A Garota do Trem
Aproveitando que é um livro que logo chegará aos cinemas.
Comprei-o ao ler a resenha e lembrar vagamente que seria convertido em filme. A capa fazia um certo alarde sobre a história, comparando-o ao “Garota Exemplar”. Mas, na real, a parte que dizia simplesmente “Londres” foi o que me convenceu.
Spoilers
Com a narração pelos pontos de vista de Rachel (uma mulher alcoólatra e divorciada que toma o trem todo dia), Anna (a atual esposa do ex-marido de Rachel), e Megan (a moça que Rachel observa do trem), a história é feita em pedaços.
No caminho que Rachel faz todos os dias de trem está a casa de Tom, o ex-marido, e a casa de um casal que ela adora observar – e nomeou como Jason e Jess. Certo dia, ela vê Jess com um outro cara e, abalada, mais tarde se embebeda. Algo que não conhecemos por completo acontece – relacionado a uma visita de Rachel à casa de Tom, onde mora com a atual esposa e sua filha. No dia seguinte, Megan (o nome verdadeiro de Jess) é dada como desaparecida.
Basicamente, à partir de então, Rachel tenta se envolver com a investigação. Ela se aproxima de Jason – que na verdade se chama Scott -, testemunha para a polícia e ocupa sua vida com o mistério de Megan.
O que é mais surpreendente é que, por mais que tentemos ignorar a bagunça da vida de Rachel, seus dramas com relação à Tom e à mulher pela qual foi trocada, é justamente aí que a resolução mora.
Particularmente, eu percebi quem era o assassino um pouco antes do timing do livro, juntando as peças: As mentiras que Anna ouvia, as conversas de Megan com o amante, e a parte em que a ficha caiu – Rachel relembrando de um de seus lapsos de memória causados pela bebida no consultório do psicólogo Kamal Abdic (que atendera e se envolvera com Megan). Além da evidência-mor: o que Rachel, Anna e Megan, as narradoras do livro, têm em comum.
Eu não achei o livro tudo isso que estão falando por aí. Obviamente parece com “Garota Exemplar” por causa do drama de casal, mas fora isso... Não tem mais nada em comum.
Rachel é a personagem tipicamente perdedora. Ela se comporta com pouca dignidade e o mais irritante é que reconhece isso. Entendo que ela estava derrotada... Mas eu não consigo me conformar com a atitude passiva e sem perspectivas dela. Ainda sim, é uma opinião minha e reflete a realidade dela, fazer o quê.
Eu fiquei um pouco confusa com a designação “thriller” para essa história. Não achei assim tão emocionante, principalmente porque não aconteceu muita coisa além de viagens de trem e momentos de lapso de memória movidos a álcool.
Pode ser bem escrito, pode ter um mistério, mas para ser sincera, não achei realmente intrigante. Parece uma história qualquer de um episódio qualquer de uma série policial... Talvez valha a pena apenas pela personagem trágica de Rachel... E olha que eu a achei deprimente.
Enfim, já li gêneros de mistério bem mais interessantes. Pode ser coisa minha, por não ser convencida por histórias com dramas banais, simplesmente por implorarem para ser reais demais. Além do mais, como disse... Não vi nada de fato surpreendente no desfecho.










