todos os dias existe alguma coisa indo embora de mim por isso eu nunca paro por isso eu nunca fico

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@florescer-de-amor
todos os dias existe alguma coisa indo embora de mim por isso eu nunca paro por isso eu nunca fico
tudo vai doer em tamanhos absurdos até não ser mais nada
esse texto é sobre tudo que tem dado errado ou sobre minha imaturidade emocional.
eu sempre senti que minha vida é um temporal. eu estou no meio da tempestade que varia entre um tornado que leva tudo embora em poucos segundos e o ameno que aparece como um arco íris do fim de tarde. as vezes sinto que são problemas sérios ou complexos demais que ninguém entende, e as vezes penso que minha cabeça é a vilã que torna tudo mil vezes pior.
o dilema da tempestade no copo meio cheio ou meio vazio.
tenho certeza da raiz de tudo: meu distanciamento de mim mesma, dos meus princípios, do meu Deus.
a solução é óbvia, mas tão difícil de se alcançar que eu me vejo arrastada dia após dia em um pesadelo que parece não ter fim. as horas passam lentamente ao mesmo tempo que os dias consomem um ao outro, e cá estamos. em abril.
o que fiz até aqui? o que posso fazer para mudar? como vou pensar no futuro se o presente é tão incerto?
perdi um pouco a esperança de tudo.
me vejo nos mesmos erros e situações que todo dia eu acordo disposta a mudar. me vejo sendo consumida e isso arde, e ninguém vê. ninguém se importa.
sou apenas uma menina egoista e ingrata que pensa no próprio umbigo. sou uma filha maravilhosa que só da orgulho. sou uma pessoa instável e inconveniente que faz tudo errado e destrói tudo.
o vazio me incomoda, mas sentir tudo ao mesmo tempo arde e tem arrancado tudo de mim. meu passado me pesa, ao mesmo tempo que o presente me sufoca e o futuro me desespera. me perco no meio de toda essa confusão.
não vejo solução e sou apenas uma pessoa sem educação. meus olhos não aguentam mais transbordar. minha cabeça não aguenta mais trabalhar. meu coração não aguenta mais ser sufocado e implorar por ajuda. minha boca pede silêncio mas grita desesperadamente. a.j.u.d.a.
me afasto de tudo e todos mas o problema me persegue. eu busco paz e encontro guerra. eu busco melhorar e só afundo mais e mais. eu busco ajuda e não encontro. eu busco motivos e só encontro dor. eu tento nadar mas a maré está me vencendo.
vou parar de remar.
com a chegada do isolamento social, vieram novos hábitos e manias. alguns bons, outros nem tanto. entre eles, o maior e favorito, foi cozinhar com mais frequência. tenho feito as mais diversas receitas, que variam do doce ao salgado. tenho aprendido a respeitar e melhorar a minha alimentação e de quebra, a da minha família. eu, que sempre tive compulsão por comida, tenho aprendido a respeitar meu corpo e venho tentando ter uma vida mais saudável. dentre minhas receitas, um bolinho no fim da tarde é o mais frequente. de variados sabores e texturas. alguns ficam fofos como neve e outros parecem uma meleca. o engraçado disso, é que quando o sol começa a se pôr, eu me animo e vou em busca de criatividade para um bolo diferente. a maioria envolve frutas. tenho maneirado na farinha de trigo, e dando espaço as farinhas mais diferentes e que até pouco tempo, nem sabia que existiam. mas onde quero chegar com tudo isso? bom, apesar de toda a animação em fazer e inventar algo novo na cozinha, depois de pronto, eu nem sinto tanta vontade de provar o que cozinho. mas fico anciosa pela reação de quem come. tá gostoso? falta alguma coisa? eu não exagerei? eu me dei conta de que, não só no quesito cozinhar, mas em todos os aspectos da minha vida, eu procuro uma aprovação. qualquer validação me faz exultar de alegria. eu sinto necessidade de uma reafirmação, e com isso, acabando me anulando. anulo meus desejos, necessidades, anseios e ambições. eu abro mão do que me faz feliz, para deixar o próximo feliz. como, por exemplo, quando deixo de fazer um bolo de maçã que eu estava com vontade, para fazer um de chocolate porque meu irmão gosta muito. eu sei que é um exemplo besta, mas se levar a outras situações, parece um absurdo para mim. como quando eu deixo de falar algo que me rasga o peito, para não incomodar quem vai ouvir. ou deixo de usar uma roupa que eu acho bonita, por medo de que alguém me julgue. eu vejo sempre uma necessidade de fazer as pessoas felizes. mas eu não tenho esse poder. ninguém tem. por mais que você se esforce e mova céus e terra por alguém, ser feliz só depende da própria pessoa. ninguém tem o poder me fazer feliz. eu não tenho o poder de fazer ninguém feliz. mesmo que passemos momentos, atravessemos pelo mesmo tempo-espaço e criemos juntos, as melhores lembranças. nesses momentos eu definitivamente não posso te fazer feliz. só você pode. só eu posso me fazer feliz. então a partir de hoje, eu prometo que vou me fazer feliz. vou me fazer completa e parar de viver para que os outros vivam de forma confortável. eu vou me respeitar e fazer meu bolo de maçã, sim. também vou fazer bolo de chocolate, mas só quando eu estiver com vontade. eu vou me fazer completa e vou me respeitar. e cuidar para que a carência e expectativas superestimadas não peguem as rédeas da minha vida- pelo menos, não mais. eu vou passar. e você vai passar. e quando passarmos, estaremos lá, um pelo o outro. em nossas próprias felicidades.
minha ansiedade me convence que meu quarto é o lugar mais seguro do mundo, porque nele, eu não terei decepções ou frustrações. minha ansiedade me convence que quando minhas amigas fazem planos, elas não me querem lá. minha ansiedade me convence que ninguém nunca vai verdadeiramente gostar de mim. me convence que sou completamente sem graça e descartável. me convence que todos os elogios me mandam, são tentativas de consolo. minha ansiedade me convence que minha família não me suporta e só me aturam por obrigação- e por isso eu tento interagir o mínimo possível com eles, para não os fazer ter certeza. quando alguém se interessa em mim, minha ansiedade me faz criar mil planos e expectativas e me impede de me entregar para a pessoa verdadeiramente. quando me olho no espelho, minha ansiedade diz que eu sou só dor e tristeza e a pior pessoa do mundo. minha ansiedade me convence que eu nunca serei uma boa profissional e que eu deveria desistir de tudo, afinal nunca chegarei a lugar nenhum. me convence que todos meus sonhos e planos são pura ilusão. me faz criar milhares de escudos e muros ao meu redor que impeçam alguém de me magoar, mas no final das contas, eu sou a única que o faz. e por mais que eu saiba que toda essa insegurança seja apenas um devaneio criado na minha cabeça, não consigo me livrar dos medos e inseguranças. e com isso, eles criam mais força a cada dia. meus monstros me perseguem onde quer que eu esteja, e a maior solução que tenho encontrado é aceitar e ficar encolhida no escuro do meu quarto, esperando a vida passar.
e cá estou novamente. onde lutei para nunca voltar. esse espaço entre o vazio e o transbordar. essa sensação de que está tudo bagunçado, e você não sabe por onde começar a arrumar. e cá me encontro novamente. nessa lacuna entre o amor e ódio- por mim mesma. quando eu me olho no espelho e só enxergo o reflexo da dor e tristeza, ao mesmo tempo que vejo cicatrizes e tantas superações. cá estou, nesse oco coração que ora quer gritar, ora quer ficar manso como uma mãe que coloca o filho para dormir. não sei se é intensidade, medo das incertezas da vida ou só drama. mas esse sentimento chega como o inverno. manso e brando. e quando você se dá conta, ele já derrubou todas as plantas das árvores, toda a alegria da alma e toda a restauração- da sua alma. mas não se engane. não pense que vou aceitar ficar nesse frio sem data para acabar. meu peito é primavera: sempre se restabelece. mais linda é maior. as árvores vão voltar a brotar lindas flores. e eu vou conseguir fincar novas estruturas ainda mais fortes e firmes e bonitas dentro de mim. e essa vai ser diferente, porque terá Deus como morada e sustento. não entenda mal. Deus sempre esteve aqui, mas eu O alojava em qualquer canto, como se não tivesse tanta importância. mesmo com Ele sendo tão maravilhoso e misericordioso e paciente e amoroso comigo. hoje eu consigo enxergar o quão importante Ele é para mim. o quanto eu O amo. o quanto preciso Dele para viver.
mesmo que ninguém enxergue, ainda há uma primavera aqui dentro. esperando só eu dar o primeiro passo para florescer novamente. para trazer luz e vida nas raízes do meu corpo. para renascer com novos afetos e aprendizados. para ser sol, e iluminar onde outrora foi tempestade. eu sei o inverno chegou de repente, e levou consigo toda a esperança e beleza daqui de dentro. mas ele não é eterno, não se engane. ele veio, e derrubou tudo. deixou uma confusão. mas ele tem dia marcado para ir. só não se deixe acreditar que a vida é um eterno sofrimento. logo depois do inverno, chega a primavera para renovar as forças e alegrias. não se prenda a uma única estação. é preciso passar por todas as fases, para senti-las com força e amar os momentos bons.
talvez nós seríamos o casal que eu sempre sonhei. talvez nós nos amaríamos tanto, que as incertezas ficassem no passado. talvez você conhecesse as partes mais escondidas em mim, que nunca deixei ninguém adentrar. talvez eu virasse melhor amiga da sua irmã. talvez nós viajariamos para londres e aquelas cachoeiras escondidas que eu tanto almejo conhecer. talvez você me contasse todos os seus medos. talvez nós nos permitiríamos ser vulneráveis, porque nosso sentimento um pelo o outro fosse tão grande, que não temeríamos a nada. talvez nós namorássemos e fôssemos muito feliz. mais para frente, casaríamos e teríamos lindos filhos. conquistaríamos a vida juntos. cresceríamos juntos. ou talvez nós nunca teríamos dado certo. por talvez você não gostar do meu jeito mandona e meio mal humorada. talvez nós não teríamos química suficiente para dividir a vida juntos. talvez eu exigisse demais de você. talvez nós não botássemos fogo em tudo e combinássemos como sempre sonhamos. o fato é que nunca saberemos. porque tudo acabou sem nem ter começado. seguimos, cada um o seu caminho. e o talvez é o que mais dói.
quando penso sobre o que é o amor, não consigo achar uma resolução. eu ouço tanto falar sobre ele. eu digo tanto sobre ele. eu sonho tanto sobre ele. os cientistas têm suas explicações. os filósofos tem outras teorias. os amantes o sentem profundamente. os pais se alimentam dele diariamente. mas eu... eu fico muito perdida só de pensar. eu sempre fui de sonhar alto e idealizar cada detalhe da minha vida. de acordo com meus planos, era para hoje eu estar casada, conquistando o mundo e planejando ter filhos. e a verdade é que ainda estou aprendendo a aceitar que a vida não é um roteiro para seguir minhas vontades e sonhos. deus não é uma caixinha de realizações de desejos. nos livros e filmes eu quase posso sentir o que é o amor e o ser amada. mas na prática eu tenho me forçado a acreditar que é sobre a forma como meu cachorro vem lamber minhas lágrimas quando estou triste. sobre quando adeus responde minhas dúvidas e incertezas sobre o futuro, sem eu ao menos perguntar. sobre como meu pai sempre aparece no meu quarto para saber se eu estou bem. sobre quando minha mãe compra chocolate porque sabe que eu amo. sobre quando meu irmão me marca em algum meme, só para me fazer rir. ou quando minhas amigas me ligam para falar sobre besteiras. sobre quando o dia amanhece tão ensolarado que eu sinto tudo dentro de mim quentinho. sobre como as flores e animais que toco, me tocam com intensidade. eu tenho descoberto que o amor não é sobre grandes declarações e presentes caros. o amor não é somente sobre aquele menino que eu espero que vá mudar minha vida. porque o amor tem transformado minha vida, quase que diariamente. nos pequenos detalhes. nas coisas que quase passam despercebidas. mas só quase. o amor já chegou. ou melhor, ele sempre esteve aqui. eu que sempre fui distraída demais para perceber.
if you only knew what the future holds
after the hurricane comes a rainbow
maybe a reason why all the doors are closed
so you could open one that leads to the perfect road.
o que fazer quando quem deveria te impulsionar, é quem te puxa para baixo. quando os laços sanguíneos parecem nós. quando quem deveria te dar um ombro amigo te dá espinhos no lugar. quando o lugar que deveria ser porto, é caos. quando uma palavra amiga se transforma em polêmica. quando os momentos de alegria se transforma em furacão. e tudo que sobra, é dor. laços sanguíneos deveriam ser o maior bem em nossas vidas, mas as vezes só é veneno. e tudo que sobra, é barulho e confusão. aquela família que de longe parece perfeita, mas que se você abrir as cortinas, vai enxergar a sujeira. quanto mais o tempo passa, mais critica o seu interior fica. porque tudo que é bom é sugado de dentro de você. e você passa a ser só amargura e tristeza e isso afeta toda sua vida. seus relacionamentos amorosos ou amigáveis. as pessoas te olham, e não te enxergam. e você se perde de si mesma, porque você teve que fingir tanto que estava feliz, ou que era alguém que você nunca gostou. você teve que sorrir em momentos que só queria chorar. você prendeu tantas e tantas vezes o choro, que sua garganta já se acostumou com a dor é só empurra com todo o desgosto possível. porque por vezes você quis gritar para ver se aliviava, e o que você fez foi guardar. e todo o acúmulo hoje esgotou. e você não sabe mais esconder ou fingir ou rebater. você só aceita que a vida é uma droga e você não vai melhorar e toda essa bagunça não vai embora. e você é triste e está perdendo sua energia. que é sugada a cada minuto que vocês estão próximos.
deus, como eu queria te encontrar. sentar aos seus pés ou me alojar em seus braços. e ficar ali acomodada para sempre. como eu queria estar pertinho de ti e sentir que nunca precisarei sair. só queria ter seus ouvidos para me escutar e seus lábios para me confortar. como eu queria que toda nossa amizade fosse algo físico. por que as vezes sinto que eu me ajoelhar todas as noites e chorar e desabafar e implorar por qualquer coisa que seja, não é suficiente. porque tu é o único que verdadeiramente me entende e me ouve e me ajuda e me ama. por inteira. porque de ti, não preciso ocultar nada. nem as partes mais feias. nem as partes mais dolorosas. e nem quando eu não consigo sequer falar. porque eu tenho a certeza viva de que tu já sabes. quando nem eu sei o que sinto, tu já sabes. tu já me entendes. é tão confortante saber que posso ser eu mesma na sua presença. é mais gostoso ainda saber que tu me amas. apesar de tudo. apesar de todas as partes amargas e feias e tristes que estão enraizadas em mim. obrigada por não me julgar e por sempre me perdoar, mesmo quando eu menos mereça. não existiu nem nunca existirá amor mais puro. porque tu não precisa de motivo ou razão, como muitas vezes eu faço. tu amas e ponto. sem pesares ou poréns. tu és. acima de tudo. e eu te amo muito.
eu vivo a esperar por algo ou alguém que faça eu me sentir pertencente. não sei bem o que ou onde ou como é. se é uma pessoa, lugar ou sentimento. vivo desesperadamente esperando por algo que nem sei se realmente existe ou vai chegar. é só que eu nunca senti que pertenço a algo ou alguém ou algum lugar. eu me sinto tão deslocada em todo lugar que vou. me sinto tão indesejada e incompreendida. como se o mundo fosse um quebra-cabeça e minha peça veio com defeito. eu passo horas antes de dormir, sonhando acordada, desejando e me agarrando a algo que pode nunca chegar. não sei se vivo em uma ilusão completa ou se só vivo no mundo da lua. se estou vendo as coisas da forma errada e deveria tentar o rumo. não sei por onde começar. não sei o que fazer.
eu sei
eu sei que foi eu quem criou todas as expectativas.
eu sei que você foi bem aberto quando disse que podia acontecer tudo, inclusive nada.
eu sei que foi eu quem fantasiou tudo na cabeça.
mas isso não impede de doer.
isso não impede essa angústia que me toma o peito e faz doer todo o resto.
isso não impede as lágrimas presas que pedem desesperadamente para sair.
eu sei que você não tem culpa.
eu sei que nós nem chegamos a ter nada.
eu sei de tudo isso.
mas isso não impede de que eu sinta meu coração se quebrar em mil pedacinhos.
os dias estão pesados. as horas parecem não passar. todo santo dia é exatamente igual a todo santo dia. a vida parece tropeçar na monotonia que se infiltrou aqui dentro. não sinto mais vontade de fazer nada. eu tento não parar totalmente, mas na maioria dos dias eu falho. o pior é ver todo mundo parecer dar conta, e estudar e se exercitar e comer melhor. eu até consegui me enganar com tudo isso por um tempo. mas eu cansei. minha mente cansou. meu corpo cansou. a efemeridade se enganou, e se tornou a realidade- que chegou pra ficar. parece que as notícias ruins não acabam e até a vida se cansou. anda mais melancólica do que nunca. se adiando a base de café, redes sociais e ansiedade. a angústia está tão forte que posso ver pelos lentos e pesados movimentos do ponteiro.
é porque quanto mais o tempo passa, menos esperançosa eu fico. tudo que sonhei quando criança parecia tão distante. mas eu tinha esperança que estava chegando, era questão de tempo. hoje, parece que o tempo não passa, ou melhor, até passa, mas eu fico pra trás. tudo acontece na vida de todo mundo. mas minha vida permanece a mesma. talvez seja culpa dos filmes e séries e livros que me fizeram crer que eu encontraria o principe perfeito e seríamos felizes para sempre. e aí, a menina sonhadora idealizou cada pedaço da vida. mas não contava que ela seria alguém totalmente diferente. o meu de agora tem sonhos diferentes, gostos diferentes, vontade diferentes, mas parte de mim ainda espera por esse tal príncipe. claro, que ele hoje se parece mais com uma pessoa normal e meio desajeitada que me aceite e tope tropeçar pela vida ao meu lado. mas eu não vejo caminho. eu sei que com Deus não tem duas palavras. não tem impossível. mas ainda sim fica meio difícil acreditar que alguém preferiria eu a qualquer outra pessoa nesse mundo.