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@fazsentidopravoce
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Existe uma diferença entre perder o amor de alguĂ©m e perder a fantasia de ser insubstituĂvel para esse alguĂ©m.
Ăs vezes continuamos amados, mas deixamos de nos sentir Ășnicos. E essa perda pode doer tanto quanto o abandono.
JĂĄ fiz as pazes com a sua ausĂȘncia. JĂĄ aceitei que vou viver apenas das suas recordaçÔes.
JĂĄ nĂŁo dĂłi tanto. A cada dia, sinto menos aquilo que criei na memĂłria deixarei mantido lĂĄ.
Nos meus sonhos, vocĂȘ me amava, me contava dos seus dias, me dizia coisas lindas. Mas a realidade gritou alto e levou vocĂȘ de lĂĄ.
Cada vez eu sinto menos, cada vez eu penso menos naqueles dias em que existia vocĂȘ.
Cada vez eu sinto menos, cada vez me distancio, e cada vez me sobra menos daquelas partes que pertenciam a vocĂȘ.
Perfeccionista
âEra perfeccionista, tĂŁo perfeccionista que, para evitar qualquer falha, nem começava.â
(Autor desconhecido)
Eu estava animada, mas, ao me deparar com uma cena, os reflexos de insuficiĂȘncia sussurraram em meus ouvidos o quanto eu era incapaz.
Em seguida, me deparei com a frase acima. E os sussurros, pela primeira vez, perderam a voz.
-Caroline. đ
Entre o medo de ser demais
e o cansaço de ser de menos,
estou aprendendo a ser sĂł eu.
đ
Eu fui o meu prĂłprio vilĂŁo,
Fui as pedras que atravancavam o meu caminho
Coloquei empecilhos que sabotaram as minhas prĂłprias conquistas
Me coloquei num relacionamento abusivo comigo mesmo, menosprezando as minhas qualidades, duvidando da minha capacidade, me diminuindo ao ponto de nĂŁo mais aparecer.
Eu fui carrasco de mim mesmo, e doeu muito saber disso.
- Lisie.
HĂĄ dias em que a vida parece estar diante de mim, inteira, disponĂvel, e ainda assim eu a observo como quem olha uma vitrine fechada.
Vejo pessoas se movendo com entusiasmo. Começam cursos, criam projetos, aprendem instrumentos, descobrem novos caminhos, apaixonam-se por rotinas, acordam com planos. Eu as observo com uma mistura de admiração e espanto, como quem tenta decifrar um idioma estrangeiro.
Não é que eu não queira viver. Quero. E talvez queira até demais.
Quero sentir beleza nas pequenas coisas de que tanto falam. Quero acordar com vontade. Quero me interessar genuinamente por algo a ponto de esquecer o relógio. Quero me dedicar sem transformar tudo em esforço. Quero experimentar aquele estado em que a pessoa simplesmente vai, sem precisar se arrastar até si mesma.
Mas hå épocas em que viver parece exigir um motor que não encontro.
Cumpro tarefas, compareço aos compromissos, sigo o roteiro esperado. Faço o que precisa ser feito. De fora, talvez pareça suficiente. Por dentro, porém, hå uma pergunta silenciosa que insiste: é só isso?
NĂŁo faço essa pergunta por ingratidĂŁo. Faço porque sinto que existe alguma camada da existĂȘncia que ainda nĂŁo alcancei. Como se todos soubessem onde fica a nascente da ĂĄgua, e eu permanecesse tentando matar a sede com mapas.
Durante muito tempo, achei que o sentido viria pronto. Quem sabe em uma conquista. Em um reconhecimento. Em alguma certeza definitiva sobre quem sou e para onde devo ir. Esperei por revelaçÔes grandiosas, como se a vida precisasse se anunciar com trombetas.
Hoje desconfio de outra coisa.
Acredito que o sentido nĂŁo chega vestido de destino. Talvez ele entre devagar, sem ser notado, quando regamos o que ainda estĂĄ vivo.
Talvez esteja em terminar uma pĂĄgina. Em aprender algo lentamente. Em sustentar um vĂnculo bom. Em ouvir uma mĂșsica atĂ© o fim. Em perceber a luz da tarde atravessando a casa. Em rir sem planejamento. Em começar de novo sem transformar isso em fracasso.
Hoje percebo que vinha procurando nos lugares mais altos, quando ele costuma morar rente ao chĂŁo.
Ainda nĂŁo tenho respostas. Continuo, muitas vezes, me sentindo Ă procura.
Preciso aprender que viver nĂŁo Ă© encontrar um grande motivo de uma vez por todas, e sim cultivar pequenos motivos que sustentem o percurso.
Sinto falta de algo que nunca vivi.
Não é de alguém, nem de uma história que acabou.
Ă de um tipo de encontro.
De ser vista de um jeito mais profundo, de ser escolhida sem esforço, de ser lembrada sem precisar pedir.
A vida segue, com relaçÔes possĂveis, com afetos reais.
Mas, Ă s vezes, fica essa sensação estranhaâŠ
de que havia mais.
E, em algum lugar dentro de mim, esse âmaisâ ainda existe, mesmo sem nunca ter existido fora.
Tem tanta coisa passando pela minha cabeça neste momento
que nĂŁo sei o que fazer com elas.
Mesmo querendo tirar à força do meu peito uma palavra sequer, eu não consigo.
Fujo das pessoas como o diabo da cruz
e me apego a quem jĂĄ nĂŁo mais importa.
Essa infeliz necessidade de ser lembrada como alguĂ©m especialâŠ
Uma falta que talvez nunca seja preenchida.
Tem dias em que eu nĂŁo estou tristeâŠ
mas também não estou inteira.
Eu passo por coisas que normalmente me puxariam pra vida,
um vĂdeo de alguĂ©m se cuidando,
um detalhe bonito de algum lugar,
uma cena que deveria me inspirar,
e por alguns segundos eu até sinto vontade.
Mas logo passa.
E eu fico só⊠suspensa.
Como se nada conseguisse me segurar por muito tempo.
Ultimamente, tenho me sentido assim:
um vazio silencioso misturado com ansiedade.
Uma inquietação que não sabe pra onde ir,
e um buraco que parece nĂŁo ter fundo.
Ăs vezes eu penso que Ă© porque, no fundo,
eu comecei a acreditar que nada realmente preenche.
E quando a gente chega nessa conclusĂŁo,
até as coisas que a gente ama ficam distantes.
Até eu.
Talvez eu sĂł esteja cansada.
Talvez eu sĂł esteja tentando me proteger.
Ou talvez eu esteja aprendendo, do jeito mais difĂcil,
que o que eu procuro nĂŁo Ă© algo que me complete,
Ă© algo que me devolva.
Deus, tudo desmoronou aqui dentro,
nĂŁo sei mais o que penso,
nem pra onde devo ir.
As coisas ficaram complicadas,
minhas mĂŁos estĂŁo atadas,
nĂŁo vejo como sair.
Hoje sinto minha fé abalada,
mas nĂŁo te culpo de nada,
sei que a culpa Ă© sĂł minha.
JĂĄ nem sei se vocĂȘ ainda existe
ou se tudo era utopia,
uma falsa luz que insistia
em me fazer acreditar.
O mundo Ă© louco,
completamente complicado.
Inocentes sĂŁo ceifados,
sĂŁo tambĂ©m abandonadosâŠ
E vocĂȘ, onde estĂĄ?
Dizem que nĂŁo devemos te culpar,
apontam o tal do livre-arbĂtrio,
mas agora o meu ser
nĂŁo quer mais entender.
DĂłi aqui dentro,
não consigo ver esperança,
cansei de ouvir sobre confiança
dos que dizem ter fé.
SĂł quero agora,
com vocĂȘ, desabafar,
ou apenas comigo,
caso vocĂȘ nĂŁo esteja aĂâŠ
Mas, se existe,
espero que um dia saibamos
o porquĂȘ de tudo isso,
o porquĂȘ do seu silĂȘncioâŠ
e, enfim,
encontre a paz.
- Caroline. đ
Olho por aĂ, procuro o seu olhar, mas nunca o vejo em nenhum lugar.
Quando apareces, Ă© como zombeteira; mantĂ©m o silĂȘncio, me confunde inteira.
Também te provoco como quem quer nada, ficando à espera de sua mirada.
VocĂȘ aparece, mas depois se esconde, me deixa perdida, sem um horizonte.
Acho que Ă© melhor permanecer calada; nĂŁo vou pĂŽr em risco, presa nessa estrada.
VocĂȘ aparece, mas depois se esconde, me deixa perdida, O silĂȘncio responde.
- Caroline. đ