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@gnsantos
Hilário (de)pendura as luvas
Hilário, guarda-redes de razoáveis recursos, anunciou hoje que iria colocar um ponto final da carreira, passando a integrar a estrutura de treinadores do Chelsea.
Hilário, guarda-redes de razoáveis recursos, é o exemplo de como os contos de fada, afinal, ainda acontecem, pelo menos de vez em quando.
O guarda-redes começou no Porto, clube no qual ainda fez 40 jogos. Um deles ficou na memória dos adeptos do FÊCÊPÊ (e não pelas melhores razões): - Manchester United 4 Porto 0.
A partir dessa quarta-feira negra de Manchester, a cada intervenção do Hilário, guarda-redes de razoáveis recursos, os indefectíveis torcedores nortenhos não conseguiam evitar um certo mal-estar.
Traçado o destino, Hilário lá foi fazer pela vida em clubes mais adequados aos seus razoáveis recursos. Foi emprestado ao Estrela da Amadora, ao Varzim e à Académica, tendo sido quase sempre titular. Nunca foi rapaz de grandes "frangos". Mas mesmo puxando pela memória, não me recordo de grandes exibições.
Seja como for, o guarda-redes Hilário desaguou, uma bela tarde, na Madeira, para representar o Nacional. Entre 2003 e 2006 alternou a titularidade com o banco frio da Choupana e conquistou os adeptos mais pela simpatia e pela boa educação, do que pela qualidade indiscutível.
E andava assim, a vida de Hilário, guarda-redes de razoáveis recursos, quando um dia o telefone tocou. Do outro lado da linha estava José Mourinho, treinador do Chelsea, imagine-se, que queria contratar o nosso herói.
Hilário não deve ter pensado duas vezes. Fechou a mala e abalou para Londres, mais incredulo do que esperançoso.
Tendo por destino ser terceiro guarda-redes, Hilário lá começou a fazer o seu trabalho, discretamente. E eis quando, de uma assentada, Peter Cech racha a cabeça a meio e fica fora de jogo durante uma época. No mesmo jogo, Carlo Cudicini, o italiano suplente, sai com uma máscara de oxigênio no nariz e diz adeus à temporada.
Tudo isto aconteceu no campo do Reading. Corria o dia 14 de Outubro de 2006.
Na quarta-feira seguinte, o nosso amigo Hilário, guarda-redes de razoáveis recursos, apareceu em campo contra o Barcelona, num jogo a contar para a Liga dos Campeões.
O certo é que entre 2006 e 2014, Hilário, guarda-redes de razoáveis recursos, fez apenas 30 jogos no gigante inglês, a maioria deles na referida época de 2006-07, quando se assumiu como titular, devido às cabeças rachadas de Cech e Cudicini. De qualquer maneira, foi campeão inglês, campeão europeu, ganhou taças e viveu feliz no melhor bairro da capital inglesa.
Viveu, resumidamente, o seu conto de fadas.
Conversas da treta
Os jogadores de futebol serão, certamente, os profissionais para quem essas coisas de contratos e coisa e tal contam menos. A rapaziada bota a sua assinatura num papel e depois, logo se vê. Se aparecer um papel melhor para assinar, seja em que língua for, bastará mostrar-se insatisfeito com o acordo feito - por vezes, meses antes - mandar umas bocas sobre a ambição de ganhar troféus ou dizer outras atoardas semelhantes e sentir-se no direito de partir pra outra, esquecendo as juras de amor feitas entretanto.
Ontem, o benfiquista Enzo Perez chegou para, imagine-se, conversar com o Benfica que, para todos os efeitos, é a sua entidade patronal.
Eu gosto muito do clube, arengou o bom do Enzo, mas vamos falar para ver o que acontecerá, acrescentou.
Não, meu caro Enzo, vossa excelência não tem de falar com o Benfica. Vossa excelência tem é de equipar-se e jogar à bola, que é para isso que, principescamente, lhe pagam. Ainda por cima, vossa excelência renovou o contrato antes de ser autenticamente repescado para o Campeonato do Mundo, ou seja, em Maio. Passaram, apenas, dois meses, por isso, não me parece que haja alguma coisa sobre o que falar para além, obviamente, do tempo e das agruras de uma final perdida.
Estou longe de ter quaisquer simpatias pelo Benfica, mas chateia-me que, anualmente, haja esta procissão de choradinhos e conversas para forçar renovações de contratos assinados meses antes, saídas para clubes maiores ou que pagam mais - nem que seja no campeonato do Uzebequistão - e mais cenas deprimentes que, ainda por cima, prejudicam sempre os clubes mais pequenos ou de ligas mais periféricas, prejudicando claramente a competitividade desses clubes ou desses campeonatos.
Se eu fosse dirigente, garanto que não conversava com atletas meus que tivessem contrato. No máximo, mandava-os fazer uns joguinhos na equipa B, nos belos campos da segunda liga, para que eles refrescassem as ideias e perdessem a vontade de conversar.
Sinta-se no "pelotão".
Bora começar de novo!
Oblak, Markovic, Garay, possivelmente Enzo Perez, possivelmente Maxi Pereira, muito possivelmente Rodrigo e Salvio... O Benfica está a encarregar-se, apressadamente, de destruir a melhor equipa portuguesa desde o Porto campeão europeu de Mourinho.
Era previsível. O esforço financeiro tinha de acabar um dia, dando lugar ao “realismo a la Sporting”, bem mais condizente com aquilo que vale o negócio da bola lusa e até com a verdade do país.
Só não entendo vendas a preço de saldo. Garay foi “leiloado” por inacreditáveis seis milhões de euros - o preço médio de um “cepo” da liga inglesa -, Markovic, possivelmente um dos mais promissores médios ofensivos do futebol europeu, mudou-se por 12,5 milhões de euros…
Estes valores mostram uma necessidade urgente de vender e revelam que alguma coisa vai (muito) mal no reino da águia.
Se foi a crise do BES que precipitou as vendas (como defendeu o comentador portista Guilherme Aguiar) ou se é outra coisa qualquer, o que é certo é que a próxima época promete não trazer as facilidades da ultima, lá para os lados de Carnide.
Era bom que Luis Filipe Vieira explicasse o que se passa, diria eu, se fosse do Benfica…
A coragem de seguir em frente ("Doctor, where is my bike?")
Tiago Machado seguia em terceiro lugar da geral na Volta à França. Na etapa de hoje caiu, magoou-se. Foi colocado dentro de uma ambulância mas levantou-se, procurou a bicicleta e continuou a pedalar.
Muito magoado, subiu e desceu eternos 100 quilómetros, chegou em ultimo, fora de tempo, mas devido ao esforço a organização decidiu repescá-lo. Levou pontos no braço e quarta-feira estará na partida porque, como disse, “o importante foi continuar em prova”.
A coragem de continuar quando apetece parar, quanto a racionalidade manda parar, define o carácter, definindo assim a vitoria. O ciclista luso, último a chegar, foi paradoxalmente o vencedor de uma das mais duras tiradas do Tour.
Messi what?!!!
James e Robben foram muito melhores do que Messi. O primeiro guiou uma Colômbia a quem só o medo e a inexperiência traíram, frente a um Brasil que não lhe era superior (como de resto se viu).
Robben foi o melhor de uma Holanda que não sendo brilhante em termos individuais, apresentou um colectivo que não perdeu um jogo, tendo sido eliminada por Romero, guarda-redes argentino, no desempate por grandes penalidades.
Ochoa, o espectacular "portero" mexicano, que defendeu tudo aquilo que era manifestamente possível, e Navas, guarda-redes e novo herói nacional da Costa Rica foram muito melhores do que Messi.
Muller, frio avançado alemão, foi muito melhor do que Messi. Hummels, central germânico com um nome que remete para a imagem de um todo-o-terreno, foi o melhor defesa do Mundial. Neuer, o homem que defendeu a baliza dos novos campeões confirmou, com as suas saídas destemidas, ser um dos grandes na sua posição.
Di Maria, médio argentino foi, tal como os seus companheiros Macherano e Romero, maior do que Messi.
Porque razão a "pulga" ganhou o prémio para o melhor jogador do Campeonato do Mundo?
Quando irá a FIFA entender que vai dar cabo do popular "jogo da bola" ao assumir, sempre, tomadas de decisão que vão contra aquilo que sentem os adeptos, tomadas de decisão essas que defendem exclusivamente o interesse de (alguns) patrocinadores?
De Goikoetxea a Romero
Alguém recorda ainda Sérgio Goikoetxea? O homem foi guarda-redes e, de forma razoavelmente competente, defendeu a baliza argentina no Mundial de Itália, em 1990.
Durante a competição, o bom do Sérgio destacou-se por defender pénaltis.
Nos quartos de final, a Argentina discutiu a passagem com a Jugoslávia (o mundo mudou tanto!). O “portero” azul-celeste defendeu um dos tiros dos homens do leste europeu, que contavam com gente como Ivkovic, guarda-redes do Sporting, como o genial Stojkovic, como Prosinecki, Suker, Savicevic… Rapazes que hoje dariam certamente muito que falar.
Nas meias finais, a armada do pais do tango, que ostentava o título de campeã do mundo, ganho por Maradona em 1986, defrontou a Itália, dona da casa onde se jogava e que tinha Baresi, Maldini, “Toto” Schillaci, o herói improvável, Donadoni, Vialli, Baggio, Mancini… Uma constelação de estrelas que parecia intransponível. Pois bem, após ter contribuído para segurar um empate a um, Goikoetxea parou os pénaltis de Donadoni e de Aldo Serena e levou, ao colo, a Argentina de Caniggia e de “meio” Maradona a uma final na qual teve como adversário, imagine-se, a República Federal da Alemanha (o mundo começava a mudar naquele tempo).
Hoje, Romero imitou Goikoetxea, 24 anos depois. Conseguirá agora ajudar a que a final tenha um resultado diferente daquele registado em 1990?
É bom lembrar que nesse Campeonato do Mundo, a Alemanha venceu no jogo decisivo por 1-0 com um golo de Brehme marcado, adivinhe-se, de pénalti.
11 "freds"
Num dos melhores cartoons que vi sobre o Brasil-Alemanha (a tragédia de Minas), via-se uma formação "canarinha" com 11 "freds". A legenda era a óbvia: - "Hoje, o Brasil jogou com 11 freds".
De facto, o ponta de lança que Luís Filipe Scolari escolheu para jogar este Campeonato do Mundo é, talvez, o exemplo mais representativo das consequências da excessiva "europeização" do futebol brasileiro.
O homem se calhar não é mau. Mas não encaixa ali, pronto. Nada, naquela seleção do Brasil, encaixava com nada. Não havia uma ponta de talento solto. Não havia improviso, não havia imaginação, não havia nada para além de uma ridícula tentativa de imitar o jogo europeu.
O Fred não tem culpa. Não foi o Fred quem pediu para vestir aquela camisola. Mas o Fred é o exemplo daquilo que não é o jogador brasileiro. Se calhar, era excelente em qualquer outra seleção. Não ali. Se calhar, a tática de Scolari funcionava em muitos sítios. Não ali.
Na verdade, ontem o Brasil jogou efectivamente com 11 "freds"