Seu nome é Gellert Grindelwald, possui quarenta e oito anos e é o vice-diretor de Hogwarts. É frequentemente confundido com Nikolaj Coster-Waldau e está atualmente sendo interpretado por Liz.
Grandeza nunca fora uma escolha, apenas seu mero destino, ou assim Grindelwald foi colocado a acreditar desde jovem. Sua família era das mais antigas, ainda que não muito conhecida, mas não menos respeitada, afinal, a prosperidade angariada lhes foi concedida nos últimos anos dez anos de maneira quase que exorbitante. Quando ele nasceu, um bebê robusto e de fios aloirados, os Grindelwald já dominavam metade do mercado de armas na Hungria. Eram importações e exportações para diversos países, algumas coisas até ilegais e por baixo dos panos, e, de acordo com seu pai, seria tudo seu legado; conquanto, o jovem nunca se interessara por tal.
Ainda jovem se mostrara brilhante e, ainda jovem também, já se exibia sua torpeza. Seus interesses nunca fixaram-se no dinheiro por si só ou no poder pelo poder, mas sim pela história e pelo que ele realmente significava. Encontrava na filosofia de Maquiavel o que o mundo e as pessoas tão pouco espertas que o cercavam falhavam em mostrar, seus estudos se fazendo ainda mais intensos nesta área depois que passou a interessar-se pela vida de Hitler. Julgava-o extremamente inteligente, mas tolo em seus desejos, o que não queria dizer que não se fizesse de certa forma um foco de inspiração que, graças às palavras do pai e o encorajamento da mãe, embebidos em tudo que o dinheiro poderia comprar, enfiaram em sua mente ideais dos mais elitistas – e como bom menino, abraçou-os.
Bom menino, porém, o loiro não manteve-se por muito tempo. Foi num acidente trágico que viu-se sozinho, com uma fortuna imensurável nas mãos com apenas doze anos e, sem mais guias, sua mente tomava caminhos ainda mais tortuosos. Os tutores e advogados responsáveis para cuidar dele tinham de lidar com alguém de personalidade mais fria do que esperavam para uma criança, nos seus olhos clara toda a perspicácia que seu tamanho escondia. Nunca aceitava não como resposta e raramente ouvia conselhos; foi então que sua tia, Batilda Bagshot, decidiu por bem intervir.
Sempre tivera uma ligação forte com a mulher, mais do que feliz por poder discutir com a tão famosa historiadora acerca do mundo, acerca do tempo e de como ele se tecia e de como cada país se tornou o que era, como cada pessoa importante permeava-se no tempo por seus feitos. Os bens, as fábricas, foram todos vendidos, a fortuna (agora ainda maior) mantida, e de bom grado ele acabou por mudar-se para a Inglaterra. O que se mostrou como certo, afinal, lá conheceu Dumbledore.
O jovem de cabelos tão pretos e olhos claros tomou-lhe a atenção pois, como ele, não era como as demais pessoas. Um herdeiro tão importante como Gellert e tão inteligente quanto. Se parasse para pensar que a amizade começara num simples jogo de xadrez, que achou que realmente ganharia fácil, mal acreditaria em si mesmo; mal acreditaria na importância que aquela figura teria para si.
Se Dumbledore era o sol, com sua candura velada numa postura dura, Gellert era Lua. Sombrio e solitário. Eram opostos, especialmente em suas ideias, mas não demorou muito para que o loiro moldasse a mente daquele que parecia tão afeiçoado a si, muito mais rápido do que Gellert afeiçoara-se; amor infantil.
Dava vontade de rir, mas dizer que não havia ali traços de atração de sua parte seria igualmente mentira das mais absurdas, então, deixou-se aproveitar. Deixou-se aproveitar do amor de Albus e deixou-se aproveitar da própria influência para torcê-lo em seus próprios ideais, em torcê-lo para o bem maior; ao menos por certo tempo. Com o crescimento de ambos, afinal, vieram divergências. Dumbledore duvidava do propósito do elitismo, decidira estudar pedagogia como Gellert, mas suas razões eram infinitamente mais nobres, enquanto a do Grindelwald eram a possibilidade de moldar mentes jovens como ele queria, em seus ideais.
Foi devagar que ele assistiu aqueles olhos mudarem, devagar que assistiu-o duvidar dos próprios sentimentos, devagar que o viu escolher um lado oposto o seu; tudo por uma morte, de um rapaz que sequer guardara o nome, que foi incapaz de aguentar o tranco da vida. Era estúpido, era ridículo.
É claro, a situação de Ariana, ao saber da verdade, atingiu-o por igual. Ela era, afinal, a irmã mais nova da única mente que parecia capaz de acompanhar a sua, do único homem para quem já se abrira realmente e revelada seus lados jamais vistos, mas maior que qualquer pena era seu ódio. Ódio por ser deliberadamente deixado de lado, ódio pela amizade de anos ter se findado de maneira unilateral e por fraqueza alheia.
O rancor encheu seus ossos e, então, decidiu fazer de sua missão atrapalhar a missão alheia. Se Albus seria o bom moço, faria questão de ser ainda pior, faria questão de atormentá-lo, de chamar sua atenção. Porque por mais tortos que fossem seu ideias, o sentimento nutrido era, na realidade, bastante sincero. Era tudo que lhe sobrara, Albus era tudo que ele conhecia, e era quem, contra todas as expectativas, conseguia tirar o melhor dele. A tarefa, felizmente, fez-se fácil, a oportunidade perfeita surgindo quando achou em Riddle um pupilo; não tão bom como gostaria, mas aceitável.
E Gellert, que formou-se em pedagogia e especializou-se na área por igual, não tardou a ser convidado pelo jovem aprendiz a ajuda-lo, aceitando de pronto retornar à Hogwart, onde toda aquela história começara, deixando o ensino público e tomando para si o cargo de vice-diretor. Querendo ou não, Albus teria de encará-lo agora.
Seu senso de grandiosidade e superioridade são marcas registradas não apenas de si, mas também de sua família. Desde pequeno, Gellert aprendeu a arte da ambição e da arrogância. Seus sorrisos são repletos de ironia quando dirigidos a alguém que não faça parte da elite. Mas um traço que carregou consigo desde o início foi o seu charme. Usado da pior forma possível, o Grindelwald abusa de tal peripécia para obter o que desejar. Um estrategista nato, suas palavras são cuidadosamente consideradas em todos os momentos; o desejo de criar mentes, de influenciar os mais jovens a seguirem o caminho correto — ou melhor, o que segue, ainda queima em seu peito.
Gellert pode não admitir, mas também possui pontos fracos. Um deles, talvez um dos únicos, são os sentimentos que esconde no local mais profundo de seu âmago. No entanto, por não demonstrar medo ou hesitação na frente de nenhum ser vivo, é difícil acreditar que o homem de cabelos dourados possui alguma fraqueza.
Para os que o conhecem, Gellert nunca se importou em negar que o desejo de tornar-se um pedagogo veio da forma simplória que seria para influenciar as jovens mentes; para formá-los da maneira correta. Aceitar o cargo em Hogwarts não passou de uma maneira para perturbar o velho amigo, isso foi claramente o motivo. Suas crenças e opiniões são ainda inegavelmente elitistas, e Gellert não se incomoda nem um pouco em mascarar o que realmente acredita. No entanto, os olhares de desprezo para os bolsistas são frequentemente disfarçados com comentários em um tom brincalhão ou provocativo, mas a verdade banha suas palavras e apenas os mais tolos acreditam que o que o mesmo diz, não é, de fato, o que seu coração está cheio.
O seu apreço pelas famílias Lestrange, Carrow e Black sequer costuma ser disfarçado; Gellert não dá importância para com o que pensam de si, por isso o favoritismo é claramente demonstrado.
Foi apenas após o afastamento de Albus que o Grindelwald percebeu que estava em maus lençóis. O feitiço parecia ter virado contra o feiticeiro já que, como suas intenções iniciais para com a aproximação do outro homem estavam focadas nos ideais que compartilhavam e Gellert claramente tirava proveito dos sentimentos a si direcionados por aquele que um dia considerou um bom amigo — e se fosse sincero, bem mais que apenas isso —, com o passar dos meses, o coração gélido finalmente doeu. Não que fosse admitir, afinal, sentimentos tornam as pessoas fracas e vulneráveis. Todavia, levou anos para que as barreiras em torno de si estivessem devidamente estabelecidas. O sorriso não alcançava os olhos, mas sim destilava sua frieza; porém, pelo menos o nome que passara tanto tempo sem conseguir pronunciar, agora fluía de seus lábios sem que causasse-lhe algum dano.
O convite feito por Riddle para que tomasse o cargo de vice-diretor na Hogwarts foi aceito no mesmo momento sem um pingo de hesitação. Já premeditara seus passos antes mesmo do jovem, talvez, pensar em oferecer-lhe uma oportunidade. Riddle, na opinião de Grindelwald, não era tão brilhante quanto o seu ex amigo, porém pelo menos este não demonstrava dúvidas sobre seus interesses, muito menos ponderava sobre os dizeres de superioridade.
O seu gosto por trajes finos e caros é conhecido por todos. O vice-diretor nunca é visto usando algo que não seja feito sob medida pelos mais refinados alfaiates. Ternos completos e elegantes compõe o seu guarda-roupa.
O seu repertório de línguas fluentes é tão extenso quanto a árvore genealógica de sua família. Francês, espanhol, latim e alemão são algumas das que ingressam na lista. O Grindelwald raramente expõe com certeza as que completam.
Hábitos ruins foram adquiridos com o decorrer dos anos, e um desses foi o de acostumar-se com um charuto entre os lábios. De certo, não traga mais do que dois por dia, mas já é o suficiente para que o cheiro continue impregnado em suas vestimentas.