Lembro-me como se fosse ontem, as Tuas mãos me guiando, Teus braços firmes me segurando. Quando o vento batia, Teu calor me esquentava. Nada me intimidava, afinal, você me protegia. Mas, algo me encantou e eu não sei exatamente o que foi, mas sei que em uma fração de segundos saltei do Teu colo e sai correndo. A paisagem, o terreno, as estradas, tudo era novo para mim, tudo era inédito, tudo me deslumbrava, tudo me envolvia. O tempo foi passando, fui mergulhando e desfrutando de tudo o que aparecia em minha frente e com isso, feridas, marcas, cansaço e angústia foram aos poucos me consumindo, até chegar ao ponto de estar no chão frio. Caído, sem forças, perdido e sem destino. Sentia saudades de toda aquela proteção e o amor que Tu tinhas comigo, então, deixei tudo para trás e saí rastejando de volta para o meu verdadeiro abrigo, os Teus braços. Chegando em casa, a porta estava aberta, a mesa farta de comida, o ar estava perfumado e quando olhei para o lado lá estava Você com os braços abertos, com um sorriso de ponta a ponta dos lábios e com o peito transbordando de amor, dizendo repetidamente “Filho, eu te amo”. Não hesitei duas vezes e pulei no Teu colo, e foi ali que percebi o quanto me amava. É pai, eu passei, experimentei, e vivi de tudo um pouco, mas a verdade é que quando se prova do Teu banquete, migalhas algumas serão capaz de saciar a nossa fome.