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WOMEN IN SUITS, I REPEAT WOMEN IN SUITS
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Arte modernista surrealista de artista para artista
AVF INK + FURTA-CORES
Tanta Coisa Acontecendo
Furta-Cores
AVF AND ARTKNGS
Como as ĂĄguas estagnadas
Se purificam
Com a vinda das chuvas
Assim também eu ficaria
Inerte
Até que a tormenta das lågrimas
Me veio purificar
(A busca)
O preconceito Ă© mau,
Corruptor do mundo,
Destruidor do belo,
Raiz de todas as desditas,
Medra na ignorĂąncia
Ă um estado total de escuridĂŁo, impenetrĂĄvel a luz.
à abominação,
Pecado contra a verdade.
A busca -> Krishnamurti.
12/11/2018
CINE +
RIO MARKET
PROJETOS QUE MUDAM O MUNDO
Por Ana VitĂłria Freitas
Durante a Rio Market 2018, TrĂȘs palestrantes ocuparam o Lab Cocriação da Firjan durante alguns minutos para falar sobre seus projetos que começaram como uma pequena causa e entĂŁo se tornaram exemplos mundiais de Direitos Humanos, criatividade e poder de influĂȘncia criativa e positiva sobre assuntos pouco discutidos abertamente que poderiam abrir caminhos para debates mais amplos sobre polĂticas mais evoluĂdas de planejamento governamental e educacional.
Empresas que tĂȘm em seu DNA criatividade, uma visĂŁo de futuro do Brasil e do mundo, englobando novas mĂdias e projetos sociais, educação via internet ou o projeto QUEBRANDO O TABU (PĂĄgina ativista com mais de 9 milhĂ”es de seguidores no Facebook, filme na Netflix, Youtube e diversas plataformas) estĂŁo dentro da linha de ação.
Com Fernando Grostein (Quebrando o Tabu), Guilherme Melles (Spray Filmes), Luana Lobo (Flow Films); A palestra começou as 17h com a Ilustre abertura de Ilda Santiago, que agradeceu a Firjan pela oportunidade e apoio durante a realização do evento nestes tempos difĂceis para a Cultura Brasileira.
Foram citadas a ANCINE e a Lei Rouanet, convidados aplaudiram e vibraram a favor da resistĂȘncia cultural durante este momento de crise e angĂșstia em que o Brasil se encontra. Diretora executiva, Ilda Santiago é, tambĂ©m, uma das fundadoras, em 1985, do grupo Estação, circuito de arte e distribuidor de mais de 300 filmes ao longo de sua histĂłria. Em maio desse ano, ela foi jurada da mostra oficial âUm Certo Olharâ, do Festival de Cannes.
Logo apĂłs a fala de Ilda, Fernando Grostein contou um pouco de sua histĂłria familiar e acontecimentos que levaram ao sucesso da PĂĄgina ââQuebrando o Tabuââ, que começou como uma pequena pĂĄgina ativista no Facebook e tornou proporçÔes surreais, chamando a opiniĂŁo de ONGS e chefes de estado. ââQuebrando O Tabuââ Ă© hoje uma empresa internacional que visa educar pessoas sobre assuntos pouco falados abertamente. Os estudos e o conteĂșdo sĂŁo muito bem editados e interessantes, despertando a curiosidade em muitos jovens.
Fernando se emocionou ao falar sobre o perĂodo em que atuou no projeto de revitalização de um teatro carcerĂĄrio, fase marcante que mudou sua vida para melhor. Isto consequentemente o ajudou a produzir conteĂșdo mais sensĂvel, orgĂąnico, com outra perspectiva.  ApĂłs o lançamento do filme, a pĂĄgina ââQuebrando o Tabuââ, seria formada tambĂ©m pela presença brilhante do produtor Guilherme Melles, da Spray Filmes.
Complementando Fernando, Luana Lobo contou aos convidados sobre sua produtora carismĂĄtica, com um caranguejo aparentemente fofo e inofensivo. Na verdade, a gigante Marinha Farinha Filmes fez com que multinacionais se organizassem para produzir um filme juntos. Conseguiu atĂ© mesmo com que o Mc Donaldâs se desculpasse. (Como sempre...)
Foram entĂŁo exibidos trechos da obra ââMuito AlĂ©m do Pesoââ, documentĂĄrio que mostra que 1 em cada 3 crianças brasileiras jĂĄ estĂŁo com sobrepeso. Em dezembro de 2012, O Instituto Alana fez uma palestra com conteĂșdo do filme para diretores da Coca-Cola, o que levou a empresa a cancelar as propagandas comerciais destinadas para crianças, o que exemplifica o poder do Cinema Nacional com estratĂ©gias de ativismo para influenciar mais pessoas a aderirem um estilo de vida mais saudĂĄvel, desenvolvido e prazeroso. Com sorriso no rosto, a palestrante comentou as aventuras de suas produçÔes, citando tambĂ©m, o fato de que, foi a Ășnica que conseguiu unir empresas concorrentes para patrocinarem a mesma proposta-produção.
O filme ââO Começo Da Vidaââ contou com o apoio de mais de 15 marcas diferentes; Entre elas, Cinemark, Netflix, GNT, Now, Apple e outras. O filme foi exibido em mais de 90 paĂses, com audiĂȘncia de mais de 4 milhĂ”es de visualizaçÔes em todas as plataformas.
A PĂĄgina Quebrando o Tabu Ă© administrada atualmente pelo Fernando e pelo Guilherme. O intuito Ă© ââPensar fora da caixinhaââ, debater e discutir assuntos ambientais, assuntos considerados polĂȘmicos, assuntos polĂticos, sociais, raciais, feministas, machistas, veganos... Guilherme foi o Ășltimo a dar a palavra e contou aos 80 convidados como a pĂĄgina cresceu e se tornou sua prioridade e entĂŁo, empresa.  Guilherme foi convidado a administrar a pĂĄgina junto com Fernando, o fundador. Guilherme conta que o trabalho que faz hoje Ă© muito diferente do trabalho que fazia hĂĄ 1 ano atrĂĄs e assim consequentemente, pois os formatos mudam, e a linguagem precisa se adaptar. Guilherme conta que os dois evitam levantar bandeira polĂtica, sempre de olho no alcance de suas produçÔes e na resposta de quem os consome.
Vale ressaltar que duas intĂ©rpretes se revezaram durante a palestra para traduzir o conteĂșdo para linguagem de sinais. Ătima iniciativa, pois infelizmente nem todos os teatros, cinemas ou auditĂłrios sĂŁo acessĂveis desta forma. Alguns dos convidados fizeram perguntas e entĂŁo, a palestra se encerrou com muitos convidados contentes, que pediam fotos e trocavam cartĂ”es de visita entre os palestrantes.
       A palestra ampliou meus horizontes de maneira positiva, pois fiquei mais segura de que fazer cinema nacional Ă© sim uma possibilidade incrĂvel com inĂșmeras possibilidades inimaginĂĄveis.  O fato de terem começado como uma pequena pĂĄgina Ă© sempre um incentivo para quem estĂĄ começando algo e precisa de visibilidade. TambĂ©m Ă© um incentivo para insistir na implementação de novos projetos de lei e polĂticas globais e ambientais. Durante a minha adolescĂȘncia, quando comecei a fumar maconha escondido dos meus pais e descobri que era gay, queria falar sobre o assunto mas nĂŁo conhecia ninguĂ©m, tinha vergonha e medo. Entrava no facebook sem que me vissem, clicava na pĂĄgina, e entĂŁo, achava ali disponĂveis milhares de vĂdeos, textos e conteĂșdos sobre o assunto ââTabuââ. Drogas, Sexualidade, Aborto, SaĂșde Mental, Preconceito, Faculdade, Corrupção. Tudo que um jovem ou adolescente precisa saber, mas nĂŁo sabe como tratar do assunto. TambĂ©m lia muita coisa sobre sexualidade. Dei um ââLikeââ na pĂĄgina e hĂĄ anos acompanho as publicaçÔes de conteĂșdo e postagens da pĂĄgina. Assisti ao FILME, mas nunca me preocupei em saber quem eram os responsĂĄveis por trĂĄs de todo o trabalho. EntĂŁo, logo quando me vi, eles estavam em um palco, sentados na minha frente, conversandoâŠQuebrando o Tabu.
          PACIENTE 101 B
           CENA 1
FADE IN
INT.HOSPITAL - DIA
MARINA
Isso Ă© um absurdo! Me tirem daqui!
CLOSE - Marina amarrada na cama
Close - Marina abre os olhos
MARINA
Abre os olhos, olha para baixo. Observa ambiente. No quarto, camas com pacientes deitados, dormindo. Marina vĂȘ uma camisa do hospital, que Ă© a que veste. Marina olha para os lados, levanta da cama. Marina caminha atĂ© a porta, onde vĂȘ um quarto com outros pacientes, um setor com enfermeiros, um pequeno refeitĂłrio.
Marina caminha atĂ© o fim do Ășnico corredor que segue a entrada e o quarto onde dormiu. Encontra uma porta de ferro, com um apenas uma pequena janela sem vidro para o lado de fora, onde fica a recepção do hospital.
Marina vĂȘ a recepção de dentro da ala psiquiĂĄtrica. Marina observa o refeitĂłrio, caminha atĂ© o setor dos enfermeiros.
EDUARDO (enfermeiro)
EstĂĄ com fome?
MARINA
Onde eu estou?
EDUARDO (enfermeiro)
VocĂȘ estĂĄ na tijuca.
Marina
Ah, tĂĄ.
EDUARDO (enfermeiro)
Vai vir lanche agora.
MARINA Ah, tĂĄ.
MARINA
Caminha de volta até o dormitório coletivo e deita na cama.
EDUARDO (enfermeiro)
Atenção pacientes, o lanche!
MARINA
Levanta e olha para o lado. Uma senhora dorme. 5 Pessoas deitadas, acordadas. Ninguém fala nada.
Marina levanta e caminha até o refeitório.
Marina se senta a mesa para comer, junto aos outros pacientes.
No carrinho de comida, pratos prontos com comida quente. Sobremesa, copos descartĂĄveis e suco. Talheres descartĂĄveis.
MARINA
Marina olha a comida do hospital com certo descontentamento. Revira o feijĂŁo e o purĂȘ. Come pouco, se levanta e vai atĂ© o dormitĂłrio.
Marina caminha até a cama, pega sua escova de dentes.
Corta.
         PACIENTE 101 B          Â
          CENA 2
INT.HOSPITAL - SEGUNDO ANDAR - DIA
MARINA
VocĂȘ pode me emprestar uma caneta? Por favor?
eNFERMEIRO
NĂŁo pode, sĂŁo normas daqui.
MARINA
Eu preciso, Ă© pra faculdade
Enfermeiro
Desculpe
MARINA
Marina olha para baixo e então começa a chorar.
ENFERMEIRO
Olha, vocĂȘ pode usar a caneta, mas tem que usar aqui na frente e devolver quando terminar.
MARINA
Obrigada.
Marina olha para os lados, onde uma senhora lhe encara.
Close em Jordana. Senhora grisalha, desdentada.
JORDANA
Sabe, Ă© proibido aqui. Ă proibido usar canetas
MARINA
Ă, eu sei. Estou sendo vigiada.
JORDANA
Ă que uma vez, um paciente furou o olho da enfermeira com uma caneta bic mordida.
MARINA
Entendi.
CORTA.
          PACIENTE 101B
          CENA 3
INT.HOSPITAL. SEGUNDO ANDAR - DIA
ESCREVENDO EM FOLHA A4
MARINA
JĂĄ faz algum tempo que eu fui internada aqui no hospital, e por direito, todo paciente pode receber visitas 2x por semana...
Fumando cigarro
Olha para os lados
MARINA
ESCREVENDO
Me internaram aqui para que eu melhorasse. Mesmo com o suporte e amparo de toda a equipe mĂ©dica, nĂŁo houve uma noite sequer sem que eu lembrasse de vocĂȘ antes de dormir e apĂłs levantar da cama para aceitar que um novo dia jĂĄ havia começado.
MARINA
Fumando cigarro
ESCREVENDO
MARINA
Hoje eu completo 20 dias internada. Isso significa que fazem 20 dias que durmo e acordo olhando para o sorriso mais sincero que conheço.
Ășltimo trago
ESCREVENDO
E vocĂȘ nunca veio me visitar.
CLOSE
A Loucura se manifesta quando necessĂĄrio, e nĂŁo se desculpa nunca por embriagar o meu eu consciente.
CORTA
         PACIENTE 101B
          CENA 4
INT. HOSPITAL PSIQUIĂTRICO - CORREDOR E ARREDORES
          MARINA
Marina caminha até a sala de TV, avista senhoras conversando baixinho. Marina caminha até a parte aberta da ala psiquiåtrica e esbarra em alguém.
ROSE
O que que Ă©?
MARINA
Foi sem querer, cara.
ROSE
VocĂȘ fez de propĂłsito, sua otĂĄria. Quer me enganar, Ă©?
MARINA
Cara, eu jĂĄ me desculpei, vocĂȘ que...(Ă© interrompida)
ENFERMEIRO
O Que estĂĄ acontecendo aqui, senhoras?
ROSE
Essa daĂ veio pra cima do nada, enfermeiro
MARINA
Eu sĂł esbarrei nela, eu juro, foi sem querer! Essa mulher Ă© louca!!!!
ENFERMEIRO
Marina, eu acho que a senhorita estĂĄ um pouco agitada
MARINA
Agitada?! Agitada?!
ENFERMEIRO
Vamos aplicar um calmante em vocĂȘ
MARINA
Como assim? Qual a necessidade disso? Oi?
Marina olha para o lado esquerdo, vĂȘ um grupo de 4 enfermeiros se aproximando. Marina fica imĂłvel, estagnada. Aflita, começa a ficar nervosa e vermelha.
ENFERMEIRA 1
CĂMERA FILMA EM CONTRA-PLONGĂE
Vai ser rĂĄpido, vamos conosco...
Enfermeiro 1
CĂMERA FILMA EM CONTRA-PLONGĂE
Mari, nesta sala aqui...
Enfermeira 2
CĂMERA FILMA EM CONTRA-PLONGĂE
NĂŁo vai doer nadinha....
Marina se desespera e se rende ao grupo.
MARINA
NĂŁo entendo...NĂŁo sei o que fiz de errado
Marina Ă© levada para um quarto escuro
ENFERMEIRA 1
EntĂŁo...
ENFERMEIRA 2
CLOSE NA AGULHA E SERINGA
Veste luvas, pega algodĂŁo, ĂĄlcool, seringa e agulha.
MARINA
NĂO!!!!!
ENFERMEIRO 1
Segura Marina
ENFERMEIRA 2
Abaixa as calças da Marina e aplica Injeção intramuscular.
CLOSE NOS OLHOS DA MARINA
MARINA
AAAAAAHHH, NĂĂAAO....VOCĂS NĂO TEM ESSE DIREITOOOO!!
CLOSE NAS MĂOS DA ENFERMEIRA 2
ENFERMEIRA 1
Vamos terminar logo com isso
Enfermeira pega bandana hospitalar e começa a amarrar os braços da Marina aos pés da cama.
CLOSE NA MARINA SENDO AMARRADA
ENFERMEIRO 1
Enfermeiro pega bandana hospitalar e amarra os pés de Marina na cama.
CLOSE NOS NĂS DOS PĂS E DAS MĂOS
PLANO MĂDIO
MARINA
Desesperada, chorando
VOCĂS NĂO TEM ESSE DIREITO!!! (Soluçando)
Menfermeiros 1,2 e 3
Vamos, vamos
Enfermeiros deixam o quarto com a luz apagada e Marina amarrada Ă cama. Marina desmaia na cama.
CORTA
          PACIENTE 101B
           CENA 5
INT.QUARTO HOSPITAL PSIQUIĂTRICO
MARINA
PLANO MĂDIO - MARINA AMARRADA Ă CAMA DO HOSPITAL
plano close - nós, pés, mãos, rosto da marina
MARINA
ABRE OS OLHOS LENTAMENTE, CONFUSA.
OLHA AO REDOR, DO QUARTO, MAS ESTĂ PRESA. SUA VISĂO Ă DISTORCIDA E NĂO CONSEGUE SE MEXER DIREITO.
FLASHBACK - (Protagonista Marina relembra trechos de cenas passadas como sua memĂłria. Voltando logo apĂłs a sua realidade presente no contexto do roteiro.)
enfermeiros 1,2 e 3
Vamos, vamos...
ENFERMEIRA 1
Vamos terminar logo com isso...
enfermeiros 1,2 e 3
Vamos, vamos...
ENFERMEIRA 1
Vamos terminar logo com isso....
MARINA
NĂO!!!!
Marina abre os olhos, que mudam de castanho para verde.
CLOSE NOS OLHOS VERDES DA MARINA
CABELO DA MARINA MUDA DE CASTANHO PARA PRETO
CLOSE NAS MUDANĂA FISIOLĂGICAS
CLOSE NOS BRAĂOS FORTES
PLANO MĂDIO - MARINA COM CABELOS NEGROS, OLHOS VERDES, FISIONOMIA ATLĂTICA
MARINA
Marina desata os nĂłs feitos pelos enfermeiros, e se solta da cama. Confusa, cambaleia pelos cantos do quarto com a visĂŁo turva e disconectada. Marina se apoia na parede para nĂŁo cair. Marina cambaleia pelo quarto, avista uma escrivaninha hospitalar e um papel com um documento.
CLOSE NO DOCUMENTO
MARINA
Cara, nĂŁo Ă© possĂvel...NĂŁo, nĂŁo...
PLANO CLOSE NA MARINA SEGURANDO O DOCUMENTO
MARINA ABRE O ENVELOPE E ENTĂO SE MOSTRA SURPRESA COM O QUE ENCONTRA
PLANO MĂDIO
PLANO CLOSE
MARINA
Ha....Ha...Ha... Paciente....Paciente? PACIENTE. PACIENTE 101B.
CORTA.
A PRIMEIRA NOITE DE UM HOMEM
(Com outro homem)
A primeira noite de um homem deixa de ser a tradicional histĂłria de uma relação heteronormativa e parte para um suspense com final imprevisĂvel.
Na adaptação, Arthur é um jovem transexual que conhece um rapaz em um aplicativo de relacionamentos e decide ir em uma festa onde o rapaz estå.
Arthur vai a academia, depois vai a festa. Após se encantar com o rapaz na festa, os dois saem juntos em clima de romance, chamam um carro e partem para um motel, onde coisas absurdas acontecem. Arthur estå apaixonado por Pedro Sérgio, o rapaz charmoso do App.
O rapaz que Arthur conhecera no aplicativo torna-se um monstro ao descobrir mais sobre o passado de Arthur, que começa a lutar por sua vida no quarto do motel. O que Arthur pensava ser o ââcrushââ da sua vida mostra-se diferente de tudo aquilo.
A adaptação do conto troca a intenção da trama para chamar a atenção para vetores problemĂĄticos: Encontros com desconhecidos pela internet, homofobia, preconceito, violĂȘncia, relacionamentos. Apontando os riscos que a comunidade LGBTQ sofre trocando os diĂĄlogos para dialetos atuais e reconstruindo o cenĂĄrio para uma construção visual moderna, abordando conflitos contemporĂąneos.  A primeira noite de um homem com outro homem Ă© uma tragĂ©dia que intencionalmente incomoda o leitor com seu final seco, pois no começo da trama tudo parece correr muito bem, inclusive com as cenas de romance entre Arthur e Pedro SĂ©rgio.
A PRIMEIRA NOITE DE UM HOMEM
(Com outro homem)
Adaptação por Ana Vitória Ferreira de Freitas
 Pedro SĂ©rgio. Cabelos soltos, ria muito enquanto dançava. Eu olhava para ele, sorria, olhava. A  mĂșsica era muito barulhenta. Pedro dançava e sorria, entĂŁo eu disse ao Hugo ââQue Bom.ââ Mas ele nĂŁo escutava nada, mal me entendia. Me olhava com ar atordoado e por mais que eu repetisse ââQue bom, olha ele aliââ, ele nĂŁo ouvia.
Pedro vestia uma calça skinny, bordĂŽ. Camisa preta, jaqueta jeans e um par de Dr.Martens que eu jamais poderia pagar. Ria muito enquanto dançava, mexia em seu telefone e interagia com amigos que estavam ao seu redor. E eu lĂĄ, olhando para ele. Quinze minutos, vinte, e pensava: ââComo fazer para chamĂĄ-lo atĂ© aqui?! E pensava ââComo dizer ââOlĂĄ, nos conhecemos, vocĂȘ nĂŁo deve lembrarââ? Ele nĂŁo iria saber.
O Garçom passou, maravilhoso. NĂŁo sabia se queria ele, as bebidas, ou tudo junto. O garçom se aproximou e eu disse ââMais um, mais um sĂł com gelo.ââ E o Hugo disseâ ââMais doisââ. DaĂ perguntou alguma coisa que nĂŁo consegui entender por causa da mĂșsica hino que tocava Britney Spears. Dei uma risadinha como resposta e ele riu muito, deve ter perguntado alguma coisa engraçada, esse Ă© dos que nĂŁo perdem a oportunidade de gargalhar.
DaĂ a mĂșsica diminuiu, entrou um desses pops moderninhos, mais tranquilos, e eu vi quando o Pedro foi lĂĄ para os fundos, onde ficava o balcĂŁo do bar. Fiquei olhando para ele.
De repente ele virou e eu que eu estava olhando. Sorriu como se dissesse olĂĄ, tudo bem, mas eu preferi ficar firme onde estava, defendendo a posição e esperando o garçom com mais um copo que havia pedido. Eram umas trĂȘs da manhĂŁ e todos estavam muito alegres.
Acendi um cigarro e fiquei olhando os casais dançando.  Os caras um pouco doidos demais, exibiam corpos malhados e suados, com muito glitter e adereços coloridos. Procurei por Hugo, depois por Mateus, Elisa...Lembrei-me de uma noite em que todos viemos juntos aqui tomar campari, eu dizia ââEstĂĄ tudo erradoââ, e eles diziam ââmas  estamos juntosââ. Lembro vagamente por que tĂnhamos tomado um exĂ©rcito de martinis antes, e eu falava as coisas e esquecia em seguida, estava mesmo era perdido, e quando tomamos cafĂ© da manhĂŁ juntos no dia seguinte, eu acho que me apaixonei.
 NĂŁo encontrei Mateus, nem Elisa, nem Hugo. Voltei a procurar por Pedro SĂ©rgio, que tinha desaparecido. Quando fui ao banheiro, depois de ter tomado mais um e pedido um mais outro, encontrei Pedro. Estava na ponta do balcĂŁo, exatamente onde eu teria de passar para chegar Ă porta com a plaquinha ââCavalheirosââ. Fiquei sem graça, preferi perguntar ao homem que fumava atrĂĄs do balcĂŁo, vigilante: ââOnde estĂĄ o outro banheiro?ââ
Pedro sorriu, percebeu, riu e eu ri tambĂ©m, disse ââOlĂĄâ.ââ Ele riu mais e respondeu: ââVocĂȘ parece um urso, parece um ursinho barbudo.ââ Eu achei o mĂĄximo, na verdade eu nĂŁo parecia nada mas achei o mĂĄximo do mesmo jeito. Sorri, e ele disse ââEu estou muito louco hojeââ. Achei um pouco ofensivo o que ele disse, daĂ falei para ele ââOlha, eu vou ali a jĂĄ volto, vocĂȘ nĂŁo quer tomar alguma coisa comigo?ââ e ele perguntou ââMas onde Ă© que vocĂȘ estĂĄ?ââ, e eu disse: ââNĂŁo banque o bobo, vocĂȘ sabe muito bem, gatinho. Estava dançando horrores e olhando para mim  tempo todo, eu estou lĂĄ naquela mesa, sabe? Aquele cara lĂĄ Ă© o Hugo, Ă© meu amigo. Vai lĂĄ e fica esperando que chego em um minuto.
Quando voltei, nada do Pedro. Ele sabia jogar o jogo.
Passou um tempinho, eu pensando, a mĂșsica explodiu de novo, eu desistindo e pensando em ir embora quando ele apareceu outra vez, dançando e rindo. Chamei-o com a mĂŁo, o cigarro entre os dedos para disfarçar o gesto, e ele finalmente veio e sentou ao meu lado, sempre rindo e dizendo âOlha vocĂȘ aĂ outra vez, nĂŁo consegui achar sua mesa, sabe como Ă©, estava procurando mas tem tanta gente.ââ
Ele rindo sempre, entĂŁo fiquei olhando para ele e dizendo ââVocĂȘ estĂĄ mesmo muito louco?ââ e ele respondeu: ââQue nada, sou sempre assimââ.
Mas eu pensava que na primeira noite de um homem com outro homem ele nĂŁo se parecia como nenhum outro homem que eu tive a chance de conhecer. Ele era bem melhor que os caras gentis dos filmes, ou das personagens construĂdas dos livros de romance.
Me lembrei de um filme LGBT onde um cara toma a atitude e puxa o outro contra seu corpo. DaĂ falei ââVem cĂĄââ, e ele veio. Nos beijamos e eu disse ââPedrinho... Estou meio bĂȘbado e meio triste, estou mesmo Ă© meio sem graça. Vamos sair daqui?
Ele riu outra vez, estava lindo, charmoso, como sempre. Muito mais lindo que no cinema. E disse ââQue esquisito vocĂȘ me chamar assim, de Pedrinho. NinguĂ©m me chama assim.ââ
Eu sorri feliz porque tinha um apelido para ele, nĂŁo ia ficar repetindo Pedro SĂ©rgio toda hora, nĂŁo Ă© mesmo? NĂŁo queria parecer a mĂŁe dele. Afinal, estĂĄvamos indo fazer amor em algum hotel barato, com a possibilidade de sermos pegos, mortos ou massacrados por algum homofĂłbico. Eu tinha de chama-lo de um jeito especial, um jeito pessoal. Ele dizia ââNunca ninguĂ©m me chamou assim, isso Ă© muito carinhoso.ââ
Ele foi buscar seu casaco, e eu pedi um Ășltimo e a conta. Procurei Hugo, ele tinha desaparecido hĂĄ nĂŁo sei quanto tempo. EntĂŁo Pedro voltou e eu pensei que no Instagram ele parecia mais baixo, na verdade era mais bonito pessoalmente. Ele parou na mesa onde estava um cara grisalho, parecendo um desses agentes ou atores de televisĂŁo. O cara olhou para mim de cima a baixo, olhou duro, e eu aguentei firme. O Pedro chegou na mesa, sentou, nos beijamos outra vez sem medo algum do sujeito esquisito. Olhei para a mesa do cara grisalho que tambĂ©m nĂŁo estava mais lĂĄ, olhei para o Pedro, continuei sorrindo, corri os dedos por sua blusa, procurei a gola, senti sua pele, lembrei de um suco de pĂȘssego que adoro.  Paguei a conta, nos levantamos, entĂŁo e ele disse ââE aĂ?ââ e eu disse ââNa minha casa nĂŁo rola. Desculpa.ââ E aĂ ele disse ââ E agora, para onde vamos? Eu quero ficar com vocĂȘ, porra.ââ. Eu disse que nĂŁo sabia, ele comentou num hotelzinho por ali perto, custava 50 pratas, mas a atendente era uma senhorinha que nĂŁo era preconceituosa e administrava o local hĂĄ dĂ©cadas. Eu disse que tudo bem, por mim.
Na manhĂŁ seguinte, enquanto eu preenchia um cheque para pagar nossa noite no local, ele perguntou como era mesmo o nome que eu tinha inventado para ele, falei ââPedrinhoââ e ele disse ââNĂŁo acredito. Ă legal. Ă muito melhor que pedrĂŁo. Haha.ââ
   --------------------------------------------------------------------------------------------------
 ROTEIRO
 A Primeira noite de um homem
(Com outro homem)
FADE IN:
INT. QUARTO DO ARTHUR - DIA
Fotografias em cima da escrivaninha, ao lado de textos universitĂĄrios espalhados, diversas molduras espalhadas no quarto abrigavam as fotografias de uma garota sorridente, de cabelos longos e castanhos.
Corta Para Menino Mexendo no Celular
                                 ARTHUR
CLOSE NAS MĂOS MEXENDO NO CELULAR.
PERSONAGEM NAVEGA NO APLICATIVO DE RELACIONAMENTOS. GRINDR.
ARTHUR
Plano close
ARTHUR
COLOCA CELULAR PARA CARREGAR NA TOMADA. Abre o armĂĄrio, cheira uma camisa. Joga a camisa parao lado e pega outra, limpa. Toma banho, escova os dentes e vai para a academia correr.
INT. BOATE â PISTA DE DANĂA â NOITE
Plano Médio
DANĂANDO
Arthur
PLANO GERAL
CLOSE NOS OLHOSÂ
     1. INT.BOATE - NOITE
Jovens dançam e se divertem, o DJ toca mĂșsica eletrĂŽnica, o bar estĂĄ cheio, pessoas estĂŁo se divertindo.
PLANO CLOSE
Casal dançando, grupo de amigos interagindo, seguranças na porta.
PEDRO SĂRGIO
Na pista de dança, a cùmera foca em um rapaz
PLANO CLOSE
Cabelos soltos, ri enquanto dança.
ARTHUR
PLANO CLOSE
Olha para Pedro e sorri.
MĂșsica barulhenta.
PEDRO SĂRGIO
Dança e sorri
ARTHUR
- Que bom
Eu tentava falar com Hugo, mas ele nĂŁo escutava nada, mal me entendia.
ARTHUR
Que bom, olha ele ali.
(Sem resposta)
Pedro Sérgio
Pedro vestia uma calça jeans skinny, bordÎ. Camisa preta, jaqueta jeans e um par de Dr.Martens. Pedro ria muito enquanto dançava, mexia em seu telefone e interagia com amigos que estavam ao seu redor.
ARTHUR
Arthur estava lĂĄ, olhando para ele. Quinze minutos, vinte...E pensava ""Como fazer para chamĂĄ-lo atĂ© aqui?'E pensava ââComo dizer ââOlĂĄ, nos conhecemos, vocĂȘ nĂŁo deve lembrarââ? Ele nĂŁo iria saber.
GARĂOM
OlĂĄ, gostaria de um drink?
ARTHUR
Mais um, mais um sĂł com gelo.
HUGO
Mais dois
HUGO
Hugo pergunta algo que Arthur nĂŁo consegue entender por causa do barulho, tocava Britney Spears naquele exato momento.
A mĂșsica diminui, entra um som pop moderninho.
ARTHUR
Arthur vĂȘ Pedro caminhando em direção ao bar, Arthur olha para ele fixamente com ar de desejo.
PEDRO SĂRGIO
Pedro se vira e percebe que Arthur estå olhando em sua direção. Pedro sorri de maneira carismåtica.
ARTHUR
Arthur fica firme em seu lugar, defendendo sua posição e esperando o garçom trazer mais um drink que havia pedido. Eram trĂȘs da manhĂŁ e todos pareciam muito alegres, a festa parecia ir bem.
Plano close
Arthur acende um cigarro e para para observar os casais dançando. Arthur nota algumas pessoas um pouco bĂȘbadas ou loucas demais. Arthur repara no fĂsico dos jovens que dançam sem camisa no palco da festa, os corpos malhados e suados, com glitter e adereços.
ARTHUR
Arthur procura rapidamente por Hugo, Mateus e Elisa, mas nĂŁo encontra nenhum de seus amigos.
FLASHBACK
Arthur lembra-se de vez em que estava com Hugo, Mateus e Elisa em outra ocasiĂŁo, e bĂȘbado, disse ''EstĂĄ tudo errado'', em seguida, seus amigos disseram ''mas estamos juntos. Arthur lembra de ter bebido vĂĄrias doses de Martini apĂłs uma noite de excessos com seus amigos e Pedro SĂ©rgio.
ARTHUR
(Pensamento) Quando tomamos café da manhã juntos no dia seguinte, eu acho que me apaixonei. Achei fofo, sei lå.
Enfim...Vou voltar a procurar os meninos e ver se vamos embora daqui da mesma maneira que chegamos. Juntos.
Arthur não encontra Matheus, nem Elisa, nem Hugo. Volta a procurar por Pedro Sérgio, que desaparece na multidão dançante. Arthur vai até o garçom e bebe mais dois drinks.
ARTHUR
Licença, por favor.
Garçom
Pois nĂŁo?
ARTHUR
Me vĂȘ mais dois com pouco gelo, por favor.
GARĂOM
Claro, Ă© pra jĂĄ.
ARTHUR
Muito Obrigado.
Arthur vai até o banheiro e acaba encontrando Pedro Sérgio, que estava na ponta do balcão, exatamente onde Arthur precisaria passar para chegar ao toalete masculino.
Arthur se mostra sem jeito, se direciona até um homem que fuma atrås do balcão, o vigilante.
ARTHUR
Licença, campeão. Sabe me dizer onde é o outro banheiro?
PEDRO SĂRGIO
Pedro SĂ©rgio vĂȘ tudo de longe. Pedro sorri e se aproxima do Arthur
ARTHUR
Plano CLOSE
Arthur olha para Pedro e sorri de volta
ARTHUR
OlĂĄ
PEDRO SĂRGIO
Pedro esboça um sorriso sincero
VocĂȘ Ă© um amor. Parece um urso, um ursinho barbudo.''
ARTHUR
Um ursinho barbudo HAHAHAH, eu nĂŁo sei se eu pareço, mas achei o mĂĄximo vocĂȘ me chamar assim.
PEDRO SĂRGIO
Ă. Cara, eu estou muito louco hoje.
ARTHUR
Nossa...Olha, eu vou ali e jĂĄ volto, vocĂȘ nĂŁo quer tomar um drink comigo?
PEDRO SĂRGIO
Mas onde Ă© que vocĂȘ estĂĄ?
ARTHUR
NĂŁo banque o bobo. VocĂȘ sabe muito bem, gatinho. Estava dançando horrores e olhando para mim o tempo todo, eu estou lĂĄ naquela mesa, sabe? Aquele cara lĂĄ Ă© o Hugo, Ă© meu amigo. Vai lĂĄ e fica esperando que chego em um minuto.
ARTHUR
Arthur volta e nĂŁo encontra Pedro, decide entĂŁo esperar ali.
Passa um tempo e a mĂșsica explode novamente, contagiando todos na pista de dança. Arthur cogita ir embora, mas Pedro aparece outra vez.
PEDRO SĂRGIO
Dançando e rindo.
ARTHUR
Arthur faz um sinal de ''vem cĂĄ'' com a mĂŁo, o cigarro entre os dedos, a jaqueta desabotoada.
PEDRO SĂRGIO
Olha vocĂȘ aĂ outra vez! NĂŁo consegui achar sua mesa, cara. Sabe como sĂŁo essas festas, Ă© muita gente no mesmo espaço, nĂ©.
PLANO CLOSE
Pedro Sérgio sorri e se mostra interessado, sua expressão corporal é de receptividade
ARTHUR
VocĂȘ estĂĄ mesmo muito louco?
PEDRO SĂRGIO
Ah, olha, eu sou sempre assim, alegre, sabe? Mas sinceramente, quem não tå, né? HAHAHA
ARTHUR
Arthur pensa o celular e abre o bloco de notas. Sem que percebam, digita rapidamente: ''Eu pensava que na primeira noite de um homem com outro homem ele nĂŁo se parecia como nenhum outro homem que eu tive a chance de conhecer. Ele era bem melhor que os caras gentis dos filmes, ou das personagens construĂdas dos livros de romance.'' Arthur fecha o aplicativo e guarda o celular.
ARTHUR
Vem cĂĄ
PEDRO SĂRGIO
Sim
Pedro caminha em direção a Arthur e os dois se beijam
PLANO CLOSE NO BEIJO
ARTHUR
Pedrinho...Eu estou meio bĂȘbado e meio tonto. Vamos sair daqui?
PEDRO SĂRGIO
Pedro ri.
ââQue esquisito vocĂȘ me chamar assim, de Pedrinho. NinguĂ©m me chama assim.ââ
ARTHUR
Arthur sorri, sem graça
Arthur pensa consigo mesmo: Eu sorri feliz porque tinha um apelido para ele, não ia ficar repetindo Pedro Sérgio toda hora, não é mesmo? Não queria parecer a mãe dele. Afinal, eståvamos indo fazer amor em algum hotel barato, com a possibilidade de sermos pegos, mortos ou massacrados por algum homofóbico.
PEDRO SĂRGIO
Nunca ninguém me chamou assim, isso é muito carinhoso. Tipo, sério.
Pedro Sérgio levanta e vai buscar seu casaco em outra mesa.
ARTHUR
Arthur pede mais um drink e a conta.
Arthur procura Hugo, mas nĂŁo o encontra.
PEDRO SĂRGIO
Pedro volta, com o casaco. Pedro para na mesa onde um cara esquisito estĂĄ sentado, assistindo a tv do bar.
ARTHUR
Arthur pensa consigo mesmo; ''No Instagram ele parecia mais baixo, na verdade ele Ă© mais bonito pessoalmente''.
PEDRO SĂRGIO
Arthur, querido...
Pedro parou na mesa onde estava um cara grisalho, parecendo um desses agentes ou atores de televisĂŁo.
Nesse instante, O cara olha para eles de cima a baixo
ARTHUR
EstĂĄ tudo bem.
PEDRO SĂRGIO
Pedro Sérgio chega na mesa, senta, beija Arthur
ARTHUR
Arthur Olha para a mesa do sujeito esquisito e ele nĂŁo estĂĄ mais lĂĄ
Arthur continua sorrindo
Arthur corre os dedos pela blusa do Pedro, procura sua gola, sente sua pele macia. Arthur beija a nuca do Pedro, beija o rosto do Pedro e se levanta.
ARTHUR
A conta, por favor.
  EXT.BOATE - RUA - NOITE
PEDRO SĂRGIO
E aĂ? TĂĄ afim?
ARTHUR
Ăbvio. Mas na minha casa meio que nĂŁo rola, foi mal.
PEDRO SĂRGIO
E agora, para onde vamos? Eu quero ficar com vocĂȘ, porra.
ARTHUR
Eu também quero. Na verdade, existe uma pensãozinha aqui perto, custa 50 pratas a diåria e quem administra é uma senhorinha. Ela é meio que tranquila.
PEDRO SĂRGIO
Estranho Ă© vocĂȘ saber todas essas informaçÔes, mas por mim tudo bem
ARTHUR
Ah! Haha, nĂŁo! Bobo. Isso foi o que ouvi dizer, nĂ©. Uma bee amiga minha que Ă© babado do rolĂȘ me contou sobre isso hĂĄ algum tempo, e eu lembrei agora.
PEDRO SĂRGIO
Sim. Vamos ver qual Ă©.
ARTHUR
Ok, eu vou chamar um carro, nĂŁo deve demorar
PEDRO SĂRGIO
Ok.
EXT.BOATE.RUA - NOITE
Plano médio
Pedro e Arthur aguardam na calçada, na saĂda da boate
Uber chega, carro se aproxima
PEDRO SĂRGIO
à essa placa mesmo?
ARTHUR
Acho que sim, vem
Arthur e Pedro Sérgio se aproximam do carro, conferem e entram
ARTHUR
Boa noite
Motorista
Boa noite! Sr.Arthur, certo?
ARTHUR
Isso, isso. O endereço jå estå no mapa.
MOTORISTA
Sim, certo.
CORTA
     EXT.RUA - NOITE
Arthur paga o motorista, Pedro sai do carro e o carro vai embora.
PEDRO SĂRGIO
EntĂŁo, Ă© aqui?
ARTHUR
Sim, baby. Ă aqui mesmo. Vamos? TĂĄ tudo bem?
PEDRO SĂRGIO
Sim, tudo bem.
Arthur e pedro caminham em direção à entrada de um pequeno hostel, entram no local e uma senhora estå sentada em uma cadeira, na recepção do local.
ARTHUR
Boa noite.
DONA CĂLIA (Recepcionista)
Boa noite, pois nĂŁo?
ARTHUR
Arthur tenta falar, mas fica roxo de vergonha, gagueja algumas sĂlabas.
Ehmmm..Hmmmm...Eu...
DONA CĂLIA
Senhor?
PEDRO SĂRGIO
EntĂŁo, dona. Ă que a gente quer um quarto pra uma diĂĄria. Eu e o meu amigo aqui.
ARTHUR
Arthur nĂŁo fala nada, se mostra assustado e nervoso.
DONA CĂLIA
Pra vocĂȘs dois?
PEDRO SĂRGIO
Ă.
DONA CĂLIA
Olha mocinho, vocĂȘs deram sorte. Um casal saiu hĂĄ pouco e acho que tenho uma quarto vago. O pagamento vocĂȘ pode fazer ao sair. Ă 50 pratas e se ficar mais tempo, paga multa. Se quebrar, paga multa. Se roubar ou fizer confusĂŁo aqui, eu chamo a polĂcia. VocĂȘ entendeu, rapaz?
PEDRO SĂRGIO
Sim, certo.
DONA CĂLIA
VocĂȘ Ă© maior de idade? EstĂĄ com documento?
PEDRO SĂRGIO
Sim, estou
DONA CĂLIA
E vocĂȘ?
ARTHUR
Sim, eu estou com a identidade aqui.
DONA CĂLIA
Tudo certo, entĂŁo. O quarto de vocĂȘs Ă© o 102. Boa noite e obrigada. O nĂșmero da recepção Ă© 332 caso precisem de algo hĂĄ um quadro com os nĂșmeros importantes em cada quarto.
ARTHUR
Eu esqueci de perguntar, qual a senha do wi fi?
DONA CĂLIA
3211-0889. Mas se eu fosse vocĂȘ, esquecia a internet.
PEDRO SĂRGIO
Gente!!! Concordo. Haha.
  INT.QUARTO - PENSĂO
Arthur e Pedro Sérgio fazem o cadastro na recepção e caminham em direção ao quarto reservado. Os dois abrem a porta, verificam o quarto e entram. No quarto, uma cama de casal, ar condicionado, tv, banheiro, um frigobar, escrivaninha, telefone e abajur. O quarto era bem arrumadinho para 50 pratas.
ARTHUR
Que loucura, nĂłs estamos em um motel.
PEDRO SĂRGIO
Isso nĂŁo Ă© um motel, sĂŁo quartos de aluguel.
ARTHUR
AHAHAH, ahhh nĂŁo! Quartos de aluguel? Que porra Ă© essa?
PEDRO SĂRGIO
Ah, nem todo mundo que vem aqui, vem pra transar, né.
ARTHUR
Duvido. à muito barato. Até que é arrumadinho, mas sei lå.
PEDRO SĂRGIO
Bom, enfim. CĂȘ quer beber alguma coisa? Tem umas cervejas nesse frigobar aqui, e a gente paga depois.
ARTHUR
Me vĂȘ uma
PEDRO SĂRGIO
Vem cĂĄ
Arthur senta-se ao ladro de Pedro, na cama. Os dois estĂŁo bem prĂłximos.
ARTHUR
Pedro, olha pra mim
PEDRO SĂRGIO
Oi, como nĂŁo olhar??? Com esse rosto tĂŁo lindo....
ARTHUR
Hahaha...Ă sĂ©rio...Eu preciso falar com vocĂȘ...
PEDRO SĂRGIO
Mas vocĂȘ estĂĄ falando comigo!! Desse jeito vocĂȘ me deixa ansioso, o que Ă©?
ARTHUR
NĂŁo, vocĂȘ nĂŁo entende. Eu preciso me afastar. Sai de perto de mim.
Arthur levanta da cama, para em pé em frente a Pedro
PEDRO SĂRGIO
O que vocĂȘ estĂĄ fazendo? Por que vocĂȘ levantou? O que eu fiz?
ARTHUR
Arthur continua em pé, parado em frente a Pedro
Arthur olha pro chĂŁo...Uma lĂĄgrima cai de seus olhos. Arthur olha para Pedro e confessa
Pedro, eu fiquei com medo de te dizer antes, porque pensei que isso pudesse te afastar de alguma maneira. Eu sou trans.
PEDRO SĂRGIO
O QuĂȘ? Trans?
ARTHUR
Ă. Eu fiz um intercĂąmbio pra Irlanda quando tinha 18 anos, mudei quem eu era e me tornei quem eu sempre quis mas nunca consegui no Brasil. Me tornei uma pessoa livre desde entĂŁo. JĂĄ faz um tempo que eu voltei.
PEDRO SĂRGIO
Pedro levanta da cama rapidamente, se mostrando surpreso e também confuso. Pedro olha para os lados, e depois olha para Arthur.
PEDRO SĂRGIO
NĂŁo Ă© possĂvel, fui enganado!!
ARTHUR
Eu sabia que isso ia acontecer
PEDRO SĂRGIO
EntĂŁo vocĂȘ nĂŁo tem?....VocĂȘ Ă© uma mulher?
ARTHUR
Eu nĂŁo sou uma mulher, eu faço uso de hormĂŽnios. Tanto que vocĂȘ nĂŁo percebeu. Eu sou um homem.
PEDRO SĂRGIO
Essa sua barba Ă© uma barba de hormĂŽnio? VocĂȘ tĂĄ de sacanagem?
ARTHUR
Se vocĂȘ gosta de homem, gosta de quem eu sou, isso nĂŁo deveria fazer diferença. Eu nĂŁo acredito que estou escutando isso de um cara gay, isso Ă© hipocrisia e preconceito! Quando nos conhecemos vocĂȘ disse gostar de tudo em mim, e nos damos bem atĂ© entĂŁo.
PEDRO SĂRGIO
NĂŁo, Ă© o seguinte. Eu saĂ pra me divertir, nĂŁo pra parar no motel com uma sapatĂŁo barbada. VocĂȘ me enganou, sua filha da puta.
Pedro SĂ©rgio bĂȘbado se levanta, pega Arthur pela camisa e o joga contra parede.
ARTHUR
Que isso, me solta, isso Ă© agressĂŁo, cara, eu nĂŁo sabia que vocĂȘ era assim.
PEDRO SĂRGIO
Pedro dĂĄ socos no rosto de Arthur, que cai no chĂŁo.
Pedro espanca Arthur até o desmaio.
ARTHUR
Arthur clama por ajuda enquanto sofre jogado no chĂŁo frio
NĂŁo, para, me ajud-!!!!
Arthur desmaia no chĂŁo com o nariz e a face ensanguentados.
PEDRO SĂRGIO
CONTRA PLONGĂE
Pedro pega o celular no bolso de Arthur e desliga, o confisca. Pedro arrasta o corpo de Arthur até o banheiro do quarto e fecha a porta.
FIM.
O Rio de Janeiro Ă© um museu incrĂvel. VocĂȘ jĂĄ entrou no Museu de Arte Moderna do Rio ou no Parque Lage? VocĂȘ jĂĄ desligou o celular para ler um livro no Parque Guinle?! Well, brother...I actually think you should go on and try new stuff, seriously babe... Take the risk. Go for it. O mundo Ă© seu,
e o Rio Ă© nosso. AVF 2018
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