The rise, the fall - O futuro não tão bom da Stella
Quem diria, não é? Bem, eu, primeira da classe, campista exemplo e blá-blá-blá me transformei em algo desprezivo. Acho que te devo algumas explicações. Pois bem, aí estão elas, mas se prepare, a história é cansativa.
Saí do acampamento aos dezenove anos. Tive medo do mundo então demorei um bocado para sair de lá. Tinha um local seguro para descansar a cabeça e uma garantia de que teria algo para comer amanhã de manhã. Já, se voltasse para a casa dos meu avós, que, nesse meio tempo haviam morrido, teria muito mais responsabilidades. Então permaneci no meu cantinho no chalé 6, até que recebi uma quantidade incrível de dinheiro do meu pai (que estava em um hospital mental), dólares não dracmas. Não hesitei e fui prestar vestibular para Havard. Passei. Comecei um maravilhoso estágio e comprei um apartamento no centro de Cambridge.
E, por algum motivo, as coisas começaram a desandar. Eu já refiz meu passos para descobrir onde errei, e sempre caio na mesma casa, como se minha vida fosse um jogo de tabuleiro e meus passos um dado viciado.
Assim que cheguei, conheci um cara que me ofereceu um trabalho muito melhor que o estágio. Aceitei porque estava endividada e quase não tinha comida na geladeira. Ele me prometeu muitas coisas, e eu não pude resistir porque sempre que olhava para seus olhos azuis me lembrava da praia do acampamento. Eu aceitaria tudo se estivesse com ele ao meu lado.
Mas não. Não era tão simples assim. Primeiramente ele me colocou como garçonete, ganhava dinheiro para servir os homens da forma mais sedutora possível. E claro, não ficou só no garçonete. Eu evolui de cargo, ou melhor, regredi, tudo em nome do dinheiro.
Me formei em Havard mesmo com as noites mal dormidas com estranhos ao meu lado, mas não foi porque alguém me ajudou. Foi tudo meu mérito. Pensei em voltar para o acampamento, ser instrutora ou professora de história ou sei lá, mas percebi que meus sonhos já não cabiam ali.
Mas aí você chega, e diz que podemos recomeçar de uma forma melhor. E, acredite, eu aprendi a ver quando as pessoas estavam mentindo, e vejo que você não está. Todas as suas fraquezas estão á mostra, não tem medo de me revelar nenhuma delas. É, talvez possamos mesmo ser grandes juntos.
Eu quero estar com você, filho de Marte, seja no Acampamento Júpiter ou no Meio Sangue. Ou aqui mesmo em Cambridge ou em New York. Você me tirou do buraco, eu te devo isso, mas não sinto que estou fazendo um favor porque eu também quero. Tanto quanto você.
















