Talvez ano que vem
Mais um ano se arrasta pelo tempo, um bem difícil, eu diria. A última noite entretanto passa tão rápido como uma flecha cortando o ar. Promessas de mudanças são feitas, as ondas quebram na ponta dos seus pés, o amargo gosto do álcool queima sua garganta enquanto o relógio dá seu último “tique” antes da meia-noite. “Feliz ano novo” todos gritam em uníssono, luzes explodem no céu da cidade, você esquenta o corpo da pessoa mais próxima com um abraço íntimo e com sua boca você beija a pessoa que ama enquanto sente o nascimento de uma nova era, um novo amanhecer te aguarda.
No dia seguinte a vida segue a mesma, nós continuamos sem esperança, defeituosos, esperando um milagre que não acontecerá por conta própria. Nada mudou, nem eu, nem você. O mundo continua num espiral autodestrutivo, a vida continua uma inércia e a apreciação em “ser” e “estar” continua se extinguindo cada vez mais, a chama continua se apagando a cada dia que passa.
A celebração é de total bipolaridade, em um momento estamos empolgados, vivos e dispostos a mudar nossa vida de forma radical, mentindo para nós mesmos e para os outros, e logo na manhã seguinte voltamos para o interior de nossos caixões, sendo quem sempre fomos, mantendo o hábito preguiçoso da previsibilidade. Novamente esperamos pela próxima comemoração, o próximo início, para que possamos ter uma desculpa para prometer, para sentir, para clamar por mudança. Talvez ano que vem a vida se resolva, talvez ano que vem a mudança caia do céu e o tão esperado milagre aconteça contrariando a lógica. Talvez ano que vem tudo deixe de ser o mesmo... Talvez.
~Chaos
















