Scott já estava no meio da escada quando escutou as lamúrias de Richard, e não parou por conta disso. Calmamente o rapaz subia degrau por degrau, seus pés pisando com leveza na estrutura de madeira, afinal não sabia quanto peso a escada aguentaria de uma vez. Ele esperava que fosse muito, visto que quatro rapazes já haviam se encarapitado nela rumo ao segundo andar. O loiro respirou fundo, olhando para trás algumas vezes e se certificando de que todos que estavam vindo ou que tivessem ficado estavam bem.
Assim que colocou os pés no segundo andar ele respirou normalmente, não percebendo até então que estava prendendo o ar. Tinha noção de Ben ao seu lado, a presença firme do irmão, e mesmo não conhecendo muito bem os outros dois, aquilo já era suficiente. Iluminando o corredor em breu total apenas com a luz de seu celular, Scott engoliu em seco, pisando cuidadosamente sobre o chão instável enquanto procurava pelo zumbido do gerador. Ele estava ali, tinha certeza. Quando mais novo vinha até aquela casa quando estava entediado, e sabia muito bem que os outros quartos estavam sempre cheios demais para acomodar um gerador potente como o que eles sempre usavam. O loiro poderia garantir que começava a escutar alguma coisa, seus pés indo um pouco mais rápido, e no instante em que jurava ter descoberto, não havia mais chão sob seus pés.
Scott gritou, um grito saído do fundo de sua garganta, os braços estendidos para cima na esperança de agarrar alguma coisa, qualquer coisa, mesmo sabendo ser impossível. Foram meros segundos de desespero, os olhos azuis arregalados de pavor enquanto caía até o próximo andar, no qual se estatelou de repente, caindo sobre seu braço e escutando vozes ao fundo, ficando cada vez mais distantes. A cabeça que tentava se erguer a qualquer custo acabou não aguentando, e caiu com um baque surdo no chão, tudo ao seu redor enegrecendo.
De repente o garoto acordou, uma face desconhecida defronte a sua. Scott se afastou por instinto, se arrependendo do feito no instante em que sentiu seu braço fincando de dor. Ele se contorceu, aceitando a ajuda daquele desconhecido para ficar de pé, mesmo que estivesse cambaleante. Todos. Estavam todos ali. Todas as luzes, todos os alunos, nada parecia ter mudado de lugar. O loiro olhou para cima, tentando achar o buraco no teto feito por seu peso, mas não havia nada ali. Ele arfou, tanto de dor quanto de surpresa, sentindo o braço que circundava sua cintura ficar mais firme, como se pudesse cair a qualquer instante. Ele não duvidava disso. "Você bebeu demais, hein, amigo?" perguntou o garoto, em um tom que mesclava preocupação e divertimento. Scott sentiu além da dor no braço, uma indiscutível dor de cabeça. Ele franziu o cenho, mas não tinha o que dizer, o que pensar. O vislumbre das outras pessoas que estiveram no blackout com ele, todas com a mesma face confusa, o fez perceber que não, ele não tinha bebido muito, mesmo que as palavras que saíram de sua boca dissessem o contrário.