Fico pensando sobre a homofobia, como ela é cruel. Acabo de ouvir palavras de uma parente que me dilaceraram, causaram-me dor. Na medida que eu a ouvia, um discurso de defesa surgia na minha mente, as palavras tinham um gosto amargo, e tinha objetivo de silenciar todas aquelas ignorâncias. E entre meus questionamentos, uma pergunta emergiu “ Como posso me defender com o amor? Como se defende da homofobia com amor? Sinceramente pareceu-me uma piada no mesmo momento, não é fácil ouvir sua mãe, seus pais, seus parentes, seja lá quem esteja naquele momento, diminuindo a sua existência, te ferindo, e te agredindo. A homofobia não é brincadeira, ela mata por minuto, por hora, por dia. Então, como ensinar sobre o amor, que é nos roubado? Eu não sabia. E decidi ir no mais profundo de mim, e refletir como me ensinaram sobre o amor. A princípio lembrei dos afetos que tive ao longo da minha infância, dos carinhos familiares e emoções genuínas, mas logo me deparei os primeiros ensinamentos sobre o “amor”. Bom, crescemos dentro de um sistema que nos ensina a amar acima de tudo a deus?! ( O qual? Você vai experienciar de acordo com a cultura de seus parentes, para alguns o dinheiro já é o bastante), esse deus também te ama, claro, mas para isso você tem que seguir do jeito que ele ordenar, se você vacilar o amor se transformará e uma irá, e cairá sobre você. Vingança? “Não, nada disso, amor de deus é justo”. A justiça divina não falha, e ela é nobre, heterossexual e branca. Então cabe a você ser justo, mas e se você não é nem nobre nem branca nem heterossexual? O problema não está na justiça do céu, o problema é todo seu, você que precisa reprimir suas emoções, agredir ao seu corpo, mentir sobre seus desejos, e no mínimo ficar trancado dentro de um armário. Nos coloridos (Comunidade LGBTQ+) em maioria somos abandonados pelos nossos familiares, e esse abandono se dá nas mais diversas formas, dentro e fora de casa, entre violências verbais e físicas. Esse amor violento, que pune e castiga vai sendo reproduzido em nossas ações, nas nossas relações pessoais, na forma de lhe dar com o mundo, muitos até exaustos de tanta pressão tiram suas próprias vidas. Mas como ensinar o amor? Percebo que para primeiro amar alguém, preciso me amar. E mesmo que pareça ser clichê, é real. A partir do momento em que percebemos que não seremos punidas por reconhecermos quem de fato somos ou o que sentimos, poderemos entender melhor nossas diferenças e enfrentar nossas dificuldades. Não é fácil ficar cara a cara sozinha com seus próprios sentimentos, por isso precisamos buscar ajuda. Tenho uma querida amiga, que sempre está com ouvidos atentos quando estou prestes a desmoronar, mesmo distantes, com pandemia ou sem pandemia, ela se mostrou atenta, e em reciprocidade aprendemos que não há mal nenhum em pedir ajudar. Pedir ajudar também é um ato amar, de cuidar de si. Cuidando das nossas emoções cuidando de nos mesmo, somos capazes de ensinar o amor, de viver o amor. Como diria uma grande intelectual negra bell hooks “ Quando conhecemos o amor, quando amamos, é possível enxergar o passado com outros olhos; é possível transformar o presente e sonhar o futuro. Esse é o poder do amor. O amor cura”.




















