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Meu Pai
Aqui não tem super- herói
Mas não pretendo pintar um vilão
Foi um humano comum.
Em agosto disseram que você morreu.
E eu não soube o que fazer
Não é que tenha faltado tristeza
Só não havia desespero nem aquele vazio que dizem nascer.
Certamente porque já havia partido antes.
Vi morrer todos os “e se” que alimentavam minha esperança e isso sim doeu intimamente.
Senti sumir qualquer chance de respostas para perguntas que me atormentavam.
Sabia onde me procurar.
Meu nome, que você escolheu
A casa, que você levantou
O caminho, que nunca mudou
Mas você não veio.
E eu cresci sem ter uma lembrança
que a morte pudesse levar.
Você morreu e a sua ausência não nasceu,
Só precisou ser deslocada.
Talvez eu não sinta sua falta.
Mas sinto curiosidade pela menina que teria existido se você tivesse vindo.
Assinado por: Aquele dia em agosto, não aquele em que morreu, mas aquele domingo que sempre me fez pensar “por que não escolheu ficar?”
Palavras que nunca enviei
Tenho sentido falta de estar fora, do quarto, de mim.
Tenho procurado o sentimento que, em um passado não tão distante, me fazia sonhar com o impossível. Sempre voei alto, imaginei cenários e enredos completos para a mancha na parede, para a sombra no piso azul-escuro do quintal, sempre como uma verdade prevista, nunca como fantasia […] Mas eu cresci e, por muito tempo, tive a mania feia de dizer que tiraram de mim essa imaginação toda. Mas a verdade, dura e necessária, é que eu me destruí todas as vezes que me encolhi para caber no normal. Talvez seja verdade, eu estou presa em uma inércia infinita por saber que quem fui não volta e o que poderia ser me assusta.
Tenho pensado muito sobre sentir que não amadureci e, talvez, seja verdade.
A criança em mim, que escrevia cartas para quem eu queria um dia ser, passou a escrever textos sem sentido, sem revisão.
A adolescente em mim parou de escrever contos e passou a escrever dores do dia a dia, lágrimas que resistiam a cair e tempestades que me rasgaram por dentro.
A verdade em mim pensa e sente pela escrita e se perde em cada linha, por medo de nada ser real o bastante. A verdadeira eu revive traumas e se esquece de celebrar as boas memórias, porque todas elas se parecem com exagero. Agradecer parece exagero, enquanto a dor parece ser aceitável.
Percebi que a maneira que eu mais amo as pessoas, é exatamente a forma com que eu mais gostaria de ser amada.
- Δt
Se você já espera a decepção, você nunca se decepciona
– MJ
Se nascemos condenados a morte, por que temos tanto medo do que vão pensar de nós?
abismoadois
"Diante de cada luta, obstáculo ou muro...
A melhor estratégia é fazer as minhas orações para não tropeçar no escuro 🌑."
@alexferraz026