A BELEZA DOS BRINQUEDOS QUEBRADOS
Querida Clarice,
O amor é como quando você é criança e ganha um brinquedo novo em uma caixa. Você brinca com ele por um tempo, até que, um dia, ele quebra. Você não o joga fora porque o ama, e nem brinca mais com ele por estar quebrado. Porém, isso ainda é melhor do que deixá-lo na prateleira, dentro da caixa, com medo de quebrá-lo.
Clarice, se preferes guardá-lo na caixa, sinto dizer que não o amas.
O que amas é o conforto que ele oferece, eternamente aguardando a necessidade do teu lazer.
O que amas é o estado da perfeição imutável que tu idealizaste. O que amas é a barreira que separa a tua versão atual daquela que vai se frustrar quando quebrares o brinquedo.
Clarice, apenas covardes deixam os brinquedos na caixa. Estou cansado de ver os meus na prateleira. E a única ideia que me permito amar hoje é a do seu nascimento.
Com amor,
Hashid












