Eram raros os momentos em que se esquecia de algo. No início, esquecia de onde colocara o dinheiro da sua aposentadoria; mas nunca achei que fosse me esquecer. Não tinha noção do quão triste é o Alzheimer.
Poucas eram as vezes que ao ouvir o meu nome, lembrava que era da sua neta. Me afastava para chorar, era o mesmo que me matar aos poucos. Nós sempre fomos grudadas, ligadas por um fio que unia os nossos corações. Fui te perdendo aos poucos, até que não pude mais ver o brilho dos seus olhinhos. Tentei tanto ser forte. Aliás, tento todos os dias. Mas, sempre que te lembro... os olhos marejam, o coração palpita: eu RESPIRO saudade!
Nunca choro de tristeza, pois a senhora me fez imensamente feliz. Só que é tão difícil não receber o seu abraço quentinho, o cheirinho que amassava o nariz; não ver os seus olhos quase fechando ao sorrir no nosso reencontro.
Agora o seu lar é no Reino Divino e dentro do meu coração.
Espero que esteja em paz, minha menina.
Eu te amo!










