Era quase impossível não ver Marlowe nos campos de treinamento, seja por estar atrapalhando os outros, seja por treinar, embora naquele dia estivesse ensinando os mais novos que tinham escolhido o chicote como arma, não conseguia evitar o orgulho também, deixar o acampamento meio sangue para trás fora difícil, mas agora que estava recomeçando em Nova Roma não se imaginava em outro lugar.
Quando ouviu os primeiros gritos achou que era algum treinamento, até perceber que eram de terror, seus pelos da nuca se eriçaram e notou Mufasa ao seu lado, realmente algo estava acontecendo, levou os mais novos para dentro do salão mais próximo, onde os deixou seguros e voltou correndo para a direção dos gritos, onde encontrou Lorelei, Daphne e o Lestrigão, rindo baixo ao ouvir a piada dela. — Estava levando algumas crianças pro salão, mas bom saber que não vou perder a diversão. — Murmurou sorrindo de lado.
O rugido do monstro a fez olhar atentamente para ele, ao ser perguntada sobre um plano, não conseguiu não rir com a piada sobre Norman, se lembrando do Marido e torcendo para ele estar bem, sabia que ele era forte, mas não lutar ao lado dele lhe dava arrepios. — Bom, o que ele tem de tamanho, falta em cérebro, então temos de nos espalhar em volta dele e atacar de forma aleatória, ele vai ficar confuso e é fácil derrubar ele. — Comentou para Lorelei, sem desviar o olhar do monstro mais alto do que ela conseguia calcular no momento.
Então sem avisar saiu para o primeiro ataque, deixando a aura de sua mãe apossar todo seu corpo, o sorriso sínico beirava a malicia e insanidade, Mufasa ao seu lado rosnava para o monstro, acompanhando a dona em seus movimentos, Marlowe estalou o chicote em uma direção oposta a quem estava e a primeira investida do Lestrigrão (d6) quase a pegou, fazendo a morena pular para o outro lado e escorregar, quase caindo por cima de Mufasa, o cão infernal então rosnou e avançou para o monstro, mordendo diretamente uma das pernas dele, que não conseguiu se defender (d2).
Marlowe então laçou a outra perna do monstro, puxando-o para poder derruba-lo e conseguindo (d11), então olhou em volta procurando por Lorelei e Daphne, sentindo o monstro tentar se soltar, mas sem sucesso (d5), somente a arrastando um pouco pra frente. — Mufasa, agora! — Ela gritou para o cachorro que pulou por cima do Lestrigão e lhe arrancou a orelha (d13), fazendo com que o enorme bicho sangrasse para todos os lados, manchando quem estivesse por perto, incluindo a própria semideusa.
Passar o dia nas forjas, além de um trabalho, era o passatempo favorito de Samuel. Dividia o espaço com seus irmãos, e apesar de dificilmente conversar ou trabalhar em grupo, gostava que tivessem pessoas ao seu redor. O tilintar do aço no aço, o som do metal quente mergulhado na água e o crepitar das chamas eram música para ele. Barulhentos, mas o ajudavam a mergulhar em seus próprios pensamentos. O cheiro do carvão, de ferro, e até do suor de trabalho braçal misturados era tão comum que ele nem percebia mais. Ele estava em casa.
Samuel se recosta na bancada, bate as mãos no avental de couro tirando um pouco da sujeira de um ferreiro, e abrindo sua maleta de ferramentas pega uma tangerina que tinha guardado. Preferia maças, mas a tangerina vem com uma vantagem: uma casca protetora para impedir ele de comer fuligem. Na verdade ele só percebeu agora que de qualquer forma teria que pegar os gomos com as mãos sujas de carvão, então resolveu guardar ela novamente. Já tinha um motivo para inventar algo novo.
Apesar de ter dificuldade de interagir com seus irmãos na forja, ele gostava que tivesse pessoas ao seu redor, seja conversando ou trabalhando. Para ele isso deixava o ambiente vivo. De longe observava os outros projetos, e sem querer ouvia algumas ideias, e pode jurar que alguém estava falando em bazucas.
Enquanto dava uma pausa, ficou observando seu novo projeto: Uma armadura baseada na armadura de placas, mas com menos peças para não atrapalhar seus movimentos. Ainda um mero protótipo, sem adornos e em aço comum. Sua ideia era usa-la como uma base, com o tempo aplicando metais mágicos e mais resistentes para os desafios que ele provavelmente vai enfrentar um dia.
E pelo visto o dia é hoje
Não estranhou a movimentação inicial, mas quando notou que as explosões não era o aço carbono estalando no fogo, percebeu que havia algo de errado. Ainda ficou sem ação por alguns instantes, tentando absorver o máximo de informações sem precisar interagir. Pessoas pegando em armas, se preparando, isso não é bom. Samuel decidiu fazer o mesmo. Ainda atento aos arredores, vestiu as partes completas de sua armadura, peitoral, braçadeiras, caneleiras e um elmo fechando o rosto. Pegou seu singelo martelo de forja Hammy e seguiu um dos grupos saindo.
Caos, correria, Confusão. Foca Samuel!
Um rugido próximo chamou sua atenção: Um grande lestrigão estava em combate com outros campistas. E sem pensar duas vezes Sam correu para o combate. Conforme se aproximava via os outros combatentes em ação, conseguiram derrubar o monstro! Sangue era jorrado pelo ferimento causado pelo cachorro, espero que seja distração suficiente. Vamos lá!
o jovem passou correndo pelos demais, seu alvo era o rosto da criatura. Girou o martelo em suas mãos que se transformou de um singelo martelo e forja em uma enorme marreta de metal escuro. já estava perto o suficiente, girou a arma preparando um golpe e(D2) não prestou atenção no monstro, que talvez por reação, ou apenas por estar se debatendo de dor, com a enorme mão(d12) acerta Samuel, arremessando o rapaz a alguns metros de distância.
O mundo vira um turbilhão rodando por alguns segundos, leva instantes para perceber oque havia acontecido. A boca com gosto de sangue, os sons confusos e com a cabeça latejando, não havia muito tempo para pensar, se levanta o mais rápido que pode e parte pra cima novamente. O monstro agita o enorme braço em sua direção novamente(d2) e por pura sorte Sam consegue esquivar, aproveita o embalo e ainda com a vista turva mira um golpe na direção onde momentos atrás estava o rosto do monstro(d3) mas abruptamente seu martelo para no ar, e quando olha, o lestrigão estava segurando sua arma, o encarando, com uma mistura de dor e escárnio, e dentes a mostra.
🤖 Lorelei agradeceu mentalmente que o sangue dos monstros não fosse como o humano, porque a última coisa que ela precisava naquele momento era ficar em pânico com a hemofobia e não poder ser mais útil para ajudar Samuel e Marlowe. Os olhos esverdeados acompanharam os movimentos de Mufasa, dando um sorrisinho quando o cão infernal mordeu a perna da criatura — Muito boa, Sirius Black — comentou se dirigindo ao cachorro.
O corpo feminino virou a tempo de ver o irmão ir para cima do monstro, acabando por ser atacado e fazendo com que a filha de Vulcano segurasse o cabo da arma com força preparando-se para jogar contra o lestrigão, acertando a criatura na mão que antes jogara Samuel longe (d11), fazendo com que o sangue novamente jorrasse e o monstro virou em direção a semideusa, partindo para um novo ataque.
Um rugido acabou fazendo com que todos os pelos da nuca de Lorelei se arrepiassem e agora o alvo do ser mitológico acabou sendo na Calegari, andando em sua direção da forma como podia por conta dos ferimentos e a mão que segurava o martelo que antes estava com Samuel ergueu-se para acertar a morena e conseguindo um golpe perfeito em sua perna esquerda (d13), fazendo com que a dor tomasse conta de seu corpo e acabasse sendo jogada para o mesmo lado que Samuel fora.
As orbes esmeralda voltaram-se para o irmão, querendo saber se o semideus estava bem… mas a visão do sangue em sua boca acabou sendo o bastante para que Lorelei parasse no lugar, as mãos tremeram e da maneira como caiu, ela permaneceu paralisada. Ao que parecia, a hemofobia acabou acontecendo antes mesmo que ela se desse conta, os olhos brilharam de lágrimas enquanto flashs de lembranças passavam rapidamente por sua cabeça.
É claro que o monstro aproveitou para atacá-la novamente, mas acabou errando (d3) — graças aos deuses — o golpe e pareceu desistir, voltando novamente sua atenção para Marlowe enquanto Lorelei permanecia de joelhos, nem mesmo sentindo a dor na perna, encarando as gotas de sangue de Samuel que estavam na grama, as mãos apoiadas e tremendo no chão bem como todo o resto de seu rosto.