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When someone says: “why are you watching this show from season one again”?
A Garota do Trem
Aproveitando que é um livro que logo chegará aos cinemas.
Comprei-o ao ler a resenha e lembrar vagamente que seria convertido em filme. A capa fazia um certo alarde sobre a história, comparando-o ao “Garota Exemplar”. Mas, na real, a parte que dizia simplesmente “Londres” foi o que me convenceu.
Spoilers
Com a narração pelos pontos de vista de Rachel (uma mulher alcoólatra e divorciada que toma o trem todo dia), Anna (a atual esposa do ex-marido de Rachel), e Megan (a moça que Rachel observa do trem), a história é feita em pedaços.
No caminho que Rachel faz todos os dias de trem está a casa de Tom, o ex-marido, e a casa de um casal que ela adora observar – e nomeou como Jason e Jess. Certo dia, ela vê Jess com um outro cara e, abalada, mais tarde se embebeda. Algo que não conhecemos por completo acontece – relacionado a uma visita de Rachel à casa de Tom, onde mora com a atual esposa e sua filha. No dia seguinte, Megan (o nome verdadeiro de Jess) é dada como desaparecida.
Basicamente, à partir de então, Rachel tenta se envolver com a investigação. Ela se aproxima de Jason – que na verdade se chama Scott -, testemunha para a polícia e ocupa sua vida com o mistério de Megan.
O que é mais surpreendente é que, por mais que tentemos ignorar a bagunça da vida de Rachel, seus dramas com relação à Tom e à mulher pela qual foi trocada, é justamente aí que a resolução mora.
Particularmente, eu percebi quem era o assassino um pouco antes do timing do livro, juntando as peças: As mentiras que Anna ouvia, as conversas de Megan com o amante, e a parte em que a ficha caiu – Rachel relembrando de um de seus lapsos de memória causados pela bebida no consultório do psicólogo Kamal Abdic (que atendera e se envolvera com Megan). Além da evidência-mor: o que Rachel, Anna e Megan, as narradoras do livro, têm em comum.
Eu não achei o livro tudo isso que estão falando por aí. Obviamente parece com “Garota Exemplar” por causa do drama de casal, mas fora isso... Não tem mais nada em comum.
Rachel é a personagem tipicamente perdedora. Ela se comporta com pouca dignidade e o mais irritante é que reconhece isso. Entendo que ela estava derrotada... Mas eu não consigo me conformar com a atitude passiva e sem perspectivas dela. Ainda sim, é uma opinião minha e reflete a realidade dela, fazer o quê.
Eu fiquei um pouco confusa com a designação “thriller” para essa história. Não achei assim tão emocionante, principalmente porque não aconteceu muita coisa além de viagens de trem e momentos de lapso de memória movidos a álcool.
Pode ser bem escrito, pode ter um mistério, mas para ser sincera, não achei realmente intrigante. Parece uma história qualquer de um episódio qualquer de uma série policial... Talvez valha a pena apenas pela personagem trágica de Rachel... E olha que eu a achei deprimente.
Enfim, já li gêneros de mistério bem mais interessantes. Pode ser coisa minha, por não ser convencida por histórias com dramas banais, simplesmente por implorarem para ser reais demais. Além do mais, como disse... Não vi nada de fato surpreendente no desfecho.
O Despertar do Príncipe
Motivos para amar esse livro: todos.
Faz algum tempinho que o li (algumas semanas), mas não poderia deixar de comentar. Eu adorei tudo sobre o livro, tanto a ponto de ficar motivada a ler os outros de Colleen Houck. Conhecia a autora pelo “A Maldição do Tigre” – tinha uma temática mística (que, pelo jeito, é o carro chefe das histórias dela), voltada para a Índia, mas nunca tive coragem de começar a ler. Depois do “Despertar”, saí correndo para comprar toda a coleção.
... Além do mais... O que é essa capa lindíssima? <3
Spoilers
Lilliana é uma jovem que mora em Nova Iorque, filha de socialites. Apesar da vida regrada e presa pelas escolhas deles, ao encontrar um jovem meio perturbado, falando uma língua estranha, ela embarca em uma insana aventura para ajudá-lo.
Acontece que o rapaz é, na verdade, um príncipe do antigo Egito cuja missão é acordar a cada mil anos para impedir a volta de Seth, o deus do caos. Ele foi enviado para o museu de NY e precisa voltar para o Egito para encontrar os dois irmãos. No processo, usa seus poderes mágicos para vincular a energia de Lily à sua.
Eu amei o livro. Primeiro pelas cenas insanas com Amon: ele não está nem aí se mil anos se passaram e ele acordou em possivelmente uma das maiores cidades de um mundo que ele não conhece mais. Ele anda por aí com a Lily com um objetivo na cabeça, nobilíssimo por sinal, de salvar a humanidade, e nada atrapalha - nem mesmo as estranhas carruagens motorizadas ou as águas cheias de gás com gosto estranho.
Outra coisa: Colleen Houck, a autora, pesquisou hiper bem as referências ao antigo Egito (acho que não deveria esperar menos, mas mesmo assim) ao relatar as lendas e costumes de Amon. Eu particularmente amo o antigo Egito com todas as minhas forças, e não poderia ficar mais feliz ao vê-lo retratado assim.
E outro ponto para Colleen na construção da personagem Lily: ela é interessante, honesta, e eu gosto da bondade dela - tem princípios, apesar da alta grana... E eu me identifiquei, pois ela é controlada, discreta, mas tem um instinto aventureiro que a faz embarcar na missão de Amon. Fora as ótimas referências cinematográficas em cada fala – adoro isso!
Ainda temos cenários muito bonitos, personagens interessantes e um enredo fantástico, nada ancorado em verossimilhança ou em fatos... Algo raro nesses dias de precisão científica, e que nos permite embarcar na ficção com grata aceitação de todo misticismo e magia.
Enfim, eu adorei o livro e indico. Tem um frescor, é inventivo e muito dinâmico.
E mal posso esperar pela continuação!
Não vi nada além de verdades.
Legend
Nota sobre o meu “não consegui ler”
Li 150 páginas do primeiro livro e não aguentei mais!
Ganhei o box de aniversário, e sinceramente tinha boas indicações. Meio utópico, os livros eram curtos... Não sabia como poderia dar errado.
Mas aí comecei a ler. Eu não consegui me envolver na história desde o início... Apesar da ambientação ser ao estilo pós-modernidade de... Sei lá, Blade Runner, apesar de a personagem principal ser militar (algo que eu não consigo não amar)... A coisa não funcionou.
Contra-indico para quem, como eu, não gosta de histórias muito restritas ao mesmo tema, aos mesmos conflitos (pois tudo gira em torno da estrutura do país, da guerra, e das doenças nas áreas pobres) e tem alguma resistência a histórias que se desenvolvem meio devagar.
P. S.: Ponto positivo: sensacional a ideia de atribuir a cada personagem uma fonte diferente!
Beleza Perdida
Um “Nicholas Sparks” sem Nicholas Sparks
Fiquei muito impressionada pela capa do livro. Nem precisei ir até a livraria: já queria lê-lo só de ver no site. A resenha, porém, apontava para uma trama envolvendo o 11 de Setembro, uma pequena cidade nos Estados Unidos e um romance ao estilo Bela e a Fera - temas que em geral não assim tão apelativos pra mim.
Mas resolvi ir em frente.
Spoilers!
A história se passa ao longo de vários anos. Fern Taylor, inicialmente um patinho feio na escola, sempre foi apaixonada pelo galã e astro de luta da cidade, Ambrose Young. Eles até mesmo trocam algumas cartas, mas ela se apresenta nelas como uma amiga, Rita, que todos consideram linda. Ao final do colegial, mesmo com bolsa integral na faculdade, Ambrose vai para a guerra e leva seus quatro amigos consigo.
Ele volta quase deformado, cego de um olho e abalado pela morte dos amigos na guerra. Passa a se esconder das pessoas da cidade. Fern, por outro lado, cresceu e está bonita, mas continua a achar que Ambrose não gosta dela. Por insistência e com muito apoio do primo e melhor amigo de Fern, Bailey, eles conseguem se entender.
O destaque na história é, na verdade, de Bailey. O garoto com distrofia muscular com conhecimento refinadíssimo em luta, otimismo e humor afiado enfrenta as más perspectivas de todos os ângulos e se torna um herói, à sua maneira, quando tenta impedir que o marido agressivo de Rita (por quem sempre fora apaixonado) a mate e ao filho dela.
Os personagens são ótimos. Claro que há aqueles mais pincelados, mais bobinhos (talvez pois pessoas assim realmente existam), como a Rita; Há também uma certa decepção com a protagonista, Fern... Eu a achei linear. Não consegui me identificar especialmente com ela, e fora sua disposição para ajudar as pessoas, gosto literário peculiar e relativo complexo de inferioridade, não tem nada de marcante ou empolgante.
... Mas os outros personagens... Eu bem que gostaria de conhecê-los! Bailey, como mencionei, é uma mensagem de otimismo em um mundo banal. Ele é divertidíssimo. Nunca mais vou ver os microfones de supermercados da mesmo forma. E Ambrose, como toda fera ferida, foi capaz de me surpreender das mais diversas maneiras, ainda que eu seja um pouco cética quanto à personas extremamente belas que também são sensíveis, inteligentes e muito perfeitas.
O enredo é simples, segue uma ordem não-cronológica e, para a minha surpresa, é narrado em terceira pessoa. Isso me interessou, pela dificuldade em encontrar romances de narrador-observador ultimamente, principalmente neste gênero de drama/romance.
Bem, eu gostei do livro. Bastante. Ouvi dizer que era um livro triste, mas eu o achei bastante otimista - isso, é claro, dentro do mundo em que vivemos, com altos e baixos. Acho que é por isso que pode ser considerado um livro que se assemelha aos do Nicholas Sparks; ainda sim, tem uma identidade própria: o drama ou é corriqueiro, como pessoas violentas e instáveis que fazem horrores com a esposa e outras pessoas, ou é heroico, como o Bailey, que não morreu tragicamente pela doença, mas com sacrifício pelos que ele amava - nada de grande tragédias, demais para serem críveis.
Por fim, esse é um livro que passa uma mensagem de persistência mesmo nas lutas que travamos com nossos demônios pessoais - algo que é sempre necessário. Passei a acreditar no que diz a contracapa do livro, que autora sabe os elementos que fazem uma boa história... Fazer da tragédia algo tão encorajador requer mais do que a média dos escritores.
Imagine Cas going to Sam’s room to watch Netflix and then...
Relationship advice!
...with Sam Winchester
When I break something that clearly didn’t belong to me:
A Seleção
Aproveitando que eu não fazia a menor ideia de que hoje é dia nacional do livro... Uma série (quase) inteira de uma vez só.
Eu já via há tempos as capas na livraria. Claro que, criada com muita Disney e Diário da Princesa, me pareceu uma história atraente. No entanto, ouvi comentários que era meio infantilóide, logo desmentidos por outros que diziam que a série era incrível.
Ainda bem que tomei coragem para ler.
Spoilers, brotha.
Em um mundo pós-quarta guerra mundial, as Américas do Norte e Central passaram a ser uma jovem nação monárquica chamada Illéa, que é dividida em oito castas - dos moradores de rua à família real.
No sudeste de onde hoje é os EUA vive America Singer, que pertence à quinta casta (de artistas e músicos). Diferentemente das garotas da sua idade, ela não quer participar da Seleção - um concurso de garotas de todo país pela mão do príncipe. Na verdade, America namora em segredo um jovem de casta inferior, Aspen. Na esperança de lhe dar uma vida melhor, ele insiste para que ela se inscreva no concurso e depois termina o relacionamento dos dois.
America é selecionada. Vai até a sede do país, onde encontra as outras 34 sorteadas e o príncipe em questão, Maxon. Ainda de coração partido, ela combina com o príncipe que será apenas sua amiga, pois precisa do dinheiro da participação e da distância de Aspen que a Seleção lhe proporciona. Ele fica encantado pela espontaneidade dela, pela sinceridade, e concorda.
E é claro que, com muitos tropeços, desentendimentos, conflitos políticos e competição entre as candidatas da Seleção, America e Maxon se apaixonam. Eles quase anunciam o casamento diversas vezes, mas a melhor amiga de America na competição, Marlee, é punida no palácio por estar apaixonada por um guarda, há ataques rebeldes todo o tempo no palácio e o rei Clarkson não gosta nem um pouco da possível nora.
Na conclusão da trilogia inicial, Maxon descobre da pior maneira que America e Aspen, que fora recrutado e presta serviços de guarda no palácio, já haviam sido namorados. Ele quase termina a Seleção anunciando o noivado com outra garota, mas um grupo rebelde particularmente violento ataca bem na hora, e Maxon percebe que não poderia gostar de ninguém além de America. Saldo final: o rei e a rainha morrem, e quando America dá por si, ela não havia somente sido a vencedora da Seleção como prontamente promovida a rainha.
Vinte anos depois, quem deve participar da Seleção é Eadlyn, filha de America e Maxon - futura rainha. Após todo um próspero reinado em que o rei Maxon eliminou as castas e trouxe uma nova maneira de governar, a população torna a ficar revoltosa. Para trazer uma distração enquanto buscam-se novas soluções, Eadlyn concorda relutantemente em convocar 35 garotos para competir pela sua mão.
Um dos garotos é ninguém menos que Kile, o filho de Madame Marlee, que vive no palácio desde criança junto à princesa. Os outros competidores logo chegam, e ainda que Eadlyn não queira, começa a se afeiçoar a alguns deles, como o fofo Henri, que acabara de chegar da “Finlândia”, chamada de Noruécia na série. Porém, o principal conflito da futura rainha é a imagem que quer passar para os súditos - ora parece agressiva, ora distante, e ela não consegue se abrir para os garotos.
Ao final deste primeiro volume, o irmão gêmeo de Eadlyn, Arhen, foge para a França para se casar com a princesa Camille. O choque é tanto que faz com que a Rainha America tenha uma parada cardíaca. Eadlyn decide continuar com a Seleção, mas desta vez para de fato se comprometer com um marido, a fim de aliviar a pressão sobre seus pais.
Por fim, a coletânea de contos da Seleção narrada dos pontos de vista de Aspen, Lucy (a criada e par romântico de Aspen), Maxon, Marlee e Celeste (a mais agressiva competidora de America na Seleção), além de um prólogo para a Escolha, um conto especial para a mãe de Maxon, a rainha Amberly, os destinos das candidatas da Elite (As três selecionadas que permaneceram até o final com America) e um trecho do próximo livro de Kiera Cass (que não está no universo da Seleção) - Tudo comentado pela própria Kiera Cass, e ainda ilustrado.
Eu particularmente estava louca para saber sobre a Marlee. Ela é uma personagem extremamente cativante e foi bom saber que, apesar das punições e das duras condições de vida, ela realmente teve um final feliz. Também foi especialmente divertido saber sobre o ponto de vista de Maxon, e me surpreendi com o conto da Rainha Amberly, extremamente leve e justificável, pois ela sempre foi um ponto de equilíbrio entre as Selecionadas e o implacável rei Clarkson.
Mas, admito, não via a hora de terminar os contos de Aspen e Lucy. Como Kiera assinala no comentário, Maxon sempre foi preferência nacional, e ela queria trazer à luz Aspen, pois ela mesma o adora. Posso afirmar que, como aspirante a escritora... Eu entendo. Mas com certeza não queria saber mais sobre ele. Paciência, fazer o quê. Pelo menos ele teve um final feliz.
Fim dos Spoilers
Enfim, eu adorei a série. Diferentemente de outras sagas, entrei no universo da Seleção de forma bastante tranquila, e a única emoção que tive lá foi a de ficar encantada. Não há grandes brigas, grandes conflitos, e tudo se resolve - até mesmo os personagens mais “maus”, como Celeste e o rei Clarkson, se justificam, como comprovado no livro de contos. Eu adorei a atmosfera nobre e glamourosa palácio. Adorei as tramas políticas simplistas, que não deixam de emprestar à trama um contraponto ao romance. Sair de lá foi um pouco difícil, admito.
O que me deixou um pouquinho fora de sintonia foram alguns contos. Para pessoas que leram e simplesmente veneram a série, valem a pena. Eu os li meio que por curiosidade, e considero que foram um acréscimo para que eu entendesse melhor os pais de Maxon e tivesse uma conclusão satisfatória para a história de Marlee - mas nada imprescindível, caso o amor pela série seja como o meu, leve como uma pluma.
Eu com certeza indico, ainda mais para quem busca livros tranquilos e rápidos, com uma história sólida, encantadora e romântica.
P.S.: Ainda falta mais um! A Coroa, conclusão da história de Eadlyn, chega no próximo ano (e eu com certeza vou ler, quero que ela escolha o Henri!!!)
Bebendo muito líquido no verão, e...
“Hoje é sexta-feira”
Joyland
Um must-read. De verdade.
Não é segredo pra ninguém que eu adoro as histórias do Stephen King. Sempre fui fascinada pela aura de mistério com que todo mundo trata filmes como “O iluminado” e “Cemitério Maldito”, e quando finalmente tomei coragem para assisti-los... Fiquei completamente apaixonada. Primeiro, pois são histórias de um terror bem light (pelo menos pra mim, há quem discorde) que paradoxalmente é psicológico e nos assombra, de ótima construção, detalhes trabalhados, toques de sobrenatural, alternando com realismo... Enfim, é rico de todas as maneiras.
Era isso que eu tinha em mente ao ler Joyland. Na verdade, o primeiro romance de King que de fato li. Estava com esses sentimentos de fascinação e medo, esperando que talvez por escrito o nível de medo subisse a algo que me deixasse desconfortável à noite (pois costumo ler até as cinco da manhã, e, caramba, como a noite é cheia de sons estranhos quando você tem motivos para ficar de orelhas em pé). Mas... Não foi nada do que eu imaginei.
E não deixou de ser imperdível. Incrível.
Spoilers do livro
Devin Jones, com cerca de vinte anos, é um universitário que arruma um trabalho de verão no parque de diversões Joyland. Lendas dizem que o trem-fantasma do local é assombrado pelo fantasma de uma jovem, Linda Grey, que havia sido assassinada por um serial killer.
Ele trabalha durante a alta temporada com personagens marcantes e comoventes: desde os outros calouros que dividiam a pensão com ele, Tom e Erin, e se tornam amigos de toda a vida de Devin, até os funcionários antigos do parque, como uma vidente que beira a charlatanice, um mal-educado operador do trem fantasma e um carismático mentor.
Devin, de coração partido pela primeira namorada, decide ficar mais algum tempo trabalhando em Joyland ao invés de retornar para a faculdade. Durante a baixa-temporada, ele caminha pela praia todas as manhãs e acaba por conhecer um menino doente, Mike, e sua mãe Annie, filha de um grande pastor da época.
Enquanto isso, atraído pela história de Linda Grey, ele começa a conduzir uma investigação sobre o caso. Vai até o trem-fantasma esperando encontrar o espírito da moça, mas tudo o que consegue é que seu amigo, Tom, a veja. Mais tarde, quando leva Mike e Annie para um dia em Joyland, o brinquedo dispara sozinho e o garoto, com suas habilidades mediúnicas, diz que viu o fantasma de Linda sair e se despedir daqueles que a ajudaram a encontrar a saída daquele lugar.
Após este dia em Joyland, Devin passa a juntar as informações sobre o acontecido. Com as pistas que sua amiga Erin investigara e as previsões da vidente do parque e de Mike, ele começa a desconfiar de alguém no parque – e o telefone toca. O serial killer de quem ele desconfiava percebera a aproximação de Devin, e o fez concordar em ir até Joyland ou ele invadiria a casa de Annie e Mike e os mataria.
Já no alto da roda-gigante que o próprio Lane, mentor de Devin, ensinara a manusear, o homem ameaça a vida do rapaz com uma arma. Afirma que foi ele quem matara Linda Grey e tantas outras, encoberto pela vida itinerante das companhias circenses e do circuito de parques, e que soubera da investigação de Devin quando Erin viera até o parque e trouxera as fotos originais de Linda Grey horas antes de sua morte.
Quando Lane estava prestes a puxar o gatilho, Devin ouve Annie na passarela da roda gigante e ele se abaixa segundos antes da mulher atirar no assassino. Annie conta que Mike vira o fantasma de Eddie, o funcionário mal-humorado que Devin tentara salvar da morte naquela semana, que avisava sobre a tentativa de assassinato de Lane em Joyland, e avisara sua mãe.
A verdade sobre Lane vem ao público. Devin volta para a faculdade e, algum tempo mais tarde, Mike falece. O livro termina quando Annie e Devin se reúnem para empinar a pipa do menino com suas cinzas, para que ele voasse como gostaria.
Joyland é o segundo da empreitada de King no mundo dos thrillers sobre crime. O primeiro, The Colorado Kid, é um livro que estou matando para ler, já que deu origem a uma das minhas séries favoritas, Haven. Tem uma aura vintage (nota-se pela capa), pois se passa nos anos 70, e uma ambientação nostálgica de praia e parque de diversões tipicamente americana.
Essa é uma trama muito mais complexa do que eu consegui resumir. A narrativa é muito pessoal, de forma que várias vezes Devin adianta fatos que vêm depois, e trata, como falei, de personagens muito profundos, por mais pincelados que sejam mencionados ao longo da história.
Fora isso, o estilo de King é impecável. Apenas alguém com grande maturidade tanto na escrita quanto na vida pode produzir algo com tanta sensibilidade e verdade. Nada de idealizações, como tenho visto muito nas minha últimas leituras, mas uma história que, ainda que tenha uma leve temática sobrenatural, é precisa sem exagerar no brutal ao tratar de vida e morte, retirada por um ou outro motivo.
O fato é que eu gostei tanto dessa leitura, foi algo tão exótico quanto surpreendente pra mim... Que fica extremamente difícil analisar de forma crítica. Sim, ladies and gents, fui tão arrebatada por King que me deixei levar em suas quase 240 páginas de Joyland. Sofri junto com os personagens, temi por eles e, principalmente, me diverti com Devin e seu amigo, Tom. Um personagem tão jovial e verossímil, com os defeitos e dramas que acometem a todos nós...
Caramba, onde você estava até agora, King? ONDE?
Ah, peraí... Ele estava por trás do título de “mestre do terror” para modestamente esconder suas habilidades IMPRESSIONANTES no drama e no humor. E, droga, ele merece todas as honras.
E pode contar que você ganhou uma fã, agora dos livros <3
A Rainha Vermelha
Acredite, o título e o livro não poderiam estar mais distantes.
Spoilers
O livro trata da história de Mare Barrow, uma menina de sangue vermelho (e, desta forma, subjugada em um mundo em que seres humanos com superpoderes de sangue prateado são reis) que vem a descobrir que tem o poder de gerar e manipular eletricidade.
No início do livro, o mestre de seu amigo Kilorn morre, de maneira que ele não tem mais a profissão de pescador para aprender. Neste mundo, quem não tem ofício está fadado a lutar em uma guerra centenária por uma causa dos prateados. Para evitar o destino do amigo, Mare tenta contrabandeá-lo junto a uma crescente facção rebelde vermelha, mas não tem o dinheiro necessário para tal. Como boa ladra, ela vai até uma cidade dos prateados para tentar levar algo de valor. No entanto, uma bomba explode na capital, trazendo o caos à cidade através de uma transmissão na televisão, e os vermelhos começam a ser perseguidos. Ela foge sem nada, e sua irmã, na tentativa de ajudar, acaba sendo punida por tentativa de furto - sua mão é quebrada, e o ofício da irmã é justamente bordar.
Arrasada pelo seu fracasso, Mare ruma até um bar e furta quem passa por lá. Um rapaz a pega, mas ao invés de entregá-la, ele a ajuda e ainda lhe arruma um emprego - que ela só vem a saber no dia seguinte, quando é levada à força para o palácio de verão da realeza.
Durante a exibição das candidatas à princesa na corte, Mare não só descobre que o estranho que a ajudara é o príncipe herdeiro como também (e por acidente) descobre que tem poderes. Para tentar apaziguar a situação, o rei a arranja como noiva do irmão mais novo, dando-lhe uma nova identidade prateada.
As semanas se passam e Mare, agora Lady Mareena Titanos, se adapta à corte. Tem aulas de etiqueta, história e treinamento. Nesse meio tempo, descobre que um de seus irmãos, Shade, foi executado na guerra e se junta à causa rebelde junto ao seu noivo. Ainda que ela nutra alguns sentimentos pelo príncipe mais velho, Cal, começa a ter confiança no seu noivo, Maven.
Basicamente, o que acontece no livro é que, na capital, ela e o grupo rebelde planejam dar um golpe de estado: Mare tenta convencer Cal a liderar o exército contra o castelo após explodir a ponte até o palácio. Quando tudo dá errado, eles são isolados em um quarto.
Cal entrega Mare e Maven ao rei. A rainha começa a usar seus poderes dominar Cal, fazendo-o executar o próprio pai. Seu plano desde o início era manipular Mare por meio de Maven, para torná-lo o novo rei.
Mare e Cal são levados para uma arena. Lutam contra vários prateados, revelando ao mundo todo que Mare é vermelha e tão poderosa quanto os prateados, e acabam resgatados pela facção rebelde - que escapou dos soldados de Cal por um triz, e por isso é tratado como prisioneiro. Shade aparece vivo, e todos se encaminham com o trem até o refúgio dos rebeldes. Pretendem buscar outros vermelhos que, como Mare e Shade, possuem poderes.
Bom... Devo dizer que tenho diversas ideias sobre esse livro. Mas, de uma maneira geral, eu o acho aquém das minhas expectativas.
Eu o levei com o incentivo de duas simpaticíssimas atendentes na livraria, pois diziam que era o melhor livro que foi lançado nesse ano. Com toda aquela empolgação, pensei que seria incrível... Mas me decepcionei um pouco.
Achei bem escrito, tem fluidez... Mas o estilo é bastante comum. A história e inteiramente alicerçada em um universo fictício, e a falta de construção geográfica e histórica é algo que, particularmente, considero positivo; afinal, tratar de um mundo cujas regras não são dedutíveis por não serem as nossas sem tentar delimitar tudo é uma investida corajosa que eu admiro - mas ainda sim, dá muita margem à inventividade e recursos de surpresas fáceis no enredo... Então é algo também negativo, pois permite soluções mirabolantes à la “deus ex machina” para a história.
Tudo bem, técnica à parte... Eu não combino com a história, admito. Tem todo um trabalho criativo, uma ideia original de um mundo dividido por sangue, mas o clima quase steampunk de tecnologia/ mundo medieval/ magia não é pra mim. Além do mais, não gostei da monotonia: entre as páginas 150 e 300, não acontece quase nada na corte - poderia ser bem mais reduzido.
Quanto aos personagens: Não gosto do nome Mare. Não é alguém que eu veria como protagonista. E ela mesmo... Apesar de ser muito anunciada como “forte”, em um modelo meio Katniss, meio Tris, tive como extremamente ingênua – cheguei a ficar com raiva pois ela nem desconfiou de Maven, sendo que estava EVIDENTE que tanta bondade sem nenhum pé atrás nunca poderia ter um bom desfecho. Além disso, ela não tem muita complexidade, é uma personagem muito rasa (talvez pela origem sofrida, não tenho como afirmar) e unidirecional quanto ao propósito e as motivações: sobreviver, salvar sua família.
Já a corte e a família real são enjoados; enquanto vilões, não são carismáticos, não são totalmente agradáveis... Enfim, não achei divertido odiá-los, como aconteceu com o presidente Snow de JV, por exemplo. Mesmo Cal, que deve ser visto como o príncipe forte e decidido, um soldado e futuro par romântico da Mare... Não me convenceu totalmente.
De todos os outros personagens, o que eu mais gostei só teve umas três falas na última cena e apareceu no resto do livro apenas como citação: é o Shade. Depois de saber o poder dele, então... Impossível não amá-lo. E é bom ele não me decepcionar, pois até agora não gostei muito de nenhum outro personagem dessa série: todos são cinzentos, ninguém é genuinamente empolgante, engraçado ou bom.
Enfim... Esse livro não inspira tanta urgência nem tanta empolgação. É um entretenimento legal, mas precisa de mente aberta para um enredo previsível e, apesar de estar em um mundo fantástico, trivial. Eu até indicaria a leitura, mas tem outros livros de fantasia, utopia e aventura que dão de dez a zero: os mais do que famosos Jogos Vorazes, Divergente, Cidade dos Ossos, enfim...
Espero mais dos outros livros, mas não vou depositar todas as minhas expectativas nisso... Prefiro achar uma outra saga para ter vício, com histórias mais empolgantes e verdadeiramente originais.
Perdido em Marte
Sobre o livro e o filme ;)
Já tinha o livro na estante há algum tempo. Acontece que sou absolutamente apaixonada por aventuras fora do planeta terra, histórias sobre viagens espaciais e astronautas. Ficção científica é tudo de bom!
... Mas esse livro não é bem desse gênero. Como está evidente com a descoberta de água no planeta vermelho, falta pouco tempo até que efetivamente levemos a humanidade até lá. É um livro quase profético!
Spoilers sobre o livro:
Mark Watney é engenheiro e botânico, além de astronauta na missão Ares 3. O livro se inicia algumas horas após a partida dos demais tripulantes de sua missão: com apenas alguns dias em Marte, acontece uma tempestade de areia anormalmente forte que ameaça o grupo. Durante a evacuação, a antena de comunicação do acampamento se parte e acerta Watney, quebra seu monitor de vida e o deixa inconsciente.
Com isso, faltam nada menos do que quatro anos até que a missão Ares 4 chegue ao planeta, e Mark deve se programar para sobreviver até lá. Porém, a situação não poderia ser mais adversa: os suprimentos não duram nem até a metade do tempo necessário e os equipamentos do acampamento (chamado de Hab) não foram montados para funcionar por quatro anos.
Watney começa a plantar batatas dentro do Hab, esperando estender seu estoque de alimentos. Também reforma os veículos de exploração para ir até uma sonda perdida no planeta e usá-la na tentativa de comunicação com a Terra. Ocorrem vários incidentes e imprevistos, como por exemplo uma mini-explosão na hora em que Mark vai produzir água e a implosão em uma das comportas do Hab - que destrói definitivamente a plantação de batatas.
Na Terra, com a descoberta de que Watney ainda está vivo e tenta a sobrevivência em Marte, o mundo inteiro está unido para salvá-lo. Os técnicos da NASA correm contra o relógio para montar uma sonda de mantimentos, mas seu lançamento acaba dando errado. Na China, os cientistas do programa espacial oferecem seu próprio propulsor para a construção de uma nova sonda para Mark. Então surge uma nova solução: ao invés de mandar a sonda direto para Marte como na primeira tentativa, Rich Purnell, da astrodinâmica, elabora um plano de fazer a nave com a tripulação da Ares 3, Hermes (ainda transitando de volta à Terra durante o percurso) resgate a sonda na órbita terrestre e a leve para Marte, resgatando Watney e utilizando os suprimentos em outra viagem de retorno do planeta. Ainda que o diretor da NASA, Teddy, não tivesse concordado, o diretor da missão Ares envia clandestinamente os cálculos da rota para a tripulação da missão e eles, juntos, decidem resgatar Mark apesar das ordens direta da NASA. Teddy é obrigado a apoiar a arriscada manobra.
O novo plano exige a adaptação do veículo de exploração para uma viagem de quarenta sóis (um dia marciano nas contas da NASA). Acaba que, durante esse processo, Mark frita os circuitos da Pathfinder, a sonda cujo sistema de comunicação era a única coisa o que conectava à Terra. Então Mark parte para o local onde se encontra o veículo de ascensão até a atmosfera de Marte (que serviria à Ares 4, e foi mandado quatro anos mais cedo que a missão para fabricar combustível). Mais alguns incidentes ocorrem durante a viagem, como uma tempestade imprevista e o tombamento do veículo, mas Mark consegue chegar. Ela desmantela a nave de ascensão segundo indica a NASA a fim de aliviar o peso e aumentar a velocidade até a interceptação da Hermes no sobrevôo por Marte - ele até mesmo tira parte da fuselagem, deixando Watney exposto à atmosfera durante a subida.
Na Hermes, vários ajustes têm de ser feitos quando Watney finalmente decola. Ele adquire menos velocidade do que pretendiam, de maneira que a Hermes precisa passar mais perto do planeta. Para isso usam quase todo o combustível disponível. Com isso a tripulação ainda precisa explodir uma das comportas para despressurizar quase toda a nave e desacelerá-la depois.
Resgatar Mark do módulo ainda é outro desafio, mas ele logo é levado para dentro da nave. Com algumas costelas quebradas, atordoado pela ascensão improvisada e há meses sem tomar banho, Mark finalmente está salvo.
Eu simplesmente amei o livro. Claro que é necessário certo esforço para lê-lo, por a sobrevivência do Mark está baseada em muitos cálculos, física e principalmente química. Como toda boa pessoa de humanas, foi necessária muita atenção e resgate de conhecimentos do ensino médio da minha parte...
Mas valeu a pena de todas as maneiras. Primeiro, pois o Mark é muito engraçado. Quero dizer... MUITO, a ponto de me fazer gargalhar alto enquanto lia. E não só ele: tem bons momentos com todos os personagens. Depois, o livro corre com fluidez, apesar de variar entre momentos de monotonia e empolgação, e é até meio difícil acreditar que Andy Weir é estreante como autor: constrói a história como se acompanhássemos Watney, desde seu absoluto isolamento e confusão quando abandonado, passando pelos momentos iniciais de sua comunicação até o momento em que está na mira dos olhos de todo o mundo, na transmissão do seu resgate. Nós nos sentimos na pele dele, como se também estivéssemos em um grande conflito e empolgados com uma grande aventura.
Eu gostei muito da mensagem do livro: É uma luta pela sobrevivência nas circunstâncias mais inóspitas e adversas, mas com uma inabalável esperança, otimismo e bom-humor.
Mas tratemos sobre o filme:
Spoilers
A história é basicamente a mesma. Não houve lá muitas mudanças, apenas algumas subtrações de certos problemas de percurso enfrentados por Watney e uma grande alteração do final – não é Beck quem por fim o resgata, mas a comendante Lewis, e Mark se aproxima da nave como “o homem de ferro” no filme, algo apenas mencionado como uma boa piada no livro.
Além disso, pouco das complicadas adaptações químicas, cheias de cálculos, são de fato apresentadas no filme. Acho que essa escolha de abordagem da história foi bem inteligente por parte dos roteiristas, já que o grande público não só boiaria como também acharia maçante a preocupação coma precisão matemática e científica da sobrevivência do Watney.
De resto, as semelhanças são tantas que certos diálogos são iguais, palavra por palavra.
Nos aspectos cinematográficos… Vamos considerar um mundo (nem tão) hipotético em que um elenco com Matt Damon, Jessica Chastain, Kristen Wiig, Jeff Daniels, Sean Bean e Chiwetel Eijofor é dirigido pelo mítico Ridley Scott. Tem como isso potencialmente dar errado?
Não. Nem neste nem em qualquer mundo hipotético. Matt é gênio na atuação em todos os seus filmes e esse não foi diferente. Seu ar geralmente sério fica tipicamente bem-humorado na pele de Watney.
E o que falar dos outros atores? Pra começo de conversa, gargalhei sozinha no cinema quando soube quem era a desbocada porta-voz da NASA Annie Montrose: Kristen Wiig. Eu a adoro demais desde Paul, ela com certeza foi a escolha ideal. Ainda tem Sean Bean, protagonizando a cena mais meta que eu já vi na minha vida: a cúpula da NASA procurando soluções para o resgate de Watney em uma reunião denominada “Projeto Elrond”. Quando tiveram de explicar a referência à Sociedade do Anel com o próprio Boromir ali… Ri sozinha novamente no cinema.
Enfim… O filme é tão excepcional, empolgante e bacana quanto o livro. Merece ser assistido pela história, pelos efeitos visuais, pela integração dos atores… Tem muita harmonia do elenco.
E para mim, o que fica de Perdido em Marte, tanto livro quanto filme, é isso: além de ficção de alto nível, feita como absolutamente real, um testemunho do mais sincero otimismo.
Você usa essa palavra sempre que pode. Patriarcado na torrada. Patriarcado na minha calça. Patriarcado com gotas de limão.
E. Lockhart, Mentirosos
Estou fazendo chá arrogante
E. Lockhart, Mentirosos