Trip to Nowhere | Jason x Grace
Jason não queria falar. Não queria dizer o que realmente o levara a tais condições. Ele estava, absolutamente, fora de si. Não tinha estado pior desde a morte de seus parentes. Ele sempre subestimara o poder de Hecate, ou ao menos não crera no quão poderosa ela era. Estava de mal com Mercúrio, não queria acreditar no poder dos Deuses como acreditava antes. Não desperdiçaria comida na fogueira pra alguém que nem ao menos protegera sua família.
Afinal, onde estava seu pai naquele momento? Nem ao menos se importaria se morresse, tinha tantos filhos, tanto gregos como romanos. Jason não faria falta.
— Eu não quero dormir, não quero fechar os olhos. — Suspirou pesadamente, antes de terminar a frase. — Não quero ficar sozinho.
Não queria parecer fraco, mas não tinha escolha. Talvez fosse até melhor desabafar… Não. Ele não podia contar a Grace sobre Hecate ter invadido seus sonhos. Ela tinha muitas coisas a qual se preocupar, além de que Hecate mencionara algo sobre destruir quem ele amava. O que o deixava confuso pois não sobrara ninguém.
Sim, sobrara Grace. Por mais inconsciente que aquele sentimento fosse, era real. A única coisa real que ele conseguia se segurar. Se fixar. Grace era sua âncora.
— Podemos fazer companhia um para o outro. — Tentou recuperar o fôlego, e normalizar sua respiração. Pensar em como Grace falava com tanta intimidade era estranho. Ela mesma havia mencionado que não gostava de tanta proximidade. Jason mordeu os lábios, ainda nervoso com tudo o que estava lhe acontecendo. Tentando, ao menos, livrar-se dos pensamentos.
Por outro lado, saber que não se livraria de Grace tão facilmente era bom, apesar de que iria precisar se distanciar, e desta vez, tinha que conseguir. Hecate quase tirou sua sanidade, ele poderia ter realmente ficado louco ali mesmo, mas deixou que pensasse sobre sua proposta. Mas como responderia? Ela entraria novamente em seus sonhos? Jason não queria dar uma resposta sem ao menos pensar nas consequências, ou o que faria em seguida.
Grace comprimiu os lábios. Sentia algo estranho em seu interior, borbulhando no fundo de seu estômago, pulsando por suas veias até subir para o nó que ameaçava se formar em sua garganta. Algo a agarrando, a chacoalhando, empurrando-a na direção de Jason. Não de forma física. Apenas... entendia. Se conectava. Se conectava com duas curtas frases daquela forma. Sentia-se compulsoriamente cedendo.
Cedendo a quê, exatamente?
Não era à pena. Não realmente.
-- Então não feche. Você não está sozinho. Quero dizer, eu estou aqui contigo -- a frase soava estranha em seus lábios. Permitiu-se uma tentativa insegura de um sorriso. -- Isso conta de alguma coisa, certo?
Esperava que sim. Tinha sua mão estendida para ele, e apenas orava para que fosse o suficiente. Para que pudesse servir de algum conforto, um ponto seguro, um farol naqueles tempos onde nuvens pesadas de chuva cobriam tudo, ainda que fosse incapaz de grandes palavras de conforto ou de qualquer coisa grandiosamente útil, na realidade.
Talvez os sentimentos de Jason por ela lhe importassem mais do que esperava. Aquela estava longe de ser uma noção agradável. Uma pontada de pânico aflorou em seu peito.
Mas conhecia o significado daquela sensação. Se a estava tendo, era porque era tarde demais.
Levantou seu olhar do chão para Jason. Repetiu seu esforço para abrir um sorriso pouco convincente. Havia algo na afirmação que era aliviante de seu ouvir.
-- Com certeza -- disse, deixando o silêncio recair sobre o local. A chuva agora se afinara, tornando-se apenas um calmo gotejar contínuo no fundo, próximo a cessar. Tamborilou levemente um joelho, sua outra mão ainda no ombro de Jason. Podia sentir uma queimação em suas panturrilhas e coxas, pela posição em que estava. -- Então, vai ficar sentado aqui ou...?














