alguma da festa, e todos os outros estudantes, onde estariam? E uma pergunta que batia no fundo de sua mente: Porque logo eles?
Ao ouvir o rapaz com quem Hector bebia falar, pôde notar pelo tom usado que ele não gostava muito de Scott, mas Licy de fato concordava com ele, então andou em direção à janela mais próxima enquanto procurava por qualquer brecha "Eu posso ajudá-lo, fico aqui procurando uma saída com você" Comentou, então indo em direção ao rapaz, começando a imaginar que ele estava ferido, mas era muito escuro para ter certeza. Felicity foi tomada por uma vontade de ajudá-lo, mas tudo em seu porte a dizia que ele detestaria que ela o fizesse. Quando Hector chamou a atenção das pessoas, Licy não pôde deixar de se impressionar e invejar a capacidade de ficar tão calmo e racional. Afinal, ela estava com milhões de pensamentos pairando em mente, apesar de estar aparentemente relaxada. Observou enquanto ele dava o primeiro passo de qualquer um para saírem dali, e ficou estática com o que lhe acontecera. Foi em sua direção, preocupada, o que teria sido aquele.. choque? "Você está bem?" Perguntou assim que se aproximou dele, mas o rapaz já havia levantado e parecia se recuperar bem.










