Você é toda poesia.
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trying on a metaphor

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@meucalipto
Você é toda poesia.
mas é que eu nunca fui do meio termo tudo que me alegra, me faz vivo tudo que me deixa triste, me quebra, me parte, me mata
a.
já é uma vitória continuar tentando dia após dia recomeçar,
por si só é um ato de resistência.
eu sou mesmo feito quem morre de fome e quando come enche a pança até estourar o botão da calça
você dizia que eu era 8 ou 80 catatônica derivados minha falta de vírgula evidencia isso eu saio mesmo empurrando tudo atropelando em tudo tropeçando em todas as coisas possíveis você disse que eu precisava ir com mais calma “o tempo nem existe” e riu ele existe sim e ele escorre por isso eu corro porque eu não tenho tempo a perder porque quando eu te via saindo da minha casa eu nunca sabia se naquele momento você também saía da minha vida e eu não podia deixar que nosso último dia não fosse abarrotado do meu desespero de amar (te amar) eu não queria perder tempo arrumando a casa pra possibilidade de você ficar eu queria apenas fazer valer a pena enquanto você estivesse
e aí eu passava com meu furacão e bagunçava as flores do jardim e aí eu passava com o meu amontoado de informação e bagunçava as suas idéias sobre mim eu gosto de ser eu, g texto sem pausas sentindo continuamente quando você decidiu ficar era eu com todo o meu catatonismo quando você foi embora era você com outras preferências dando lugar a quem iria me preferir eu gostei de ser maré brava na sua vida boa sorte na sua busca por maré mansa
três horas da manhã bati na tua porta e vomitei todas as poesias que te escrevi você me olhou com olhos de ódio e amaldiçoou minha existência me pus a correr de canalha que sou e caí das escadas de bêbado que estava quebrei um braço uma perna e um coração .
de bêbado que sou | Iago Souza
“para a puta que levou meus poemas”
—
alguns dizem que deveríamos evitar remorsos particulares no poema, manter-nos abstratos, e há certa razão nisso, mas jezus; lá se vão doze poemas e eu não tenho cópias deles em carbono e você está com minhas pinturas também, as melhores, é sufocante; quer me destruir como fez com todos os outros? por que não leva meu dinheiro? é o que normalmente fazem com os bêbados desacordados na esquina de quem batem os bolsos das calças. da próxima vez leve meu braço esquerdo ou cinquenta contos mas não meus poemas: eu não sou Shakespeare mas vai chegar um tempo em que simplesmente não haverá mais nenhum, abstrato ou como quer que seja; sempre haverá dinheiro e putas e bêbados até a última bomba cair, mas como Deus disse, cruzando as pernas, sei muito bem onde coloquei um bocado de poetas mas não muita poesia.
Charles Bukowski.
(via meuereader)
arpilleras
sempre penso que estou num ciclo repetido de palavras de ordens. afetos e distúrbios aquáticos. os adjetivos sobem do útero à cabeça em histerismo. começo a me bater. socar a pele em busca de sentenças gramaticais que me absorva a vida. o tempo do dia acaba por me bater mais. me surrar. acabar com todas as células que insistem em viver na revolução. aí viro ruga e século. sinto todos os movimentos planetários vindo em meu corpo. todas as movimentações humanas subindo nos ossos. agonizo, porque penso e pensar estraçalha neurônio.
quando o olho atravessa o nosso povo escorrendo em barro, a vida sendo capital e as mulheres guardando em si o mundo no mundo - abordando em linhas tortas o destino; é como se nascesse memória no fogo. o sangue esquenta. a vida derrete e a partir da próxima esquina crio uma manifestação no corpo:
sagrada e eterna - todas as agonias serão perdoadas.
regenero e sou toda verbo. toda palavra.
Eu sempre fui assim,
um pouco triste e um pouco só.
queria fazer parte de tudo
e estar em todos.
serei a primeira no mundo
a morrer de saudades.
talvez o que eu sentia tivesse outro nome
um mais leve menos urgente menos eterno
mas ainda assim real
porque eu te quis na minha vida de um jeito sincero
mesmo que não fosse o jeito que você queria
a gente é feito do que a gente sente.
a vida é a tragédia que não demos conta.
b.
todos nós estamos nos recuperando de algo.
Da alma pra dentro a gente é eterno em cada detalhe.
Tão sensível ao charme das coisas simples da vida.
amélie poulain
no fim,
sou eu
que se perde
e se cura sozinho.
somente eu.
poemasdocaos
o seu toque me explode as artérias.