“Eu espero que você volte, mas, isso não significa que não vou abrir espaço para outras pessoas. A porta vai estar sempre aberta, mas, talvez a casa já esteja ocupada.”
— Orquestrando.
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“Eu espero que você volte, mas, isso não significa que não vou abrir espaço para outras pessoas. A porta vai estar sempre aberta, mas, talvez a casa já esteja ocupada.”
— Orquestrando.
eu olho nossas fotos nós fomos felizes em algum momento entre as brigas e a porta fechando-se não posso dizer que sinto sua falta pois a falta que sinto é de momentos tão raros que pergunto-me se foram mesmo reais
não espero que você volte tente algum contato ou qualquer coisa
dói dizer adeus mas eu não disse você correu rápido demais
somos completos estranhos agora
sua alma quer voar por liberdade ou desespero?
I’m hungry, I can’t eat.
I’m tired, but can’t sleep.
Im sad, but can’t cry.
Suicidal, but I can’t die.
“É burrice, eu sei. Mas sinto falta. Queria que o tempo voltasse, só pra viver tudo de novo.”
— Renato russo
não sei onde eu me perdi quanta coisa que eu fingi minha mente deu um nó. eu podia ser melhor pra mim.
temos que saber a hora de parar de cutucar a ferida. só sara quando paramos.
“É que, às vezes, para ganhar poemas precisamos perder amores.”
— Eu me chamo Antônio.
“Um amigo me chamou para cuidar da dor dele, guardei a minha no bolso. E fui.”
— Clarice Lispector.
uma vez, me disse que eu era inesquecível. eu nunca quis ser inesquecível porque é esse o termo que usam quando algo já não está mais na nossa vida.
por causa da minha doença eu perdi momentos. perdi festas, saídas, brincadeiras. perdi dias na praia, jogos de basquete e futebol. perdi cursos, palestras, manifestações. perdi o gosto pelas coisas, a energia pra sair da cama, o ânimo pra tentar mais outra vez. perdi oportunidades de amizades ou namoro. perdi laços antigos de anos ou meses. perdi a força pra investir nas pessoas, a fé em mim, a confiança nos sentimentos, perdi a coragem, a energia que relações demandam (embora as pessoas finjam que não). perdi a fé numa religião que me cobrava mais do que tranquilizava, que me condenava mais do que acalentava. eu perdi a companhia física, metafísica, celestial, virtual, sentimental. eu me isolei e perdi a capacidade de estar presente mesmo nas coisas que não perdi. perdi a calma, a tranquilidade, a clareza do pensamento. perdi a energia, a vontade e os sonhos. os grandes objetivos, as vitórias pequenas. perdi a paciência comigo e me cobrei pelas coisas que perdi. vez por vez. cada dia, momento, relação, gota de energia e ânimo, cada pequeno detalhe entalhado na pele: as coisas que não fui, não fiz, não sei. a doença me consumiu a mente, os músculos de atleta, as mãos de artista, o riso de jovem, o ânimo de viva. às vezes eu não sei se fiquei doente e morri, pra vagar feito zumbi só com corpo e sem alma. zumbi que perde coisas que só se mostram pros vivos. que perde pessoas e sensações. pra acha-los muitos comprimidos e gotas depois, sempre temporariamente. ou, no desespero, 4 copos depois, por períodos mais curtos ainda. mas são doses que custam caro. as enxaquecas. os enjoos. a falta de atenção. a boca seca. o sono excessivo. a agressividade ou a passividade, dependendo da tarja. a morte da libido. o ganho de peso. ou a falta de apetite e a perda de peso. os tremores. a insônia e os pesadelos. ou, nos dias de desespero, a ressaca. o corpo sempre pagando preços caros pra fazer a mente funcionar direito. eu perdi a capacidade de funcionar sem auxílio de drogas lícitas. o que é verdade pra pessoas com todo tipo de doença que também precisam permanentemente de auxílio. e pra todos nós: é difícil perder a liberdade de ser sem tarja, sem bula, sem receita, sem horário e dose controlada. eu queria poder agora falar sobre como no final tudo se ajeita, mas esse não é um texto sobre o lado bom das coisas horríveis, que às vezes simplesmente não existe. é sobre como me sinto incompleta e triste por ser privada (por mim mesma) de funcionar.