Aletheia Nótt Dalgaard; 19 years. — You're calculated, I got your number 'Cause you're a joker. And I'm a courtside killer q · u · e · e · n, And you will kiss the ring, You best believe ··
Era como se Vênus tivesse bebido muito café, ou cheirado cocaína, estava agitada, os olhos estavam arregalados e tudo o que ela falasse provavelmente sairia muito rápido. O fato de Alatheia estar acordada fez Vênus suspirar de alívio, os barulhos dentro do quarto eram poucos mas ela sabia o que viria a seguir, e assim que a porta foi aberta ela entrou rapidamente, com os braços cruzados e a expressão sombria. “Eu acho que estou enlouquecendo.” ela repetiu rapidamente, dando alguns passos para trás para se sentar na cama da loira, precisando de algum conforto. “Eu não sei se eu estou bem, é uma coisa muito estranha, não sei o que aconteceu, foi Forsaken. Eu devo ter sido enfeitiçada.” concluiu, ainda abraçando a si mesma e olhando a loira com certa esperança. Esperava que ela pudesse ajudá-la, esperava ouvir que estava tudo bem e que isso passaria, mas não sentia que iria passar. Vênus estava preocupada com Theia e com a gravidez, estava preocupada se Hadrían um dia a perdoaria pelo soco, e estava preocupada com Naseem e como sua loucura podia afetar a amizade com a garota. “Eu estou obcecada. Lembra a Naseem? Ela foi pra Forsaken, né? E eu fiquei louca atrás dela, algo muito estranho aconteceu, eu precisava dela e precisava achá-la, mas quando achei eu… ela… Ela estava diferente. Mais bonita, mais sensual, mais atraente, e tinha um cheiro maravilhoso, e o sorriso… Ah, aquele sorriso.” ela se permitiu pensar um pouco no assunto antes de retomar. “Mas então, eu não sei o que aconteceu, desde então não deixo de pensar nela, nós sempre fomos amigas e brincamos de nos provocar, mas nunca foi como você, sabe? Nós nunca havíamos nos beijado. Mas aconteceu, no baile, ela me provocou e eu cedi, e eu to com medo, e se a nossa amizade acabar? E se eu estiver louca?”
Sua primeira impressão foi de que Vênus precisava de ajuda, talvez até profissional, não podia dizer apenas por olha-la do que se tratava, mas tinha de admitir que o estado da amiga a deixou alarmada o suficiente para trancar a porta e se sentar ao lado da mesma na cama, a face com um semblante de profunda preocupação, este que a cada palavra da outra se tornava mais suave, então era isso? Aletheia imaginava entender exatamente o que a outra estava passando, era bem verdade que se envolvera com uma lista grande de pessoas e que a maioria – para não dizer que todos – não chegavam a arrancar aquele tipo de agitação de si, não desejava ninguém daquela forma, talvez ele, mas ainda assim, conseguia se concentrar em outras coisas quando ele não estava por perto e definitivamente nunca precisara sair de seu quarto no meio da noite para procurar alguém para ajuda-la. A verdade era que a patinha não entendia absolutamente nada relacionado a amor, ainda que se julgasse a maior conhecedora, por amar a mesma pessoa desde que descobrira que aquele tipo de sentimento existia. Confirmou com a cabeça quando a outra explicou que a relação que tinha com Naseem era diferente da que tinham, mas para acalma-la do que para realmente concordar, não entendia como alguém podia provocar outro e conseguir evitar algo tão inevitável quanto um beijo. ——— Eu sinto em te informar, mas isso não é loucura e nem vai se resolver com um anti-encanto ou qualquer coisa do tipo. O frio no quarto era muito menor que no corredor, mas para alguém que até pouco tempo atrás estava debaixo das cobertas, a dona dos fios claros sentia frio, se aproximou mais do corpo da outra, os joelhos flexionados com as pernas cruzadas na famosa posição ‘sentada como indio’. Não tinha certeza se devia abraçar a ruiva, ela parecia que se levantaria e começaria a andar a qualquer momento. ——— Acho que é bem mais simples que isso, embora simples não seja a palavra certa pra usar... Bem, A Naseem não sai da sua cabeça porque você quer estar com ela de novo e de novo, isso é bem normal quando a gente está apaixonada, é o que dizem.
Os fatos recorrentes no baile fizeram com que Vênus não conseguisse mais dormir direito a noite. Já haviam se passado alguns dias e ela continuava pensando em certa morena da mesma maneira obsessiva que ela não entendia, já não sabia mais o que fazer, a ruiva rolava na cama, pensando em como gostaria de estar com Naseem, em como ela era bonita, em como sentia falta de sua presença, e naquele beijo. Pelo Espelho, aquele beijo! Era como provar uma droga e precisar demais. Era horrível e ela não sabia o que era ou como parar, como consequência, desistiu de dormir e ligou seu abajur, ela pensou em ler um livro, ou chegar suas mensagens, mas ao olhar o seu celular eram 02:30 da manhã, ninguém a responderia naquela hora, exceto, é claro, se acordasse alguém. Aquilo a deu uma ideia, e ela sequer se preocupou em tirar seu pijama antes de apagar as luzes e sair porta a fora.
A porta de @goddessxtheia não era muito longe da dela, e embora não fosse permitido transitar pelos corredores na madrugada, ela nunca havia ligado muito pras regras. As batidas na porta foram fortes, na intenção de acordar a garota se fosse necessário, e sua voz saiu baixo para não fazer muito estardalhaço. “Theia? Theia sou eu, eu preciso falar com você. É urgente. Eu acho que… Acho que estou louca.”
Estava sendo uma daquelas noites em que Aletheia não conseguia dormir bem, ainda que conversar com sua mãe tenha feito sair de seu quarto e enfrentar de cabeça erguida as consequências do que havia feito, a jovem ainda não se sentia tão segura quando gostava de se mostrar, a verdade era que a patinha não possuía autoconfiança alguma, havia passado a adolescência imaginando que ser bonita seria o suficiente para se sentir bem, mas agora via que a beleza não era algo tão importante assim. Como se não bastasse esse conflito interno, ainda tinha que levantar a cada hora para ir ao banheiro, qual era o problema com sua bexiga? Consequências e mais consequências. Estava próxima a decisão de ligar para o outro responsável por aquilo, não iria passar uma noite acordada sozinha. Não havia se dado ao trabalho de acender as luzes, apenas a luz da tela do celular iluminava sua face no escuro, a face do latino na tela fizera com que ela girasse os orbes nas orbitas, precisava trocar aquela foto de contato, mas antes que pudesse fazer qualquer outra coisa a batida em sua porta a colocou de pé de um salto.
Não houve a necessidade de se perguntar quem seria, pois, a voz de Vênus era tão familiar que soava como um porto seguro. Correu para destrancar a porta escancarando-a em seguida. O horário tornava o corredor vazio e assim não havia a necessidade de conferir se alguém a veria adentrar no aposento. Esperou que a ruiva passasse pelo portal para que a porta fosse fechada novamente. ——— O que pode ser tão urgente assim? Havia ansiedade em sua indagação ao passo que alivio por não ter chamado o avalor, uma vez que o encontro do três não seria nada interessante. ——— Você está bem? Aconteceu alguma coisa com você, Vee?
Poucas coisas conseguiam arrancar a admiração de Jon, seus eternos questionamentos de como funcionava e como tudo poderia acontecer daquela forma sempre o deixava mais em dúvida do que era aquilo tudo, do que simplesmente parar e admirar, como as outras pessoas faziam. Foi assim que o ballet chamou a sua atenção, primeiro tentou entender o que acontecia, depois, tentou calcular e entender como pessoas podiam ficar tanto tempo sobre as pontas dos pés, mas quando observou a garota de cabelos loiros bem clarinhos, fazer movimentos delicados e bastante cuidadosos, foi que começou a admirar aquela dança. Eram como se fossem feitos de pluma e os movimentos eram feitos apenas para encantar quem os assistia, o que aconteceu com o próprio rapaz. Ergueu o olhar dos pés da garota até a sua face quando escutou sua pergunta. - Não, eu só tava olhando. - Se atreveu em entrar naquela sala e ficar ali mesmo, parado próximo a parede e com os olhos fixos na imagem dela, esperando que ela voltasse a dançar. - Você faz diferente. Não tem aqueles giros e saltos, mas ainda é muito bonito.
Ele só estava olhando, aquilo ecoou em sua mente algumas vezes, parecia que seria observada o tempo todo agora, o que não entendia era o porquê aquilo devia incomodar, afinal, era a patinha quem sempre desejou ser admirada o tempo todo, não era? Deixou que os cantos dos lábios se curvassem para cima, o mais velho possuía feições tranquilas, quase que podia transmitir aquele sentimento a bailarina, não sentia a mesma aura acusatória que vinha experimentando nos demais alunos, talvez os comentários ainda não tivessem chegado aos ouvidos dele e Aletheia gostou da ideia de ser apenas ela por alguns minutos. ——— É muita gentileza a sua. Com toda a confusão em Ethereal eu não ensaio a algumas semanas, se você não tiver nada para fazer pode ficar aqui, comigo? Ajeitou uma fina mecha de cabelo loiro que insistia em se desprender do restante do coque, era incrível como tudo o que vinha fazendo não atingia mais o nível de perfeição de outrora. Estava determinada a não deixar se abalar por isso. Esticou a perna destra a frente do corpo, enquanto inclinou o tronco minimamente em uma reverencia ensaiada, como se estivesse cumprimentando a plateia. Ao retomar a postura ereta as mãos se uniram no alto de sua cabeça, formando um circulo com os braços enquanto se colocava novamente na ponta dos pés, o esforço para tal não era exibido em sua face, essa que exibia um singelo sorriso. ——— Eu sou a Aletheia Dalgaard, pode me chamar só de Theia. E você? Falara antes de executar um giro gracioso e delicado.
Uma das maiores diversões que sentia prazer era de perturbar os outros. Não importava quem era a pessoa que iria sofrer, Astro adorava observar cada reação que vinha como resultado. Para algumas pessoas talvez isso seria estranho e horrível, mas, para ele, o modo tão rápido de como cada indivíduo ficava com raiva, deixava-o alegre. Assim que escutara as tais reclamações da garota, a vontade de rir crescia em cada segundo que se passava. Achava engraçado a maneira como Aletheia ficou tão facilmente irritada, porém, não estava completamente satisfeito. A mão que estava livre, já que a outra possuía um copo de qualquer bebida na qual não fazia ideia de qual era, repousara tranquilamente no ombro da garota. - Acho que alguém deveria ter mais um pouco de calma. Não precisa começar a gritar, estou bem ao seu lado, patinha. Qual o problema de ser chamada assim? Pelo menos ganhou um elogio. Várias se matariam só para ouvir esse um pouco bonitinha, do qual você está fazendo um pouco de escândalo. - Revirou os olhos, em relação ao pequeno drama que estava presenciando, com um pequeno sorriso brincalhão nos lábios. Queria deixá-la mais um pouco irritada, mas sabia que deveria fazer isso com cuidado. Participar de uma briga, que seria considerada besta por quase todo mundo, não era uma boa ideia. Apenas ficou a olhando por alguns minutos, pensando exatamente em quais palavras deveria escolher. - Não insinuei nada. Está ouvindo coisas, apenas falei que iria mostrar o local para você invés de explorar sozinha e acabar sendo, bom, ferida. Ou morta. Brincadeirinha. Que exagero! Seria divertido irmos para o banheiro apenas nós dois. - Deu de ombros, sussurrando em um tom de brincadeira. Tinha em mente que era uma ideia absurda e não iria gostar ficar em um lugar um pouco apertado com a loira.
Conhecendo Astro, devia estar preparada para aquele tipo de situação, não era de hoje que os dois não se bicavam, sendo frequente a forma como Aletheia se tornava arisca ao lado do outro, ainda que desconfiasse que torna-la irritada fosse exatamente o objetivo, era incapaz de reagir de outra forma. Doce ilusão imaginar que uma estadia em Forsaken poderia torna-lo mais maleável, lamentou-se mentalmente, ainda que a pessoa que se encontrava em completa – e visível – instabilidade era na verdade ela. Falar sobre calma para alguém que estava à beira de um ataque de nervo era como apertar o botão que liberava uma dose extra de raiva. Quem eram essas que se matariam por um elogio tão mequetrefe quanto aquele? Com certeza não era ela. Poderia ter ignorado tudo o que tinha acontecido até então, a mérito de não se estressar mais pelo bem do bebê, mas não podia deixar passar o comentário sobre os banheiros. Era bobeira? Sim, mas ela não podia deixar de se sentir ofendida, uma vez que as próprias palavras a fizeram pensar em uma possível visita a um lugar apertado e pouco iluminado com o dono daquele belo par de olhos. Oh pelo espelho, os hormônios em seu sistema deviam ser responsabilizados por toda aquela libido. Para disfarçar o pensamento que tingia sua mente a mais jovem dos dois uniu as sobrancelhas enquanto se controlava para não empurra-lo, não queria fazer uma outra cena naquela festa, todavia Astro possuía um dom e esse não era fácil de ser ignorado. ——— Eu nunca pisaria lá, muito menos com você. Não saberia dizer a qual local se referia, se a ilha ou ao banheiro. Tinha uma expressão de indignação na face, dera um passo de modo a ficar de frente para o outro. ——— E o que você disse não foi um elogio... Pareceu muito mais um insulto! Com que tipo de garota você saí? Ah, não me diga.
First you wanna go to the left and you want to turn r i g h t
Wanna argue all day make love all night
F i r s t you up and you’re down and then between
Oh I really w a n t to know
Quando o assunto era responsabilidades para com Avalor e assumir o trono do reino, era inegável que o Castillo mais velho se afundava sozinho. Na opinião de Nick, toda essa história de o mais velho assumir a liderança de grandes exércitos, papeladas, responsabilidades mútuas e ainda por cima de decisões importantíssimas, que decidiriam entre uma Avalor em paz ou em guerra, era uma grande besteira. Desde criança, Nick sempre fora mais centrado, inteligente, dedicado e o que mais se importava com tais responsabilidades. Era o favorito de Gabe, e não pestanejava em pensar isso, porque sabia que era verdade. Os treinos de arquearia e boxe com o pai eram bons momentos do dia, além de Gabe ter adorado quando ele voltou da China de uma viagem de muitos meses, e trouxe o kung fu para Avalor. Uma pena Elena ter ficado furiosa com o sumiço do menino. Mas, mesmo que sumisse de vez em quando, dava conta das aulas, dos compromissos e ainda da carisma para com seu as pessoas. Hadrían realmente gostava do povo. Nick, nem tanto, mas entendia a necessidade da simpatia, e não se importava em pratica-la. Era uma criatura sociável. Esses pensamentos percorriam a mente do moreno, quando, a distância, avistou @goddessxtheia, alguém que fazia parte de mais uma das aventuras do irmão. A patinha que talvez tivesse que criar uma criança sozinha. “Ei, patinha.” Nick disse baixinho ao se aproximar de Theia, abrindo um sorriso para a mesma, mas não acreditava que este tenha sido muito convencional. “Você está bem?” Tentaria apoiar a loira o máximo que pudesse, afinal, ele era tio da criança.
Conversar com sua mãe havia se mostrado difícil, mas ao termino, ainda que continuasse sentindo-se um alvo errante, sair de seu quarto fora tão libertador quanto complicado. Não, Aletheia não continuaria com pena de si mesma enquanto todos levavam a vida exatamente como sempre fizeram – com o adendo de ter uma nova fofoca para comentar. Saíra de uma de suas aulas com a desculpa de não estar se sentindo bem, mas a verdade era apenas que não conseguia se concentrar em nada que o docente falava, não enquanto estava completamente aficionada em uma salada de fruta que vira no refeitório mais cedo. Marchara triunfante, quase que satisfeita consigo mesmo enquanto saboreava uma bela estrela de carambola – fruta que ela nunca havia se interessado. Sentara-se para que pudesse comer de modo tranquilo. Manteve o pequeno garfo de plástico entre os lábios enquanto lançava os olhos em um tom de maçã verde ao latino. Um cumprimento modesto movimentou a cabeça da mais jovem, estava distraída demais para reparar de modo consciente em quem se tratava, porém, rapidamente endireitou a postura. ——— Eu... Eu estou bem sim, aguardando o momento em que eu vou parar de me sentir enjoada com os cheiros desse castelo, sabe? Mas está tudo bem, seu irmão costuma me dar um tempo enquanto temos aula, o que é ótimo. Não tinha muita certeza do porque estava despejando todas aquelas informações sobre o rapaz, mas sentia-se um pouco menos tensa ao falar sobre o assunto. ——— E você... digo, com tudo que aconteceu, sabe?
A falta de recíproca de Theia no momento em que Richard a beijou não passou despercebida. Não era comum ela demorar tanto a retribuir suas carícias e beijos, mas o loiro era insistente o bastante para continuar com seus toques, depositando as mãos na cintura miuda da loira e pressionando os dedos contra ela, a instigando. A necessidade de provocá-la voltou a despertar dentro de si e parecia que o mesmo tinha ocorrido com a loira, pois não tardou para que o rapaz sentisse os lábios em seu pescoço. Ele soltou um pequeno suspiro pelo contato mais intenso contra si e pressionou o corpo contra pequeno da patinha, a levando contra a parede. “E você me quer por qual motivo?” Levou os dedos a região do pescoço da garota e tocou a região levemente com a ponta dos mesmos, deslizando-os para os ombros pequenos e buscando enroscar despretensiosamente a alça do vestido entre eles. “Acho que você está muito vestida.” constatou com naturalidade, porém, o som sugestivo de sua voz já dava a entender os pensamentos que invadiam sua mente.
Os lábios da patinha se curvaram em um sorriso. Aquela noite vinha se provando ser uma das piores de sua vida, mas não podia negar que a surpresa por ser Richard a faze-la sorrir não existia, uma vez que ele fora responsável por muitos momentos felizes. Mas não estava nas falas alheias ou no que ele queria insinuar – o que aliás a mais jovem dos dois entendera de imediato. Sorrira, pois, a combinação de sai longa com a cropped deixavam uma parte da barriga de fora, ainda assim estava muito mais vestida do que da última vez em que estivera com o Loocksley. Deixou um riso sobrado escapar por entre os lábios. ——— Não tão vestida quanto você, Richie. As palavras poderiam não ser entendidas de modo perfeito, uma vez que eram ditas contra a pele alheia, pois não tinha a força de vontade necessária para parar que os lábios abandonassem a pele alva. Sabia que na verdade o melhor a fazer não era prosseguir com aquilo, tudo parecia caminha a passos largos para um desastre, todavia o mais velho representava seu único momento de paz a muito tempo. Como seria ela capaz de se afastar? Os toques eram tão familiares, como se seu corpo estivesse completamente acostumado aos dígitos furtivos do ladrão. Uniu os lábios aos dele com uma urgência a qual ela julgava não sentir até então, era incrível como aquela aproximação reavivara tudo o que sentia pelo outro, ainda que não nutrisse sentimentos românticos, nada em seus gestos eram mecânicos, muito pelo contrário. ——— A gente não devia... Não aqui, não hoje... Sussurrou, por entre os selares que distribuía.
Em momento algum o loiro imaginou que se ofenderia com Theia, afinal, o relacionamento deles nunca passou do status de casual. Porém, ela imaginar que ele se afastaria pela sua atual condição o tinha magoado. As pessoas pareciam achar que Richard era imune a sentimentos por sua atitude despojada ou demonstrações pouco afetuosas, mas ele era humano afinal e por esta razão, assim, que os dígitos da loira tocaram seu rosto todas as defesas que tinha imposto entre eles, se desfizeram. No fundo de seu peito, o loiro queria castigar a patinha, deixá-la sofrer um pouco o que ele havia sofrido afinal, mas parecia impossível para o ladrão agir de tal forma. Este era o problema de Richard e que levava as pessoas a não respeitá-lo, era muito disponível. “E acha que estou disponível para a sua vaidade?” Questionou com naturalidade, porém, sem afastar-se do toque sutil dos dígitos alheios, inclinou seu rosto em direção ao de Theia e procurou encará-la em seus olhos em busca de respostas para o questionamento recém proferido. “Não espere que eu vá ser o pai do filho de outro.” A afirmação não era um desrespeito a loira, era apenas uma forma de afirmar o que estava implícito entre eles, não haveria compromisso além do já estabelecido e esperava que ela compreendesse isso antes que ele pudesse avançar com os lábios contra os róseos da loira e beijá-la com toda a intensidade que seu desejo permitia.
A reciproca se aplicava bem a Aletheia: nunca pensou que em algum dia palavras saídas dos lábios – aprazíveis – do rapaz poderiam a machucar de alguma forma. Todavia, precisava se lembrar de relevar muitas das coisas que ouvia, ainda que soassem horríveis aos seus ouvidos. O que faria Richard imaginar que ela estava a procura de um pai para seu filho quando ela não fizera segredo sobre quem de fato era o outro responsável pela vida em seu ventre. Não conseguia imaginar o porquê daquilo, mas talvez o medo natural de compromisso pudesse ser o culpado daquelas palavras. O olhar esmeraldino estava preso ao azul dos olhos de Loocksley, não podia nem ao menos piscar, a intensidade com que se encaravam parecia falar em nome de toda a história que tinham juntos, ainda que essa nunca tenha sido vivida sob um rotulo tinha seu próprio peso sobre a patinha. Permaneceu estática por alguns segundos mesmo enquanto os lábios se tocaram, estava se esforçando para ignorar o que ele havia dito, ela não estava diante dele em uma missão de busca por um pai, diria isso a ele, não agora, estava dividida entre empurra-lo e voltar para o interior do castelo ou não solta-lo mais, a inclinação pendia para o que ela sempre fizera. Não tinha certeza se era a decisão mais sensata a se tomar, mas não era capaz de resistir a ele. As pálpebras pintas se fecharam, privando-a da visão daquela face perfeita enquanto se entregava ao beijo. O frio já não incomodava, nada podia importar menos, mas ainda assim as mãos foram guiadas a lapela do palito que o outro usavam, escorregando até que pudessem tocar a camisa negra. Os primeiros botões foram abertos apenas a mérito de deixar o pescoço do outro a disposição de seus lábios, esses que não hesitaram em distribuir beijos e mordidas leve na região. ——— Não quero você por vaidade...
Certo, nada de piruetas, podia lidar com isso, mas o que a incomodava era ter que se conter, não podia se esforçar até a exaustão como antigamente faria, eram recomendações médicas e as seguiria a risca, pelo bem de seu filho, mas isso não tornava a frustração inexistente. Era errado sentir-se mal por ser ela quem devia abandonar - mesmo que temporariamente suas paixões. A mão destra fora levada a barriga em um movimento – algo que não fazia parte do passo – se sua instrutora estivesse ali a jovem seria repreendida, pois o braço devia permanecer esticado. O estúdio de ballet se encontrava praticamente vazio, uma vez que com o termino da aula a maior parte das garotas haviam se retirado para o vestiário, mas a patinha não desejava adentrar aquele ambiente, não quando havia tantos pares de olhos sobre si. Tinha a sensação de quem alguém a observava, não parecia uma presença ruim, mas quem podia culpa-la por estar receosa, depois de Maeve ter gritado com ela na festa, eram poucas as pessoas que se mantinham a parte da fofoca. Girou o corpo sobre um único apoio, enquanto a outra perna se mantinha suspensa no ar, apenas para poder esquadrinhar toda o ambiente, quando vira a figura de @jonsatiainen, um garoto de sua própria casa, mas com o qual a jovem nunca tivera a oportunidade de conversar. ——— Está esperando alguém? Falara enquanto se desfazia da posição clássica da dança.
——— Mamãe! A curta distância fora percorrida com passos largos e velozes, nunca em toda a sua vida precisara tanto de Emily quanto naquele momento. Nem mesmo quando se sentia deslocada em meio a beleza familiar estampada na face dos irmãos, enquanto ela não tinha nada que se quer remetesse a tal beleza, naquele dia uma conversa longa sobre uma maldição a fizera entender que só poderia ser de fato uma patinha, fora uma maldição que a fizera sentir parte da família novamente, chegava a desejar que uma nova maldição a fizesse se sentir normal uma vez mais. Os finos braços apertaram o corpo esguio contra o próprio.——— Eu precisava tanto te ver… Não era capaz de pronunciar nenhuma das frases que planejara, as imagem do baile ainda estavam muito nítidas em sua mente, os sentimentos conturbados ameaçavam se materializarem em lágrimas, mas a jovem as conteve. — O que aconteceu com você, minha pequena Nótt? O uso do segundo nome era algo comum, uma vez que fora de escolha da mãe, mas a forma carinhosa com que a chamara, essa sim era novidade, desde que se negara a contar o nome do pai de seu filho, a relação mãe-e-filha se tornara um tanto mais tensa que o habitual.
Crescera acreditando que nenhuma pessoa, salvo quem dividia lações de sangue, poderia ser capaz de amar de verdade, já que esse sentimento não existia da forma como os demais acreditava. Essa cresça fora reavivada nos braços da patinha-mãe. O abraço fora desfeito cedo demais, não se sentia segura o bastante para iniciar a conversa que sua mãe desejava, mas sabia que essa teria que vir em algum momento e com os boatos crescendo em Ethereal, seria questão de tempo até que chegassem em Miamax. Indicou a poltrona ao lado de sua cama, para que a mulher se sentasse. Não colocara nenhum de seus pés para fora daquele quarto desde o baile e não pretendia faze-lo até que descobrisse uma forma de não sentir que havia um alvo em suas costas. Sentou-se sobre o colchão com o corpo de frente para aquela mulher tão bonita que parecia sugar toda a beleza do quarto, embora Aletheia não fosse capaz de fita-la nos olhos, sabia que as írises da mais velha recaiam sobre o corpo menor, sabia também que estava com uma aparência horrível, mas não se importava com aquilo, o que tinha para dizer superava a relevância da boa aparência. ——— Aconteceu muito coisa desde que retornei pra escola e… Depois falamos sobre isso. Acrescentou a segunda parte com rapidez para evitar a interrupção que sofreria quando a outra fizera menção de abrir os lábios para falar.
——— Eu pedi para que a senhora viesse, porque queria que fosse eu a contar sobre o que eu e o pai decidimos. Os dígitos de Theia foram magneticamente levados até o próprio abdômen, ao que a mão da mãe se encontrava sobre o colo, como se o gesto pudesse controlar o coração que martelava, se tivesse visto tal gesto teria revirado os olhos em desgosto, odiava como o drama se fazia presente naquela família, mas não podia julga-los uma vez que ela mesma era uma rainha do drama. — E então? Havia ansiedade na indagação, quase como se pudesse influenciar a resposta, a statera só não sabia o que ela queria ouvir: Talvez que não teriam aquele filho ou então que se casariam na próxima semana e pelo espelho, Emily desejava a cima de qualquer outra coisa ter certeza que sua filha não se tornaria mãe da prole de um vilão. ——— Decidimos que teremos esse bebê. A lembrança da conversa com @hadriandeavalor preenchera sua mente, não chegara a dar essa escolha ao outro, mas se ele não quisesse ter um filho, Aletheia o teria sozinha. — Imaginei que isso já estava decido… Por que está fazendo tanto mistério com esse nome, se é um vilão, nós não vou te deserdar. Só diga de quem é esse bebê. Dessa vez as palavras vieram secas, desprovidas de sentimento, como uma intimação, solicitavam a verdade. Sabia que se não contasse agora seria muito pior.
——— Não precisa se preocupar… Apertava os dígitos um contra os outros enquanto esfregava as mãos, sentia-se tão envergonhada que não podia nem ao menos recriminar a postura de Emily, oras, não importava quem era o pai, o bebê ainda seria neto dela. ——— Na verdade, ele é um príncipe. Não que tivesse problemas em ser um vilão. Ao atirar as ultimas palavras ergueu o olhar esverdeado para a face da mãe, precisava ver aquela expressão de exasperação se transformar em um semblante esperançoso, até mesmo um sorriso se formou nos lábios alheios. — Um príncipe… Por acaso é aquele seu amigo, o príncipe Kingsley Fitzherbert? Imaginei que essa amizade poderia se transformar em algo além. Oh, pelo espelho. É ele, não é? Sempre acreditei que você saberia escolher o homem certo. A felicidade de sua mãe chegava a enjoa-la, mas nunca saberia se estava de fato enojada com o entusiasmo ou se era apenas mais um dia em sua rotina diária de grávida. ——— Não… Não! Não vou ter um bebê com o @kngsleys… Credo mãe! Se bem que… Queria poder dizer que seria alguém tão legal e bom como o Kings, mas não é ele.
Não existia nenhum problema com o Fitzherbert, e esse era exatamente o empecilho que a impedia de vê-lo como qualquer coisa além de seu amigo, não podia sair com caras legais como ele, não quando havia a mínima chance de se apaixonar por outra pessoa, aquele local estava ocupado a tempo demais por uma única pessoa para que ela tivesse que se preocupar em substitui-lo. As lágrimas que simplesmente ameaçavam despontar agora estavam livremente formando trilhas na face da mais jovem, odiava o fato de que não conseguia controla-las, as costas das mãos trataram de limpar a face antes que a mãe as visse, mas claro que já era tarde demais. — Não estou te entendendo, o que há de errado?
——— Tudo! Mamãe, eu estraguei tudo… Eu manchei o nome da nossa família, o papai nem me olha mais como antes, a senhora só se preocupa com a porcaria de uma coroa enquanto eu estou destruindo tudo o que toco… A vida do Hadrían… Eu não podia acabar com a vida dele, mas acabei… E todo mundo me olha como se eu tivesse alguma maldição horrível… A face escondida por trás dos dígitos com unhas bem-feitas, tentava ocultar não apenas as lagrimas e a vergonha, mas também o quanto dizer aquelas palavras era penoso, nunca fora o tipo que assumia culpa, pelo contrário sempre que podia a jogava sobre as costas de alguém, mas ali estava ela se sentindo a pior das pessoas, quase que responsável por tudo de ruim que acontecia. Sentia-se mal até mesmo pelo próprio Hadrían, o rapaz era tão vitima das circunstancias quanto ela mesma. Sentir o abraço da mãe que se sentara ao seu lado na cama a fizera recuar. Não, ela não merecia aquele consolo. — Espera… O filho da rainha Elena? Ele e a Alaïs não… As palavras se perderam em meio ao ambiente, uma indagação sem a necessidade de resposta. No semblante uma expressão de profunda vergonha. Parecia suplicar para que a mãe não se demorasse naquele assunto, ainda que soubesse que seu pedido seria completamente negado. — Filha, você ainda tem a mim, seu pai, nós somos uma família, mesmo a @alaiscrotinha vai em algum momento ficar do seu lado. E o Narciso? Vocês sempre foram tão unidos.
Erguera o corpo o mais rápido que sua estrutura corporal permitiu, andando para longe da cama e então caminhando nervosamente de um lado para o outro, a mão destra sobre a têmpora e os pensamentos em um fluxo desordenado, como poderia fazer sua mãe entender, ela nunca tivera que passar por nada parecido. ——— Você não entende o quanto eu traí a minha própria irmã. Eu idolatrava a Alaïs, queria ser tanto como ela e… Nunca imaginei que alguém ficaria sabendo do Hadrían e eu… Não fiz nada pra magoar a Elin, mas… Ah, eu sou a pior parte dessa família… Como conseguira ser tão burra, estava em uma posição tão ruim e afundava todas as pessoas próximas para aquilo também. Não era o suficiente estar gravida tão jovem precisava de todo aquele drama para agravar a situação e ainda assim tinha seus próprios problemas internos ——— E ninguém vai entender o quanto eu perdi o @evilmirrors… Ele vai encontrar uma garota legal, se casar e ter um final feliz, mas eu… Eu vou ficar aqui, vou ficar aqui pra sempre, porque a minha vida acabou.
Quase conseguia ouvir as engrenagens na cabeça de Emily funcionando, temia que ela se demorasse pensando sobre o que a filha queria dizer quanto a ter perdido o irmão, não precisava de mais um segredo sendo exposto, ainda que imaginasse sobre o que a mãe pensava, não estava preparada para aquela pergunta. — Mas você e o senhor Castilho vão se casar, não vão? Não estou entendendo como sua vida pode ter acabado. Por mais que tivesse se esforçado para impedir sua reação, Aletheia pretendia falar outras palavras se não aquelas: ——— Eu não pretendo me casar só porque vou ter um filho. Sentia-se até mesmo um pouco ofendida, era exatamente aquilo que esperavam dela, que se cassasse com o pai do bebê? Teria forma de piorar as coisas? O que isso iria aparentar aos olhos dos outros? Que a patinha era apenas uma interesseira. ——— Qual o sentido de me casar agora que todo mundo já sabe que estou grávida? Isso não vai mudar nada. E mamãe, pensa por um momento em como funcionaria isso. Imagina a Alaïs, Hadrían e eu eu sentados em uma mesa de jantar em alguma reunião familiar, pelo narrador isso tudo é um desastre, eu sou um desastre.
— Aletheia Nótt Dalgaard, pare já com essa postura ridícula, os Dalgaard não ficam com pena de si mesmos. Você vai sair desse quarto e parar de se culpar. Tudo bem, você fez uma grande burrada, mas não a fez sozinha! A sua vida vai continuar e você vai se casar. Eu mesma vou falar com a rainha Elena se precisar. A garota se sentou sobre a cadeira da escrivania, teatralmente colando a face na mesa lisa, não queria encarar a mulher, sabia que ela estava certa quando a ridiculosidade de seu comportamento, mas não iria se casar, não sobre aquele pretexto. ——— Por favor… Não fale com ela, isso é algo que o Hadrían e a mãe dele tem que resolver sozinhos.
Clinging to not getting sentimental
Said she wasn't going but she w e n t still
Likes her gentlemen to not be gentle
Oh, that boy's a slag The best you ever had
Ao perceber que era Theia ao seu lado, Ali endireitou a sua postura automaticamente, passando a sorrir e direcionando seu corpo para ela. As palavras o fizeram sorrir, embora ele estivesse ouvindo boatos de seus amigos que a garota só o estava usando, ele não conseguia olhar para ela e enxergar qualquer maldade. “Tem toda a razão, eu estou uma tentação nisso aqui.” brincou, apontando seu terno personalizado. Ele percebera que estava ainda com sua taça intocada, e percebeu a falta de educação que estava sendo não oferecer uma bebida para Alatheia, afinal, sabia o gosto da loira por tais recursos. “Você gostaria de uma bebida? Eu posso te dar a minha, ou pedir pro boneco de neve.” ofereceu, pulando uma cadeira para ficar mais próximo dela.
f l a s h b a c k
Ali era o tipo de pessoa que Aletheia sempre procurava quando sentia-se mal, não que o rapaz fosse apenas alguém que inflasse seu ego, mas a personalidade do rapaz era exatamente a que precisava quando o resto do mundo parecia uma bela porcaria. Se a statera iludia o mais velho, iludia também a si mesma, pois, em seu interior sabia que não dava uma chance real ao outro apenas porque não queria ter que admitir que existia alguém no mundo melhor do que a pessoa que ela passara a vida amando. O curvar dos lábios era calculado para parecer mais contente do que de fato estava, mas a menção a bebida arrastou todos seus esforços para o chão. Então ele ainda não sabia? Ou se recusava acreditar assim como fazia com todos os boatos que surgiam sobre a dona dos fios claríssimos. ——— Eu não poderia aceitar de qualquer forma de qualquer modo. Era uma covarde? Sim. E a consciência desse fato martelava sua cabeça em acusação. ——— Não é nada com você. Você é ótimo! Eu apenas estou impossibilidade de beber por alguns meses ou mais se você contar o tempo de amament...
A festa já parecia estar chegando em seu ápice, muitos alunos estavam bêbados, alguns fugindo para fora do baile e outros se pegando ali mesmo, entretanto, a única sorte que Ali tivera naquela noite havia sido usar seus poderes de gênio para fazer com que um boneco de neve o trouxesse bebidas a cada 5 minutos. “Obrigada, parceiro.” agradeceu a criatura mágica pegando outra taça, já coma fala enrolada pelo álcool, já faziam 3 taças que ele havia jurado que seria a última. “Se você fosse real que sabe poderíamos nos apaixonar.” disse com um sorriso, antes de cambalear para trás e se sentar na cadeira mais próxima.
Sabia que cansaço que sentia não tinha relação com a diversão da festa uma vez que era algo natural ao seu estado, mas precisava se sentar urgentemente nem que fosse no chão. Ao chegar próxima a uma área com mesas deixou que o corpo recaísse confortavelmente sobre uma cadeira enquanto os pés se esticavam sobre outra, a saia longa cobrindo toda a extensão das pernas, era incrível como agora tinha que prestar atenção em detalhes supérfluos como não parecer vulgar. Estava assistindo toda a cena protagonizada por Ali e o boneco de neve enquanto ria silenciosamente. Pelo narrador, como ela precisava daquele momento de descontração. ——— Eu aposto que ele já está apaixonado, afinal quem não estaria? Olha pra você dentro dessa roupa. Direcionara um olhar amável ao rapaz quando esse sentou-se praticamente ao seu lado.
Charity havia percebido como os olhos loiros caíram um pouco diferente em sua roupa quando soube de onde veio, mas não deu importância. Já estava até acostumada, na verdade. Antes de ter seu próprio gosto para roupa, a princesa era totalmente vestida pela mãe. ❝ —— Ela sabe que o que escolheu para mim foi.. razoável. E que eu provavelmente iria devolver se não gostasse. ❞ Deu de ombros, dando mais um gole em sua bebida. ❝ —— Mas pode deixar que na próxima festa você me verá com um look mais.. ousado. ❞ Deu um sorriso de canto antes de continuar. ❝ —— Então, aproveitando a festa? ❞
O sorriso de canto era reflexo daquele exibido na face da mais velha, imaginando como seria o traje se tivesse sido escolha dele. ——— Estarei ansiosa aguardando o próximo evento, só p’ra ver você em um look mais audaz! Deixou que a pálpebra do lado direito recaísse sobre o olho em uma piscadela demorada, como se o gesto fosse o suficiente para selar um acordo entre elas. ——— Na verdade essa festa está sendo bem razoável, na minha opinião... Era bem verdade que estava vendo tudo através das lentes do desgosto, não apenas por causa dos inúmeros olhares que recebia ou as briguinhas que arrumara, mas porque o estresse estava a consumindo de dentro para fora. ——— Estou até pensando em ir embora já.