em frente
mastigo o castigo do caos
e, cáustico
entre os dentes amarelados
e as escolhas incipientes,
clamo pela chegada abrupta da tempestade
num sussurro divino...
mesmo com o escárnio das horas
e o desbotar da esperança
é um milagre telúrico que eu esteja vivo
em meio a este dilúvio de mágoas odiosas
e vergonhas intrusas
submersas nesse labirinto
de augúrios desfavoráveis.
seriam eles, auto-ilusões pré fabricadas
pela querência de um porvir alvissareiro?
ou tão-somente a ação descabida
de egos fantasmagóricos,
ávidos para abocanhar a luz
que me sustenta?
o sonho ainda teima
e languidamente fulgura
como fogo-fátuo almejando ser
um sol auspicioso
entre nuvens idílicas
e a nudez esmaecida
de minha insistência.












