[FLASHBACK] It's Christmas time! || Emmeline&Matthew
O natal era a época favorita de Emmeline e ela adorava passar o feriado em casa, com seus pais. Esse ano seus avós também participariam das festas e ela fora a encarregada de arrumar a casa para as festividades. Mesmo tendo crescido no centro de Londres, a garota ainda se maravilhava com o mundo dos trouxas, principalmente nessa época do ano. Era tudo tão iluminado e colorido, tão bonito… E tudo sem um pingo de magia! Talvez o fato de conseguirem fazer todas aquelas coisas extraordinárias sem mágica tornasse tudo mais incrível ainda. Emme se esforçou para deixar o apartamento em que viviam tão bonito quanto às lojas do lado de fora, com uma árvore grande e colorida e luzes que piscavam. Mas ainda faltava alguma coisa… Aqueles pacotes que ficavam embaixo, os presentes. Ela não tinha tempo para ir até o Beco Diagonal e vasculhar todas as lojas, além disso, parecia uma boa ideia presentear seus familiares com utensílios trouxas, já que todos eram tão curiosos sobre eles quanto ela mesma. Vestiu um suéter quente, gorro, luvas e botas para enfrentar o frio londrino e rumou para as ruas apinhadas de gente.
A cada vitrine que olhava, ficava mais curiosa. Não as queria perguntar sobre os produtos porque tinha medo que as respostas fossem muito óbvias e desconfiassem de que ela era, no mínimo, uma pessoa diferente. As pessoas lhe empurravam ocasionalmente e pediam desculpas logo após, Emme estava ficando claustrofóbica naquele mundo de gente e resolveu entrar na próxima loja que conseguisse. Por coincidência, era uma livraria; Daquelas antigas com um senhor de óculos pequenos atrás do balcão e milhões de prateleiras. O lugar estava silencioso e tranquilo, algumas pessoas liam e conversavam. Outras comiam e tomavam bebidas quentes. Emmeline nunca fora alguém muito engajada na leitura, mas ver todos aqueles exemplares, tão diferentes dos que ela conhecia, incitara seu espírito curioso. Passeou pelas estantes, passando seus dedos magros pelas brochuras dos exemplares, mas um em particular lhe chamou a atenção. Ele era razoavelmente fino, em comparação com alguns dos outros livros que tinha visto, mas sua capa era de um tom arroxeado muito bonito; A garota adorava cores, principalmente as vibrantes. Pôs-se na ponta dos pés e esticou seu braço, porém ainda não foi o suficiente. Suspirou pesadamente, chateada com a sua altura, mas alguém mais alto fez a gentileza de apanhar o exemplar para ela — Obrigada! — Ele disse sorrindo, mas quando olhou para o rosto do seu bem feitor, constatou que o conhecia — Matthew… Finkleton? Que surpresa! — Não esperava encontrar um colega de Hogwarts ali, numa livraria trouxa, mas secretamente ficou feliz com isso.
Hogwarts realmente era considerada uma segunda casa para a maioria dos alunos que ali frequentavam. No caso de Matthew Finkleton, era sua primeira casa. Depois de ter passado 11 anos com seu pai, ele finalmente entendeu o sentido da palavra “lar” quando adentrou o castelo pela primeira vez e sentou-se nas poltronas do Salão Comunal da Hufflepuff, decorado com plantas e objetos seguindo as cores da Casa. Mantinha contato ocasional com seu pai por meio de corujas e até mesmo passara os primeiros Natais em casa, mas, após o terceiro ano, decidira que queria viajar, conhecer outros lugares, outras pessoas. Passara os últimos Natais em casas de amigos da Hufflepuff, que sempre o convidavam, já que quase nenhum aluno costumava ficar no castelo. No entanto, naquele Natal fora diferente. A parte da família de sua falecida mãe iria passar o Natal com Matt e seu pai, portanto ele fora obrigado a ir para a casa que o fazia reprimir tantas lembranças. Quantos dias passara sozinho na garagem dos Finkleton, com um monte de quinquilharias e tentando inventar alguma coisa? Nem contava, mas tinha certeza que perderia a conta se o fizesse.
Matthew possuía duas rotas de escape claras: garagem e livros. Naquela tarde gélida, o garoto vestiu uma roupa quente junto com um cachecol que ganhara da mãe de Astrid e partiu para a livraria próxima de sua casa, seu segundo lar. O Sr. Anderson, idoso dono da loja, conhecia o único filho dos Finkleton desde que Matt aprendera a ler e traçar o caminho de casa até a loja sozinho. Assim que adentrou, foi como se uma felicidade passasse por seus pulmões pela primeira lufada de ar inspirada, o cheiro de livros antigos misturado ao inconfundível chocolate quente com chantilly e canela – a bebida servida ali preferida de Matt. Decidiu procurar algo para ler um pouco ali, comprar e terminar a leitura em casa. Com um livro em mãos, o garoto conseguia manter-se são em qualquer situação. Seus pés, antes mesmo que pensasse que caminho tomar, o levaram automaticamente para a seção de ficção científica. Passou os olhos pelos livros que ali estavam, não notando nenhum diferente dos que já conhecia, e continuou até chegar à seção ao lado. As Aventuras de Sherlock Holmes. Um clássico que ainda não tivera chance de ler. Retirou o livro de capa azul da prateleira e começou a ler a contracapa, entretido. Notou somente pelo canto do olho quando uma garota, relativamente baixa, tentava alcançar um livro na prateleira superior, fora do alcance dela. Sem tirar os olhos da contracapa do livro de Sir. Arthur Conan Doyle, Matthew alcançou o livro para ela e, assim que repousou os olhos na garota, reconheceu-a imediatamente. – Emmeline! – Cumprimentou-a, depois de depositar o livro nas mãos dela. – Posso dizer o mesmo. O que a traz a essa pacata livraria trouxa? – Brincou, genuinamente curioso com o motivo de ela estar ali. Matt nunca encontrara ninguém de Hogwarts perto de casa.














