É, Zé, acho que essa tal de tristeza gosta de mim, não me deixa em paz nem por um segundo, e eu já estou farto dela.
E agora, Zé?

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É, Zé, acho que essa tal de tristeza gosta de mim, não me deixa em paz nem por um segundo, e eu já estou farto dela.
E agora, Zé?
— Eu tenho medo de ferir o coração de alguém. — Por quê? — Suspirei — Porque eu sei como dói.
Gustavo Vieira.
Não gostava daquela cafeteria, mas toda manhã estava ali. As lembranças dela naquele local me machucava. Para piorar, ela também ia toda amanhã. Além das lembranças, tinha a sua presença, que machucava ainda mais. Te ver, do Skank, era a música que mais tocava no meu som e a que resumia minha situação. Eu a queria e não conseguia esquece-la. E vê-la todos os dias e não poder toca-la, acaricia-la, dizer o quanto a amo…“É insuportável, é dor incrível”.
A Cafeteria da Ilusão.
De tempos em tempos dou uma pausa no drama excessivo e viro do avesso pra me tornar essa pessoa calminha, despreocupada e de bem com a vida. Só até me cansar e correr de volta pro olho do furacão. Sou meio inconstante, pode-se dizer assim. Uma hora quero calmaria e na outra quero tempestade. Pra falar a verdade, nem sei o que eu quero. Vivo pra descobrir isso.
Iolanda Valentim.
Uma flor nasceu na rua! Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego. Uma flor ainda desbotada ilude a polícia, rompe o asfalto. Façam completo silêncio, paralisem os negócios. Garanto que uma flor nasceu. Sua cor não se percebe, suas pétalas não se abrem, seu nome não está nos livros. É feia. Mas é realmente uma flor. Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde e lentamente passo a mão nessa forma insegura. Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se. Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico. É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.
Carlos Drummond de Andrade.
“Nosso grande medo não é o de que sejamos incapazes. Nosso maior medo é que sejamos poderosos além da medida. É nossa luz, não nossa escuridão, que mais nos amedronta. Nos perguntamos: “Quem sou eu para ser brilhante, atraente, talentoso e incrível?” Na verdade, quem é você para não ser tudo isso?…Bancar o pequeno não ajuda o mundo. Não há nada de brilhante em encolher-se para que as outras pessoas não se sintam inseguras em torno de você. E à medida que deixamos nossa própria luz brilhar, inconscientemente damos às outras pessoas permissão para fazer o mesmo.
Nelson Mandela - Discurso de posse, em 1994.
Não quero chegar aos 90 anos, morrer e pensar: “eu podia ter tentado”.
S.O.S do Amor
Nunca gostei das aulas de desenho. Lá, eles ensinam a proporção entre olho, nariz e boca para fazer um rosto perfeito. A perfeição do seu rosto está justamente na desproporção: olhos um pouco maiores do que o normal, lábios um pouco mais finos do que o comum, nariz um pouco menos exato do que a maioria, e a fala infinitamente mais doce do que a verdade – essa – impossível de rabiscar. Seus olhos, isolados, talvez não teriam a mínima graça e eu não olharia para eles com o mesmo silêncio de agora, aquele silêncio de quem admira uma obra de arte exposta na galeria mais desejada do mundo: o céu. Sua boca, sozinha, talvez não me dissesse nada de relevante e eu permaneceria calado, sem ao menos questionar todos os seus defeitos. Seu nariz, ali, sem nada por perto, talvez soasse arrogante e apontaria para uma noite sem estrelas da qual se é simplesmente desnecessário contemplar. Gosto de você assim: sem aula, sem matéria, sem dever de casa, sem teoria, praticamente, como veio ao mundo: nua na roupagem da minha imaginação.
Eu me chamo Antônio.
Preciso sair e ver uns olhos.
Gabito Nunes.
A beleza é subjetiva. Nem todo mundo vai achar você bonito, e nem todo mundo vai achar que você seja feio. Sorria e seja você mesmo. Uma pessoa feliz é uma pessoa bonita.
Igor Hastings.
A gente sente. Sente muito, sente pouco, sente falta, sente bem, sente mal. E entre tantos sentimentos que confundem todos os sentidos, não sentir é o mais assustador.
Um clichê e meio.
Ela escrevia porque pensava ser capaz de trancar todos os seus sentimentos num papel.
Caligrafadas
Não sirvo pra protagonista de grandes histórias de amor. Não tenho um brilho especial no olhar, nada acima da média. Nunca li uma quantidade absurda de livros e isso, é um grande arrependimento. Nunca fugi de casa para ver o pôr ou nascer do sol numa praia. Não tenho um gosto excêntrico para sabores de sorvete, gosto do óbvio. Sempre escolho o óbvio. Não tenho uma grande qualidade que possa ser explorada por um autor, por melhor que seja o autor. Entenda bem, parece drama, mas é a mais pura realidade. Sou óbvia, na média, nada fora do normal. Monótona me definiria bem.
Logofobia.
Não me importo com opiniões alheias ou precipitadas sobre mim. Posso não ser a melhor pessoa do mundo, mas também não finjo ser o que não sou.
Pedro Pinheiro.
Só merece teu cais, quem suportou teu caos.