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Afinal, quem se importaria comigo?
Brayan Bohn. (via futuro-heroi)
Mas amigo, de uma coisa eu sei: Nem sempre as coisas terminam como a gente quer. Nossos planos nos passam uma rasteira e nos chutam pra caminhos muitas vezes até melhores.
Mateus Yoshitani. (via futuro-heroi)
Em junho de 2013, poucos dias antes do dia dos namorados, minha namorada terminou comigo. Eu fiquei sem entender. Voltei pra casa e durante todo o caminho me perguntava: "Por que?". A Ășnica coisa que vinha na minha cabeça era a voz dela dizendo: "Eu amo vocĂȘ". Eu passei um mĂȘs sofrendo procurando respostas para o que estava acontecendo. Um dia, entrei no quarto do meu pai chorando e perguntei: "Pai, ela dizia que me amava. EntĂŁo, por que ela terminou comigo?". Ele respondeu: "Meu filho, Quando alguĂ©m entra na sua vida e depois de algum tempo vai embora, pode ser qualquer coisa menos amor". Eu disse: "NĂŁo da para entender. Um dia, existe amor e no outro tudo acabou". Ele respondeu: "VocĂȘ nunca vai superar seus traumas se continuar procurando no amor uma lĂłgica. Construa uma nova histĂłria". Eu perguntei: "E de onde vem essa força pra começar algo novo?" Ele respondeu: "NĂŁo se preocupe com isso. Todo começo vem de um final". Uma semana depois, meu pai foi diagnosticado com uma doença rara e degenerativa que iria matĂĄ-lo em alguns dias. Minha mĂŁe nĂŁo o abandonou. Ela ficou. Meu pai saia toda sexta para comer pizza com dois irmĂŁos. Quando ele parou de andar, meus tios começaram a trazer a pizza aqui em casa. Eles diziam: "Sem o seu pai, nĂŁo tem graça". E ficavam a noite inteira dando gargalhadas. Hoje, meu pai nĂŁo consegue mais comer. Mesmo assim, toda sexta meus tios passam aqui em casa. Meu pai estudou em Ouro Preto-MG. Na formatura ele combinou com trĂȘs amigos de se encontrarem de cinco em cinco anos. Este ano, meu pai nĂŁo pode ir porque ele nĂŁo anda mais. Os amigos dele saĂram do interior de Minas e vieram atĂ© aqui em casa. Todo formando tem uma foto pregada na parede na repĂșblica que estudou. Os amigos do meu pai trouxeram a foto dos quatro. Pregaram a foto de cada um na parede do quarto e disseram: "Agora, a nossa repĂșblica Ă© a sua casa". E combinaram que daqui cinco anos estariam de volta. Meu pai chorou. Meus pais completaram 47 anos de casados dia 2 de junho. Eles sempre dançaram nesse dia. Meu pai nĂŁo consegue mais se levantar. Minha mĂŁe entrou no quarto e colocou a mĂșsica que eles dançavam. Ela disse: "Meu filho, traz a cadeira de rodas". Eu perguntei: "O que vocĂȘ vai fazer?" Ela respondeu: "Vou fazer o que seu pai faria por mim". Eu busquei a cadeira de rodas. Minha mĂŁe colocou meu pai na cadeira. Ela ajoelhou ao lado dele e disse: "Vamos dançar". Abraçou meu pai e fez a cadeira girar. Ela ficou ajoelhada a mĂșsica toda. Meu pai chorava e ria ao mesmo tempo. Eles ficaram ali dançando e se divertindo. Eu voltei pro meu quarto chorando. Abri o notebook e resolvi escrever esse texto. Porque eu vejo o mundo distorcendo ou complicando demais o amor. Um monte de gente dizendo fique com alguĂ©m que faz isso, que faz aquilo, que te de isso, que nĂŁo sei o que mais. Esse monte de regras e exigĂȘncias, sĂŁo coisas criadas pela cabeça. E, meu velho, nĂŁo sei se vocĂȘ sabe mas o amor Ă© criado pelo coração. O resto, Ă© ilusĂŁo. EntĂŁo, acredite. O amor, amor completo Ă© quando vocĂȘ quer o outro sempre perto. SĂł isso.