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@fitacrepe
alguém: você ta diferente.. eu: diferente como? alguém: triste
Eles se amavam, durante todos esse anos eles se amaram, mas como o amor nunca foi dito em voz alta nem mesmo sussurrado propriamente em suas mentes. Sempre soando impossível demais "quem eles eram para ousarem amar e querer ser amados???!", que não perceberam que iam deixando de se comunicar sobre coisas importantes e ate assuntos bobos que gostariam de compartilhar... Crowley nunca soube que Aziraphale era o único anjo capaz de dançar (muito menos que Aziraphale sempre quis uma dança, ao menos UMA - ele não era um anjo exigente), Aziraphale não compreendia que plantas eram o mais próximo que Crowley podia se permitir de querer criar algo, ou como as plantas o lembravam as nebulosas, que o lembrava Aziraphale. E na infinidade de coisas que deixaram passar, o amor que sentiam ia sendo abafado e abafado, de pouco em pouco até parecer apenas uma brisa, tão fraca, que quando enfim um deles ousou tomar atitude, o tal GRANDE GESTO não tinha forças o suficiente. O amor ainda estava lá e sempre estaria lá, na eternidade que lhes cabia, mas já era tão calejado que se recusava a acreditar que um dia poderia ser mais. Mais do que aquele aperto cansado no peito toda vez que pensava no outro... fim.
As vezes..
As vezes eu apenas penso que seria mais fácil para todo mundo ao meu redor, se eu apenas morresse. A morte tem isso de deixar na gente só as lembranças boas e melhorar as lembranças ruins. E então se eu morresse, não ocuparia mais espaço, não necessitaria mais de trabalho extra da parte dos outros para me terem por perto.
Morrer enfim...
Penso nisso todas as vezes que algo acontece, uma discussão que não me deixa dormir, um momento quieto no meu quarto encarando o teto branco com uma aranha solitária descansando, quando ligar o meu carro me causa mais ansiedade do que aquelas aulas de autoescola que estão presas no passado, quando preciso enviar o código de uma conta que fiz e preciso que alguém pague por mim, quando bato meu dedo na quina de algum móvel que sempre esteve lá e eu que sou desastroso demais, não percebi enquanto andava pelos mesmos poucos metros há pelo menos seis anos. As vezes eu penso em morrer e tudo o que sinto é a tristeza contemplativa de quem sabe muito bem, que não vou fazer nada a respeito. As vezes também tenho medo de querer tanto morrer e um dia quando finalmente eu estiver gostando de viver a morte venha bater a minha porta e que argumentos eu terei?! Se no final de contas eu estive chamando ela por todos esses anos..
As vezes, é tudo o que eu tenho.