a ideia de exposição quanto abrir-se para o outro daquela maneira, acabara esvaindo-se por fim. não havia o que ser exposto quando ela mesma não conseguia encontrar em meio a seu cerne, em meio a seu existir algo que pudesse ser descrito como uma vulnerabilidade de fato; colocara o seu desejo por poder como tal, apenas para que pudesse fortalecer o seu ponto, para que ele pudesse compreendê-la em meio a seus devaneios e que isso lhe bastasse. a verdade? florence era vazia, desprovida de qualquer sentimento ou fraqueza, por não ter nada em meio ao seu âmago. a ideia de tornar-se rainha era a única coisa que a mantinha erguida, que a mantinha em meio a um caminho que decidiu trilhar outrora; não havia nada além daquilo. quando mais nova, questionou a si mesma o porquê de não ser como as outras garotas, de como não amar como elas; não encontrara resposta na época, mas diante de alexei e da maneira como ele parecia sedento por ouvir verdades que fossem o bastante, ela entendia. entendia que não poderia ser como as outras uma vez que, tivera uma infância divergente destas; encontrara no prazer uma maneira de colocar suas frustrações para fora, de fortalecer a si mesma quando mais nada era capaz de fazê-lo. não tinha o pai ao seu lado, jasper o tinha; a mãe importava-se pouco, o bastante para deixá-la com babás, para que deixasse a filha de lado quando assuntos femininos lhe pareciam mais importantes. não tinha fraquezas porque nada seria possível derrotá-la; poderia sim, perder o título de princesa, poderia perder o pouco que tinha da família, mas isso seria pouca coisa. não importava-se verdadeiramente com esses pormenores, importava-se apenas consigo mesma; e se ainda sim, precisasse abrir mão de quem era, o faria sem pensar duas vezes. era como um deserto, não havia nada além de areia e um sol escaldante, queimando tudo ou todos que ousassem permanecer no âmbito por muito tempo; nenhuma vegetação poderia ser capaz de criar raízes ali. o interior era ressecado demais, havia apenas o desejo, um sentir que a deixava certa de ser a única coisa responsável por seu fracasso; lei do retorno.
mostrou-se atenta e calada enquanto o escutava, as palavras do homem a tocando com mais força do que o esperado. alexei falava que ambição não era uma derrota, mas que a ausência de conhecimento para consigo mesma o seria. ela gostaria de dizer-lhe que estava errado, que ela conhecia a si mesma propriamente e com clareza de detalhes, porém seria uma mentira. havia muito daquela extensão que não havia sido explorada e não o fizera por medo, por receio de revirar-se do avesso e descobrir que era apenas uma camada grossa de nada com um pouco mais de frustração; preferia manter-se daquela maneira e possivelmente, ele estava certo. aquela seria a sua maior fraqueza, mas sustentava na face que não, não era; jamais admitiria para alguém como ele, que mesmo propenso a aceitar seu convite de ser um aliado, lhe era um desconhecido. fazê-lo sim, seria como uma exposição da qual não poderia recompor-se, refazer-se em elegância e inteligência. e por fim, viu-se sorrindo quando entendeu que ele estava juntando-se a ela naquela jornada; alexei falava em como eram idênticos e mais do que isso, falava que posteriormente assinariam um contrato quanto aquela aliança. se pendesse somente da scarbrough não seria necessário, poderiam dar por feito o acordo apenas com a certeza de suas palavras, da maneira como se portavam; contudo, se ele gostaria de ter em mãos alguma prova escrita do quão sério falava, do quão importante era aquele momento, o daria sem maiores empecilhos. deixaria no papel as suas intenções marcadas, escreveria também as regras e do sigilo que era preciso ser mantido; se ele ainda desconfiava das suas intenções, poderia fazer o mesmo. ❛ — o faremos como for da sua vontade, alteza. neste instante, manteremos nosso acordo de pé apenas com as promessas provindas de nossos lábios. e a fala fora proferida sem segundas intenções, tão logo transformou-se; mudou no instante em que o outro aproximou-se dela, as palavras de que reinariam no inferno a percorrendo e fazendo com que um arrepio a percorresse a espinha.
naquele momento, algo em seu âmago vibrou; um desejo de sim, conquistar ao inferno dele e consequentemente, ranu e posteriormente os demais reinos que se colocassem no caminho de potência que formariam; pensou em respondê-lo, mas os lábios foram pressionados pelos do russo e ela apenas deixou-se levar. a principio no mesmo ritmo que ele, de forma tranquila para que posteriormente estivesse o acompanhando em vontade; o desejo que a muito nutria para com ele pudesse ganhar forma. florence levou uma das suas mãos para a nuca do homem, o mantendo próximo enquanto sua língua o explorava, buscando pelo gosto dele que ficara agarrado em sua consciência na noite do festival. era um inferno que a mente o levasse para aquela noite, que todas as noites acordasse pedinte por um pouco mais dele, mais daquele toque; a mão que encontrava-se buscou pela extensão dele, agarrando-o pela lateral, as unhas indo contra a derme ainda coberta pelos tecidos; e meio ao que a percorria, ela permitiu-se gemer em meio ao beijo, ao toque que a deixava necessitada. o calor fizera-se presente, de forma que anteriormente não o sentia; o corpo parecia hiperventilar diante da proximidade, da forma como encontrava-se presa naquela estante de livros. e quando algo a percorrera, afastou-se minimamente para que pudesse dizê-lo: ❛ — vamos acabar com o que começamos, romanov. sorriu de forma a provocá-lo, não demorando-se em roubar-lhe os lábios uma vez mais, agora o mordiscando enquanto as mãos afastavam-se do contato que era mantido, apenas para poder trabalhar no feche da calça que ele usava. o queria naquela noite e não sairia daquela maldita biblioteca, sem tê-lo dentre suas pernas.
Inebriante, assim como envolvia-o como uma coberta ardente via a mesma intensidade na face de Florence quando escutou suas palavras antes de finalmente, propiciar à ambos o que ansiavam, de fato, momentaneamente. A privacidade, somando-se com a ausência de câmeras e guardas tornava, à ambos, um ambiente completamente favorável para que a continuidade dos atos que deveriam ser mantido às escuras continuassem. A destra empurrava a estante de livros atrás do corpo da loira e não fosse a parede, provavelmente essa seria derrubada. A esquerda mantinha-se ocupada a segurá-la perto de si, seus dígitos percorrendo a extensão da espinha da Scarbrough, coberta pelos tecidos de suas vestes até encontrar algum milímetro de tez nua para que pudesse permitir o tato epidérmico, ousando a admitir-se desejar causar arrepios na radunense com seu toque. A profundidade do beijo foi gradual, ao passo que Scarbrough parecia embevecida em o fazê-lo com maior voracidade que o russo. Dessa forma, apenas acompanhou a ritmicidade da mulher, deixando-a indicar o caminho ao qual traçavam enquanto as aferências táteis dos toques de sua língua e de Florence eram transmitidos pelo seu corpo todo.
Sem quebrar contato visual o russo abaixou-se, ficando quase de joelhos diante da figura de Florence para poder alcançar a barra do vestido alheio. —— Moya lyubov’¹... —— As palavras em russo eram arrastadas em sua laringe, enquanto as falanges destras tocavam a pele das pernas de Florence, gradualmente elevando-se conforme ele próprio erguia-se e levantava a barra do vestido alheio com suas mãos abaixo dos tecidos. Um sorriso entretido, carregado tanto de luxúria como desafio pousou em seus lábios antes de beijá-la no pescoço após levantar-se completamente, roçando os dentes na pele alva da radunense, sem deixar marcas, contudo. Ambas as suas mãos jaziam abaixo dos tecidos dos vestido de Florence, acariciando a extensão das coxas femininas antes de envolvê-las em seus braços em movimento abrupto, retirando-a do chão para que pudesse levá-la em um ponto específico da biblioteca: até uma mesa, inocentemente colocada ali e com alguns livros espalhados em sua superfície. Seus lábios encontravam-se ocupados com o pescoço de Florence, quando depositou-a sobre o móvel, dando-lhes maior liberdade e permitindo novas ideias surgirem na mente do russo.
—— Me faça ficar de joelhos por você. —— E enquanto falava, a destra novamente mergulhava no interior dos tecidos que cobriam as pernas da rival para traçar um caminho, roçando-os na parte interior das coxas femininas, a temperatura elevando-se conforme aproximava-os da região íntima de Scarbrough. Antes, porém, de permitir que seus dedos adentrassem o tecido que roçava na ponta de seus dedos cobrindo-a, seus olhos exibiram um segundo desafio para Scarbrough. —— Me faça ficar de joelhos ou implore para que eu lhe conceda o que Vossa Alteza desesperadamente ansia. —— Das duas opções, ele acabaria da mesma maneira, às quais os olhos usualmente gélidos, agora tomados de desejo, já haviam imaginado.