Poison Girl: I did it all just for her.
Just a flashback, days before.
As falanges afastavam os fios escuros com cuidado enquanto a ouvia falar e os olhos permaneciam presos no olhar bonito, ainda que tudo estivesse escuro e apenas a luz da lua iluminava o local um tanto inusitado em que se encontravam. Tinha sido ideia dele, mas o que era ainda pior, era que ela havia aprovado de bom grado. Depois de uns dias de sumiço, mas tudo sob controle, todos precisam de um tempo sabático.
O abraço que o acalentava era o mesmo que o esfriava. Era assim o abraço de Schrödinger? Ele sabia, mas ela não. As cartas teriam lhe dito um dia antes, entretanto, preferiu o silêncio. Quer dizer… Não bem teriam dito, mas teriam lhe dado um direcionamento sobre aquela questão. Ou talvez… Ela sabia e ainda não teria lhe contado? De qualquer forma, preferia aproveitar o calor e as brincadeiras descontraídas, tentando não pensar muito nas lembranças de outrora.
Compartilhavam muitas coisas em comum e que simplesmente não cabiam naquele singelo momento, tampouco se comparavam ao vinho barato que bebiam exclusivamente da garrafa; a simplicidade de quem não almejava muito o encantava e a forma como a mais baixa era uma draga em forma de morena também. Os risos descontraídos só não eram melhor do que os beijos adocicados e os fios macios entre as falanges longas. Era um total devoto: ainda mais depois de elevá-la firme até o concreto, sentando-a ali. Dessa forma, o corpo feminino ficava acima do seu, enquanto a observava de baixo…
Era um devoto. E pela primeira vez poderia se sentir pequeno diante a algo ou alguém que não fosse o Universo ou a Deusa Tríplice. Somente a pequena deusa que dividia aquela noite divertida abaixo do luar consigo… Aquela deusa em forma de humana e que possuía habilidades excepcionais tal como Euterpe. Poderia ser facilmente parte de uma das nove musas em versão contemporânea. E na sua cabeça era assim, funcionava assim.
Assim era como o arcano O Louco: ela poderia ser comparada àquele viajante que explorava caminhos incertos e terras desconhecidas, com toda a sua coragem e entusiasmo. Somente ela poderia aceitar propostas daquela forma, naquele lugar. Contudo, também a Imperatriz de Marselha, tão capaz de penetrar nas almas dos seres quanto. Ela e seu poderio contínuo e irresistível em ações, amabilidade e cortesia.
Pudera chorar anos gastos em quimeras e as forças que tão mal desperdiçara daquele império de paixões desacordadas. Apesar de ares tão sombrios e de gostar do desconhecido, soube - senão através de um dom da natureza - no coração alheio guardar lembranças.
Porque ainda há um pouco do abraço dela em si, um pouco do cheiro dela em seu moletom e um pouco do gosto dela em sua boca.
And the taste of the poison on her lips is of a tomb... I did it all just for her.
“Então, estamos na Lua Crescente, isso significa que caso tenha algum projeto perdido ou em andamento no passado, é a hora de investir nele novamente ou tentar de alguma forma. Isso não é válido apenas para projetos ou ganhos, mas também relações entre pessoas. É a hora de reconciliar uma amizade, um amor... Ou de ir atrás de algo passado mas que ainda há um pouco dele em você. Essa é uma fase de grande expansão, mas tenha em mente de que nem tudo pode vingar. Nem tudo pode ‘crescer’, o padrão predominante é o do próprio momento. Porém, se não entendeu nada do que falei ou se não tem ideia de que decisão tomar, dá uma passada na Won’s ou em Toksan-dong que eu posso te ajudar com alguma leitura de Tarot. Ainda, se você não acredita em nada disso, passa na Won’s pelo menos pela playlist, eu juro pela Deusa Mãe que é boa, não falta Black Veil Brides.”
Mais um silencio se alastrava na estação de policia, Eunyeong que não era boba, aproveitou para olhar a rua e verificar sobre o que pediria de almoço, mesmo com as chuvas que acompanhava os moradores de Gaecheon, ninguém parava em casa, logo havia muitas pessoas nas ruas e lojas.
"Bom dia! Como estão as coisas por aqui? Está um clima agradavel hoje."
Yul até parou os passos se perguntando se tinha sido abordado por alguém da estação policial por algum motivo. Tava fodido? Ou nem? Comprar gasolina em bombona e levar pra casa era ilegal? Não sabia... Não que ele tivesse feito algo ilegal, quer dizer, pelo menos não se lembrava. Estava descarregando algumas caixas que levaria para a Won’s quando sorriu tentando dissipar seu leve susto. “Oh! Bom dia, bom dia! Todo dia é um clima agradável, a Deusa mãe nos abençoa de todas as formas. Mesmo a chuva pode ser considerado um bom clima, alimenta as plantações e temos o que comer. Certo? O que faz por aqui, noona?”
“E aí que um cara foi lá no estúdio furar os mamilos, com mais dois amigos, e assim, o cara parecia um armário de tão grande. Os amigos dele tiveram que segurar ele na maca, xingou minha família inteira, me ameaçou de morte, pra no fim me dar uma gorjeta bem gorda. Eu amo meu trabalho.”
“...Eu não sei o que comentar, Kibum-ssi. Pode marcar um horário pra mim, prometo que não vou te xingar, nem a sua família, nem te ameaçar de morte. Eu até gosto daquela dorzinha maneira pós piercing. Já tive um na boca mas tive que tirar porque deu muito ruim, não sei se eu sou irresponsável ou se foi o material mesmo.”
O Lammas, também chamado Lughnasadh, é um dos oito sabbats na Roda do Ano do neopaganismo. É celebrado no dia 1º de agosto no hemisfério norte. Tem origem principalmente celta e celebra a primeira colheita, é uma festividade para se agradecer pelas experiências boas e ruins que ocorreram durante o último ano.
Lammas, também conhecido como Lughnasadh era o penúltimo sabbath antes da morte do Velho Deus e seu posterior nascimento em Yule. Era a época de agradecer à Deusa pela terra, pelos grãos, por tudo o que a natureza poderia lhe oferecer. Seu simbolismo representava colher o que plantou, de forma literal ou não. Uma nova fase: parecia até que com a chegada do Lammas, o clima era outro, o local até mesmo havia saído do lockdown há pouco tempo. Certamente de que era bênção da Deusa e os frutos sendo recolhidos agora, após o desabrochar das flores em Beltane e o desmembrar da luz em Litha.
Desde pequeno e quando ainda era a rapinha do tacho se lembrava de estar com os avós, e principalmente a avó, esperando o dedo ao tentar confeccionar aquelas bonecas de palha de milho. Hoje, era algo que poderia fazer até de olhos fechados. Mas diferente de antigamente, o filho cria asa e voa. Não era bem filho, mas neto. Contudo… Era como se fosse mais um filho dos Jang. O bom é que um jardim bem cultivado sempre faz uma borboleta retornar, então assim era como um dos netos mais presentes na fazenda dos avós em Toksan-dong, onde arrumou as lascas de milho e a encaminhou para a Won’s. Sempre dava um jeito de conseguir algumas matérias primas para a patroa e ao mesmo tempo repassar um pouco do lucro aos avós. Ele? Não ligava muito pra dinheiro. Era aquilo: tudo o que precisava a terra lhe fornecia e de lá não sairia tão cedo.
Claro que com o passar do tempo já não era mais tão desajeitado na técnica das bonequinhas de milho, mas o olhar curioso acompanhava os trejeitos de Luna-nim. Ah… Fora os avós Jang, ela teria lhe ensinado muita coisa. Pendeu o rosto enquanto observava o quão ajeitada sua bonequinha ficava. Era tão detalhista, diferente de Yul que sempre fizera algo mais simples em todos os anos e agora continuava na mesma, não era muito inovador em suas decorações - afinal, a boneca seria queimada no próximo ano, não? Riu soprado ao observar Archie meio desajeitado e meio a contragosto, talvez fazendo aquele rito junto aos dois porque… Era um outro funcionário? Ou era um wiccano enrustido? Ainda iria descobrir, estava na sua “to do list”.
O cheiro do pão assado só não era melhor ao seu olfato do que o da gasosa. A patroa era bem jeitosa com a cozinha, pena que ele não era. Então como sabia previamente da data pelos marcos da Roda do Ano, a cervejinha artesanal não poderia faltar naquela comemoração. Após os quinze dias de fermentação e maturação das leveduras que ele mesmo tinha preparado, ela tava prontinha e trincando de gelada. Serviu os dois para um bom acompanhamento da refeição da patroa.
A JBL contava com uma música wiccana, mas de língua latina que ele não entendia muito bem. Ele só sabia que era sobre banimento e sobre a Espiral segundo as coordenadas da patroa. Estendeu um chocalho de arroz improvisado para Archie pra ver se animava aquela cara de concha.
Na verdade, seu ápice do dia não era na verdade a confecção da boneca. É claro que… Teria energizado o momento da melhor forma que poderia e em oferta à Deusa, respeito e gratidão como de praxe. Mas queimar a do anterior era muito mais divertido, não é? Dias antes ele teria ido a um posto de gasolina pra garantir sua bombona cheia e o tanque da Ford Belina II dos anos 70 também - seu primeiro bebê, único, charmoso e beberrão alcoólico. “Fala, meu caro Jung… Passa a bombona ou terá sete anos de maldição.” O que obviamente o frentista já sabia que era uma brincadeira, já era um conhecido de anos. Além do mais, magia negra era proibida pelo coven. Sempre estava lá pedindo sua bombona e a trocando por patuás mágicos ou até mesmo produto da fazenda. Jung era um parceirão que já sabia de seus ritos e que precisava repor sua fogueira sempre. Ainda bem que o porta-malas da Belinosa era grande. Se fosse carro novo e com GNV ainda, ele tava fodido.
Bonequinha feita? Hora do show, porra! Dividiu a gasosa em algumas garrafas e conforme a chama acendia, derramava a gasosa na fogueira sem medo algum para que aumentasse as chamas. A outra mão ainda ocupada com o seu copão de cerveja, antes de trocar os itens e a ocupar com a boneca do ano passado. Jogou a coitada ali, que tinha chamado de Seri. “Ah, Seri… Foi um prazer lhe conhecer e cuidar de você por um ano, mas creio que você não quer ser enterrada em um cemitério de animais. Que a Deusa a tenha e aproveite as chamas sagradas de purificação.” Olhou bem a bonequinha em sua mão com certo apreço antes de jogá-la na fogueira, aproveitando o refrão da Espiral para que a jogasse. Em seguida, o fez com um riso travesso, dando mais uma golada em sua cerveja artesanal e a deixando de lado por hora, alimentando a chama com mais um conteúdo das garrafas que havia separado. “Ecce eicis me, ut mundaret, ut excidere malui. Spirali exsugunt et omnia mala malis. Ita nunquam deficit cibus. Spero praesidium ego gratias ago cuncta fruges cordis mei. Interioribus meis viribus renovare…”
Feito isso, sentou-se sobre uma das bombonas enquanto batucava no ritmo da canção wiccana da JBL, acompanhando o Archie do chocalho. Aquele Yul enérgico quase nem parecia o pequeno grande menino urso que mais tarde, carregava suas energias em um coven de abracinhos. O sono viria pleno com o calor da fogueira, Archie e Luna. Soft. Soft até demais para o menino da gasolina que arrancava os morros de terra com a Belinosa em Toksan-dong.
"Certeza? Não quero afetar meu karma negativo não, na moral. Ele já tá mais do que afetado, nem sal grosso tá adiantando e olha que eu sou bruxo e sei desfazer mau olhado. Mas quando se trata de karma, existe até karma familiar que você herda de gerações, sabia? Por isso é realmente bom pensar no que é de fato divertido ou não."
"Eu acho que estamos trancados. A chave tava engatada na porta e parece que alguém usou a cópia do outro lado, agora emperrou tudo. Eu só não sei quem... Será foi alguém mesmo? Não sei se você sentiu um calafrio também."
"O quintal de casa sempre foi grande... Fazenda, né. Mas o que eu chamava de 'quintal' era uma área onde os 'bichos domésticos' ficavam - e eu também entro nisso. Meu avô fez um balancinho pra mim no quintal, com madeira e tudo. Ele mesmo fez, do começo ao fim. Foi um dos presentes mais bonitos que ganhei e o balancinho permaneceu lá até a minha adolescência mais ou menos. Brinquei por anos nele."
"Honestamente? O meu quarto. Além de ter a famigerada cama onde é meu ninho com os meus gatos, também tenho um altar em homenagem à Deusa Mãe. Fora isso, eu posso citar lugares mais naturais... Lugares com muitos prédios, muitas construções, muita 'cidade' não é pra mim."
Bellatrix: Você já foi forçadx a mentir ou manter um segredo?
"Err, não vamos falar sobre isso, certo? Atualmente estou mantendo um segredo e bom, segredo é segredo. Forçado a mentir, quem nunca? Ainda mais pra não levar bronca dos pais ou dos avós, né? Quando eu era mais novo, isso era mais corriqueiro..."
"Já dizia Dante Alighieri, um dos meus escritores preferidos: a razão vos é dada para discernir o bem do mal. A minha razão certamente discerne que não me considero uma boa pessoa e vou explicar o motivo: antes ser temido do que amado."