Voltando a escrever simplesmente por medo de me tornar uma dessas pessoas que não conseguem se expressar e pra se envolver, abraçam arvores. Eu já gosto de pele. Gosto de cheiro. De mãos e de sorriso também. Eu gosto de mim e é por essas e outras que ando prezando tanto o pouco que me sobra. Hoje eu fiquei pensando como deve ser chato pra caralho não sentir nada, não ter em quem pensar. Eu vivo falando sozinha, ensaiando conversas que nunca sairão do papel. Chega a ser divertido ver o ensaio descendo pelo ralo, já que um sorriso é o suficiente pra acabar de vez com todo aquele meu discurso de gente-frustrada-não-obrigada. No fundo, eu acho que é bom ter alguém pra olhar a foto e falar 'Pô, você bem que podia ser minha, né?!". Dá até vontade de ser alguém melhor, fazer compras, emagrecer, repicar o cabelo. É gostoso sentir aquele medo de ver a pessoa com o pé na porta, já pronta pra girar a maçaneta e falar adeus. É gostoso porque você começa a planejar mil coisas pra convencer ela a ficar, sendo que no fim das contas, ela só fica se quiser. Não há carro alegórico no mundo capaz de barrar a passagem se a pessoa realmente não estiver mais afim sambar na sua avenida. Demora um pouco pra gente entender que coisa grande não se mendiga. Você dança, canta, se fantasia e tira as mascaras. Pode tentar até malabarismo. Se a pessoa não quiser, ela corre, escorrega, cai e foge. Se ela quiser passar por você, tudo que pode fazer é dar licença e ficar olhando da arquibancada. Mas e se o enredo for diferente? Tem sensação melhor do que ver alguém ficar simplesmente porque quer? Se ela fica, é só samba, confete. É cerveja gelada e no quesito coração saltitante, a nota é dez.