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“Vamos lá comigo, Sop! Por favor, por favor, por favor, por favor, por favor, por favoooooooor! Vai ser legal, eu prometo! São meus melhores amigos! Eu apresento eles pra você e vamos conversar bastante e vai ser tão legal! Por favor!”
Talvez a única parte verdadeira no pequeno discurso que o azulado fez para convencer a sua namorada (ele adorava aquela palavra) Sophie de ir com ele até a casa de sua melhor amiga, Kitty, foi que seriam seus melhores amigos que os dois veriam.
Para começar, não foi o Peter de sempre que havia tocado a campainha na grande casa da loira. Digo, ele não estava usando as roupas de super herói que tanto o caracterizavam. Por mais que Jane já desse o Caso Peter por encerrado e a polícia parasse de persegui-lo - por infortúnio das famílias prejudicadas com as mortes que ele causara e preferia esquecer -, o americano teimava em, quando sair de casa, abandonar as suas tão preciosas vestes, para que não chamasse tanto a atenção (já bastava-lhe o cabelo azul natural).
Claro que não abandonara por completo, porém. Ele precisava ser discreto, sim, mas como a onda de “Caça ao Peter” havia acabado, não precisava se preocupar tanto quanto antes. Também, já faziam dois anos. Grande parte da população esquece que um crime tão noticiado como aquele havia acontecido dois anos atrás. De qualquer forma, ele apenas abandonara a jaqueta e a calça azul claras (a qual trocou por um jeans escuro). A blusa preta lisa que usava por debaixo da jaqueta, permaneceu, assim como os all-stars “nada” chamativos vermelhos. E amarrou a tão fiel máscara vermelha no antebraço esquerdo.
Então estava tudo bem. Ele iria rever seus amigos que ficaram tanto tempo desaparecidos, e poderiam conversar e rir de novo. Talvez impediriam uma loira maluca e morder a sua cabeça que aparentemente tem gosto de chiclete. Ou de ela de enfiar uma daquelas armas japonesas pela garganta de um outro albino. E assim ririam, ririam, ririam… Certo?
Errado.
Sentado naquele sofá, do lado de Sophie, esperando qualquer palavra de qualquer pessoa - que não fosse ele próprio, obviamente (Peter era péssimo começando uma conversa) -, o clima parecia cada vez mais e mais pesado. Resistiu à tentação de segurar na mão da azulada ao lado dele umas três vezes, de tão inseguro que estava - e o desconforto de não estar com as suas roupas de super herói era praticamente nulo agora (ou apenas aumentava a tensão do ar sem que ele percebesse).
Era um tanto engraçado, porém, como os seus sentidos estavam todos embaralhados. A audição estava praticamente nula - o silêncio talvez o tivesse ensurdecido? -, enquanto a visão se limitava às suas mãos entrelaçadas, e só conseguia sentir o suor que escorria pelos dedos inquietos. O cheiro da cozinha de Kitty era a única coisa que ele conseguia sentir naquele momento - o que era estranho, pois tinha certeza que Sophie havia colocado um dos perfumes que ele havia lhe dado de presente (e que ele particularmente gostava muito do cheiro).
E, se sua mente fosse considerada um sentido, poderia estar em qualquer lugar: menos na sala de estar de sua melhor amiga, junto com seu outro melhor amigo, sua provável namorada e o noivo da primeira citada.
Mas foi com apenas uma fala descontraída de Jay Frost, sentado de frente para ele, em um outro sofá, que tudo isso se desfez. As mãos aquietaram, os olhos subiram de encontro aos do outro e ele passou a ouvir de novo - apenas o cheiro delicioso manteve-se no local (e disso ele não podia reclamar, na verdade), mas agora misturado ao do perfume de Sophie, finalmente. Um sorriso tímido transpareceu-se pelos lábios rosados de Peter, vendo que tudo começara a fluir novamente, pelo menos um pouco. O primeiro passo já havia sido dado.
Já ia responder a pergunta de Jay quando a azulada postou-se em fazer isso por ele. Depois da resposta, uma risadinha pôde ser ouvida do acompanhante ao seu lado, enquanto ele apenas chacoalhava os ombros, como se falasse “É, ela tem razão”. Mas, mesmo assim, precisava dar continuidade à conversa. Por isso, depois dos dois se cumprimentarem, o americano lançou o olhar para a menor de todos os presentes, que parecia querer sumir, do tanto que estava encolhida no pequeno sofá, ao lado do albino. Então, para tentar acalmá-la, abriu um daqueles seus sorrisos calorosos antes de falar o que talvez tenha sido a pior tentativa de conversa da sua vida:
— Bem… Mas e a sua loira, hein, Jay? — ele começou, já sabendo que iria fracassar miseravelmente. —… Ela é… Uh… Natural?
Mas foi algo tão constrangedor de ser dito que, antes mesmo de ele ter terminado a palavra “natural”, um barulho estrondoso veio da cozinha, interrompendo-o (milagre!), e o moreno alto - o tal noivo de Kitty, Max - que até então não havia falado uma única palavra, olhou desesperado a fonte do mesmo, preocupado (muito mais que todos os outros olhares que o barulho chamara a atenção e que também se fixavam na cozinha). Uma risada feminina acabou por invadir o local, ao mesmo tempo em que uma frase escapava dos lábios de uma garota, que, só de Peter pensar que logo a veria novamente, fez os cabelos de sua nuca se arrepiarem por completo.
O azulado riu mais uma vez. Agora ele tinha certeza de que quem estava cozinhando para eles era a sua melhor amiga, Masashi Kitsune. Então, graças a aquele pequeno ocorrido, o clima tenso que pairava sobre o grupo já pareceu ter ido embora, como mágica. E por causa disso, o garoto com a máscara amarrada no braço finalmente conseguiu dizer alguma coisa que não o constrangesse. — É… De qualquer forma, eu não me apresentei. — e essa, ele fez questão de dizer olhando direta e profundamente nos olhos tão azuis quanto os dele de Jay.
— Eu sou Peter.
O sorriso de Jay veio fácil dessa vez. Previamente impelido. O albino soltou um riso anasalado, curto e extremamente surpreso. Sophie parecia ser uma garota muito mais salaz do que esperava para o seu amigo azulado. Estava contente ao se curvar em direção a ela e cumprimentar-lhe apertando sua mão, quente como era de se esperar. A trilha sonora da cena limitava-se ao singelo riso de Peter que concordava com a namorada, portanto, após a curta cerimônia, sua atenção voltou-se inteiramente ao garoto de cabelos azuis.
Para ser completamente sincero: Jay estava em estado anagógico. Apenas o fato de ter novamente o cheiro da comida de Kitty em suas narinas e de ter prostrado diante de si o seu amigo de azul era o suficiente para impedir que qualquer cena parecesse nada menos que celestial. Logo, as palavras de Peter fizeram parecer um completo sentido anexadas ao silêncio da sala e o sentimento de noite em família. Sua expressão era atenciosa e Jay passou perto de responder à estúpida pergunta do americano se não fosse o barulho na cozinha para o trazer de volta à realidade.
Tudo pareceu acontecer ao mesmo tempo. O barulho na cozinha, o som arrebatador da risada de Kitty, o vislumbre do cabelo loiro, e finalmente a interpretação de toda a cena como essa realmente deveria ser. Jay assistiu Max se levantar com uma preocupação exagerada: o moreno na verdade tinha em mente o plano de parar de se preocupar tanto com os barulhos frequentemente escutados na cozinha, mas a verdade é que qualquer coisa relacionada a Kitty parecia impossível de ser ignorada. E Jay assistiu o olhar de Peter voltando para si.
A interpretação da cena foi mais uma vez calculada e então Jay já tinha a conclusão: era uma cena extremamente cômica.
O pico máximo do humor foram as apresentações de Peter. O nórdico achou extremamente engraçado o fato do azulado se apresentar olhando em seus olhos, como se estivesse se apresentando para ele e não para a loira ao seu lado. Foi um anexo de comicidades: Kitty derrubando panelas, o cabelo natural de Nalu e o olhar extraviado de Peter. Jay soltou um leve arquejo que prevenia uma risada. Então com os olhos ziguezagueando entre as pessoas da sala, o menino branco como neve soltou uma das gargalhadas mais quentes que alguém já poderia dar. Tirou o cabelo do rosto e arrancou-se do sofá dando alguns passos em direção a Peter e então atirou-se no azulado, de braços abertos, antes mesmo que o outro pudesse cumprimentar sua namorada loira.
-- Deuses, Pete. Como eu senti sua falta. -- Jay sorria grudado ao americano como uma pulga. Ele não poderia ser mais sincero. Foram incontáveis as vezes em que se pegou pensando nos amigos de Fantasia, que se pegou pensando se eles estariam vivos ou se tudo não pudesse ter passado de uma ilusão maluca. Incontáveis. O azul do cabelo de Peter havia sido uma falta tão grande em sua vida como o azul dos olhos de Kitty. E acredite, é uma falta absurda.
Enquanto a cena do reencontro se passava. O moreno no banco horizontal parecia assistir de camarote. E muito pelo contrário do que a maior parte dos desavisados poderiam cogitar, ele sorria. Um sorriso perceptível apenas pelos mais conhecedores, entretanto tão sincero como o de Jay. Ele assistiu a cena e desejou por um instante que Kitty pudesse logo se juntar ao reencontro dos melhores amigos. E então deixou seu olhar cair sobre uma pequena loira que também poderia ser considerada tão amiga sua como aqueles três eram entre si. Sem o estardalhaço espalhafatoso digno de um Jay, Max deslizou de seu sofá para o de Nalu e cumprimentou-a com um olhar que dizia "Seu namorado é um estérico".
Mas a deixa de Kitty não se abriu aí. E sim, quando o albino, ainda agarrado a Peter como um urso bem poderia fazer, completou:
-- É claro que ela é natural. É, Pete, ela é tão loira quanto a Kitty.
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A sala tinha uma aparência agradável exposta assim à luz do ocaso. Desde os casacos pendurados no cabide junto à porta, até as cortinas, transparentes e extremamente limpas bloqueando a vista mas não a luz do ambiente exterior a casa: tudo parecia se adequar perfeitamente em cada ponto. Tudo, exceto os convidados da casa da nova estrela do mercado musical. E isso, mais do que a apresentação da casa, Jay pudera constatar com os olhos furtivos que dançavam de canto em canto pousando vez ou outra nos velhos amigos. Era quase estranho. Tudo parecia diferente em demasia. Um diferencial tão único que era provável a ocorrência em que todos estivessem receosos demais para se submeterem a interromper a cena... ou talvez, receosos em se submeterem a interromper seus exímios exames uns aos outros, todos preparando o estômago não só para o que quer que Kitty estivesse preparando na cozinha, como também para o que quer que seus conhecidos tivessem se tornado durante todo esse tempo.
Afinal, foram dois anos.
Jay não conseguia ver mais diferenças em si mesmo do que em Peter ou em Kitsune, e já essas eram muitas. Só em observá-los já conseguia notar que os que não mudaram na forma física, mudaram em seus próprios jeitos. Max já não parecia tão ameaçador quanto parecera um dia, não lhe parecia que a aura a sua volta pudesse apodrecer flores como tinha certeza que poderia no passado. Peter, para o seu choque, não usava seu traje heroico, trazia uma acompanhante e... Jay não tinha certeza mas parecia ter ganhado alguns centímetros a mais que ele próprio. Quando reencontrara Nalu já poderia ter notado algumas diferenças, nunca tantas quantas haviam naquela sala. Eles já não eram mais os mesmos, disso tinha certeza. O que não podia comprovar era que por esta razão também já não eram amigos. Devia ser esse o motivo do receio materializado no ar que impedia o grupo de antigos amigos de conversarem de outra maneira que não pela conversa do olhar.
E conversaram. Conversaram, ou se analisaram. Jay não sabia ao certo. Não sabia se havia conversado com Max ou se havia sido analisado, se havia conversado com Pete ou se só havia tentado compreendê-lo por fora. Bom... Pelo menos com Sophie tinha certeza de que havia sido analisado e contra atacou, mas também sabia que em resposta a isso ela demorara alguns minutos despudoradamente longos com olhos sobre sua acompanhante loirinha, a mesma que de vez em quando o olhava de forma perdida.
O albino se encontrou odiando o desconforto presente - após desejar que Kitty chegasse logo com o que quer que estivesse cheirando tão bem. Queria que tudo acontecesse de forma harmoniosa como a de quando eram menores. Crianças. Éramos crianças. Ele queria conhecer os adultos dos quais seus companheiros haviam se tornado. Mas não foi exatamente isso que o compeliu a soltar a voz.
-- Então... Então arranjou uma garota tão azul quanto você, Pete? -- Sorriu, conseguindo a atenção de Sophie e tirando-a de Nalu. -- Ela também é naturalmente azul? -- Sua voz soou mais agradável do que imaginara, estava contente com isso. Além disso, agora tinha uma voz de homem - por assim dizer - e tinha uma garota... fosse lá o que isso fosse. Lhe parecia ter tido sucesso na quebra do silêncio da sala então continuou. -- Já nos cumprimentamos mas acho que não nós apresentamos. -- Ele sorriu, dessa vez mais abertamente. -- Portanto... -- Por sua cabeça a cena pareceu divertida. Depois de tantos anos ter de voltar a proferir seu nome numa apresentação perante aos seus amigos:
-- Eu sou o Jay.
antes tarde do que nunca
O P E N
Encarou-a com o mesmo rostinho confuso até que ela engoliu o metal e voltou a falar. É muito mais bizarro do que você consegue imaginar, alguém comendo algo que, pelo menos na realidade comum, é impossível, muito bizarro mesmo, acredite. Mas essa “bizarrice” pareceu mais fasciná-lo do que repulsá-lo ou seja lá o que for, se interessou pelo poder tão estranho que a loirinha tinha.
— Ah, é. – Concordou com a cabeça. – Às vezes me esqueço de que estamos em uma dimensão paralela. Já me acostumei a essas coisas de poderes, o meu por exemplo é manipular o inverno e todas essas coisas. – Sorriu, contendo o ímpeto de congelar o nariz da italiana só pelo fato de já estar vermelho o suficiente.
À frente o grande hospital já aparecia e uma casa antes estava a farmácia que deveria fornecer os medicamentos para o hospital, era fácil se acostumar à fantasia quando não se tem muito a sentir falta da Terra, tudo é extremamente semelhante. Seguiu o caminho com Nalu ao seu lado até que as portas automáticas da farmácia excessivamente tecnológica se abriram permitindo-os a entrada.
— Wow! — exclamou, abrindo um ligeiro sorriso, ao ouvir sobre o poder do albino. Foi só ele falar a palavra “inverno” que logo apareceram, na mente da loirinha, aquelas cenas felizes dela brincando com seus amigos na máfia, conversando, e até mesmo estudando, naquela época gostosa do inverno. Era a época favorita dela, depois do outono. — É um poder bem legal, esse seu!
Continuaram andando até chegarem na farmácia. Nalu levantou uma sobrancelha, estranhando o pequeno estabelecimento - o que diabos era aquilo? Tinha algo parecido na máfia, mas era propriedade de Gracy e dos outros médicos do lugar - além do mais, a loira ali poderia quebrar tudo, segundo eles. E não era como se a italiana pudesse sair muito de casa para poder conhecer tudo.
Como era - muito - mais baixinha que o albino, levou uma das mãos à barra do agasalho dele, puxando-o levemente, para que, assim, conseguisse chamar a atenção dele. — Oe. O que é isso? — perguntou, apontando para o estabelecimento, já com as portas abertas para os dois entrarem. Os olhos dourados percorriam todas as prateleiras, mas raramente reconhecia uma coisa ou outra, o que apenas deix ava sua pequena cabeça mais confusa.
-- É a farmácia do hospital, lá. Aquele que tem as enfermeiras zumbis e tudo mais. -- Ele sorriu, caminhando para dentro da farmácia enquanto a chamava com a cabeça. A farmácia se estendia a frente dos dois, várias prateleiras acomodavam dezenas e mais dezenas de frascos de medicamentos, alguns que muito provavelmente não eram conhecidos para os humanos. Enfermeiras pseudo-humanas conversavam como humanas perfeitas atrás de um dos muitos balcões. Muito provavelmente não haviam mais outros exemplares de todos aqueles remédios específicos e pseudo-guadas mantinham seus postos em determinadas fileiras.
-- Vamos pegar uma pomada e um curativo e a gente vai embora. -- Entrou em um dos corredores e mirou todos os medicamentos que brilhavam, ofuscavam e outros que não eram nada além do comum.
sudd
Eu? Stalker? Hahahahaahaha, imagine, cara Sudd. ... ... BWAHAHAHAHAHAHAHA
O Jay não vai gostar nada da Nalu apanhando, cara. Nem um pouquinho. Prevejo tretas colossais.
susumujojo - DO NOT REMOVE SOURCE. DO NOT REPOST.
O P E N
O albino continuou a observá-la, as roupas arábicas, folgadas, balançando ao vento, e uma barra de metal nos braços. Uma garota no mínimo exótica, era o que podia constatar. Ao seu redor a tarde caía tranquila, pacífica, laranja. Desviou sua atenção para onde estavam se destinando. Town Center era uma cidade grande, cheia de lugares, era realmente incrível que não estivessem encontrando uma farmácia. Voltou a observá-la apenas para se deparar com uma loirinha baixinha, delicada, exótica, adorável, comendo uma barra de metal como se fosse algum tipo de chiclete ou pedaço de pão duro.
— Mas.. — Franziu as sobrancelhas olhando com a expressão completamente confusa. Já devia ter se acostumado à estar vivendo em um mundo completamente louco, rodeado de monstros e garotinhas que comem fogo. Chacoalhou sua cabeça em negação esperando por uma elucidação. — Um lanchinho.. Como…?
A cara que Jay fizera, pela surpresa que teve ao ver a menina que acabara de conhecer simplesmente dar uma mordida em uma barra de metal. Fora, realmente, uma expressão bem engraçada, então segurou a risada - não podia rir, não com um pedaço de metal descendo pela sua garganta -, formando um sorriso um tanto quanto divertido e travesso nos lábios.
Quando finalmente conseguiu engolir o pedaço de metal maciço - por mais que desgutasse-o como um chocolate delicioso, ainda era uma das matérias primas a qual não conseguia ingerir tão bem, como fogo -, soltou um leve suspiro, fechando os olhinhos enquanto o fazia. Depois, abriu-os novamente, fixando o olhar castanho-dourado no azul mar do albino.
— Isso é do meu poder. — ela explicou, colocando a barra contra o peito - era mais fácil o transporte dessa maneira. — Consumo elemental. Eu posso comer quase qualquer coisa, e depois expelir pela boca, como um grande tornado do elemento que eu ingeri. É bem divertido. — deu uma risadinha, limpando, com as costas do pulso, os cantos dos lábios.
Encarou-a com o mesmo rostinho confuso até que ela engoliu o metal e voltou a falar. É muito mais bizarro do que você consegue imaginar, alguém comendo algo que, pelo menos na realidade comum, é impossível, muito bizarro mesmo, acredite. Mas essa “bizarrice” pareceu mais fasciná-lo do que repulsá-lo ou seja lá o que for, se interessou pelo poder tão estranho que a loirinha tinha.
-- Ah, é. – Concordou com a cabeça. – Às vezes me esqueço de que estamos em uma dimensão paralela. Já me acostumei a essas coisas de poderes, o meu por exemplo é manipular o inverno e todas essas coisas. – Sorriu, contendo o ímpeto de congelar o nariz da italiana só pelo fato de já estar vermelho o suficiente.
À frente o grande hospital já aparecia e uma casa antes estava a farmácia que deveria fornecer os medicamentos para o hospital, era fácil se acostumar à fantasia quando não se tem muito a sentir falta da Terra, tudo é extremamente semelhante. Seguiu o caminho com Nalu ao seu lado até que as portas automáticas da farmácia excessivamente tecnológica se abriram permitindo-os a entrada.
O P E N
Observou-a pegar aquela barra de metal com curiosidade, assim como observava as feições da loirinha, que lhe tão pareciam familiares, não conseguira identificar de onde a conhecera, até porque no momento em que tiveram contato foi só correria para todos os lados. Mas talvez mesmo que tivesse sabido que havia a visto no dia da luta, aqueles olhos dourados lhe transmitiam algo ainda maior. Pôs-se a andar ao lado dela, voltando-se para a farmácia mais próxima.
— Eu sou o Jay, — Apresentou-se depois de ouvir a apresentação tão peculiar da loirinha. “Nalu”, um nome bem diferente, teve que admitir, tinha certeza que em todo aquele mundo - até porque se tratava de, conhecidamente, só a ilha de Fantasia - era a única. — Me desculpa aí por ter derrubado você. — Disse, chacoalhando levemente a cabeça e dando um sorriso em cumprimento. Olhou ao seu redor e voltou o foco à procura de uma farmácia, já que estavam em Town Center a mais próxima deveria ser a do Holy Hospital, disse a ela, e tomaram caminho.
— Posso saber o que loirinhas fazem andando por aí com barras de metal? — Perguntou depois de um certo tempo, não era de muitos sorrisos ou de excesso de palavras, mas não lhe parecia devido ficar em silêncio todo um caminho ao lado de um semi-desconhecido.
Tudo bem Jay não se lembrar dela - nem Nalu se lembrava muito bem dele. Talvez estivesse apenas confundindo-o com alguma outra pessoa qualquer. Mas deixaremos essas coisas de lado, e, como já disse, vamos fingir que eles estavam se conhecendo agora, e esquecer aquela história da luta.
Virou a cabeça para ele, fechando os olhos e abrindo um grande sorriso, dizendo, de maneira silenciosa, que era um prazer conhecê-lo - o fizera apenas em gestos porque não gostaria de repetir a fala, ou estaria parecendo uma completa idiota que só sabia repetir -, ao mesmo tempo em que “dizia” não haver problema sobre o nariz machucado. Assentiu com a cabeça logo em seguida, concordando em ir até o hospital - por mais que seu nariz estivesse só um pouco ralado e vermelho - fazendo as mexas longas e louras balançarem conforme o movimento.
Deu uma simples risada quando ele perguntou sobre a barra de metal. E, na sua pequena cabecinha, uma frase acabou surgindo, como se estivesse sendo escrita por alguém invisível: “Por que não surpreendê-lo um pouco?”. Aproximou os lábios da barra de metal, a qual já havia poucas marcas de mordida aqui e acolá, arrancando mais um pedaço da mesma, deglutando-a como se fosse um delicioso doce.
— Ah, nada demais — ela começou. —, apenas um simples lanche da tarde.
O albino continuou a observá-la, as roupas arábicas, folgadas, balançando ao vento, e uma barra de metal nos braços. Uma garota no mínimo exótica, era o que podia constatar. Ao seu redor a tarde caía tranquila, pacífica, laranja. Desviou sua atenção para onde estavam se destinando. Town Center era uma cidade grande, cheia de lugares, era realmente incrível que não estivessem encontrando uma farmácia. Voltou a observá-la apenas para se deparar com uma loirinha baixinha, delicada, exótica, adorável, comendo uma barra de metal como se fosse algum tipo de chiclete ou pedaço de pão duro.
-- Mas.. -- Franziu as sobrancelhas olhando com a expressão completamente confusa. Já devia ter se acostumado à estar vivendo em um mundo completamente louco, rodeado de monstros e garotinhas que comem fogo. Chacoalhou sua cabeça em negação esperando por uma elucidação. -- Um lanchinho.. Como...?
O P E N
Devia ser da convivência com Peter que adquirira certo apreço por ajudar as pessoas. Quem diria, não é? Antes só fazia arranjar brigas e zombar da vida, mas conforme dizia Peter não se precisa de motivo pra ajudar as pessoas. Fantasia devia ser algo como um ferrão na mão divina pra fazer as pessoas mudarem assim tão modeladamente fácil. Graças aos amigos. Pois é.
Jay ignorou as batidinhas que Nalu lhe dera na cabeça, parando para analisar o que a loira havia machucado e observou o nariz da menor ralado, que mané estava tudo bem. Muito preocupado com as origens daquele mundo e com seus amigos esqueceu-se do redor como sempre fazia, no seu comportamento egoísta. Sentou-se na frente dela só pra erguer o olhar de seus machucados para encarar a loira.
— Seu nariz tá machucado. Não é melhor tratar disso? — Levantou-se em um salto buscando seu cajado e voltando-se para Nalu novamente, lhe estendendo a mão.
Na verdade, Nalu tinha até esquecido que tinha machucado o nariz. Por isso tocou de leve, com a ponta do dedo indicador na mão esquerda, o mesmo, fazendo-o arder - era daqueles tipos de cortes insignificantes mas que doíam pra caralho, no fim das contas. A loirinha contorceu as feições do rosto, ficando um tanto quanto vesga de observar o nariz, mas depois voltou o olhar dourado para o albino.
— Ah… — ela começou. Poderia até recusar a ajuda do menino, se ela soubesse se cuidar. É, era foda não ter aprendido nem o básico de medicina na máfia, puta que pariu. Ela deixava até mesmo o mais básico dos arranhões para Gracy cuidar deles, então… É. —… Bem, acho que sim, né? — deu um sorriso de canto, pegando na mão do garoto estendida para ela e se levantando.
Aí sim, lembrou que aquele rosto lhe era familiar. O menino que ela avisara que o melhor amigo estava na luta, certo? É, devia ser ele. Mas ela avisou com tanta pressa que nem sequer havia se apresentado - e talvez o menino nem lembrasse da existência dela - então fingiremos que nada daquilo aconteceu, para começarem do zero.
Antes de mais nada, é claro, abaixou-se para pegar a barra de metal caída no chão, segurando-a com apenas uma mão, colocando-a perto do peito, enquanto mantinha a outra esticada. Em seu rosto, um largo sorriso agora estava apresentado. — Ah, sim! Eu sou Nalu! Prazer te conhecer! Quem é você?
Observou-a pegar aquela barra de metal com curiosidade, assim como observava as feições da loirinha, que lhe tão pareciam familiares, não conseguira identificar de onde a conhecera, até porque no momento em que tiveram contato foi só correria para todos os lados. Mas talvez mesmo que tivesse sabido que havia a visto no dia da luta, aqueles olhos dourados lhe transmitiam algo ainda maior. Pôs-se a andar ao lado dela, voltando-se para a farmácia mais próxima.
-- Eu sou o Jay, -- Apresentou-se depois de ouvir a apresentação tão peculiar da loirinha. "Nalu", um nome bem diferente, teve que admitir, tinha certeza que em todo aquele mundo - até porque se tratava de, conhecidamente, só a ilha de Fantasia - era a única. -- Me desculpa aí por ter derrubado você. -- Disse, chacoalhando levemente a cabeça e dando um sorriso em cumprimento. Olhou ao seu redor e voltou o foco à procura de uma farmácia, já que estavam em Town Center a mais próxima deveria ser a do Holy Hospital, disse a ela, e tomaram caminho.
-- Posso saber o que loirinhas fazem andando por aí com barras de metal? -- Perguntou depois de um certo tempo, não era de muitos sorrisos ou de excesso de palavras, mas não lhe parecia devido ficar em silêncio todo um caminho ao lado de um semi-desconhecido.