——— Mamãe! A curta distância fora percorrida com passos largos e velozes, nunca em toda a sua vida precisara tanto de Emily quanto naquele momento. Nem mesmo quando se sentia deslocada em meio a beleza familiar estampada na face dos irmãos, enquanto ela não tinha nada que se quer remetesse a tal beleza, naquele dia uma conversa longa sobre uma maldição a fizera entender que só poderia ser de fato uma patinha, fora uma maldição que a fizera sentir parte da família novamente, chegava a desejar que uma nova maldição a fizesse se sentir normal uma vez mais. Os finos braços apertaram o corpo esguio contra o próprio.——— Eu precisava tanto te ver… Não era capaz de pronunciar nenhuma das frases que planejara, as imagem do baile ainda estavam muito nítidas em sua mente, os sentimentos conturbados ameaçavam se materializarem em lágrimas, mas a jovem as conteve. — O que aconteceu com você, minha pequena Nótt? O uso do segundo nome era algo comum, uma vez que fora de escolha da mãe, mas a forma carinhosa com que a chamara, essa sim era novidade, desde que se negara a contar o nome do pai de seu filho, a relação mãe-e-filha se tornara um tanto mais tensa que o habitual.
Crescera acreditando que nenhuma pessoa, salvo quem dividia lações de sangue, poderia ser capaz de amar de verdade, já que esse sentimento não existia da forma como os demais acreditava. Essa cresça fora reavivada nos braços da patinha-mãe. O abraço fora desfeito cedo demais, não se sentia segura o bastante para iniciar a conversa que sua mãe desejava, mas sabia que essa teria que vir em algum momento e com os boatos crescendo em Ethereal, seria questão de tempo até que chegassem em Miamax. Indicou a poltrona ao lado de sua cama, para que a mulher se sentasse. Não colocara nenhum de seus pés para fora daquele quarto desde o baile e não pretendia faze-lo até que descobrisse uma forma de não sentir que havia um alvo em suas costas. Sentou-se sobre o colchão com o corpo de frente para aquela mulher tão bonita que parecia sugar toda a beleza do quarto, embora Aletheia não fosse capaz de fita-la nos olhos, sabia que as írises da mais velha recaiam sobre o corpo menor, sabia também que estava com uma aparência horrível, mas não se importava com aquilo, o que tinha para dizer superava a relevância da boa aparência. ——— Aconteceu muito coisa desde que retornei pra escola e… Depois falamos sobre isso. Acrescentou a segunda parte com rapidez para evitar a interrupção que sofreria quando a outra fizera menção de abrir os lábios para falar.
——— Eu pedi para que a senhora viesse, porque queria que fosse eu a contar sobre o que eu e o pai decidimos. Os dígitos de Theia foram magneticamente levados até o próprio abdômen, ao que a mão da mãe se encontrava sobre o colo, como se o gesto pudesse controlar o coração que martelava, se tivesse visto tal gesto teria revirado os olhos em desgosto, odiava como o drama se fazia presente naquela família, mas não podia julga-los uma vez que ela mesma era uma rainha do drama. — E então? Havia ansiedade na indagação, quase como se pudesse influenciar a resposta, a statera só não sabia o que ela queria ouvir: Talvez que não teriam aquele filho ou então que se casariam na próxima semana e pelo espelho, Emily desejava a cima de qualquer outra coisa ter certeza que sua filha não se tornaria mãe da prole de um vilão. ——— Decidimos que teremos esse bebê. A lembrança da conversa com @hadriandeavalor preenchera sua mente, não chegara a dar essa escolha ao outro, mas se ele não quisesse ter um filho, Aletheia o teria sozinha. — Imaginei que isso já estava decido… Por que está fazendo tanto mistério com esse nome, se é um vilão, nós não vou te deserdar. Só diga de quem é esse bebê. Dessa vez as palavras vieram secas, desprovidas de sentimento, como uma intimação, solicitavam a verdade. Sabia que se não contasse agora seria muito pior.
——— Não precisa se preocupar… Apertava os dígitos um contra os outros enquanto esfregava as mãos, sentia-se tão envergonhada que não podia nem ao menos recriminar a postura de Emily, oras, não importava quem era o pai, o bebê ainda seria neto dela. ——— Na verdade, ele é um príncipe. Não que tivesse problemas em ser um vilão. Ao atirar as ultimas palavras ergueu o olhar esverdeado para a face da mãe, precisava ver aquela expressão de exasperação se transformar em um semblante esperançoso, até mesmo um sorriso se formou nos lábios alheios. — Um príncipe… Por acaso é aquele seu amigo, o príncipe Kingsley Fitzherbert? Imaginei que essa amizade poderia se transformar em algo além. Oh, pelo espelho. É ele, não é? Sempre acreditei que você saberia escolher o homem certo. A felicidade de sua mãe chegava a enjoa-la, mas nunca saberia se estava de fato enojada com o entusiasmo ou se era apenas mais um dia em sua rotina diária de grávida. ——— Não… Não! Não vou ter um bebê com o @kngsleys… Credo mãe! Se bem que… Queria poder dizer que seria alguém tão legal e bom como o Kings, mas não é ele.
Não existia nenhum problema com o Fitzherbert, e esse era exatamente o empecilho que a impedia de vê-lo como qualquer coisa além de seu amigo, não podia sair com caras legais como ele, não quando havia a mínima chance de se apaixonar por outra pessoa, aquele local estava ocupado a tempo demais por uma única pessoa para que ela tivesse que se preocupar em substitui-lo. As lágrimas que simplesmente ameaçavam despontar agora estavam livremente formando trilhas na face da mais jovem, odiava o fato de que não conseguia controla-las, as costas das mãos trataram de limpar a face antes que a mãe as visse, mas claro que já era tarde demais. — Não estou te entendendo, o que há de errado?
——— Tudo! Mamãe, eu estraguei tudo… Eu manchei o nome da nossa família, o papai nem me olha mais como antes, a senhora só se preocupa com a porcaria de uma coroa enquanto eu estou destruindo tudo o que toco… A vida do Hadrían… Eu não podia acabar com a vida dele, mas acabei… E todo mundo me olha como se eu tivesse alguma maldição horrível… A face escondida por trás dos dígitos com unhas bem-feitas, tentava ocultar não apenas as lagrimas e a vergonha, mas também o quanto dizer aquelas palavras era penoso, nunca fora o tipo que assumia culpa, pelo contrário sempre que podia a jogava sobre as costas de alguém, mas ali estava ela se sentindo a pior das pessoas, quase que responsável por tudo de ruim que acontecia. Sentia-se mal até mesmo pelo próprio Hadrían, o rapaz era tão vitima das circunstancias quanto ela mesma. Sentir o abraço da mãe que se sentara ao seu lado na cama a fizera recuar. Não, ela não merecia aquele consolo. — Espera… O filho da rainha Elena? Ele e a Alaïs não… As palavras se perderam em meio ao ambiente, uma indagação sem a necessidade de resposta. No semblante uma expressão de profunda vergonha. Parecia suplicar para que a mãe não se demorasse naquele assunto, ainda que soubesse que seu pedido seria completamente negado. — Filha, você ainda tem a mim, seu pai, nós somos uma família, mesmo a @alaiscrotinha vai em algum momento ficar do seu lado. E o Narciso? Vocês sempre foram tão unidos.
Erguera o corpo o mais rápido que sua estrutura corporal permitiu, andando para longe da cama e então caminhando nervosamente de um lado para o outro, a mão destra sobre a têmpora e os pensamentos em um fluxo desordenado, como poderia fazer sua mãe entender, ela nunca tivera que passar por nada parecido. ——— Você não entende o quanto eu traí a minha própria irmã. Eu idolatrava a Alaïs, queria ser tanto como ela e… Nunca imaginei que alguém ficaria sabendo do Hadrían e eu… Não fiz nada pra magoar a Elin, mas… Ah, eu sou a pior parte dessa família… Como conseguira ser tão burra, estava em uma posição tão ruim e afundava todas as pessoas próximas para aquilo também. Não era o suficiente estar gravida tão jovem precisava de todo aquele drama para agravar a situação e ainda assim tinha seus próprios problemas internos ——— E ninguém vai entender o quanto eu perdi o @evilmirrors… Ele vai encontrar uma garota legal, se casar e ter um final feliz, mas eu… Eu vou ficar aqui, vou ficar aqui pra sempre, porque a minha vida acabou.
Quase conseguia ouvir as engrenagens na cabeça de Emily funcionando, temia que ela se demorasse pensando sobre o que a filha queria dizer quanto a ter perdido o irmão, não precisava de mais um segredo sendo exposto, ainda que imaginasse sobre o que a mãe pensava, não estava preparada para aquela pergunta. — Mas você e o senhor Castilho vão se casar, não vão? Não estou entendendo como sua vida pode ter acabado. Por mais que tivesse se esforçado para impedir sua reação, Aletheia pretendia falar outras palavras se não aquelas: ——— Eu não pretendo me casar só porque vou ter um filho. Sentia-se até mesmo um pouco ofendida, era exatamente aquilo que esperavam dela, que se cassasse com o pai do bebê? Teria forma de piorar as coisas? O que isso iria aparentar aos olhos dos outros? Que a patinha era apenas uma interesseira. ——— Qual o sentido de me casar agora que todo mundo já sabe que estou grávida? Isso não vai mudar nada. E mamãe, pensa por um momento em como funcionaria isso. Imagina a Alaïs, Hadrían e eu eu sentados em uma mesa de jantar em alguma reunião familiar, pelo narrador isso tudo é um desastre, eu sou um desastre.
— Aletheia Nótt Dalgaard, pare já com essa postura ridícula, os Dalgaard não ficam com pena de si mesmos. Você vai sair desse quarto e parar de se culpar. Tudo bem, você fez uma grande burrada, mas não a fez sozinha! A sua vida vai continuar e você vai se casar. Eu mesma vou falar com a rainha Elena se precisar. A garota se sentou sobre a cadeira da escrivania, teatralmente colando a face na mesa lisa, não queria encarar a mulher, sabia que ela estava certa quando a ridiculosidade de seu comportamento, mas não iria se casar, não sobre aquele pretexto. ——— Por favor… Não fale com ela, isso é algo que o Hadrían e a mãe dele tem que resolver sozinhos.
✧ * º • ☾ I will not admit that I don’t know how to do it — pov 」
A cor que a poção assumira demonstrava apenas uma coisa: Que Aletheia era uma idiota. Como pôde imaginar que o destino não cobraria o preço pela vida que vinha levando? Esta que aos seus olhos estava acabada, condenada, com a cor daquela poção. Os ingredientes foram comprados ainda em Ethereal com Gaspar Hook, a desconfiança crescia paralela aos dias de atraso. Não podia ser verdade, não estava pronta para nada daquilo, não para o que aquele resultado indicava. Fitou por um longo tempo a poção, como se tivesse o poder de alterar sua cor para a que indicava o resultado desejável, como se pudesse tornar seu resultado negativo. Obviamente nada aconteceu, ela continuava tão grávida quanto antes.
A certeza daquele fato a acertou em cheio, tão forte que precisou procurar a própria cama para se sentar, as mãos na face, uma em cada têmpora, a mente percorrendo diversas lembranças. O que fizera de errado, como deixara aquilo acontecer? Indagava-se até que a recordação do dia certo viera a mente. Precisara fechar os olhos para tentar se livrar dela. A pessoa que viera a sua mente fora a responsável pela reação sonora, a mão destra levada aos lábios para oculta-la. ——— Burra, burra, burra! Eu sou uma idiota, não acredito na merda que eu fiz. As palavras foram ditas para si mesma, ainda que a irmã mais velha estivesse no quarto. Embora parecessem elas serem pronunciadas para se xingar por ser uma idiota grávida aos dezenove anos, eram na verdade para a burra que estava grávida do ex-cunhado. Aletheia nunca se sentira tão culpada em toda sua vida, não apenas tinha traído @alaiscrota – mesmo que esta falasse que estava tudo bem quanto a mais nova ter beijado Hadrían, todos sabiam que não podia ser uma atitude decorosa aquela investir naquele tipo de relacionamento.
Precisava esconder aquele fato a qualquer preço, pelo menos até achar uma forma de contar para Alaïs. O sol do lado de fora de suas janelas, havia descrito o seu semicírculo no céu, dando lugar a lua que iluminaria o reino de Miamax, mas estaria longe demais para iluminar os pensamentos da terceira filha da patinho feio. A mais velha devia estar curiosa com toda a movimentação daquela que deixara os fios se tornarem coloridos, o surto apenas coroara seu interesse, que não demorou a perguntar do que se tratava – ainda acrescentou uma pitada de humor sobre a jovem não ser o tipo que realizava lições de casa. ——— A poção… É aquela poção… Eu pinguei uma gota de sangue e a… A cor mudou pra que diz que estou… Grávida. A voz falhando demonstrava o quanto estava assustada com aquela situação. Ergueu o olhar para visualizar a expressão da outra ocupante do cômodo. — O que você fez Aletheia? O papai vai te matar! O que você vai fazer da sua vida agora? Ainda que fosse uma repreensão, as palavras da outra eram de profunda preocupação, podia sentir isso. Quando os braços longos foram abertos para si, não pode recusar o conforto, ainda que estivesse se odiando, não podia sentir mais amor pela irmã do que naquele momento. ——— Eu não sei, mas… Se eu tiver o seu apoio…
Naquela noite a inconsciência não viera como um presente. Levara horas para que conseguisse conter as lágrimas, a cada solução que passava por sua cabeça uma nova onda recomeçava, caminhou passo a passo até a inconsciência, mas não antes de uma decisão ser tomada: aquele era o seu bebê e ninguém iria tocar ou dizer o que ela devia fazer com ele, nem mesmo sua família. Os olhos de cor de maçã verde fitaram o teto de seu quarto ao que os dígitos delicados acariciaram a barriga. Não se sentia como uma mãe protegendo seu filho, aquele tipo de sentimento não surgia em um instante e principalmente não enquanto ainda estava processando a raiva que sentia de si mesma. Todavia um elo havia se formado e este ela defenderia. O sol devia estar próximo de seu nascer quando a garota estava no banheiro, sua mãe havia batido na porta alguma vezes perguntando o que havia acontecido, uma vez que já tivera que abandonar o baile de modo precoce. Em todo o caso, pelo menos tinha uma explicação plausível para os enjoos matinais e para a súbita repulsa por certos cheiros.
Sentou-se no entre Alais e Narciso, estando o rapaz na ponta da mesa - de frente pata James, na outra ponta - e a mais velha ao seu lado destro - de frente para a mãe - aquela que travava uma batalha interna dedicou sua atenção a gravar as expressões despreocupadas de cada um de seus familiares, pois sabia que daquele momento em diante as coisas não seriam iguais. ——— Me passa o suco, mamãe? Hn, eu estou grávida. Emily estancou segurando a pequena jarra com o líquido laranja, incerta do que devia fazer. Seu pai por outro lado deixou que a xícara com o café batesse com muita força sobre o pires, os olhos fixos na sujeira que fizeram - de certo pensava que a poucos dias Aletheia era apenas uma criança que sempre se derramava suas coisas daquele mesmo modo. O silêncio reinava absoluto, como um convidado ilustre para o café da manhã. Os dígitos buscaram os pertencentes a irmã. Não se orgulhava de buscar o apoio de que precisava com Elin, como podia ser tão egoísta? Mas a bem da verdade, não seria capaz de enfrentar aquilo sozinha. Pelo espelho como odiava @hadriandeavalor e toda aquela sensualidade Latina irresistível. Mas seguramente a pior parte era @evilmirrors.
— O dia da mentira já passou, Theia. O rapaz não parecia ter capitado a seriedade da questão ou pelo menos se recusava a acreditar, auxiliou a mãe a entregar a jarra de suco, a colocando na frente da mais nova. — Você. Pelo espelho Aletheia! Grávida! Você sabe o quão irresponsável está sendo? É claro que não poderia fechar as pernas, oh pelo espelho… Levantou de seu assento encarando James, o pai parecia prestes a explodir, mas Narciso andava de um lado para o outro, deixando a dona dos olhos na cor de maçã-verde mais nervosa do que antes, a patinha-mãe não conseguia tirar os olhos da filha. O silencio de todos casado com os passos de Narciso eram a combinação perfeita para a loucura. — Você é uma criança. Uma criança irresponsável que cometeu um grande erro, pode ter certeza. Uma respiração profunda e audível preencheu o ambiente. — Mas nós não podemos cometer um erro em cima do seu por isso, é claro que não. Nós vamos te ajudar com isso… As últimas palavras coincidindo com a saída do patriarca da família, o irmão mais velho precisou apenas de poucos segundos para imitar os passos de James.
Emily precisava ter alguma reação, nem mesmo que fosse gritar e chama-la de irresponsável. Esperava que a mulher disse qualquer coisa como ‘você está arrastando o nome dessa família na lama.’ Sabia que não deixava de ser verdade, de fato, um bebê estregaria a imagem imaculada que os Dalgaard. ——— Mamãe diz alguma coisa! A beleza da outra parecia acentuada, pela preocupação, tivera quatro filhos e ainda continuava tão bonita como se nunca os tivesse tido, o pensamento viera a sua mente como uma lufada de vento antes da chuva: Aletheia também continuaria bonita mesmo depois de todo aquele processo? Era fútil, não negava que era, mas até então não tinha pensado em como seu corpo perfeito mudaria, como sua beleza conquistada a duras penas poderia ir embora em poucos meses. Todos os devaneios supérfluos foram levados embora na mesma lufada de ar quando a voz da mãe soou impiedosa. — Quem é o pai? Não me diga que é o filho de algum vilão.