|⠀⠀|⠀⠀|⠀⠀it’s the devil ,⠀—⠀trying to hold me down ⠀”
⠀⠀. . .⠀⠀⠀por favor, aplausos para FORCE KIRDPAN, nosso representante do DISTRITO 2! se não me falha a memória, essa graciosidade tem apenas 24 ANOS e vem se destacando desde que foi VOLUNTÁRIO na Colheita, especialmente por sua habilidade com ARMAS CORTANTES e por ser CHARMOSO e SÁDICO. a verdade é que toda Capital não vê a hora de descobrir o que esse rostinho angelical é capaz de fazer!
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HABILIDADE: Force cresceu com uma lâmina na mão e, ao longo dos anos, transformou armas brancas em extensão natural do próprio corpo. Seus movimentos são capazes de desarmar, ferir ou matar antes que o inimigo perceba o golpe. Ele não hesita em usar a dor como ferramenta, e suas investidas costumam ser calculadas para maximizar o sofrimento. Force é ambidestro e consegue improvisar com qualquer objeto afiado ao alcance, tornando-o imprevisível em combate. No entanto, sua habilidade exige proximidade— ele é letal no corpo a corpo, mas vulnerável a ataques à distância ou a adversários que consigam manter o combate fora de seu alcance imediato. O prazer sádico que sente ao torturar os oponentes também pode ser sua ruína: às vezes, força o combate além do necessário apenas para saborear a dor alheia, e isso lhe custa segundos preciosos.
VITORIOSO: Iah Kirdpan, Distrito 02 — Mãe de Force Kirdpan (vitoriosa na 70ª edição dos Jogos Vorazes)
Iah se voluntariou aos Jogos Vorazes como sua avó antes dela e se tornou uma das vitoriosas, admirada e desejada no Distrito 02, vista como o melhor partido que alguém poderia ter. Não demorou muito para se casar com First, o treinador-chefe dos pacificadores, e juntos construíram a família que todos esperavam, com três filhos criados entre mimos, luxo e as exigências silenciosas de quem esperava perfeição. Um deles venceria, como ela venceu. Um deles traria o orgulho que ela tanto esperava.
Force e seus irmãos eram extremamente unidos, crescidos sob o mesmo teto que os ensinou a se protegerem acima de tudo, mas isso nunca apagou a competição constante entre eles. Cada um queria ser o melhor, porque era isso que a mãe esperava, era isso que o pai exigia com o olhar calado.
Na 99ª edição dos Jogos Vorazes, Fort era o favorito. Tudo indicava que ele sairia vitorioso. Era o mais forte entre os Carreiristas, já haviam eliminado boa parte dos outros tributos, e a vitória parecia questão de tempo. Mas os malditos do Distrito 6 tentaram repetir a historinha de Katniss e Peeta, e claro que a Capital não cometeria o mesmo erro duas vezes. A morte de Fort foi cruel, injusta, e deixou um vazio estranho na família Kirdpan.
Iah ficou inconsolável, perdida em um luto que ninguém podia aliviar. First seguiu como se nada tivesse acontecido, o uniforme impecável, os passos firmes, o dever acima de tudo. Já Force começou a se perder em pensamentos que nunca antes pensou que teria. Não fazia sentido. Aquele casalzinho de merda jamais teria força para vencer Fort. Ele sabia disso, todo mundo sabia. Então por que a Capital decidiu matá-lo daquele jeito? Por que tiraram seu irmão quando a vitória já era dele?
Esses questionamentos viraram rancor, e o rancor virou o combustível que movia Force a cada novo dia. Ele se jogou nos treinamentos com tudo. Estava mais violento, mais impiedoso, sedento por sangue de um jeito que deixava até sua irmã mais nova desconfortável. Foi com esse ódio queimando na alma que ele se voluntariou para o Massacre Quaternário.
Carolyn não acreditava do que tinha ouvido sobre o mentor do distrito 3. Era um choque para a jovem Carolyn, mas pensava também dos mentores e tributos que tiveram que ver aquele cenário... Estariam bem? Aquilo tinha sido uma mensagem, uma mensagem bem forte a dizer que se fizessem algo, aquela seria a resposta. Aquilo apenas a fazia lembrar do pai, que o via a passar pelos corredores, sem vida no olhar. "Não entendo....Mas é realmente verdade o que dizem? O mentor do distrito 3? " Ela nem queria acreditar. Precisava que alguém lhe dissesse se era verdade ou mentira.
|⠀⠀|⠀⠀|⠀⠀⠀⠀╰⠀⠀・゚⠀⠀⌖⠀⠀⠀Dizer que não ficou, ao menos por um instante, impressionado com o corpo pendurado seria mentira. Ele e os irmãos cresceram sempre demasiado curiosos pelo trabalho do pai. Já haviam visto coisas semelhantes, claro, mas nada ao vivo. Agora, com o cheiro metálico ainda impregnado nas narinas, foi quase engraçado o modo como sua mente saltou para a ideia de um doce. Algo simples, infantil. Foi nesse exato instante que a voz de uma moça interrompeu seu devaneio. Force voltou-se com aquele brilho nos olhos que misturava cinismo e entusiasmo, e os lábios começaram a se curvar num sorriso divertido. ❝ Ah, você perdeu o espetáculo? Deixe-me atualizá-la, love. ❞
❝ O mentor do Distrito 3… ❞ começou, com o tom de quem narra uma história em voz alta para um grupo de amigos ❝ Não é engraçado como é sempre o Distrito 3 que começa as coisas na história? ❞ Por um segundo, pareceu se perder no pensamento, mas logo fez um gesto rápido com a mão, como se espantasse uma mosca. ❝ Enfim, ele tentou ajudar o tributo a fugir, o que, claro, é proibido. Resultado: o mesmo destino de toda pessoa que vai contra a Capital. Sabe qual é? Se você pensou uma morte lenta e dolorosa, acertou. ❞ Soltou uma risadinha leve, melodiosa, e balançou os ombros com aquele trejeito displicente que o pendurado jamais seria capaz de repetir. ❝ Se bem que ele ainda respirava até agora... ❞ Seus olhos brilharam por um momento, não de empatia, mas de um interesse perverso. ❝ Será que ainda está? Será que Sêneca vai deixá-lo lá, igual um porco, até terminar de sangrar? ❞ Mordeu o lábio inferior, sacudindo levemente a cabeça. ❝ Droga. Agora fiquei curioso para os próximos capítulos. ❞
INTERAÇÃO ABERTA — QUINTO DIA : dia de treinamento.
Ouviu da boca de seu pai a preocupação que tinham, na época de seu avô, com relação à aparência. Arzhel, que nunca ligou para um corte de cabelo, higiene além do básico, unhas limpas e um meio de esconder as cicatrizes pelo corpo, agora se via em meio a pessoas excêntricas que comentavam de que forma seu cabelo deveria estar: com gel ou livre em algum penteado muito simples? Como fariam aquilo, era algo que não passava na mente dele, sendo, portanto, levado a se preocupar mais com sua sobrevivência do que em como iria parecer. Benefícios da Capital seriam muito bem-vindos, mas, acima disso, queria ser no mínimo útil. Fosse para Bexley ou para sua família, trazendo ao menos mais um vitorioso para os Calahan - do contrário ele seria o primeiro a perder. Uma desgraça! Na sala de treinamento, cercado por outros tributos e alguns idealizadores acima, Arzhel testava suas habilidades com facas e lanças, algo a mais caso não conseguisse um machado em mãos. Pensava, todavia, em ajuda para si. Ouviu do irmão que seria bom ter patrocinadores, mas, especialmente, aliados. Olhou para o lado e viu uma pessoa próxima a si. Foi difícil sorrir para outrem, mas o fez, meio sem jeito, até se dar o trabalho de interagir, finalmente: "Não 'tô acostumado a tomar um banho tão relaxante antes de me exercitar, isso me deixa lesado..." Após falar mais do que em dois anos de sua vida, Arzhel respirou fundo antes de pausar o que estava fazendo para dar uns passos para trás, esticar a arma branca para a pessoa e aguardar uma movimentação dela. "Quer fazer junto?" Aliados, busque por aliados.
|⠀⠀|⠀⠀|⠀⠀⠀⠀╰⠀⠀・゚⠀⠀⌖⠀⠀⠀Embora não estivesse com qualquer disposição para treinar com facas naquele dia, algo no loiro parado junto ao estande capturou sua atenção. Force se aproximou com um andar preguiçoso e seus dedos deslizaram pela lâmina de algumas facas, como se quisesse testar se estavam, de fato, afiadas. Esperou que o rapaz falasse algo e, quando ele o fez, sorriu para si mesmo, antes de erguer o olhar na direção dele.
A pergunta foi simples, até inofensiva aos ouvidos desatentos. ❝ Ah, sério? E como você toma banho no seu distrito? ❞ Havia uma curiosidade maliciosa na voz do outro. Force ergueu a mão, como se fosse apenas para pegar a faca que o tributo segurava, mas no último instante mudou o gesto— suas mãos envolveram não só o punho da arma como também a do rapaz. E, com um puxão seco, os dois corpos se aproximaram, o gesto rápido, preciso, quase íntimo. ❝ Juntos? ❞ Provocou, com a sobrancelha arqueada em desafio.
O silêncio pareceu se esticar por um instante, antes de Force abrir um sorriso torto, divertido, como quem se deleita com o desconforto alheio. ❝ Claro, por que não? ❞, completou, soltando a mão alheia como se aquilo nada tivesse significado. Girou a faca entre os dedos e a segurou com firmeza, já voltado para o alvo à frente, embora ainda sentisse os olhos do outro cravados nele como se procurassem algo mais profundo do que a lâmina.
◜ ˚ 🫧 ⠀ ˓˓ infidelidade costuma deixar rastros, mesmo que involuntariamente. atitudes frágeis e incomuns. atenção dobrada. um senso quase sobrenatural de desconfiança e vigilância. era exatamente o tipo de aura que a manhã do sexto dia expressava. alta infidelidade. segredos. e tudo aquilo foi se alimentando na cabeça inquieta de pearl desde a madrugada, quando ela mal conseguiu dormir — já estava se tornando comum — e viu pelas janelas a movimentação incomum de pacificadores fora do centro. não parecia um passeio noturno qualquer. não parecia parte do script dos jogos.
e após o café, na arena de treinamentos, pearl estava tentando se concentrar na prática de montar nós e cordas para armadilhas e escaladas seguras quando percebeu que algumas vozes baixas falavam sobre algo— como sussurros capturados por detrás de portas entreabertas; alguns olhares ansiosos para as câmeras espalhadas.
ela se aproximou dx tributo, chegando quase despercebida enquanto os olhos alheios estavam no aparelho de monitoramento preso ao alto. 〝 parecem mais inquietas que os próprios tributos, não é ? as câmeras . . . quase como se quisessem pegar o mais baixo dos suspiros. 〞 comentou, com um meio sorriso simples de quem não se mostra intima demais, tampouco repelente demais.
|⠀⠀|⠀⠀|⠀⠀⠀⠀╰⠀⠀・゚⠀⠀⌖⠀⠀⠀Era absolutamente desnecessário que Force tornasse mais evidente sua maestria com armas. Mesmo que os demais não tivessem prestado atenção nos primeiros dias de treinamento, o olhar dos instrutores, o silêncio respeitoso dos outros tributos e o modo como o espaço ao seu redor sempre parecia mais carregado. Ele não precisava provar nada. Ele, afinal, era filho do homem que formava os pacificadores para serem temidos nos distritos inferiores.
Assim, nos últimos dois dias, assumiu uma postura de despreocupação quase irritante, como se estivesse ali apenas para passar o tempo, com a cabeça levemente inclinada e o olhar lânguido, aprendendo habilidades de sobrevivência. Quando sentiu a aproximação de Pearl, sequer ergueu os olhos; continuou manuseando a corda de juta com dedos hábeis. Ela deveria fazer o primeiro movimento. ❝ As câmeras não estão inquietas, quem está por trás delas… ❞
Force virou-se apenas quando o nó foi finalizado com precisão, depositando-o sobre a mesa. Seus olhos pousaram sobre a garota, e um sorriso pequeno distorceu-lhe os lábios. ❝ Pearl, love, quer que eu termine para você? ❞ disse com aquela voz baixa, arrastada, que sempre parecia conter algo venenoso. Então se apoiou na borda da mesa, braços cruzados, observando o restante do grupo com um desdém frio, calculando suas habilidades. Seu olhar pairou por alguns segundos no espaço vazio ao fundo da sala. ❝ Sem querer falar o óbvio, mas temos um tributo faltando… O que você acha que pode ter acontecido? ❞