I thought I saw you in the battleship, but it was only a look-a-like | @ammer
A vida Summer era resumida em afastas as pessoas que seaproximavam minimamente dela, ela nunca as deixava chegarem perto de mais, saberem de mais ou qualquer coisa que lhe fizesse sentir o mínimo de simpatia por tais pessoas. Ela crescera tendo somente a mãe como uma pessoa frequente em sua vida, e queria que continuasse assim, ter pessoas a sua volta significava machuca-las e acabar machucando a si mesma, por mais que escondesse isso de todas as formas possíveis o coração de Summer era enorme e ela se preocupava com todos, mas por ser de uma origem diferente, e não ter mais tanto privilégios como o nome de seu pai, as pessoas simplesmente se esqueceram dela. E agora tinha Amber, a garota com quem conversara apenas uma vez, trocara olhares durante uma única noite e que agora estavam em seu quarto, em parte de seu mundo, e por algum motivo ela não estava se importando muito com isso, com o fato de ela estar ali, e por mais que não demonstrasse, que parecesse não se importa, estava se sentindo nervos com o fato de não ligar de ter alguém ali com ela.
Pequenos e discretos olhares eram lançados da morena na direção da outra, e Summer se irritava com isso, por mais que gostasse de analisar as pessoas, ela se sentia mal em fazer isso com Amber, como se ao fazer isso estivesse invadindo completamente a garota. Então simplesmente andou até a janela encarando as pessoas que andavam apressadas por ali, e por um momento soltou todo o ar que continha em seus pulmões, ela queria poder ter um dia livre, um dia normal como o de todas aquelas outras garotas da casa, e simplesmente não precisar se importar com nada, mas aquela jamais seria a realidade de Summer. Balançando a cabeça ela se virou a tempo de vir Amber saindo do quarto, e foi atrás dela, por algum motivo não queria ficar sozinha ali, queria que ela ficasse, pelo menos até Jenny chegar ou Summer ter que sair para o seu turno na boate, coisa que no momento ela não estava com vontade de fazer.
- Exatamente, essa sou eu. – sorriu se sentando na cama e empurrando os livros de engenharia para o chão, e fechando os olhos ao ouvir o barulho que os mesmo fizessem – Fique a vontade, não acho que a Jenny vá demorar muito para aparecer, sente em qualquer lugar. – sorriu de leve na direção dela – Eu comecei agora, estou cursando engenharia naval. – deu de ombros, procurando pelos olhos da outra sem pudor algum. A morena gostava de olhar para aqueles olhos cinza, eles lhe passavam uma certa segurança, como se nada pudesse dar errado enquanto estivesse olhando para eles. – Posso perguntar o que quer com ela, ou seria muito invasão minha? – a curiosidade para qual seria o assunto das duas, tomou conta de Summer, ela precisava saber, não sabia porque, só precisava saber.
A imagem de Summer era particularmente confusa para Amber. Sua profissão e seus costumes a faziam pensar na própria mãe, que se prostituía nas ruas de Los Angeles, o que também a fez entrar em contato com seu excelentíssimo pai, Sr. Foster, no passado. Amber não tinha qualquer contato com sua mãe, sequer sabia seu nome, mas constantemente se perguntava se era assim que ela vivia, se era dessa maneira que ela se tratava e optava por empregos. Não sabia se ela havia passado por uma casa de strip, só sabia que seu corpo era seu objeto de venda — respeitava a opção dela de vender algo tão pessoal, afinal o corpo ainda era dela, mas tinha uma certa dificuldade em realmente aceitar que tivesse surgido de uma relação tão displicente. Odiava qualquer ligação que viesse a ter com seu pai, consequentemente com sua mãe, por mais que a culpa não fosse dela. Sua curiosidade, porém, não era grande o suficiente para Amber ir atrás de registros da mulher que a gerou, pelo menos não tão cedo. Seguir em frente era necessário, e ela tinha a própria vida para viver.
Por mais que fosse bastante preconceituoso da parte da tatuadora, ela sabia que Summer não era como sua mãe: a garota tinha escolaridade, era inteligente e sabia o que estava fazendo. Amber desconfiava que sua mãe não soubesse o que estava fazendo com sua vida, mas tinha certeza de que sabia que Summer fazia exatamente o que era necessário para manter sua família — independentemente de quem ou quantas pessoas fossem — comendo e com o mínimo de sustento. Encarava a dançarina com respeito acima de tudo, respeito que vinha de uma pessoa que também prezava pelo trabalho duro e pela seriedade de se tocar a vida. Amber, sem pressa em seus movimentos, sentou-se no chão logo na frente de Summer, que se encontrava na cama, e encostou as costas na parede logo atrás de si, acomodando-se ali. — Engenharia naval? — surpreendeu-se. Não sabia se estava muito presa a um estereótipo, mas esse era o último curso que ela esperava ter saído da boca da outra. — Mandou bem, Summer. — ela sorriu, fazendo seus olhos se estreitarem um pouco ao sorrir. — Eu faço só design mesmo, mais pela carreira de tatuadora do que pelo mercado em si. — deu de ombros, como se ela pouco importasse para aquele assunto, como se o centro fosse, de fato, Summer.
Amber sustentou o olhar alheio, dos orbes castanhos e profundamente hipnotizantes, como um fugitivo de conversa fiada e um motivo para calar ambas as bocas. Seus dedões se enrolavam um por cima do outro, com as unhas roídas coçando a pele tatuada do local distraidamente, desejando novamente sair dali o mais rápido possível. Foster era uma introvertida que realmente não suportava contato humano quando não estava em um humor apropriado para tal, então fingir que ela não se importava com a presença de Summer era praticamente impossível. De qualquer maneira, ela optou por permanecer e responder à pergunta da outra. — Eu tô fazendo uma pesquisa pro meu TCC com todo mundo do campus que já se tatuou comigo. — disse — Minha tese é que tatuagens têm efeitos positivos nas pessoas que fazem bom uso delas, porque elas te transformam em uma pessoa única e de personalidade própria, é tudo psicológico. — explicou — E a Jenny tatuou um leão na panturrilha comigo. É uma das minhas favoritas, na verdade. — ela sorriu, orgulhosa do próprio trabalho. Suas mãos voaram até o bolso da calça jeans, sacando um maço de cigarros quase cheio. Amber apanhou um, colocando-o entre os lábios. — Se importa se eu fumar aqui dentro? — perguntou, educada.








