Fluxo mental
Me sinto só. Sei que pode parecer clichê, acredito que seja mesmo pois muitos como eu dizem se sentir desta maneira. Mas a solidão é uma coisa curiosa, não é mesmo? A realidade é que sempre estamos sós. Nascemos e morreremos sós. Mas nesta vida, encontramos pessoas as quais nos conectamos e que fazem essa passagem ser, de certa forma, menos solitária. Por mais que a sensação de companhia seja uma breve ilusão, o contato humano é muito importante, mais do que isso: é imprescindível. Porém vivemos tempos difíceis. Encontrar um ser humano com o qual é possível se conectar verdadeiramente tem se tornado cada vez mais uma tarefa quase impossível. Não consigo ter conversas verdadeiras e profundas. Com os poucos que consigo conversar, se mostram ser, no final das contas, pessoas egoístas e despreocupadas. Eu fui magoada por quase todos que conheço. Com pouquíssimas exceções, essas as quais me fazem possuir um pouquinho de esperança ainda nas pessoas e nas relações humanas. Mas como é difícil encontrar alguém que nos faça sentir menos sós. Alguém que não seja um completo ególatra insensível, alguém que esteja verdadeiramente preocupado em conhecer o outro por completo. Alguém que se importe não apenas consigo mesmo, alguém que esteja aberto a receber o que o outro tem e doar o que possui de mais belo em si mesmo. Penso que essa carência de riquezas interna seja culpa de toda uma sociedade que nos ensina a competir e desejar ser melhor do que nossos semelhantes. Uma sociedade machista, que trata a mulher como inferior, como objeto. Como pode ser uma sociedade saudável se estamos a tratar mal justo aquelas que nos geraram no ventre por meses? Que dedicaram seus corpos a nós? Como pode ser uma sociedade saudável se o bem-estar individual sempre está acima do bem -estar do grupo? É sempre primeiro eu, segundo eu, terceiro eu e quarto vou pensar no seu caso. É assim. Infelizmente as coisas são assim. Cada vez mais me vejo neste emaranhado de tristezas, pois sinceramente não vejo muito como as coisas podem melhorar. Se é que algum dia já estiveram boas. É muito louco que vivemos uma vida muito curta pra aprendermos muita coisa. Não temos tempo o suficiente pra aprender tudo que seria necessário, eu acho. Quando eu era criança eu achava que o mundo era um lugar bacana. Achava que os policiais eram bonzinhos, que as pessoas eram caridosas, que os homens eram bons e as mulheres reconhecidas. Depois que eu cresci, percebi o infantil engano no qual residia minhas crenças. Percebi que a maldade existe e, pior, ela impera. Percebi que não posso confiar em ninguém, nem em mim mesma, porque a carne é fraca e a gente se auto-sabota. O pior abandono é o de si mesmo. Acredito que eu ainda não tenha chegado nesse nível pois meu caráter sólido que meus pais ajudaram a formar me faz acreditar que talvez existam pessoas que também tenham essa sorte. A sorte de ter um pingo de altruísmo no coração. Mas será mesmo que é sorte? Porque ultimamente isso só tem me levado a ser abusada por aqueles que eu erroneamente confio. Amei pessoas que eu jamais deveria ter amado. Confiei em pessoas que eu jamais deveria ter confiado. Fiz coisas que eu sei que não deveria ter feito, por impulso, por fraqueza. Hoje vivo com medo. Medo de me ferir, medo de deixar com que os outros me magoem ainda mais. Penso em me fechar para o mundo pra que ninguém mais possa me fazer mal. Mas aí, não estaria eu me machucando por não viver?












