📁 ╱ trad.: mantenha em mente: está tudo bem (…) ❜ ― ! 🎶 x 📻
Pensou que o coração ia saltar pela boca e acabar com toda sua tensão, levando também a adrenalina gostosa que não sentia há anos, pois bateria as botas antes mesmo de enfrentar um bicho invisível aos seus olhos. Kwang Su o havia alertado, porém, assustado o suficiente. Felizmente, a pressão o fez pensar em uma alternativa estúpida, mas pelo menos diferente. Bo Yun usou dos braços e pernas compridas (e do cabo do rodo) para alcançar nas prateleiras as garrafas de desinfetantes, que e estatelaram no chão, e um balde. Deixando o rodo de lado por um segundo, se colocou a despejar o produto no balde, pedindo para que Kwang Su adiantasse em abrir os outros dois galões.
— Sólido e… fedido, certo? Veio do banheiro e coisa e tal — segundo litrão com cheiro de lavanda misturando à pinho. — Na minha cabeça, jogar isso nele deve fazer algum efeito. Como em joguinho de efeitos de combinações elementais e-— também não era hora para isso, provavelmente, então somente se calou. Mais precisava do fôlego para segurar o peso do balde e jogar no monstro caso, enfim, ele adentrasse. Vai vê, até ajudasse seus olhos a terem noção de alguma coisa da criatura do além mesmo que por um segundo até o líquido escorrer (ou o desinfetante simplesmente o atravessaria e molharia a pessoa que estivesse passando pelo corredor). — Kwang Su, sem brincadeira, quando sairmos daqui, você comece a fazer um bestiário de alma ou coisa assim. Essa coisa de improviso contra entidades só prejudica minha imagem.
Kwangsu trancou o maxilar com a revelação. Agora estava ciente de que o cheiro pútrefo tão poderoso para si não tinha sido notado de verdade pelo mais velho que, apesar disso, ainda estava ali a apoia-lo. Ouvir essa confirmação em voz alta fez o coração do Pak acelerar e amolecer ao mesmo tempo, conforme se recordava dos bons tempos que os dois amigos costumavam ter ainda na escola quando as coisas eram um tico mais simples.
Soltou um riso breve e sarcastico. — Dói, mas não faz muita mais! — Rebateu, tendo a própria experiência em apanhar da mãe com aquele tipo de arma e sair cheio dos vergões para contar a história também. Kwangsu apenas decidiu que não iria julgar, uma vez que não tinha quaisquer outras ideias e, inclusive, deveria estar grato por ter Bo Yun ali. O que com certeza estava. Especialmente agora que a criatura falava com ele do outro lado da porta: a voz sem vida era profunda como vinda de um túmulo. “Você me viu, eu sei. Que tal sair dai? Vamos brincar um pouco!”
Kwangsu respirava com dificuldade, buscando com urgência pela barreira que o corpo de Bo Yun fazia entre ele e aquela coisa, mas o outro garoto parecia ocupado em pegar algo nas estantes. Se prostrou ao lado dele com o primeiro sinal, ajudando a abrir os outros galões e juntar o líquido desses com o do balde. O cheiro mais agradavel começava a inundar o pequeno cômodo e Kwang se questionava qual era o plano enquanto o mais velho tentava expressar os próprios pensamos. Ok, ele não tinha nenhuma ideia. Aquilo era só um chute. — Eu não sei no que um banho de lavanda vai ajudar, mas não custa tentar. — Acrescentou, buscando ajudar Bo Yun a erguer o balde pesado antes de voltar a mirar a porta. “Preciso de um favor, garoto! Tem alguns caras que estão me devendo e eu quero cobrar. Mas pra isso vou precisar da sua ajuda.” — Não tô interessado! — Kwangsu gritou em resposta. — Tenho que voltar para o trabalho. Mas agradeço a oferta. — Isso despertou um riso na criatura, que arrepiou os cabe-los da sua nuca e fez coisas ruins passarem por sua mente. — Ok, um bestiário de almas… é, é, parece uma boa ideia.
A ameaça seguinte fez o coração de Kwangsu gelar. “Senão me ajudar, seu pai vai.” Ficou tão em choque pelo espirito saber sobre o seu pai e, especialmente, quem ele próprio era, que nem conseguiu reagir quando a porta se escancarou com toda força de repente, como se tivesse sido empurrada por uma forte rajada de vento inexistente. E logo ali esperando, estava a tal alma profana. A única coisa que pensou em fazer foi cutucar Bo Yun, os dedos afiados contra a lateral da sua cintura, dando um sinal.
Imagina passar os dias como se vivesse tendo um surto individual — Bo Yun se perguntou se era assim que Kwang Su se sentia quando tomava a realização de ser o único a ver ou sentir algo da forma que fazia. Era por isso também, no fim das contas, que Bo Yun tentava ser, pelo menos, um apoio moral.
Ou braçal, considerando que era ele que, por exemplo ali, servia de escudo e se preparava para usar um cabo de madeira em sua melhor versão de espada.
— Quero ver não fazer mais se eu meter o cabo em algum bu- — não terminou de concluir, porque as ações alheias o pegou.
Bo Yun esperava que sua ideia tivesse eficiência na prática; que passasse mais que uma bela teoria até que lógica. Quer dizer, se o bicho parecia ter saído do esgoto de um banheiro, qual outra coisa melhor que a ação combativa contra bactérias esporuladas de um litro de desinfetante? Cinco litros, só se fosse. (Ou Coca-Cola — mas isso, definitivamente, não achava que encontraria num armário qualquer da prefeitura).
— No mínimo, deve servir para dar um banho de cheiro nele? — pensamento positivo sempre, né? Especialmente contra entidades qual não se consegue enxergar. E nem ouvir.
A palavra perfeita para Bo Yun ali era: frustração. Não podia ver, mal conseguia cheirar - apesar de que agora sentia alguma coisa -, não podia ouvir. Pelo o que Bo uma vez leu, lá na época da escola, entidades tinham o poder de serem vistas e ouvidas por qualquer um, eram só elas quererem. Por que aquele não fazia o favor de falar no volume Todo Mundo Me Ouça? Era imaginativo demais, mas também lerdo demais, para conseguir formar um diálogo coerente entre as frases soltas que Kwang Su soltava.
— Espera aí, a coisa está te oferecendo algo e você está agradecendo? — o cenho franzido e a espiada por sobre o ombro mostravam sua confusão e curiosidade. Que tipo de coisa poderia ser proposto ali? Descargas mais potentes? Um sistema melhor de encanação? Ele só não cogitou a entidade pedindo para almoçar Kwang Su, porque achava que o mais novo teria respondido de outra forma. — Isso é muito injusto-
A voz foi cortada pelo barulhão da porta sendo aberto por um grande nada. E embora Bo Yun tivesse lá um gostinho por marcas em sua pele, especialmente feita por unhas e dentes, aquele momento não era propício para tal — Kwang Su não precisaria avisar duas vezes para Bo Yun sacar o que tinha que fazer. Por isso, não perdeu tempo em guardar a força e usar a explosão para levantar com facilidade o balde e jogar o conteúdo em direção à porta, onde presumiu que estava a criatura. O balde em si, vazio, aliás, foi o que ele jogou logo em seguida também, para livrar as mãos e voltar a segurar a espada de cabo de rodo.
Ainda sob adrenalina e pura impressão, Bo Yun arriscou com o lado do esfregão empurrar o que tivesse na frente. Foi uma surpresa quando sentiu uma força contra si — a coisa era real.