você cheira a leite.
não beija quando vai nem fode quando fica.
é o meio termo que ninguém quer,
o morno que ninguém suporta.
não se compromete para não perder a pose.
não arrisca diálogos mais profundos porque não sabe nadar.
não se envolve, porque tem medo de não ganhar mais as cinco estrelinhas heteronormativas do pai.
vende liberdade mas morre de vontade.
é fulgaz.
é raso porque o afeto assusta,
desestabiliza o controle.
prefere dar as cartas e goza da aceitação quando o jogo termina.
só que nem sempre termina quando o jogo acaba.
veste camisa, mas esconde o desejo de arrancar os botões,
dizer que é meu,
de evoluir junto e pegar na mão quando o outro declara medo.
prefere dormir na viagem.
só aprendeu a apanhar,
a ser cuspido,
a amar no inferno.
só respira no planejado.
causa pane com divergências.
não aceita.
pede para calar o bico,
ganhando no grito que ninguém escuta.
só quando o peito dá uma bronca.
continua a vida porque é o que sabe fazer de melhor.
se encantando por corpos cheios de salada para botar no currículo.
nunca se sabe quando se terá uma mesa de bar e amigos.
roda,
beija, beija, beija
e se afoga no buraco da cama
com a Joana, Maria, o quem sabe, José ou Mariana?
deixa traços,
marca com abraços,
mas não segura,
não fica.
até convence,
mas ainda cheira a leite.
// guipintto.












