Mini Doc - Aborto
Entrevistas, Produção e Edição: Clara Fernandes, Giulia Villa Real Seabra e Catharina Figueiredo

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Mini Doc - Aborto
Entrevistas, Produção e Edição: Clara Fernandes, Giulia Villa Real Seabra e Catharina Figueiredo
Notícia - Geração+ (AES Tietê) - Composteiras para toda Ibitinga
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As composteiras implementadas no percurso de Gestão de Resíduos Sólidos no Geração+ ultrapassaram as salas de aula e estão trazendo grandes mudanças na realidade dos moradores do município de Ibitinga! Educadoras da Pastoral da Criança e famílias atendidas estão tendo a oportunidade de entender como se mantém e como funciona uma composteira doméstica – e a inspiração foram as composteiras da EMEF Professora Francisca Simões.
Tudo começou quando coordenadores da Pastoral da Criança de Ibitinga escutaram a professora Ana Maria de Moraes falando na rádio Portal Ternura sobre os resultados positivos das composteiras. A organização resolveu então falar com a escola e convidar a professora para tocar uma oficina de construção de composteiras domésticas para a comunidade atendida pela Pastoral.
As reuniões, que acontecem desde o início do ano, envolveram os moradores da Vila Simões. A coordenadora da Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente, Karine Paniquar, se juntou à iniciativa palestrando nos encontros. Ela fala sobre o destino do lixo produzido na cidade e a importância de se reduzir o lixo doméstico, mostrando às famílias que a composteira doméstica pode ajudar não só o meio ambiente por meio do reaproveitamento de resíduos orgânicos, como também dentro de casa, melhorando a alimentação da família quando o adubo é usado na horta.
Depois, a professora Aninha apresenta as composteiras de balde, que funcionam com e sem a ação das minhocas, para as famílias. Quatro delas se interessaram e receberam composteiras em parceria com a Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente para que já começassem a produção de adubo muito nutritivo. “A gente levou a composteira já na hora da reunião, mostramos que pode se fazer com balde, assim não tem que pagar por nada. A ideia é trabalhar com o que a gente já tem e não precisar gastar a mais, né?”, conta a professora.
O próximo passo é que as famílias recebam mudas doadas pela Secretaria para poderem utilizar o adubo produzido. As próximas famílias a participar das oficinas e reuniões serão as da Vila dos Bancários, onde também serão distribuídas composteiras.
“O que estamos tentando mostrar é que devemos diminuir a quantidade de coisas que jogamos fora e aprender a ter mais consciência com o lixo. Poder plantar em hortas na sua própria casa, usando o adubo das composteiras, para que depois você tenha na alimentação da sua família coisas que você sabe de onde vem e que não têm nenhum tipo de agrotóxicos”, explica Aninha. “Além de, é claro, motivar as crianças. Eles adoram!”
Notícia - Instituto TIM - Comemoração e Bateria do IT na sede da TIM
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Nesta terça-feira, dia 16 de abril, a Bateria do Instituto TIM comemorou em alto estilo e na companhia dos colaboradores da TIM uma grande conquista: o Prêmio Anatel de Acessibilidade em Telecomunicações 2019, concedido pela Agência Nacional de Telecomunicações. A apresentação aconteceu na sede da TIM, no Rio de Janeiro (RJ).
O Prêmio Anatel é concedido à empresa que conquistar o primeiro lugar no Ranking de Acessibilidade da agência. Esse ranking classifica e compara as cinco maiores empresas de telecomunicações de acordo com o Regulamento Geral de Acessibilidade, a fim de incentivar a criação de políticas de acessibilidade mais ativas e o desenvolvimento de novas tecnologias para atendimento aos mais de 45 milhões de brasileiros com deficiência, segundo dados do IBGE.
A cerimônia de entrega do prêmio aconteceu em Brasília (DF). Estiveram presentes o presidente da Anatel, Leonardo de Morais, a primeira-dama Michelle Bolsonaro, a senadora Mara Gabrilli (PSDB/SP), o secretário-Executivo do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Júlio Semeghini Neto, e o presidente do Conselho de Administração da TIM, Nicandro Durante.
Iniciativas como a promoção do aplicativo Giulia – Mãos que falam, voltado para deficientes auditivos e a parceria com o Instituto Benjamin Constant para criação do plug-in Emoti Sounds, para pessoas com deficiência visual, são exemplos de ações implementadas pela TIM.
A Bateria do Instituto TIM também é uma importante iniciativa voltada para a inclusão: boa parte de seus integrantes possui algum tipo de deficiência.
Notícia - Instituto TIM - Estão abertas as inscrições para AWC 2019
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Universitários interessados em transformar seus Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs) em startups de base tecnológica já podem se inscrever no programa Academic Working Capital 2019. Os estudantes devem realizar a pré-inscrição através do site de AWC e enviar suas propostas e documentos até o dia 22/04.
As equipes inscritas podem ter até quatro pessoas, maiores de 18 anos e cursando qualquer área de graduação. O líder da equipe deve estar no último ano de curso e seu TCC deve estar relacionado a tecnologia. Alunos de quaisquer universidades localizadas nos estados de Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo e no Distrito Federal podem participar.
As expectativas para a quinta edição do programa são altas: é esperada a participação de 30 a 40 equipes. “Já são mais de 700 coordenadores de cursos contatados. Fizemos um trabalho bem forte com ex-alunos que já participaram do AWC para que eles fossem nossos embaixadores nas suas respectivas universidades”, conta o professor da Universidade de São Paulo e consultor acadêmico do AWC, Marcos Barretto.
Além do aumento no número de inscrições, a expectativa é de que mais mulheres integrem e liderem equipes. “Ano passado foram mais de 30% dos projetos liderados por mulheres, e tivemos garotas em mais de 50% dos times. O objetivo é chegar no 50%/50% nas lideranças”, diz Marcos. Para incentivar a presença feminina no programa, a AWC tem se alinhado a entidades como a Rede de Mulheres Empreendedoras e a Meninas Digitais.
O resultado do processo seletivo será comunicado no dia 29 de abril.
Para mais informações consulte o edital completo.
Notícias - Instituto TIM - AWC: Startup ganha R$ 25 mil em evento nos EUA
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Na última sexta-feira, dia 5 de abril, a startup AquaLuz, participante do programa Academic Working Capital em 2018, foi uma das campeãs do HackBrazil 2019, competição que reúne empresas nascentes de base tecnológica focadas na resolução de problemas sociais brasileiros. A AquaLuz, que ficou em segundo lugar, levou para casa um prêmio de R$ 25 mil. O primeiro lugar ficou com a startup Blue, que utiliza tecnologias de Inteligência Artificial para calcular o risco de doenças crônicas.
Ao todo, 400 startups se inscreveram no HackBrazil. As 35 melhores foram escolhidas para um período de três meses de mentoria, oficinas e workshops. A final do concurso aconteceu durante a Brazil Conference at Harvard & MIT, em Boston, na qual as cinco finalistas fizeram pitches, expondo seus projetos para uma banca composta por sete jurados, líderes de grandes empresas. Das cinco startups selecionadas para o evento, três fizeram parte de AWC 2018: além da Aqualuz, Helidrop e NextCam.
A Aqualuz busca solucionar um problema presente principalmente no Semiárido: a falta de acesso à água potável. Dados do Ministério das Cidades apontam que mais de 16% da população brasileira não tem acesso à água potável, o que diminui drasticamente a qualidade e expectativa de vida dessas pessoas. A solução proposta pelos empreendedores Anna Luísa Beserra Santos, Lucas Gama Dantas Ayres, Letícia Nunes Bezerra e Marcela Sepreny é um sistema de filtragem que utiliza radiação solar para tornar água contaminada própria para consumo. Cada ciclo de filtragem dura, em média, 4 horas, disponibilizando até 28 litros por dia. A expectativa da startup é acrescer 400% até 2021.
A Brazil Conference at Harvard & MIT aconteceu entre 5 e 7 de abril e reuniu importantes nomes brasileiros e um público formado por pessoas influentes no mundo empresarial e de investimentos. Mais do que o prêmio em dinheiro, o ponto alto do evento para as startups de AWC foi o networking. Os empreendedores tiveram a oportunidade de angariar contatos e estabelecer conexões valiosas para impulsionar seus projetos.
Notícias - Instituto TIM - Músicos da Bateria assistem ao Cirque du Soleil
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No dia 27 de março, os integrantes da Bateria do Instituto TIM tiveram a oportunidade de assistir ao espetáculo “OVO” do Cirque Du Soleil, no Rio de Janeiro. O espetáculo se tornou ainda mais especial com a presença do ator e cantor Jonathan Azevedo, convidado pela TIM a acompanhar o grupo durante todo o evento.
Todos que participaram da apresentação da Bateria no pré-Carnaval do Rio deste ano receberam o convite. Pessoas portadoras de deficiência e menores de idade puderam levar um acompanhante para que ninguém precisasse ficar de fora. Ao todo, compareceram 38 integrantes da Bateria dentre 76 visitantes (incluindo acompanhantes, monitores, membros da equipe e o Mestre Mangueirinha, regente da Bateria). Durante o intervalo foram distribuídos saquinhos de pipoca e refrigerante.
“Oportunidade única!”, descreveu José Augusto Chaves, que é portador de deficiência visual e toca repinique na Bateria há cinco anos. Ele adorou o Cirque du Soleil e achou tudo muito lindo.
Além de assistir ao espetáculo, Mariana Alves Rodrigues, que toca chocalho na Bateria há dois anos, foi convidada para visitar o backstage, assistir ao espetáculo da área VIP e ainda conhecer os artistas que fazem parte do Cirque du Soleil.
“Foi maravilhoso. Fiz ballet por 10 anos então foi muito importante para mim porque consegui ver toda a preparação, os artistas, os figurinos. Todos os detalhes!”, conta Mariana, que tem 17 anos.
Notícias - Instituto TIM - Garatéa: Experimento vai ao espaço em julho
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O foguete Falcon 9, contratado pela Agência Espacial Norte-Americana (NASA) e que levará o experimento científico vencedor do projeto Garatéa-ISS, apoiado pelo Instituto TIM, para o espaço, deve ser lançado no início de julho. O experimento “Capilaridade vs Gravidade no Processo de Filtração”, feito por alunos do 2º ano do Ensino Médio do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), voará para a Estação Espacial Internacional (Internacional Space Station – ISS) e, lá, será operado por astronautas.
A iniciativa Garatéa-ISS possibilita que alunos brasileiros façam parte do programa norte-americano Student Spaceflight Experiments Program (SSEP), que incentiva, principalmente, a educação científica. O Brasil é a única comunidade fora da América do Norte a fazer parte do programa. “O Brasil era originalmente membro da estação espacial”, conta o engenheiro espacial Lucas Fonseca, diretor da Missão Garatéa, que realiza o projeto Garatéa-ISS. “Acredito que essa é uma retomada do Brasil, mesmo que por vias educacionais, para a cena espacial mundial”, completa.
Ao longo de 2018, mais de 4 mil estudantes de 10 a 17 anos foram envolvidos no projeto, convidados a construírem experimentos científicos para serem enviados à Estação Espacial Internacional. Para isso, foram realizadas formações com professores sobre a metodologia científica e os conceitos necessários para a execução do projeto. Um processo seletivo é realizado dentro de cada uma das escolas participantes, e o escolhido em cada uma é enviado para avaliação de uma banca de acadêmicos da Missão Garatéa. A banca elege três finalistas, que são então enviados para a NASA, que escolhe o experimento mais viável.
O experimento brasileiro vencedor e que vai para o espaço em julho, “Capilaridade vs Gravidade no Processo de Filtração”, é inspirado no filtro de barro, muito comum no Brasil e conhecido mundialmente por ser um dos mais eficientes. Na Terra, ele funciona através da gravidade, já que a água escorre pelo sistema interno e sai filtrada para nós. Esse processo original, no entanto, não funciona no espaço, já que as noções de gravidade são bem diferentes das terrestres. Partindo desse princípio, os alunos propuseram um experimento que usa um efeito físico chamado de capilaridade, que funciona independentemente da gravidade.
Após ganhar o concurso, o experimento passou para a fase de sair do papel. Todos os experimentos foram condicionados em tubos com diferentes cavidades, permitindo manipulação das substâncias pelo astronauta. No período de um mês, os astronautas receberão instruções dos alunos para operar cada projeto e, através dos dados fornecidos, eles acompanharão o experimento.
Passado um mês, os astronautas trarão o experimento de volta à Terra. Os alunos farão a observação dos resultados e formalizarão tudo num estudo, detalhando o processo e a conclusão final, incluindo se o projeto funcionou ou não – essa etapa finaliza o ciclo completo de investigação da experiência científica, construindo um estudo de campo completo.
Antes do lançamento do foguete, os alunos vencedores participam de um congresso, em Washington, nos Estados Unidos, em que contarão como é o experimento e a montagem do projeto para um público de acadêmicos e cientistas.
O projeto Garatéa-ISS é realizado em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e a Fundação de Apoio à Física e à Química (FAFQ) e conta com o patrocínio do Instituto TIM, entre outras organizações. “O fato do Instituto TIM já apoiar projetos que fomentam a educação nos mostra como se trata de uma instituição que se preocupa com a ciência, muito mais do que só financeiramente, mas de fato com o incentivo à educação científica no país. Por isso procuramos o Instituto TIM, sabendo que casava com a missão e os nossos objetivos”, explica Lucas Fonseca, da Missão Garatéa.
O objetivo do programa para os próximos anos é impactar entre 30.000 e 40.000 alunos.
Blog - Instituto de Cinema - Agnès Varda, pioneira da Nouvelle Vague, morre aos 90 e deixa legado brilhante
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A cineasta pioneira que marcou a geração da Nouvelle Vague francesa, Agnès Varda, faleceu nessa sexta-feira, aos 90 anos, em razão de um câncer.
A Nouvelle Vague foi um importante movimento cinematográfico que marcou o cinema francês nos anos 60 e que marca produções até hoje com seu legado contestatório.
Ela cunhou o termo "cinecritura" (cinecriture) para se referir a seu processo de trabalho, já que se envolvia em todas as etapas de produção: do roteiro e da direção, até a montagem, imprimindo sempre um estilo ousado e próprio.
Com uma vasta produção, com títulos como “Cléo das 5 às 7” (1962), “Os Renegados” (1985), “As Duas Faces da Felicidade” (1965) e “Os Catadores e Eu” (2000), Varda foi a pessoa mais velha a disputar o Oscar, com a indicação pelo documentário "Visages villages"(2017) em 2018, ganhando um prêmio honorário da Academia.
A cineasta era muito presente no Festival de Cannes com mais de dez filmes exibidos desde 1958 até os dias atuais, participando duas vezes do júri, ganhando uma Palma de Ouro em 2015.
Seu trabalho mais recente foi a série em documentário “Varda par Agnès”, apresentada no Festival de Berlim, em que ela mostra sua obra para um público ao vivo, dando detalhes do seu processo criativo.
O comunicado publicado feito pela família dizia que "A realizadora e artista morreu de câncer em casa, na noite de 29 de março, cercada da família e de amigos", além de descrever Varda como uma "feminista alegre" e "artista passional".
O InC lamenta profundamente a morte de Varda, que impressionou e impressiona amantes da sétima arte em todo o mundo.
Blog - Instituto de Cinema - 18 filmes dirigidos por mulheres que você não pode deixar de ver
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Mais do que pontual, o machismo é um fenômeno estrutural e que acomete os diversos âmbitos humanos. Com a arte não seria diferente! No total, mulheres representaram apenas 8% dos diretores dos 250 filmes de maior bilheteria nos Estados Unidos, em 2018, e no Brasil, apenas 16% dos 160 filmes brasileiros lançados nos cinemas em 2017 foram dirigidos exclusivamente por mulheres, apontou estudo da Agência Nacional do Cinema (Ancine).
Fato é: o machismo restringe (e muito!) as oportunidades de mulheres estarem presentes atrás das câmeras e impede que diretorAs explorem o vasto potencial criativo que resultariam em grandes produções na telinha.
Por esse motivo, muitas vezes nem conhecemos ou entramos em contato com grandes nomes femininos que estão a frente de produções brilhantes, clássicas e contemporâneas do cinema brasileiro e internacional!
Pensando em cada vez mais quebrar esse ciclo constante no Cinema e desconstruir o machismo no meio, o Instituto de Cinema, em parceria com o site Mulher no Cinema, que celebra o trabalho de mulheres na tela, e o portal Cinemascope, oferece o curso Mulheres no Cinema: 12 encontros.
As aulas serão ministradas pela criadora e moderadora do “Mulheres no Cinema”, Luisa Pécora, formada em Jornalismo, foi editora do catálogo da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e colaborou para publicações como Playboy, Filme B,FilmMaker, Getúlio e Diálogos&Debates, entre outras, e que integra o Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
Juntamente com Pécora, o curso também será ministrado pela fundadora e editora-chefe do Cinemascope, além de jornalista, professora, palestrante e filmmaker paulistana, Joyce Pais.
O conteúdo será dividido em três módulos: “Cineastas pioneiras”, “Vanguarda e resistência” e “Cinema contemporâneo”, oferecendo um panorama introdutório do cinema realizado por mulheres no Brasil e no mundo. Com início em 02 de abril, ele acontece na sede do Instituto de Cinema, localizado no bairro de Pinheiros, em São Paulo.
Para mais informações acesse aqui
Que tal aquecer para o início do curso? Confira uma lista de 18 filmes maravilhosos e para todos os gostos, dirigidos por mulheres!
Lady Bird: A Hora de Voar
Tudo para ser um filme clichê sobre colégio e a passagem da adolescência para a vida adulta, “Lady Bird” (2017), dirigido por Greta Gerwig, surpreende pelas imagens bonitas e ao explorar com eloquência a relação entre mãe e filha.
Com 4 indicações ao Oscar, o longa conta a história de uma adolescente que passa pelos comuns traumas que todos passamos na adolescência: o primeiro namorado, crises na amizade, a necessidade de se sentir diferente do coletivo e ao mesmo tempo como é difícil se sentir a parte.
O filme fica ainda mais rico com as características autobiográficas da diretora em pequenos detalhes, como com a sua cidade de nascimento que é a mesma que da protagonista, Sacramento. “Lady Bird” por muitas vezes representa nós mesmos na época da adolescência! O longa ganha pontos por, além de ser dirigido por uma mulher, explorar bastante questões relacionadas a maternidade.
Cleo das 5 a 7
Na maioria das vezes deixada de lado quando o papo é sobre a Nouvelle Vague, Agnès Varda dirigiu verdadeiras obras de arte! Dentre elas, temos “Cleo das 5 às 7” (1961) que mostra em suas duas horas de duração, as angústias de Cleo, que aguarda o resultado de um exame que dirá se ela tem câncer ou não.
O longa deixa claro ser feito por uma mulher, principalmente devido a época que foi feito, quando Varda explora a energia sexual de Cleo e transparece os primeiros momentos em que a protagonista fica sem rumo e decide o que fazer com o que lhe sobra de vida, com a iminência da doença.
O belo filme retrata como em duas horas, Cleo passa a dar mais atenção aos pequenos momentos e detalhes do cotidiano, por muitas vezes esquecidos.
Que horas ela volta?
Escrito e dirigido por Anna Muylaert, o filme “Que Horas Ela Volta?” (2015) é um filme provocador e que retrata muito bem o ciclo que ainda se perpetua entre empregados e empregadas e seus patrões. Ambientado na casa de um família de classe média alta no bairro do Morumbi, em São Paulo, o filme de Muylaert retrata o cotidiano de Val, pernambucana que veio para a capital paulistana em busca de melhores condições de vida para sua família.
Lotado de estereótipos quanto a família, o filme toca em diversos pontos que mostram como é o tratamento de Val, que representa todas as empregadas brasileiras. O longa tem cenas marcantes e mostra um trabalho primoroso da Regina Casé.
Raw
“Raw” (2016) chamou a atenção no ano de lançamento quando no Festival de Toronto pessoas desmaiaram após ver o filme que aborda o canibalismo. A diretora e escritora do longa é Julia Ducournau e se trata de uma produção franco-belga!
Muito além do canibalismo em si, “Raw” trata também de violência psicológica ao contar a trama de Justine, uma jovem de 18 anos que acabou de entrar na faculdade de veterinária e é vegetariana. O processo dissociativo da protagonista começa quando em um trote violento e extremamente invasivo da faculdade, os veteranos a forçam a comer carne crua, o fígado de um coelho.
A partir daí Justine começa a tomar atitudes extremamente diferentes do estilo de vida que levava antes, contribuindo para a narrativa relativamente absurda da trama. Uma obra prima!
As Sufragistas
Esse filme franco-britânico é de 2015 e, basicamente, retrata o início dos movimentos feministas em prol, principalmente, da igualdade no voto, mas também na igualdade das condições de trabalho e de representatividade. O filme conta com duas mulheres na sua direção e roteirização: Sarah Gavron e Abi Morgan, respectivamente.
A personagem principal é a lavadeira Maud Watts que leva uma vida pacata na Inglaterra até ser chamada para uma reunião das sufragistas que, após serem ignoradas por tempos, passaram a realizar ações mais ativas, organizando passeatas que são reprimidas pela polícia.
“As Sufragistas” cumpre com a questão histórica e reativa discussões feministas que até hoje estão em pauta, não a questão do sufrágio em si mas da igualdade de gênero.
Bicho de Sete Cabeças
Eleito um dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema, “Bicho de Sete Cabeças” (2000) é dirigido pela paulistana Laís Bodanzky.
Baseado na autobiográfico Austregésilo Carrano Bueno, Canto dos Malditos, o longa conta a história de Neto, que foi internado num hospital psiquiátrico/manicômio depois do seu pai encontrar maconha nos seus pertences. Além de mostrar as mazelas da relação entre pai e filho, o filme foca em contar os abusos e violências sofridos nesses hospitais através das situações que o protagonista é exposto.
Mais do que qualquer outra coisa, o filme de Bodanzky é uma denúncia que surtiu efeitos na época, culminando na sanção da lei que proíbe esse tipo de institutição no Brasil.
Mulher Maravilha
Baseado na personagem homônima da DC Comics, “Mulher Maravilha” (2017) demorou para sair do papel e foi dirigido pela americana Patty Jenkins. Desde Elektra, em 2004, foi a primeira vez que reavemos uma heroinA-solo nas telinhas, mas talvez seja a primeira vez que vemos algo do tipo e com essa dimensão.
Ambientado na Primeira Guerra Mundial, o filme conta a história de Diana, uma semideusa (que ainda não sabe disso) amazona, que vive em uma ilha com outras amazonas, inclusive sua mãe. De uma forma inesperada ela conhece Steve, um espião britânico que parte numa missão com Diana, e algumas outras figuras para tentar impedir os desastres da guerra.
Com cenas de ação, muitos efeitos, mitologia, fantasia, romance, a história aborda ainda o desejo puro pelo bem da sociedade refletido em Diana. É um filme feito por uma mulher e que aborda, essencialmente, o genuíno heroísmo feminino.
O Babadook
“O Babadook” (2014) é um filme de terror que não se utiliza de ferramentas como o sangue ou sustos para causar horror, mas sim angústia com as cenas sufocantes. Dirigido por Jennifer Kent, o filme conta a história de Amelia, uma mãe traumatizada pela morte do marido, e seu filho, Samuel.
Os dois começam a ser aterrorizados pelo pesadelo de Sam, o Babadook que, inclusive, não é retratado com os costumeiros efeitos cinematográficos atuais que procuram trazer as imagens para o mais próximo do real. O monstro em si é bem simples, demonstrando que o foco não é a imagem em si, mas o que ela representa.
É aí que a questão subjetiva entra em pauta: o longa, essencialmente, se trata da depressão pós-parto, tão mal entendida pela nossa sociedade atual machista e que ainda não compreende doenças psicológicas.
Era o Hotel Cambridge
Participando da escrita do roteiro e também dirigindo, temos a importante cinegrafista brasileira Eliane Caffé! O longa conta o dia a dia dos moradores de um prédio ocupado no centro de São Paulo. A mistura de culturas se intensifica quando os moradores têm que conviver com refugiados.
Um ponto interessante e que descola o filme do comum é a mistura de realidade e ficção: o filme é resultado da parceria entre Frente de Luta por Moradia (FLM), do Grupo Refugiados e Imigrantes Sem Teto (GRIST) e da Escola da Cidade, além de fazer parte do elenco pessoas que, de fato, moram na ocupação.
O filme de Caffé é um grande exemplo de como o cinema brasileiro pode servir para defesa de uma causa.
Encontros e Desencontros
Sofia Coppola, que já tinha se consagrado com o longa “As Virgens Suicídas” (2000), chamou atenção e encantou mais uma vez dirigindo “Encontros e Desencontros” (2003). O longa foi todo gravado em Tóquio, mas mais do que uma estética marcante ou fotografia marcantes, o filme mostra a essência do cinema: uma boa história, sendo contada por uma boa cineasta e estrelada por bons atores: Bill Murray e Scarlett Johansson.
Ele é um ator que foi famoso nos anos 70 e ela está acompanhando o marido, fotógrafo de celebridades, e que se conectaram pela insônia na intensa cidade de Tóquio, com seus leds coloridos. Coppola consegue mostrar com essa narrativa simples, as cisuras identitárias que os tempos atuais causam no ser humano. Tudo isso pontuado por uma bela trilha sonora.
Guerra ao Terror
Vencedor do Oscar de Melhor Filme, “Guerra ao Terror” (2008) também rendeu o Oscar de Melhor Diretor para Kathryn Bigelow, que conseguiu renovar a forma que guerras são retratadas nos cinemas.
O longa aborda a Guerra do Iraque na perspectiva do exercito, mostrando como os motivos de todos estarem ali eram muito mais por ser uma questão presente na realidade de toda a população ao longo dos anos do que por concordarem ou até mesmo saberem porque aquela guerra estava acontecendo.
Deixando de lado a visão épica e dando lugar a visão humana, Bigelow explora as questões psíquicas que envolvem aqueles que põe “a mão na massa” em uma guerra e como eles entendem a situação em que estão.
Zama
“Zama” (2017) nasceu do encantamento da diretora argentina Lucrecia Martel com a obra de Antonio di Benedetto, publicado em 1956. O longa é ambientado numa América Latina dominada pelo colonialismo no século 17, com seus contrastes entre o que era considerado “civilizado” e “selvagem”.
O protagonista da trama é Dom Diego de Zama, que enfrenta questões profundamente existencialistas que em um primeiro momento parecem alheias ao período em si, ao ficar isolado e preso no ciclo do sistema burocrático da época, se sentindo subestimado nas categorias que ocupa e na possível estadia na capital argentina, Buenos Aires.
Cada cena do longa é um combate de Martel a imagem européia do conquistador como herói na América Latina. O diferencial da cineasta se mostra no caráter sobrenatural e de delírio nas imagens, pensamentos, diálogos e até som. O filme tem um final marcante!
A Hora da Estrela
Baseado na famosa obra de mesmo nome, da autora Clarice Lispector, “A Hora da Estrela” (1985) é um filme dirigido por Suzana Amaral, que pôs em imagens a narrativa de Lispector, contando a história de Macabéa, uma nordestina que foi para São Paulo em busca de uma nova vida.
O filme consegue cumprir com louvor o importante papel de representar, através da sétima arte, essa bela história, realizando um intenso estudo de personagens que dá outra dimensão para a obra.
Trabalhando como datilógrafa em um pequeno escritório, Macabéa tem como sua principal característica a ingenuidade, pureza e baixa auto estima, muito bem representadas pela atriz Marcélia Cartaxo. A trama se desenrola contando a história da protagonista, sua paixonite, também migrante, Olímpico, sua amiga Glória e as mudanças em suas vidas depois de ir na cartomante Madame Carlota.
O filme é sinalizado pela Associação Brasileira dos Críticos de Cinema como um dos 100 melhores da história de nossa cinematografia, além de ser escolhido como o melhor filme pela crítica no Festival de Berlim, recebendo também o prêmio de Melhor Atriz, pela atuação de Cartaxo.
Amor Maldito
O longa não só foi um marco na história do cinema nacional, como também um marco na luta contra o preconceito racial, o machismo e a homofobia. Adélia Sampaio foi a primeira mulher negra a dirigir um filme no Brasil, além de escolher uma temática extremamente disruptiva e afrontosa para a época: o relacionamento homossexual entre duas mulheres.
“Amor Maldito” (1984) retrata o relacionamento dessas duas mulheres que, diariamente, tem que lidar e combater o preconceito não só da sociedade como das duas famílias também, culminado por um suicídio.
Apesar de já fazerem anos desde o seu lançamento, o filme mantém sua importância não só pela representatividade, como também por, até os dias atuais, o tema ser recorrente.
Tomboy
Escrito e dirigido pela francesa Céline Sciamma e lançado em 2012, “Tomboy”, como a expressão contemporânea que dá nome ao filme já indica, conta a história de um menino que tem características e comportamentos que a sociedade estabelece como masculinas.
Na história, Laurie, uma garota de 10 anos, se muda com os pais e a irmã mais nova para uma casa nova. A garota se apresenta para as outras crianças da vizinhaça como Mickael, se socializando como um garoto. Com sua crescente amizade com uma das garotas, chamada Lisa, a menina passa por uma crise de identidade.
O filme aborda assuntos que são importantíssimos e ainda mal compreendidos na nossa sociedade: as diferenças entre sexualidade e comportamento e o que é ser transgênero. Além disso, fica claro como desde a infância, os padrões do que é “de menino” e “de menina” já são implementados e geram futuras violências.
Inspire, Expire
Filme recente, “Inspire, Expire” é dirigido e escrito pela islandesa Ísold Uggadóttir e foi lançado em Festival Sundance de Cinema em janeiro do ano passado e é um longa original da Netflix. O enredo trata de um tema extremamente atual: a crise de refugiados e, num espectro mais amplo, a desigualdade social.
O longa conta a vida de Lara, islandesa, mãe solteira e com extensos problemas financeiros que estão causando grandes apertos e prejudicando sua vida de forma muito preocupante. A situação chega ao apíce quando ela precisa morar, junto com seu filho pequeno, em seu carro.
Tudo parece melhorar quando ela arruma um emprego na capital, na alfândega do aeroporto. É aí que as duas mulheres que, aparentemente não têm nada em comum, se encontram a primeira vez, já que Lara descobre o passaporte falso de Adja, uma refugiada de Guiné-Bissau, que tenta ir para o Canadá para se reencontrar com filha que conseguiu chegar até o destino final.
Essencialmente o que liga as duas mulheres é sua dedicação aos filhos e o descaso da sociedade para com elas.
Cafernaum
Filme árabe-libanês, “Cafernaum” (2018) foi dirigido pela libanesa Nadine Labaki! Indicado ao prêmio Palma de Ouro e no Festival de Cannes, o longa foi ovacionado por 15 minutos na premiação francesa.
Traduzido como “Caos”, o longa tem como personagem principal Zain, interpretado por Zain Al Rafeea que atua através de sua própria história: um menino de 12 anos, refugiado de Beirute. Imagens aéreas da cidade, evidenciam a destruição e o caos instaurado, em que, crianças como Zain, perderam a muito tempo sua ingenuidade.
A narrativa se desenrola através dos acontecimentos na vida do menino, que passar por poucas e boas depois de fugir de casa, ficar sob custódia por um esfaqueamento e depois processar seus pais por ter nascido.
Garota Sombria Caminha pela Noite
O longa “Garota Sombria Caminha pela Noite” (2015) foi dirigido e roteirizado pela cineasta americo-iraniana Ana Lily Amirpour. Um detalhe no mínimo instigante na obra é o fato de ter sido gravado em apenas 24 horas, por imigrantes iranianos. Além disso o filme é inteiro em preto e branco e que faz uso de criaturas pós-modernas: os vampiros.
O enredo se passa na cidade fictícia “Bad City”, ou Cidade do Mal em português, que já alerta sobre o caos da cidade, lotada de traficantes e prostitutas. No mais, é importante ressaltar o elemento essencial do filme: os sentidos, já que nada na narrativa é linear ou fortemente ligado aos quesitos espaço-temporais.
O filme tem um forte cunho feminista, já que conta a história do ponto da garota, uma vampira que vaga pela cidade a noite, com uma capa preta, a procura de alimento: homens que desrespeitam mulheres. Em meio a essa temática melancólica, Amirpour ainda acha espaço para uma história de amor.
Blog - Instituto de Cinema - InC fará transmissão ao vivo do Oscar com comentários de especialistas
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Chegou o momento de um dos eventos mais esperados do ano para os apreciadores da sétima arte: a grande noite do Oscar. O evento, comandado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, aconteceu pela primeira vez em Hollywood, no ano de 1929, e permanece até os dias atuais envolto em muita pompa e recebendo atenção do mundo inteiro.
As categorias da premiação envolvem as mais diversas áreas de uma produção cinematográfica: de roteiro, cenário, animação, maquiagem, figurino, trilha sonora e fotografia até a mais esperada da noite, a de melhor filme do ano.
Apesar das críticas e polêmicas quanto a seleção dos candidatos ou os critérios para a escolha do vencedor, por exemplo, o Oscar é a principal premiação do cinema e revela as diretrizes que rondam a Academia ao longo do tempo, além de reunir grandes produções cinematográficas em um único evento. Quase como uma Olimpíadas do Cinema!
O InC, buscando proporcionar uma experiência mais proveitosa para o público, vai realizar uma exibição ao vivo da premiação, no dia 24/02, às 20h30. O evento, que vai acontecer no próprio InC, localizado na Rua Teodoro Sampaio, 1109, no bairro de Pinheiros em São Paulo, vai contar com a presença de especialistas em cinema, nossos professores, que comentarão as escolhas da Academia e os próprios filmes também. A entrada é gratuita e o evento é aberto ao público.
Além de tudo, cada pessoa vai preencher uma ficha com seus filmes favoritos para receberem a estatueta e, quem acertar o maior número de vencedores vai receber um prêmio especial no final da noite!
Você está tão ansioso quanto nós? Se inscreva e venha assistir com a gente no próximo domingo: https://goo.gl/forms/DgypuU1NbdtnJ70n1
Blog - Instituto de Cinema - Inscrições para a 6ª Prova de Bolsa do Instituto de Cinema estão disponíveis
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O Instituto de Cinema está com provas de bolsa abertas para alunos que desejam estudar cinema e trabalhar no meio audiovisual. Para concorrer à bolsa, o candidato deve se cadastrar através do link que se encontra ao final deste artigo até o dia 04/10 e vir até o InC no dia 05 para realizar a prova. Os horários são das 10h às 12h e das 19h às 21h.
São 10 questões objetivas e uma redação, todas relacionadas a cinema e atualidades. Dependendo de seu desempenho na prova e de fatores socioeconômicos, a bolsa pode ser de até 60% e é válida para os cursos Cinema Total (básico) e FilmLAB (avançado).
Esta é a oportunidade que você estava esperando para se aprofundar no assunto que você mais ama: cinema. Cadastre-se já e nós entraremos em contato o mais rápido possível.
A prova será realizada aqui no Instituto de Cinema, Rua Teodoro Sampaio, 1121 – Pinheiros, SP. Os resultados da prova serão anunciados a partir do dia 11/02 via telefone em contato direto com o candidato.
Formulário para cadastro: https://goo.gl/forms/nJPNZQ0j3Q8J4tiw1
Blog - Instituto de Cinema -Novas palestras confirmadas no Instituto de Cinema
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Uma das premissas do Instituto de Cinema é democratizar o ensino do audiovisual no Brasil e, numa perceção ainda mais ampla, democratizar o acesso ao conhecimento. Buscando cada vez mais tornar a nossa visão realidade, o InC propõe palestras gratuitas com grandes nomes do audiovisual!
Já recebemos em nosso espaço profissionais como Debora Ivanov e Laís Bodanzky, além de Luiz Bolognesi e Paulo Morelli, que vão palestrar nos dias 22/02 e 15/02, respectivamente, às 18h, aqui no InC localizado na Rua Teodoro Sampaio, 1121.
Como forma de aproximar ainda mais o público de cineastas e atuantes no mercado, o InC traz novos nomes para palestras 100% gratuitas e abertas ao público em fevereiro, março, abril e maio! Rodrigo Teixeira, Pedro Morelli, Katia Coelho e Krishna Mahon vão estar no Instituto, na Rua Teodoro Sampaio, 1109 (nosso prédio administrativo), no bairro de Pinheiros em São Paulo, nos dias 07/02, 11/04, 08/03 e 17/05, respectivamente, para contar mais sobre suas trajetórias pessoais e percepções sobre o mercado brasileiro.
Confira mais informações sobre cada um desses cineastas e também o link para inscrição em cada uma dessas palestras!
Rodrigo Teixeira
Nascido no Rio de Janeiro, Rodrigo Teixeira é o fundador da importante produtora paulistana RT Features. Na juventude, após desistir da vida no mercado financeiro, Rodrigo se mudou para Los Angeles, nos Estados Unidos, onde começou a chamar atenção através da produção de curta-metragens.
Em 2006, o produtor começou a se destacar com o filme “O Cheiro do Ralo”, dirigido por Heitor Dhalia e protagonizado por Selton Mello, que custou R$ 300 mil e rendeu R$ 1,5 milhão em bilheterias.
Atualmente, o cineasta estampa seu nome em grandes produções reconhecidas mundialmente como “A Bruxa” (2015), dirigido por Robert Eggers, o aclamado mundialmente “Me Chame Pelo Seu Nome” (2017), que rendeu quatro indicações para a principal premiação da sétima arte, o Oscar, “Frances Ha” (2012), dirigido por Noah Baumbach.
O ano de 2019 promete para o produtor, que lançará duas produções: "Ad Astra", com Brad Pitt e Tommy Lee Jones e "The Lighthouse", filme de terror e fantasia do diretor Robert Egger, estrelado por Robert Pattinson e Willem Dafoe.
Palestra dia 07/02
Horário: 18h
Local: Rua Teodoro Sampaio, 1109 - Pinheiros, São Paulo
Entrada gratuita
Link para inscrição: https://goo.gl/forms/6B0SzkwnkavA0nqo1
Pedro Morelli
Formado em audiovisual na USP e filho do diretor Paulo Morelli, Pedro se especializou em sonoplastia e direção cinematográfica. Já dirigiu dois longa-metragens e também realizou produções para a televisão.
“Entre Nós” (2013), filme com coprodução de seu pai e lançado no Festival de Roma, foi premiado no Festival do Rio do mesmo ano, como melhor roteiro e melhor atriz coadjuvante. Já o longa “Zoom” (2015), uma coprodução internacional, foi lançado no Festival de Toronto e foi vendido em 15 países.
Além disso, o cineasta fez e dirigiu a série “Contos de Edgar” (2013), que foi transmitido pela Fox e adaptava as histórias de Edgar Allan Poe para a sociedade brasileira. Para a Globo, ele dirigiu as duas últimas temporadas de “Cidade dos Homens” (2017/2018).
Foi diretor geral também de “Rua Augusta” (2018), exibida no canal TNT.
Palestra dia 11/04
Horário: 18h
Local: Rua Teodoro Sampaio, 1109 - Pinheiros, São Paulo
Entrada gratuita
Link para inscrição: https://goo.gl/forms/K7x4PTtpEQJlwUsw1
Katia Coelho
Primeira mulher a ser diretora de fotografia no Brasil, Katia Coelho coleciona, no total mais de 30 prêmios internacionais e nacionais.
O longa “Tônica Dominante” (2000) conta com Vera Holtz no elenco e rendeu a cineasta dois prêmios: Kodak Vision Award-Woman in Film em Los Angeles e também o prêmio APCA, Associação Paulista de Críticos de Arte.
A profissional também fez a direção fotográfica do filme “Via Láctea”, indicado no Festival de Cannes e ganhador do prêmio de fotografia no Festival Ibero-Americano.
Foi professora de Cinematografia na USP durante 7 anos e atualmente trabalha com direção de fotografia de longas, séries, programas de TV e comerciais.
Palestra dia 08/03
Horário: 19h
Local: Rua Teodoro Sampaio, 1121 - Pinheiros, São Paulo
Entrada gratuita
Link para inscrição: https://goo.gl/forms/IcSGQik12SNHc3Sb2
Krishna Mahon
Produtora executiva e diretora de conteúdo, Kishna Mahon passou pela Discovery e hoje em dia atua há 9 anos produzindo conteúdo original para os canais History, A&E, Lifetime e H2.
A profissional desenvolveu a série “O Infiltrado” (2013), campeã de audiência no canal History Brasil. Além disso, Krishna tem no seu currículo produções como a série “Gigantes do Brasil” (2016), a produção mais cara do canal History já feita no país.
Krishna Mahon também é criadora e responsável pelo projeto “Imprensa Mahon”, canal do YouTube em que Krishna compartilha seu vasto conhecimento na área, dá dicas de ouro sobre o mercado audiovisual e algumas mais específicas para as mais diversas áreas do audiovisual, de players à fundos.
Palestra dia 17/05
Horário: 18h
Local: Rua Teodoro Sampaio, 1121 - Pinheiros, São Paulo
Entrada gratuita
Link para inscrição: https://goo.gl/forms/UsAUTKr7r8HfaQu33
Blog - Instituto de Cinema -Diretores do longa “Tinta Bruta”, grande vencedor do Festival do Rio, conversam com o Instituto de Cinema
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O longa “Tinta Bruta”, distribuído pela Vitrine Cultural, conta a história de Pedro, interpretado por Shico Menegat, um solitário e tímido jovem homossexual, que mora em Porto Alegre e é obrigado a lidar com a mudança da irmã, com quem dividia o apartamento, ao mesmo tempo que responde por um processo criminal.
Pedro vive quase que uma vida dupla, encarnando o Garoto Neon na internet e realizando performances eróticas para anônimos de todos os lugares do mundo, como meio de sobrevivência financeira e escape da realidade. A tinta neon aparece como um elemento marcante da sua identidade.
O filme ilustra quais foram as cicatrizes em Pedro causadas pelos julgamentos e perseguições que sofreu durante toda a sua vida, tanto por sua sexualidade, quanto por sua aparência, e como o personagem se comporta ao conhecer Léo, interpretado por Bruno Fernandes, outro artista performático do submundo online.
Como imagem de fundo, vemos uma Porto Alegre cinza, solitária, abandonada e claustrofóbica, contundentemente contrastante aos neons de Pedro.
“Tinta Bruta” foi dirigido por Filipe Matzembacher e Márcio Reolon que vêm se consolidando no cinema brasileiro, ganhando os prêmios de Melhor Filme, Roteiro, Ator e Ator Coadjuvante no Festival do Rio e chamando atenção no circuito internacional, ganhando o principal prêmio LGBT do mundo, o Teddy. A dupla gaúcha também dirigiu o filme “Beira-Mar”, de 2015, aplaudido com veemência no Festival de Berlim.
Os diretores contam mais sobre o enredo, a produção e a pós-produção em conversa com o InC, além de contarem sua trajetória no cinema, como se interessaram pela sétima arte e quais são as expectativas para o futuro do audiovisual brasileiro.
Sobre o que é o “Tinta Bruta”?
Filipe: O Tinta Bruta é um longa metragem que conta a história do Pedro, um jovem que mora em Porto Alegre e que está sofrendo um processo criminal enquanto tem que lidar com a despedida da sua irmã e uma vez que ele entra em um processo de se enclausurar em casa, ele começa a performar na internet em sites eróticos, pintando o corpo de tinta neon.
Na internet ele se torna esse personagem que é o Garoto Neon e que é quase uma versão idealizada dele mesmo. Chega um momento em que ele descobre que tem um outro jovem o imitando e ele vai de encontro a essa outra pessoa.
Como foi o processo de produção e filmagem?
Filipe: Começamos a trabalhar no filme a partir de 2013/2014, mais ou menos. Foram 27 diarias de filmagem, nós temos uma pré-produção bem longa. Na verdade a gente tenta aproximar esse processo bastante do teatro, por exemplo, os ensaios são bem mais longos do que o normal, ensaiamos por um total de 7 meses.
Foi um processo muito bom, boa parte da equipe a gente já tinha trabalhado em outras produções. A gente tem uma equipe que confiamos muito e que somos muito próximos, também. Por isso nos comunicamos de uma maneira muito interessante, seja no set ou seja na pré-produção.
No filme, nós vemos o Pedro assistindo diversas pessoas indo embora, inclusive a irmã dele. O quanto esse sentimento de clausura, apesar da vontade de ir embora também, tem a ver com um sentimento pessoal de vocês?
Márcio: Acho que é bastante autobiográfico isso, de certa forma. A gente começou a desenvolver o roteiro do filme, a gente se tocou de que dos nossos dez amigos mais próximos, seis ou sete deles não moravam mais em Porto Alegre. Então nós tínhamos muito esse sentimento de acompanhar as pessoas que a gente gosta indo embora e a gente permanecendo na cidade, então isso é muito direto.
Já a vontade de ir embora, já não sei se corresponde tanto com a gente. Até então a gente sempre ficou né.
Filipe: Acho que isso é muito resultado da cidade de Porto Alegre ter se tornado uma cidade mais fria, mais hostil e violenta. A cidade se torna quase um porto fantasma assim. E isso foi uma escolha pública das últimas gestões que foram ignorando o espaço público e de convívio social, fazendo com que as pessoas ficassem mais e mais isoladas dentro de casa, fazendo com que a cidade se torne menos humana.
A gente sente que a cidade se tornou menos atrativa, especialmente para a juventude. Então queríamos muito retratar essa Porto Alegre, que se tornou quase que antagonista a própria juventude dela.
Como vocês se conheceram?
Filipe: Nós dois nascemos, crescemos e moramos em Porto Alegre. Também cursamos Cinema na PUC e nos conhecemos durante a faculdade. O Márcio era meu veterano.
O medo de estar sozinho é um sentimento que permeia o filme inteiro. Contem um pouco como foi o desenvolvimento do roteiro e quais foram os recursos para os diálogos ficarem mais fluídos e naturais?
Márcio: O roteiro a gente escreve de uma maneira bastante colaborativa. Eu e o Felipe realmente sentamos juntos na frente do computador e vamos escrevendo.
Foi um processo bem longo de escrita, foram cerca de 2 anos. Eu acho que a gente canalizou ali muitos sentimentos bastante pessoais.
Durante o processo de escrita o país sofreu um golpe, em 2016, e eu acho que isso provocou na gente um sentimento de raiva que nós canalizamos bastante ali dentro da história e colocou no personagem do Pedro. Eu acho que muito do que ele sente e passa ali é um reflexo direto de nós, há uma conexão quase que umbilical nossa com aquele personagem. Por mais que não seja literalmente autobiográfica, é uma história muito pessoal nesse sentido.
Filipe: Falando sobre o processo de roteiro, no que diz respeito aos diálogos, eu e o Márcio temos um histórico como atores, inclusive o Márcio segue atuando, fazendo até uma ponta no filme. Então eu acho que isso é uma preocupação nossa, a gente até faz um exercício quando escrevemos os diálogos, pensando se aquilo vai soar bem saindo da boca de uma pessoa, de fato. Damos muita atenção para isso.
A gente trabalha muito com isso durante o processo todo dos ensaios, também, nessa segunda etapa. Então se a gente sente que alguma coisa não está dando certo, não está ficando orgânico, a gente está sempre aberto a modificar. Nossas falas não foram falas rígidas e fechadas.
Como foi a escolha dos atores que interpretaram os personagens?
Márcio: O Léo e o Pedro é até interessante, o Bruno que é quem faz o Léo ele é ator de teatro, ele nunca tinha feito cinema, mas ele é de um companhia de teatro lá de Porto Alegre. Um dia nós vimos uma peça em que ele participava e a gente ficou super tocado pela performance dele, a gente sabia que um dia queríamos trabalhar com ele. Aí quando a gente estava escrevendo o roteiro do filme, surgiu o papel do Léo e nós pensamos imediatamente no Bruno, ele foi nossa primeira e única opção.
Nós achávamos que ele tinha essa energia de alguém que quando chega em um ambiente, toma conta dele, uma pessoa com uma energia muito positiva. E era assim que a gente imaginava o personagem.
Para o Pedro foi um pouco mais difícil. A gente procurou por um tempo um ator de Porto Alegre, porque era importante para gente que fosse de lá. Nesse tempo procuramos algum ator que tivesse alguma características específicas, a gente queria alguém que tivesse uma aparência frágil, mas que a gente sentisse uma intensidade e uma potencial agressividade, no olhar.
Um dia nós estávamos numa festa e vimos o Shico discotecando. E ele fechava muito com o que a gente imaginava, ele é super magro, tatuado, com o cabelo preto comprido, sentimos uma pulsão muito forte.
Filipe: Mesmo sendo uma figura que quase flerta com uma androginia.
Márcio: Sim! O que pra gente era muito importante, era quase que um contraste ali, muito legal. Aí fomos conversar com ele, tomar um café, enviamos o roteiro e ele ficou super empolgado em fazer o filme! Ele já conhecia nosso trabalho através do Beira-Mar, nosso primeiro longa.
Só que aí ele contou que só tinha um problema, que ele nunca tinha atuado antes. Então combinamos com ele e com o Bruno, de fazer um processo de ensaios de sete meses, em que fomos de pouco a pouco ensaiando e construindo esses personagens e encontrando a linguagem de atuação do filme também.
A gente começou primeiro quase que com encontros semanais, duas vezes por semana, que era quase uma terapia em grupo em que compartilhávamos coisas muito íntimas, mas que de alguma forma se relacionavam com os personagens ou com temas que a história abordava. Depois disso passamos para os primeiros exercícios de interpretação e noção de câmera e depois entrando nos personagens e nos textos e ai sim começar a agregar os outros atores, uma vez que eles já estavam confortáveis entre eles.
Acredito que foi um processo muito rico, como nossa base original é no teatro, a gente sempre busca aproximar os processos do cinema dos processos do teatro. No cinema as vezes pela falta de tempo e por ser um processo mais caro, acaba sendo um pouco engessado, uma coisa muito pré-pronta, com ensaios muito rápidos.
Sempre que a gente precisa investir em alguma coisa, a gente investe em tempo. Às vezes ter um processo mais longo e com isso ir desenvolvendo as coisas em conjunto.
Então no processo de pré-produção e produção vocês dividem literalmente as funções ou alguém acaba ficando mais responsável por alguma parte específica?
Márcio: Nós fazemos absolutamente tudo juntos. Desde a escrita do roteiro e direção de atores até a decupagem, conversa com equipe e conceitos estéticos. Tudo, tudo, a gente faz juntos.
Filipe: O que acontece é que como a gente investe nessa pré-produção bem longa, com o elenco, o resto da equipe e entre a gente, faz com que toda a equipe tenha o mesmo filme na cabeça, o que facilita!
Mesmo nos momentos de improviso, eles vêm já dentro do universo do filme, que é uma coisa essencial. Claro, às vezes no set, tem alguns momentos de correria em que temos que nos dividir, mas no geral não existe uma divisão. E eu acho que isso tudo faz com que nossos sets sejam mais silenciosos e com o seu tempo próprio. Várias pessoas que trabalham com a gente falam sobre isso, que os nossos sets são os mais silenciosos que eles já trabalharam.
Como foi a escolha da equipe? Vocês costumam trabalhar com os mesmos profissionais ou costumam rotacionar?
Márcio: Alguns a gente trabalha já a bastante tempo. A nossa diretora de arte é quem nós trabalhamos desde o nosso primeiro curta da faculdade do Filipe, desde o primeiro semestre e todos os nossos filmes até hoje, já são dez anos trabalhando juntos.
Algumas outras pessoas não, elas entraram nesse projeto, mas a gente já queria trabalhar com elas a algum tempo.
Filipe: O Glauco, por exemplo, que é o nosso fotógrafo. Mas o Germano, por exemplo, que é o montador, ele é o nosso sócio e nós já trabalhamos juntos a algum tempo. Acredito que é a mesma dinâmica, então as pessoas meio que já entendem.
Acho legal isso de ter a sua turma assim, sabe? Porque aí às vezes com o olhar as pessoas já entendem. A comunicação acontece de uma maneira muito mais rápida.
Como foi a escolha da estética do filme e da direção de arte, que são elementos marcantes em todo o longa, inclusive com o próprio neon?
Filipe: Isso foi um trabalho muito legal do Glauco, o fotógrafo, e da Manu, que é a nossa diretora de arte. A gente falava sempre que Porto Alegre era uma personagem do filme, sempre discutíamos como materializar essa cidade, quase como uma antagonista ao Pedro.
Quando a gente encontrou aquela casa, que eu acho que é um elemento bem importante, ela era perfeita em dimensões mas ela tinha sido recém-reformada, com a parede branquinha e tudo muito novinho. A gente olhou e pensou que teríamos que destruir essa casa, para ter essa caso do Pedro que é uma casa de anos, uma casa com história. O que a Manu fez foi muito legal. Ela olhou pela janela, olhou para a cidade e ficou captando as cores que tinha ao redor e trazendo para dentro da casa. Ela captou as cores mais presentes e começou a pintar a casa e ela foi envelhecendo a casa.
Foi um processo muito legal, de pensar a humanidade dos espaços, pensar até em detalhes, como talvez criar uma camada de gordura na porta, por exemplo, de tanto todo mundo passar a mão.
Em paralelo, a gente tinha esse personagem que trabalha com a ideia da tinta. E o Glauco trouxe um conceito muito legal, que foi de falar “Puts, eu sempre piro sobre a lava quando eu penso na tinta”, a gente parou para pensar que faz sentido e lembramos até do documentário do Herzog sobre vulcões, e no set de filmagem tinham várias fotos de vulcões coladas na parede.
Então, foi uma coisa que foi pra relembrar, na verdade, como o Pedro é esse personagem vulcânico, nessa cidade super cinza e ocre, meio sem vida. E aí do nada chegam aquelas cores, aquela saturação extrema, no meio de tudo isso.
A tinta foi uma coisa que surgiu no roteiro, teve um processo muito legal nos ensaios também, com os meninos e as performances. Daí teve o trabalho da Manu junto com a maquiadora também, de criar várias texturas diferentes, tinham sempre uns catorze potinhos de tinta, de várias cores e texturas diferentes. Umas eram sempre mais grossas e outras eram bem mais líquidas.
Antes do “Tinta Bruta” vocês produziram o longa “Beira-Mar” que também era protagonizado por um casal LGBT. Qual vocês acreditam que seja a importância de trazer esses temas e de trazer casais não heteronormativos?
Filipe: Eu acho que o nosso passado e a nossa história se materializam quando as narrativas são contadas quando a gente propõe olhares sobre pontos de vista distintos. O cinema nacional só tende a melhorar, crescer e ter realmente um debate mais sadio sobre a sociedade brasileira com essa diversidade.
A gente sempre pensa muito em questões de gênero, de seuxalidade e também em questões sociais e políticas nos nossos filmes, o que para gente é muito interessante de trabalhar.
Por exemplo no “Beira-Mar” que era uma questão muito relacionada ao desejo e ao mesmo tempo a maturação, em relação ao se tornar adulto. Já no “Tinta Bruta” são abordadas diversas questões, até ter um casal LGBT naquele ambiente super hostil, como eles se comportam, como eles se sentem em relação àquela cidade.
Acho que as histórias acabam pedindo certos personagens ou não. Mas eu sempre questiono “Essa representação é algo que tem sido visada, repetitiva? O que ela agrega, acrescenta?”.
Como foi o processo para tirar esses projetos do papel e realmente filmar? E como foi a questão da distribuição?
Márcio: No caso do “Beira-Mar” a gente foi bastante independente, filmamos ele com R$ 7 mil. Depois, claro, vimos um edital para finalização. Ele surgiu mais de uma vontade nossa de fazer um filme sobre juventude e adolescência, enquanto a gente ainda estava bem próximo dessa idade, então queríamos falar muito através da nossa visão, quase como uma perspectiva interna, evitando uma visão mais idealizada ou nostálgica da adolescência.
Também era um filme bem mais experimental, quase que um exercício com atores, a gente não tínhamos um roteiro, fomos improvisando à medida que íamos filmando.
Para o “Tinta Bruta” que já era um projeto com uma outra proporção, um projeto muito mais roteirizado e ambicioso, mesmo em termos de estrutura. Então para viabilizar ele a gente teve dois recursos: a gente ganhou um edital para desenvolvimento de roteiro, do Festival de Roterdã e depois nós ganhamos um edital nacional para a produção do MINC em parceria com o FSA, para filmes de baixo orçamento.
Através desses dois editais a gente conseguiu viabilizar o filme.
Quanto a distribuição, em ambos os filmes quem está realizando essa parte é a Vitrine Filmes, eles trabalharam com a gente no “Beira-Mar” e agora estamos trabalhando com eles novamente no “Tinta Bruta”. Agora o filme também está participando da Sessão Vitrine Petrobras o que é bem interessante, porque os filmes passam em cinemas a preço popular, o que aumenta o acesso, democratiza.
Filipe: Eu acho muito legal porque a Vitrine esteve com a gente desde o início do projeto. A gente mandou só o projeto para eles, não tinha nem roteiro, e já tivemos um feedback. Foi ótimo contar com a parceria desde o início.
Nós também temos uma distribuidora internacional que vem ajudando em outros países e territórios, alguns festivais fora do país.
Vocês esperavam que o “Tinta Bruta” tomasse toda essa proporção?
Filipe: Acredito que a gente não espera, tentamos sempre fazer o filme mais honesto e nos dedicamos muito para o filme. Uma frase que falamos bastante durante o set é “Toda dedicação que a gente colocar no filme, vai estar impressa ali”, ou seja, mesmo que certas escolhas tenham sido acertadas ou não, toda a dedicação que a gente puser ali, vai estar impressa no filme.
Márcio: Sempre dedicamos muitas horas para o filme, sempre trabalhamos muito. Então é muito massa quando rola esse tipo de retorno, seja de festivais, premiações, público, crítica, ou o que for. Porque assim acho que começa a fazer sentido esse diálogo que a gente costuma criar com os filmes.
Filipe: E é muito bonito ter esse retorno de diferentes platéias, com pontos de vista diferentes, pessoas muito distintas. O que a gente sempre fala é que tem que se dedicar muito para o filme, aí a partir dali o filme não é mais nosso, são das pessoas.
Contem um pouquinho da trajetória de vocês no cinema, apesar delas se complementarem bastante, como surgiu o interesse de vocês por cultura e arte.
Márcio: Eu tenho insônia desde os 5 anos, que é uma coisa crônica, de família, meu pai tem, minha avó tinha. Então acho que desde essa idade eu não conseguia dormir a noite e isso fazia com que eu me sentisse muito sozinho. Aí eu ia para a sala, e meu pai estava acordado também, geralmente vendo filmes. Então eu sentava com ele no sofá e fica assistindo junto com ele e aquilo era quase que uma válvula de escape para aquela solidão que eu sentia, naquele momento. Eu me projetava vivendo aquelas histórias, aqueles outros mundos.
Isso fez com que eu, mesmo com pouca idade, conseguisse avançar bastante em uma cinefilia, foi uma coisa que foi sempre muito importante para mim. Logo na adolescência eu já comecei a atuar e trabalhar como ator. Logo depois fui trabalhar em uma videolocadora, até o momento que eu decidi que eu iria estudar Cinema.
Aí eu acabei conhecendo o Filipe e nós abrimos uma produtora.
Filipe: Eu já não venho de uma família tão cinéfila e tão insone como a do Márcio, mas eu sempre me interessei muito sobre contar histórias, sobre cinema, teatro. Então conforme foi passando minha adolescência eu decidi fazer cinema.
Eu tive sorte porque tive uma bolsa oferecida pelo PROUNI, em Porto Alegre não existem faculdades de cinema públicas, só particulares.
Qual dica vocês dariam para quem está começando no Cinema?
Filipe: Trabalhar com arte no Brasil é muito difícil. Não temos os recursos que precisamos para realizar, sofremos uma perseguição midiática e de parte da população que é absurda. Então, eu diria para vocês fazerem os filmes que vocês realmente sentem necessidade, sintam que vocês precisem contar essa história. Acho que vocês realmente tiveram essa vontade, essa necessidade e se dedicarem de fato, sempre vai ser algo de interessante dali.
Márcio: Eu acho que pensando por um outro lado, complementando o pensamento do Filipe, acho que é essencial valorizar muito a importância do curta-metragem, como um espaço de experimento. Tem algumas pessoas que fazem um ou dois curta-metragens e já querem fazer um longa rápido, o que eventualmente pode até dar certo mas, pelo menos para nós, o curta foi um espaço de experimentação muito grande, trabalhamos por muitos anos fazendo isso, até fazer um primeiro longa.
Eu vejo isso hoje, olhando em retrospecto, o quanto isso foi importante, poder experimentar e poder se encontrar. Claro que estamos sempre nos encontrando, espero nunca ter um ponto final mas, para começar a se entender pelo menos, enquanto cineasta, enquanto contador de histórias, o que interessa e o que não interessa.
Filipe: Acho que isso dos interesses que a gente tem, eles se reafirmam ou se modificam muito no processo cinematográfico. Então depois de você fazer um filme você para pra pensar o que foi legal e o que não foi, se no próximo filme você vai querer trabalhar dessa maneira ou de outra.
Então eu realmente acho que o fazer é um processo que não tem fim, ele é contínuo.
Estávamos comentando ontem, como entender as obras de cineastas ou de pessoas que trabalham com cinema é quase como quando você vai lidar com a obra de um pintor, você entende a construção e a passagem da obra de um para o outro.
Como vocês têm sentido que está o mercado audiovisual brasileiro?
Márcio: O mercado brasileiro, em termos de produção e até de alcance, principalmente internacional, tem estado em um crescimento muito grande já a alguns anos. Acho que ele vive um dos melhores momentos da sua história e a gente espera que isso continue!
Filipe: Acho que a gente está em um indústria agora que tem muito a crescer e que também é uma indústria muito plural, muito diversa e que economicamente dá muito retorno, porque ela é auto sustentável. É um exemplo de sucesso para vários outros países. Então esperamos que as próximas pessoas que administrarem a cultura nacional pensem nisso, pensem de uma maneira patriota mesmo, ou seja, valorizem aquilo que é brasileiro e eu acredito que a arte brasileira é uma das melhores formas de afirmar a sua brasilidade.
Entrevista com o diretor e o protagonista de “Coração de Cowboy”, Gui Pereira e Gabriel Sater, para o Instituto de Cinema.
Entrevista com Diego Freitas, o diretor do longa “O Segredo de Davi”, para o Instituto de Cinema.
Blog - Instituto de Cinema- Palestras gratuitas de Luiz Bolognesi, Paulo Morelli, Laís Bodanzky e Debora Ivanov serão ministradas no Instituto de Cinema em 2019. Inscreva-se!
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trajetória no audiovisual é quase sempre um caminho incerto, na maioria das vezes é difícil saber por onde começar. Nesse sentido, nada melhor do que conversar com quem já tem experiência na área e descobrir como eles chegaram até onde chegaram, não é? Pensando nisso, o Instituto de Cinema propõe quatro palestras para começar 2019 com o pé direito!
Debora Ivanov, Laís Bodanzky, Paulo Morelli e Luiz Bolognesi são nomes que representam muitas das produções bem-sucedidas brasileiras, que ganharam alcance internacional, e vão palestrar no InC nos dias, , 25/01, 29/01, 15/02 e 22/02, respectivamente, todas as 18 horas, com exceção de Laís Bodanzky, que será às 19h. Além de dicas que valem ouro para quem se interesse por cinema e audiovisual no geral, os cineastas contarão detalhes da sua trajetória pessoal e de suas produções, propondo um bate-papo com o público!
Pensando na democratização do aprendizado no audiovisual e cinema, prezada pelo InC, a entrada para todas as palestras é 100% gratuita e aberta ao público, acontecendo no próprio Instituto de Cinema, localizado na Rua Teodoro Sampaio, 1121, no bairro de Pinheiros, na cidade de São Paulo.
Confira mais informações sobre cada um desses cineastas e também o link para inscrição em cada uma dessas palestras!
Luiz Bolognesi
Diretor e roteirista, Bolognesi tem seu nome estampado em obras de renome do cinema tanto no circuito nacional, quanto no internacional, como “As Melhores Coisas do Mundo” (2010), “Bicho de Sete Cabeças” (2001), “Terra Vermelha” (2008), “Elis” (2015), “Como Nossos Pais” (2015) e “Bingo - O Rei das Manhãs” (2015). Essas produções renderam a ele reconhecimento internacional em festivais de Veneza, Roma, Toronto, Locarno, Los Angeles, Miami, Havana, entre outros, além de ter alguns de seus filmes exibidos em cinco continentes e veiculados em televisão como a Rede Globo e a HBO América Latina.
Com a produção da animação “Uma História de Amor e Fúria” (2013), o diretor foi vencedor do prêmio Cristal de Melhor Longa Metragem em Annecy, além de outros festivais em países como Tóquio, Shanghai, Atenas, Bordeaux, Buenos Aires e ser premiado também pela Academia Brasileira de Cinema. O filme ainda foi exibido em seis continentes diferentes!
Esse ano, seu documentário “Ex-Pajé”, foi lançado e recebeu menção honrosa como melhor documentário no Festival de Berlim/Panorama 2018 e foi premiado como melhor documentário no festival É Tudo Verdade 2018, que é dedicado especialmente a esse gênero.
Palestra dia 22/02
Horário: 18h
Local: Rua Teodoro Sampaio, 1121 - Pinheiros, São Paulo
Entrada gratuita
Link para inscrição: https://goo.gl/forms/wfZtSPRAUELzrBY83
Paulo Morelli
Formado em Arquitetura pela FAU (USP), Morelli se viu interessado por cinema experimental já na época. O interesse acabou se tornando sua carreira que contribuiu, e muito, para o audiovisual nacional, já que nos anos 80, ao lado de Fernando Meirelles, Marcelo Machado e Beto Salatini, fundou a Olhar Eletrônico, produtora paulista de vídeos publicitários e programas para a televisão, incluindo a série televisiva “Rá-Tim-Bum”.
Sua primeira produção cinematográfica foi o curta-metragem “Solo”, em 1976, fazendo algumas experimentações importantes depois como “Época da Ignorância” (1985) e “Do Outro Lado da Sua Casa” (1990).
Em 1991, novamente ao lado de Meirelles, o diretor e roteirista fundou a O2 Filmes, famosa atualmente por produções de filmes extremamente relevantes para o cinema brasileiro, como o longa “Cidade dos Homens” (2007), dirigido e roteirizado por Morelli, fechando a série televisiva de mesmo nome.
O cineasta dirigiu outros longas como “O Preço da Paz” (2003), que ganhou como melhor filme em Gramado e Tiradentes, “Viva Voz” (2003), premiado como melhor filme internacional do New York Independent Film Festival e “Entre Nós” (2014), produzido em parceria com seu filho, Pedro Morelli, além do curta “Lápides”, que recebeu outros quatro prêmios.
Atualmente, Morelli lançou um software especial para roteiristas chamado “Story Touch”.
Palestra dia 15/02
Horário: 18h
Local: Rua Teodoro Sampaio, 1121 - Pinheiros, São Paulo
Entrada Gratuita
Link para inscrição: https://goo.gl/forms/ssiYDDH2sKCHOKIc2
Laís Bodanzky
A diretora tem uma longa lista de filmes bem sucedidos e reconhecidos internacionalmente, muitos dirigidos em parceria com seu sócio na criação da produtora Buriti Filmes, Luiz Bolognesi.
Bodanzky estreou no cinema com o curta-metragem “Cartão Vermelho” (1995), selecionado para o New York Independent Film Festival. O longa “Bicho de Sete Cabeças” (2001), co-produção Brasil e Itália, que conquistou diversos prêmios. Entre seus longas estão: “Como Nossos Pais” (2017), que teve sua premiere no 67º Festival de Berlim no mesmo ano de lançamento, “Chega de Saudade” (2007), com coprodução francesa e “As Melhores Coisas do Mundo” (2010), além de documentários para cinema e televisão como “Cine Mambembe, o cinema descobre o Brasil” (1999), e “Mulheres Olímpicas”, para o canal ESPN.
Filha do cineasta Jorge Bodanzky, que realizou produções como “Iracema - Uma Transa Amazônica” (1981) e “Os Mucker” (1979), Laís cresceu em estúdios e sets de gravação, se formando em Cinema pela FAAP.
A diretora mantém um projeto social, chamado “Tela Brasil”, que fomenta o cinema em regiões periféricas de todo o Brasil, exibindo filmes e levando a população para salas de cinema.
Palestra dia 29/01
Horário: 19h
Local: Rua Teodoro Sampaio, 1121 - Pinheiros, São Paulo
Entrada gratuita
Link para inscrição: https://goo.gl/forms/RCRQbjwqV4FINt7i1
Debora Ivanov
Primeira mulher a presidir a Ancine (Agência Nacional de Cinema), Ivanov tem como uma das suas principais pautas em frente de trabalhos, a atuação das mulheres no audiovisual brasileiro, determinando o aumento dessa atuação como uma das principais metas do seu trabalho.
Mas não para por aí! Ivanov já atuou do outro lado também. A produtora tem uma lista de mais de 60 produções cinematográficas, incluindo curtas, longas, telefilmes e séries para televisão que renderam para a cineasta mais de 200 prêmios em festivais nacionais e internacionais importantes da indústria e conquistando as maiores bilheterias do cinema brasileiro, entre 2012 e 2014.
Sua filmografia inclui os longas: “Que Horas Ela Volta?” (2015), “Até Que a Sorte Nos Separe” (2012), “Até Que a Sorte Nos Separe 2” (2013), “Uma História de Amor e Fúria” (2012), “Amazônia” (2013), “Terra Vermelha” (2008) e “O Lobo Atrás da Porta” (2013).
Nos anos 2000, Ivanov se filiou a Gullane Entretenimento, produtora responsável por diversos títulos do cinema brasileiro, além de ser membro do Conselho Consultivo da SPCine, empresa pública de cinema e também foi indicada como titular ao Conselho Superior do Cinema, atuando no Comitê Gestor do Fundo Setorial do Audiovisual.
Palestra dia 25/01
Horário: 18h
Local: Rua Teodoro Sampaio, 1121 - Pinheiros, São Paulo
Entrada gratuita
Link para inscrição: https://goo.gl/forms/cPBjdVYKUf3RQepq2
Blog - Instituto de Cinema - Saiba mais sobre o processo criativo do terror psicológico "O Segredo de Davi"
Matéria Completa
O longa “O Segredo de Davi”, que estreou no mês passado em todo o país, conta a história de um estudante de cinema, chamado Davi, interpretado por Nicolas Prattes, que tem problemas de sociabilidade e é muito tímido. Com um passado sombrio, o protagonista esconde um segredo ainda mais sombrio: voyeur e psicopata, o garoto filma enquanto assassina vítimas, escolhidas a dedo e relacionadas ao seu passado, ficando famoso na Internet por isso.
Entenda mais sobre o processo de criação, inspiração e execução do longa em entrevista com o diretor Diego Freitas:
Conte um pouco sobre o filme
O “Segredo de Davi” é sobre um menino que se descobre serial killer quando ele está prestes a fazer 21 anos. Ele estuda Cinema, e aí ele acaba gravando as vítimas e fica famoso com isso. O filme guarda muitas surpresas, mas é um suspense psicológico, com toques de terror, drama, é um filme muito focado no protagonista e como sua mente vai se deteriorando aos poucos. A gente vê o que ele vê.
Fonte de inspiração
Minha principal fonte de inspiração na verdade sou eu mesmo. Porque o filme tem muito da minha história de vida, apesar de, claro, eu não ter matado ninguém. Eu acho que o seu primeiro filme tem sempre muito do que você quer dizer pras pessoas, então eu parti das coisas que eu vivi para fazer um longa de fantasia. Eu trago muito pras pessoas esse realismo fantástico, então ele brinca muito com metáforas, e eu deixo com que o público conclua sobre o tema e as mensagens que a gente quer passar.
Então sobre influências externas, eu tenho muito dos diretores que fizeram parte da minha formação, eu assistia esses diretores quando eu tinha lá para os meus 13 ou 14 anos de idade. Dentre eles o Darren Aronofsky que fez um filme da época chamado Pi e Um Réquiem para um Sonho e depois fez Cisne Negro, que são filmes que eu adoro, foram muito importantes em termos de referência.
Também tem um pouco do Guillermo Del Toro, na questão de fazer alguma coisa de fantasia, de fazer uma luz que não é 100% realista mas que é muito bonita, uma luz muito estética. Uma direção de arte também um pouco mais agressiva e não tão realista. Mas também tive inspirações em filmes como “It Follows”, em português “Corrente do Mal”, que é mais recente, teve também o “Babadook”, que também é um pouco mais recente, teve também o “O Sexto Sentido” e os filmes do Night Shyamalan no geral. “Clube da luta” também lembro que nos inspiramos bastante.
Obviamente que sempre vai ter o Hitchcock, com “Psicose”, porque não tem como falar de um menino psicótico sem se voltar para os clássicos, também “O Iluminado” do Kubrick, quando você fala sobre um cara perturbado e que vê coisas. Não tem como, eles são as nossas bases.
Mas não necessariamente são inspirações de filmes norte-americanos, temos também o “Goodnight Mommy”, em português “Boa Noite, Mamãe”, que inspirou bastante a gente e que é um filme austríaco.
Processo de pré-produção, produção e pós-produção
Eu tinha essa ideia de “O Segredo de Davi” desde que eu tinha 18 anos de idade. Eu não sabia ainda que seria cineasta, na verdade eu queria ser desde os 13 anos, mas eu fazia todo tipo de vídeo e eu mesmo editava minhas produções. Os anos foram passando, eu fui pegando experiência, comecei a fazer produções um pouco maiores e eu nunca tinha tirado da minha cabeça que esse seria meu primeiro filme.
Ai em 2013, eu ganhei uma viagem para Los Angeles para fazer um Workshop com o Sebrae, visitando várias produtoras. E lá eu estava em um grupo de um galera que trabalhava mesmo com cinema, distribuidores, produtores etc e ali eu pensei “Bom, é agora que eu tenho que falar sobre fazer um filme, porque se eu não falar agora, não vou falar nunca mais”. E aí eu fiz um pitching para a galera e um produtor se interessou e disse para eu voltar, escrever o roteiro, que tentaríamos tirar do papel.
E aí escrevi tudo as pressas e eu nunca tinha feito um roteiro antes na minha vida porque eu sempre tinha trabalhado com set de filmagem e pós-produção. O pessoal da produtora gostou e passou para uma distribuidora que também gostou e esse primeiro roteiro nós inscrevemos no fundo setorial e ganhamos, foi tudo muito rápido. Esse primeiro tratamento foi até um pouco antes das filmagens, só fizemos outros um pouquinho antes do início das gravações que ai que você senta e vê o quanto você tem de dinheiro e o quanto que realmente dá para fazer. Nesse momento é o que você corta fora 20 páginas do roteiro, porque não tem como fazer tudo.
Obviamente que, quando entram também outras pessoas no projeto: o fotógrafo, diretor de arte etc, as pessoas vêm com suas próprias visões e questionamentos sobre o que está sendo feito ali. Então você fica muito mais chato em todas as suas decisões, muita coisa foi alterada por influência da minha equipe, o que é muito bom! As pessoas se apropriam do projeto muito mais, e ai o filme vira o sonho de todo mundo, não só meu.
Mas no meio desse caminho todo, quando conseguimos metade do orçamento, eu ainda rodei um teaser do filme. Peguei todo o dinheiro que eu tinha, uns R$ 15.000,00, e a gente bancou, eu e meu sócio, de fazer três minutos de filme, pra eu poder mostrar pra distribuidora que eu tinha condições de fazer o filme inteiro, artisticamente falando, como diretor. Isso foi um exercício para mim e por causa desse teaser que conseguimos financiar o resto do filme também, ganhamos mais um edital.
Mas é um trabalho duro, que durou mais ou menos 5 anos até ele estar completamente pronto, foram mais ou menos 2 anos até fazer o teaser e depois disso rodamos o terceiro ano e um ano para finalizar e um ano para lançar.
Sua trajetória no cinema
O cinema no Brasil ele era feito, em sua grande maioria, por pessoas que nasceram ricas, falando bem a real. Ou você se formava na FAAP, que é um curso que poucos têm condição, ou você se formava na USP e para você passar na USP você precisava ser rico também, você precisava ter estudado em escola particular. O que não era meu caso, porque vim de uma família pobre e estudei em escola pública minha vida inteira. Eu nem prestei USP porque eu acreditava que eu não teria capacidade para passar.
Então fazer um longa-metragem sempre foi uma coisa muito distante pra mim, muito difícil de acontecer. Até que quando eu fiz 18 anos, eu saí de Mairiporã e vim para a cidade grande, São Paulo e aí eu mergulhei completamente na área. Sempre fui fazendo uma coisa aqui e ali no audiovisual. Aos poucos eu pensei que o único jeito de eu me tornar diretor, era eu fazer meus próprios curtas, do jeito que eu conseguisse fazer. Pegava câmera emprestada de amigo, eu tinha um computadorzinho que eu editava meus próprios curtas e fui exercitando.
Comecei a tentar participar de concursos. Eu lembro que quando eu tinha 17 anos, eu participei de um do site Omelete, que a proposta era “Se a Petrobras fosse um filme, como seria o trailer?” e quem ganhasse, ganharia uma câmera full hd, então o Brasil inteiro participando, e eu acabei ganhando esse concurso e a câmera e foi ela que utilizei para os curtas depois. Então foi muito step by step sabe? Sem conhecer ninguém, completamente outsider assim.
Consegui uma bolsa de estudos na faculdade e fui cursar Rádio e TV. Foi bem passo à passo, fui conhecendo pessoas área e fui fazendo vários freelas, trabalhando de dia, estudando a noite e editando de madrugada e ai um amigo meu que trabalhava na área financeira de um banco, me perguntou se eu não gostaria de um sócio e assim abrimos nossa própria produtora para fazer alguns vídeos. E ai surgi com a ideia de fazer um longa e ele topou e assim eu consegui essa viagem para Los Angeles e esse meu sócio que bancou minha passagem. A partir daí tudo foi se desenrolando.
Nesse meio tempo eu fiz um curta, chamado “Sal”, que foi muito premiado e rodou muito por aí. Foi uma produção completamente independente e custou apenas R$ 2.000,00, feito por mim e por alguns amigos.
Hoje em dia nós temos uma vantagem porque temos acesso a equipamentos técnicos por um preço muito mais em conta. Antigamente não conseguiamos fazer filme igual fazemos hoje. Atualmente você pode pegar seu celular e gravar um curta incrível e concorrer ao Festival de Cannes sabe, nada te impede mais.
Se eu pudesse deixar alguma dica seria isso. Façam seus próprios filmes, minha história foi essa, eu fui fazendo meus filmes até que alguém parou e olhou algum deles e acreditou em mim.
Qual você acha que tem sido a recepção de produções do gênero terror/suspense pelas produtoras brasileiras?
Acho que atualmente estamos em um dos melhores momentos para esse gênero. Se você parar para ver, só esse ano, já foram lançados cerca de oito longas de suspense/terror nos cinemas, como lançamento comercial, o que é inédito.
“O Segredo de Davi”, por exemplo, foi lançado em cerca de 80 salas, que já é considerado um lançamento médio, não é pequeno, então as pessoas acreditarem nisso, as produtoras acreditarem nisso, isso evidencia uma demando do público, porque o público quer mais opções.
Hoje você chega na sua e tem um Netflix, por exemplo, com filmes do mundo inteiro, incríveis e várias opções, então todo mundo tem acesso a tudo. Se o próprio mercado não se mexer e entregar mais opções para as pessoas, a gente vai entrar numa crise total.
Acho que o cinema que se fazia no país antes, na minha cabeça, se dividia em duas coisas: a primeira é um cinema completamente comercial, e as comédias são o maior expoente disso, que é feito para divertir, entreter as massas, tem uma linguagem mais simples e que tem conflitos mais simples também, lembrando que tudo bem eles existirem, mas então você ia para o extremo oposto, para um cinema completamente intelectual, hermético, de realizadores, sempre com uma proposta social ou de experimentação, que também é ótimo e tem que existir.
Mas vocês concordam que tem um limbo aqui no meio? Enorme e que não era preenchido? Cadê o filme que pode ser mais comercial, que pode atingir as pessoas, mas que também tem profundidade, também tem camadas, também tenha crítica social. Um meio termo.
Então a gente começou a olhar para esse meio termo nos últimos anos. Vários filmes que foram lançados, miraram nisso. O último filme de sucesso que foi lançado, acho que foi o Bingo, de Daniel Rezende, que na minha opinião é um filme super divertido e interessante, mas que ao mesmo tempo tem um material artístico muito mais rico que a grande maioria.
Acho que é realmente uma necessidade de mercado mesmo e fazer filmes de gêneros diferentes tem a ver com esse limbo. “O Segredo de Davi”, por exemplo, não é um filme fácil, mas não é também um filme difícil demais. É só você prestar atenção que ele te responde tudo que você quer ouvir! Acho que tem a ver com essa galera que também assiste muita série, hoje em dia. Esse tipo de filme vai ser cada vez mais produzido no Brasil, e eu fico muito feliz de fazer parte dessa nova turma que está fazendo filme e que está pensando diferente.
Esse foi um gênero que sempre te atraiu?
Sim, sempre gostei de gêneros fantásticos, mas eu sempre gostei um pouco de tudo. “O Segredo de Davi”, por exemplo, não tem um gênero só. Ele tem essa capa de suspense, mas você tem momentos dramáticos muito fortes, um pouquinho de romance, você tem o terror, um gore, tem um monte de coisa dentro do filme.
Eu gosto de cinema, na verdade. Então eu tenho vontade de explorar outros gêneros, tenho muita vontade de fazer filmes de ação, por exemplo. Com muita perseguição.
E antigamente era muito difícil você sonhar com isso no Brasil, porque não tinha espaço, e eu acredito que hoje tem espaço sim! Eu consegui fazer um filme de suspense, maluquíssimo e que tem várias ideias fora da caixinha.
O que foi muito legal é que “O Segredo de Davi” foi comprado pela TV aberta e a TV fechada, então vai ser interessante as pessoas terem uma experiência através de outras janelas. Além disso, a experiência com o cinema ser relativamente cara, já que você tem o transporte até o lugar, o próprio ingresso que hoje em dia fica em torno de R$ 35,00.
Apesar disso, eu acredito que ir ao cinema é um ritual que temos que manter, porque, por exemplo, modéstia a parte, o “Segredo de Davi” é um filme que tem uma estética muito bem feita, tem um trabalho de cor, colorização, que demorou 3 meses para ser feito, o que é uma coisa raríssima aqui no Brasil. Então tudo foi feito com muito cuidado e muito afeto, justamente para ver numa tela grande, porque se você ver isso no seu monitor, você não consegue ver todos esses detalhes.
Além disso, acredito que a experiência coletiva de estar vendo tudo ali no cinema é muito importante.
Dica para quem está começando agora no audiovisual
Eu tenho 28 anos de idade e tenho uma história de cerca de 15 anos no audiovisual, e eu estou conseguindo fazer meu primeiro longa depois de praticamente 10 anos de carreira. Então meu conselho é ter muita paciência e persistência. Se você continuar dando murro na ponta de faca, uma hora vai dar certo! Sou muito confiante nisso, no trabalho árduo.
Também acho que fazer portfólio é essencial, você só consegue mostrar seu valor para alguém quando você mostra o que você fez, sabe? É muito mais do que só papo. Acho que a galera fica muito mais no mundo da imaginação e da teoria e não senta a bunda, pega um iPhone e faz um filme. Edita e põe nos festivais para ver o que acontece.
Quando você está mostrando alguma coisa, você está mostrando um pouquinho de você também, de tudo que você já estudou, de tudo que você é, e alguém pode se identificar com aquilo.
Porque o cinema é uma obra coletiva, você não vai fazer nada sozinho, então eu acho que talvez o maior trabalho do cinema seja você conseguir convencer as pessoas. Tive que convencer tantas pessoas para fazer “O Segredo de Davi” que você não imaginaria, desde o cara da produtora, o cara da distribuidora, o cara da Ancine, o cara do edital, os atores. Aí depois que você faz o filme inteiro, você tem que convencer o exibidor a exibir seu filme. É um processo de convencimento e você só consegue ter sucesso quando você tem material e completa certeza do que você está fazendo e do que você está falando.
Então “O Segredo de Davi” é um filme que estudei muito para fazer, o roteiro foi muito bem pensado, durante anos. Qualquer vírgula daquele roteiro, eu sabia responder. Eu tentei tirar o máximo que eu pude, tentei passar segurança para as pessoas, e segurança de como eu ia realizar também, eu tinha um plano muito material e realista. Então eu falava “Vai ser feito dessa forma, vai precisar dessa grana e o dinheiro vai vir desse lugar”. É isso que as pessoas querem ouvir, na verdade.
Como e onde foram feitas as gravações?
Todas as gravações foram feitas aqui no Brasil. Metade delas forma em estúdio, o que foi uma audácia, porque a gente não tinha dinheiro para fazer cenário, mas a gente pensou que era necessário, porque se não, não seria possível trazer a estética que a gente queria. Porque as locações não existiam, então tivemos que construir mesmo os apartamentos do filme. Também conseguimos apoio da Universidade Anhembi Morumbi, que emprestou o estúdio para a produção durante um mês. Com isso, conseguimos pegar um real dali, outro de outro lugar, conseguir apoio de outras empresas e fizemos o cenário.
Foi uma luta também! O filme custou 1 milhão e 600 mil reais, o que, no momento, é o maior dinheiro que já tive para fazer qualquer coisa na minha vida, mas ai quando você vai fazer o filme, você vê que não dá. É muito maluco isso. Mas se formos analisar, um filme como o “Boas Maneiras” custou muito mais do que isso. Então a gente entrega uma qualidade muito alta, porque a gente fez questão de cada centavo estar na tela, não estar em coisas que não reflitam no filme.
Muitas coisa foram feitas de forma artesanal também. Produzimos muitos efeitos especiais, que são efeitos difíceis, temos por exemplo um personagem inteiro feito em animação gráfica. Aí eu descobri um menino no YouTube, que morava no interior de São Paulo e trabalhava numa fábrica de pijamas e nas horas vagas ele fazia efeitos visuais. A gente se conheceu quando eu tinha 17 anos de idade, eu fazia meus vídeos e ele os dele na fábrica de pijamas. Ele pegou a família e a mala, se mudou para São Paulo, para fazermos “O Segredo de Davi” juntos. Ficamos 2 anos sentados em casa, fazendo os efeitos especiais do longa.
Então temos que descobrir os talentos, descobrir as pessoas, porque como eu falei, é uma obra coletiva, então todo mundo ali era importante. Era o primeiro filme de um monte de gente da equipe.
Comente um pouco sobre a escolha de atores
O mais difícil foi achar o Davi, que está literalmente no filme inteiro, você pode perceber que ele está em quase todas as cenas e não tem outro ponto de vista sem ser o dele. O filme iria desmoronar se eu achasse um ator ruim. Fizemos milhões de testes, testamos centenas de atores, todos parecidos com o escolhido, Nicolas Prattes, mas eu não achava o ator.
Eu comparo muito com “Cisne Negro”, vocês já assistiram? Porque no filme, a atriz precisava ser a cisne negro e a cisne branca, ela precisava ter o lado da inocência e o lado maldoso, e o Davi precisava ser exatamente a mesma coisa. Ele é um psicopata mas ele é um garoto bonzinho que você tem empatia por ele. Então como achar essa pessoa?
Faltavam três meses para as gravações e eu ainda não tinha o Davi. Foi desesperador. E aí eu liguei a televisão e vi uma novela que esse menino estava fazendo, e eu nunca tinha visto ele antes na minha vida e fiquei completamente enlouquecido por ele. Eu consegui falar com a família dele, pulei o empresário, pulei tudo, porque eu não podia perder ele.
Antes de mais nada eu queria que ele lesse o meu roteiro e assistisse o teaser, e ele viu e gostou. Depois disso marcamos um almoço no Rio de Janeiro e eu disse que ele estava contratado e acabou. Não fiz teste de nada. Cheguei em São Paulo, chamei os produtores e falei “Seguinte, achei o Davi e vai ser esse menino”. Aí eles me perguntaram se eu tinha feito teste ou alguma coisa e eu disse que não fiz nada mas que eu sentia que era ele e que se eles tinham confiado em mim até agora, tinham que confiar até o final.
Foi assim que aconteceu e foi a melhor escolha que eu poderia ter feito. Ele tem uma atuação no filme arrebatadora, na minha opinião. O Davi é um papel muito difícil, acho que depois que ele fez isso, ele faz qualquer coisa.
Como foi o processo de ensaios e de direção de atores?
Foi um trabalho de ensaio gigantesco. Ficávamos oito horas por dia, todos os dias, exaustivamente. E o ator confiou completamente em mim, no que eu iria fazer, foi meio “O que você falar, eu vou fazer” e pronto. Uma relação muito simbiótica, de eu me misturar com ele e fazermos uma coisa só.
O que chegou primeiro na minha vida foi a pós-produção, comecei com a montagem, depois fui para filmar, fui conhecer equipamentos, fazer fotografia e depois disso comecei a trabalhar com pessoas, trabalhar com atores, que é muito diferente. Com um fotógrafo, você fala termos técnicos, é uma direção objetiva, já com os atores não, eu não posso falar assim. Então eu tive que voltar para a minha humanidade, para minha coisa menos técnica.
O curta “Sal”, que foi um filme bem menos pretensioso que “O Segredo de Davi”. foi muito importante para isso. Se trata de, basicamente, dois atores em uma sala, conversando, e é só isso. No curta, eu tive que encontrar maneiras de fazer esses atores, atuarem muito bem, porque só tinham eles, não tinha mais nada, não tinha subterfúgio. A primeira coisa que eu aprendi é que você precisa de bons atores, porque, no final das contas, você não ensina ninguém a atuar, isso é uma lenda. Assim como você não pode contratar um diretor de fotografia e ensinar ele a filmar. Ele tem que ser melhor que você nisso.
Na verdade, o trabalho de diretor é um trabalho de feedback, indicando o melhor caminho para uma produção. Você indica para os atores algumas direções mas o talento e o brilho são deles e sempre foram, no “Sal” eu descobri isso e fiquei muito mais tranquilo. Quando você tem noção do que você está fazendo, você sabe o subtexto da sua cena, quando você sabe exatamente o que você quer, se o ator for bom, ele vai chegar ao que você quer. Seu trabalho se torna basicamente não estragar o que o ator está fazendo.
Eu descobri um método nos ensaios, que eu usei em “O Segredo de Davi”, que fez muita diferença e é o jeito que eu gosto de trabalhar, que é filmar os ensaios. Tudo é filmado. Eu filmava quarenta vezes e depois assistia e ajustava milimetricamente cada sobrancelha que ele levantava ou uma entonação que eu não gostava.
Chegou no final, a gente já tinha filmado tudo milhões de vezes com o Nicolas e ele já sabia tudo, ele já tinha chegado no que eu queria. Então quando chegou na hora da filmagem mesmo, a gente só repetia.
Claro que não são todos os atores que trabalham dessa forma, porque tem alguns diretores que não acreditam em ensaios. Eles dizem que tem uma magia que vem na hora do set e que você não emula antes, mas eu não concordo, porque isso nunca aconteceu comigo. Toda vez que eu estava preparado e já tinha feito aquilo antes, na hora ficava melhor ainda, a magia vinha e vinha com toda uma segurança de que éramos capazes de fazer aquilo.
Não era uma surpresa, até porque o ator tem que repetir. Se o cara está aqui, lindo e maravilhoso, chorando, gênio, eu vou fazer mais cinco planos. Então você precisa estar lindo e maravilhoso chorando, cinco vezes iguais. Essa coisa de estar na hora e brilhar, eu acho uma baboseira. Até porque o ator tem que ter técnica, como o fotógrafo também tem que ter técnica.
Obviamente que esse é meu ponto de vista, pela minha experiência. Eu sei que quando você trabalha com não atores, como eu já trabalhei algumas vezes, é diferente. Você vai trazer muito mais para o físico e o emocional, então você vai fazer o cara ficar com raiva de verdade, tudo é muito de verdade. É uma proposta, é um tipo de cinema. O meu tipo de cinema é muito mais linear, nada é feito à toa, a movimentação do personagem é completamente ensaiada. Foi tudo muito bem pensado.
Então se você odiar o filme, você vai me odiar mesmo, porque tudo aquilo ali foi pensado, foi planejado e se você odiou, é porque você odeia meu cinema. Já que é a para fazer o primeiro, faça do jeito que você acredita, não é?
Joguinho
Filme favorito? Matrix
Filme brasileiro favorito? Cidade de Deus
Trilogia imperdível? Matrix
Documentário fundamental? Cabra Marcado para Morrer
Filme que você mais assistiu? Matrix e Titanic
Filme subestimado? Cloud Atlas, em português “A Viagem”
Filme que te deixa triste? Eu, Daniel Blake
Musical favorito? Dançando na Chuva
Diretor ou diretora favorito? Lana Wachowski
Atriz favorita? Fernanda Montenegro
Ator favorito? Wagner Moura