Something #37 on Flickr.

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@ghrg
Something #37 on Flickr.
Vamos, gente
O meu lábio não diz
O meu gesto não faz
Eu me sinto vazio
e ainda assim farto
Something #32
natureza colonial (em Juripiranga)
assim, UMA MERDA
Ah, negão!
A hipersexualização do homem negro no meio LGBT+ é algo que existe há muito tempo e é extremamente nojento. Afinal, tem algo melhor que aquele “cafuçu”? Imagina aquele negão na sua cama? Os negros têm paus enormes e são tão quentes na cama, menina. E mais uma vez, nós negros somos apenas objetos para os prazeres imundos de mais um nicho ao qual só nos nota com objetivo de saciar-se.
Outro dia, eu escrevi sobre a solidão do preto gay e hoje, estou aqui escrevendo sobre o fato de sermos hipersexualizados. Parece até meio contraditório, não é? Infelizmente não é. Nós homens negros não “servimos” para relacionamentos sérios, mas para ser fetiche de branco, nós caímos feito uma luva. Se você pesquisar “black man” na aba do Google a maioria dos resultados vão ser voltados para sites pornográficos, onde a maioria dos vídeos e fotos são de negros fortes, viris, “machos” e de pênis grande. É assim que todos nos vêem. Nós somos pênis ambulantes. Nós somos apenas mais um pedaço de carne barata que serve pra tapear e saciar o estomago refinado de gays fetichistas.
Não basta sofrermos da solidão por não estarmos diante dos padrões do mundinho GGGG, nós ainda temos que lidar com estereótipos criados que só servem para nos rejeitar, objetivar e ressaltar o quanto pessoas negras tem apenas a obrigação de servir os prazeres de brancos. Não é nada positivo ou empoderador ser apenas fetiche ou o “sonho de consumo” de alguém. Pessoas brancas acham que estão fazendo um favor ao compartilhar a foto de homens negros, mas queridos, vocês estão sendo racistas e propagando essa objetificação que pessoas negras sofrem.
E nessa ida e vinda, eu sei que vai ter gente dizendo que: “Se não posta foto de negro, vocês reclamam. Se posta foto, vocês reclamam”. Entretanto, não é disso que se trata e vocês sabem disso. Vocês acham que estão desconstruindo padrões por se masturbarem com fotos de negros e ainda por cima se vangloriam na rodinha de amigos por ter transado com um negro, mas sabemos que no fundo, vocês só têm interesse em nosso corpo. Afinal, o corpo negro é popular, mas nós não.
Estamos em todos os lugares, mas continuamos invisíveis. É tão cômico isso. Nossa cultura está sendo apropriada e utilizada como moda, nosso corpo é sexualizado, as taxas de homicídios têm cor, idade e classe social, sofremos racismo a partir do momento que colocamos nossos pés na porta de casa e mesmo assim continuamos invisíveis. Somos expulsos de escolas e faculdades, somos seguidos em lojas, parados por policiais e ainda assim, nós não existimos aos olhos da sociedade. Eu só existo para a porra duma punheta. Eu só existo para ser a comida exótica da semana.
E é nesse ponto que quero chegar e alertar vocês. Não é revolucionário sexualizar nosso corpo. É problemático, é doentio e nojento. Parem de dar atenção apenas ao nosso corpo e ouçam nossas dores, angustias e dilemas. Somos mais que um pedaço de carne barata para o gosto “refinado” de vocês. Somos pessoas.
A todos pretos que se sentiram contemplados com o texto eu desejo força e muita paciência nessa caminhada. É difícil ser gay e negro, porém com a cabeça erguida, nós vamos longe. Muito axé para nós!
Lembrança
congratulations to colleen on her netflix original series!
I said “show the camera your tongue!”, he then licked me…..
Ele é chique (em Bom Sabor Churrascaria e Pizzaria)
Something #30
Eu não nasci com essas coisas, mas…
Por Maria Cecília Maroja e Marina Varela
O ENSAIO
Este ensaio tem como objetivo catalogar coisas com as quais as pessoas não nasceram, mas que possuem importância e fazem diferença em suas vidas. São objetos, marcas, que funcionam como uma extensão do corpo dos personagens e ajudam na formação de suas identidades. Nas imagens, são os detalhes que ganham maior destaque. Os modelos selecionados são estudantes do Centro de Artes e Comunicação (CAC) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
As fotografias foram tiradas de maneira rápida, sem o planejamento do estúdio. Tomamos como referência o projeto Humans of New York, que fotografa figuras anônimas e narra um pouco sobre suas histórias, e a obra do fotógrafo Mário Cravo Neto, conhecido por seu trabalho com retratos.
A câmera utilizada foi uma Canon T3i.
OS MODELOS
Nathallia Fonseca
Eu não nasci com essa tatuagem, mas…ela simboliza um dos marcos da minha vida.
“Os primeiros amigos que eu tive foram a partir de Harry Potter e é algo que tem um significado muito grande na minha vida. Foi a partir da leitura dos livros que eu fui introduzida a um meio social do qual eu não fazia parte. O expecto patronum representa uma espécie de proteção. Na história, é um feitiço que ‘afasta’ os dementadores, que de acordo com a autora são uma metáfora para a depressão, que é algo que eu tive durante a adolescência. As pessoas que eu conheci através dos livros foram as mesmas que me ajudaram com esse problema. Se fosse só por gostar de Harry Potter, eu não teria feito a tatuagem, mas por causa desse episódio, é algo que eu sei que quando tiver 80 anos, eu ainda vou lembrar do quanto essa história foi importante para mim”.
Henrique Asevedo
Eu não nasci com essa roupa, mas… ela representa quem eu sou.
“Desde pequeno, quando eu ia para a casa de vóinha, era para ficar eu, minha mãe e minha avó conversando sobre roupas. Eu adorava ficar vendo revistas de moda e acabei aprendendo muita coisa com isso. Quando eu cresci, comecei a ver que tinha roupas que eu queria ter, principalmente do guarda-roupa feminino, mas que eu não encontrava em lojas convencionais porque essas lojas trabalham para o ‘público geral’. Então eu comecei a personalizar minhas roupas. Eu gosto mais das roupas que eu faço do que as que eu compro porque tem mais a minha cara, meu estilo”.
Amanda Duarte
Eu não nasci sabendo cuidar dos meus cabelos… mas eles me ajudaram a me aceitar.
“Eu usava o meu cabelo muito preso na escola, com tranças, mas em um momento muito importante da minha vida eu decidi libertá-lo, assumi-lo. Foi quando eu passei no vestibular e entrei para a faculdade. O cabelo é um aspecto que mostra as pessoas que eu mudei. Hoje eu me aceito mais, tenho muito mais autoestima, o que acaba sendo refletido na forma como as pessoas me veem. Além disso, meu cabelo se tornou a minha marca, várias pessoas me conhecem como a ‘branquinha de cabelo cacheado’ e eu adoro isso! Agora que eu sou mais ligada a movimentos de resistência e a identidade negra, eu percebo o quanto os cachos são um símbolo importante. Eu adoro quando, por exemplo, eu tô na parada de ônibus ou em algum outro lugar e as pessoas me param dizendo ‘eu tenho uma filha que tem cabelo cacheado, como é que você cuida dele? Eu achei ele tão lindo’. A primeira coisa que eu digo é NÃO ALISE! Não faça química, não deixe ela mudar isso porque o cabelo da sua filha é lindo do jeito que é”.
Marlon Diego
Eu não nasci tatuado… mas essa é a minha maneira de sentir a arte.
“Eu gosto muito de modificar o corpo e, para mim, a tatuagem é uma das artes mais bonitas que existe. Não é algo fácil de se fazer. Tem o processo de escolha. A escolha do tatuador, a escolha do desenho, que pode tanto significar algo mais íntimo ou que pode falar sobre qualquer coisa… Além disso, tem a questão da dor, de sentir a dor. É como se você sentisse a arte sendo feita, seu corpo mudando. Eu acho isso lindo”.
Ademara Thalyta
Eu não nasci com unhas longas… mas elas são um lembrete da minha força.
“É preciso certa resistência pra manter as unhas assim, tanto no âmbito da alimentação, que precisa ser razoavelmente saudável pra que as unhas cresçam, quanto no âmbito do cuidado externo com elas porque elas podem machucar. De certa forma, isso me traz certo conforto pessoal, é como uma espécie de arma natural do feminino… Não que eu ache que o uso de unhas grandes diz respeito necessariamente à feminilidade. Um homem pode usar unhas grandes sem ter uma identificação com o gênero feminino, mas, como culturalmente isso é mais comum no âmbito feminino, eu considero um ‘apetrecho’ de poder do feminino. É algo que não designa uma fragilidade, como tradicionalmente é descrito o nosso gênero, mas sim certa força, já que posso literalmente machucar alguém usando minhas unhas”.
Vovó (em Pedras de Fogo)