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** Dois mil e dezessete. **
_Eu nem sei como começar esse texto, talvez pelo motivo de esse ano ter sido o melhor ano da minha vida, no texto que eu fiz ano passado eu me sentia um lixo sem expectativa de vida, toda minha vida girava em torno de acordar, fazer um café, acender um cigarro, jogar alguma coisa talvez pensar em algumas ideias de como tentar ser alguém na vida, mas tudo acabava em role, fumar, beber, tomar um café, ir pro role todos os dias possíveis, fumar, beber, tomar um café e assim um looping consideravelmente infinito. __Mas do nada meu mundo virou totalmente de ponta cabeça, um par de olhos com cores indefinidas, cabelos pretos e pele branca que reluz ao sol apareceu na minha vida, quase que rolou um desencontro mas o destino tratou de colocar um no caminho do outro, e depois de uma pergunta possivelmente inocente duas vidas mudaram totalmente. __Eu não tenho muito o que dizer sobre esses quase dez meses em que eu comecei a namorar a mulher que vai ser a mãe dos nossos filhos, mas em poucas palavras eu diria que pode ficar tranquila que eu vou estar com você em todos os momentos das nossas vidas, esses tempos foram difíceis mas tudo o que é ruim passa e o que fica são as coisas boas e os aprendizados e as pessoas que a gente encontrou nesse meio tempo. _Eu acho que um resumo do meu ano é: eu encontrei o amor da minha vida, mudei totalmente minha vida, fiz coisas boas pra mim como parar de fumar e agora eu consigo me considerar um HOMEM adulto.
Fucking loving you since two months or since my whole fucking life?
É UM TEXTO SOBRE AMOR
A gente ta sempre indo e vindo. Desde sempre parece que estamos espiralando no mesmo objetivo, seja um flutuar sutil ou uma queda livre, batendo em galhos e espinhos. Mas nós percorremos o caminho sempre a procura de sermos procurados, e enfim, encontrados. Já pensou como é engraçado que o alvo seja justamente o atirador? Mas é que olha, acho que a gente tem mesmo essa necessidade, de uma hora de repente pegar o trem certo, chegar no ponto, aportar o barco naquele cais lá. Acertar o pulo. A verdade é que tudo isso depende de um acaso que de subjetivo parece ter nada, porque parece ser uma conta matemática, tão exata que a verdade concreta, nua e crua, te faz alvenaria e quando vê, já ta construído, levantado, enraizado, fundado ao redor de outra verdade paralela, como se o vento que veio ali do sudoeste tivesse escancarado a janela e tudo tivesse se redescoberto com a ventania. E quando eu digo que isso é um texto sobre amor, é porque ventou muito hoje. E ontem também… para ser bem exata, tem ventado bastante já faz um mês. Em algum momento, quando eu nem estava cronometrando, nem ensaiando, nem preparando nada para exercer meu controle viciado de todo santo dia, foi quando eu, sem querer, embarquei e cheguei e aportei e pulei, e vi, com esses olhos meio perdidos, acizentados, que acizentavam tudo ao redor, notaram as cores outra vez. Tinha um pouco do azul do mar no meio, o sol da manhã acima e o acobreado do sol se pondo abaixo, tipo como se fosse um recado de que do nascente ao poente eu descobriria que maior que o infinito daquele mar, seria o tamanho do amor que veio naquela velha ventania. Espiralando num objetivo que zombou da minha consciência, mal prevendo que a minha única espiral era o próprio olho do furacão, que tinha braços, dedos, pernas, um jeito doce de olhar, um sorriso contido e uma mente sonhadora, poética, movida à nicotina e cafeína, que me abraçou, me protegeu e rodeou, uma centrífuga de toda energia negativa. E agora eu penso, enquanto escrevo, o quanto a predestinação é a única conta que nós, eu e tu, conseguimos aprender a gostar, por sua exatidão não só “espiritual”, mas correspondente à tudo aquilo que precisamos. Pois há uma beleza certeira em cada sopro, em cada fio de cabelo esvoaçado, cada arrepio causado e cada reviravolta, que revira e volta sorrateiramente das bordas até o fundo do meu eu. Essa beleza grande, de quase 1,90, que tem caráter suave, singelo, sincero e tímido. Beleza que me faz grata, intrínseco o meu agradecer, de tanto que agradas o ser, esse que eternamente acalantou e acertou em cheio, transforma em refém, me detém e vem. Deixo você entrar, eu te sinto bem-vindo, desde que tu pediu o meu nome pela primeira vez, eu já queria dizer: me chame de tua.
- aqueles 31 dias.
o instagram dessa mina é como uma metralhadora no meu coração
Dois mil e dezesseis
Eu posso dizer que esse ano foi considerado o pior e melhor ano da minha vida. Foi nesse ano que eu tive minhas maiores desilusões pessoais, amorosas, acadêmicas e talvez profissionais, mas também foi esse ano que me trouxe várias coisas pra pensar, foi esse o ano em que eu conheci pessoas sensacionais, me apaixonei e amei pessoas sensacionais.
Dois mil e dezesseis foi o ano em que eu descobri o que é perder coisas de uma hora para outra e ganhar uma coisa de uma hora para outra. Foi nesse fatídico ano em que eu descobri que eu posso me apaixonar por tudo e todos em um singelo piscar de olhos.
Foi nesse horrível e adorável ano que eu me apaixonei por cores, olhares, sorrisos, formas, cliques, letras, músicas, imagens. Foi quando eu encontrei pessoas que eu quero levar do meu lado para o resto da minha chata e irrelevante vida.
Eu não sei se eu agradeço ou mando esse ano se foder mas eu sei que esse ano foi um ano diferente.