Nina Hagen, 1983.

❣ Chile in a Photography ❣
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Nina Hagen, 1983.
'Paris Is Burning' (dir. by Jennie Livingston) [1990]
R.I.P. Versace by Dario Vitale
Carla Bruni for Vivienne Westwood 1997
Vivienne Westwood FW91
John Galliano//Dior spring 1998
I adore John Gallianos work for Vintage Dior <3
Stanisław Hiszpański (1904-1975), 'Sirens', 1963
Lynchian Rooms
Visto que talvez nem tudo seja falso, que nada, ó meu amor, nos cure do prazer quase-espasmo de mentir.
Requinte último! Perversão máxima! A mentira absurda tem todo o encanto do perverso com o último e maior encanto de ser inocente. A perversão de propósito inocente - quem excederá, ó •, o requinte máximo disto? A perversão que nem aspira a dar-nos gozo, que nem tem a fúria de nos causar dor, que cai para o chão entre o prazer e a dor, inútil e absurda como um brinquedo malfeito com que um adulto quisesse divertir-se!
Não conheces, ó Deliciosa, o prazer de comprar coisas que não são precisas? Sabes o sabor aos caminhos que, se os tomássemos distraídos, era por erro que os tomaríamos? Que ato humano tem uma cor tão bela como os atos espúrios - • que mentem à sua própria natureza e desmentem o que lhes é a intenção?
A sublimidade de desperdiçar uma vida que podia ser útil, de nunca executar uma obra que por força seria bela, de abandonar a meio caminho a estrada certa da vitória!
Ah, meu amor, a glória das obras que se perderam e nunca se acharão, dos tratados que são títulos apenas hoje, das bibliotecas que arderam, das estátuas que foram partidas.
Que santificados de Absurdo os artistas que queimaram uma obra muito bela, daqueles que, podendo fazer uma obra bela, de propósito a fizeram imperfeita, daqueles poetas máximos do Silêncio que, reconhecendo que poderiam fazer obra de todo perfeita, preferiram coroá-la de nunca a fazer. (Se fora imperfeita, vá.)
Quão mais bela A Gioconda desde que a não pudéssemos ver! E se quem a roubasse a queimasse, quão artista seria, que maior artista que aquele que a pintou!
Por que é bela a arte? Porque é inútil. Por que é feia a vida? Porque é toda fins e propósitos e intenções. Todos os seus caminhos são para ir de um ponto para o outro. Quem nos dera o caminho feito de um lugar donde ninguém parte para um lugar para onde ninguém vai! Quem desse a sua vida a construir uma estrada começando no meio de um campo e indo ter ao meio de um outro; que, prolongada, seria útil, mas que ficou, sublimemente, só o meio de uma estrada.
A beleza das ruínas? O não servirem já para nada.
A doçura do passado? O recordá-lo, porque recordá-lo é torná-lo presente, e ele nem o é, nem o pode ser - o absurdo, meu amor, o absurdo.
E eu que digo isto - por que escrevo eu este livro? Porque o reconheço imperfeito. Sonhado seria a perfeição; escrito, imperfeiçoa-se; por isso o escrevo.
E, sobretudo, porque defendo a inutilidade, o absurdo, • - eu escrevo este livro para mentir a mim próprio, para trair a minha própria teoria.
E a suprema glória disto tudo, meu amor, é pensar que talvez isto não seja verdade, nem eu o creia verdadeiro.
E quando a mentira comece a dar-nos prazer, falemos a verdade para lhe mentirmos. E quando nos cause angústia, paremos, para que o sofrimento nos não dignifique ou perversamente praza…
Fernando Pessoa, Livro do Desassossego
A reprodutibilidade técnica da obra de arte emancipa-a, pela primeira vez na história, de sua existência parasitária no ritual. A obra de arte reproduzida é cada vez mais a reprodução de uma obra de arte criada para ser reproduzida. A chapa fotográfica, por exemplo, permite um grande número de cópias; a questão da autenticidade da cópia não tem nenhum sentido. Mas, no momento em que o critério da autenticidade deixa de aplicar-se à produção artística, toda a função social da arte se transforma. Em vez de fundar-se no ritual, ela passa a fundar-se em outra práxis: na política.
Walter Benjamin, A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica
Rimbaud, Iluminações
5/4/22
Prophet of evil I ever am to myself: forced for ever into sorrowful auguries that I have no power to hide from my own heart, no, not through one night’s solitary dreams.
ruler of nothingness
I am caught in Love’s web so deceitful
None of my endeavors turned fruitful.
I knew not when I rode the high-blooded steed
The harder I pulled its reins the less it would heed.
Love is an ocean with such a vast space
No wise man can swim it in any place.
(Quotations from Chain of Iron, by Cassandra Claire)
“Ao produzir, o homem pode apenas proceder como a própria natureza, isto é, pode apenas alterar a forma das matérias. Mais ainda: nesse próprio trabalho de formação ele é constantemente amparado pelas forças da natureza. Portanto, o trabalho não é a única fonte dos valores de uso que ele produz, a única fonte da riqueza material. O trabalho é o pai da riqueza material, como diz William Petty, e a terra é a mãe.”
Returning, I had to cross before the looking-glass; my fascinated glance involuntarily explored the depth it revealed. All looked colder and darker in that visionary hollow than in reality: and the strange little figure there gazing at me, with a white face and arms specking the gloom, and glittering eyes of fear moving where all else was still, had the effect of a real spirit: I thought it like one of the tiny phantoms, half fairy, half imp, Bessie's evening stories represented as coming out of lone, ferny dells in moors, and appearing before the eyes of belated travellers.
Jane Eyre, Charlotte Brontë
MWW Artwork of the Day (¾/19) Judith Leyster (Dutch, 1609-1660) Boy Playing the Flute (c. 1635) Oil on canvas, 73 x 62 cm. Nationalmuseum, Stockholm
Judith Leyster, an independent artist with her own workshop and pupils, had a talent for painting lively scenes of people enjoying themselves in taverns or playing music. She produced most of her paintings between approximately 1629 and 1635; her artistic output decreased dramatically after her marriage in 1636. In addition to raising her children, Leyster may have managed the family’s business and properties; she probably also assisted with her husband’s art. By 1649, the family returned from Amsterdam to Haarlem, where Leyster spent the remainder of her life.
All known evidence indicates that Leyster virtually stopped working as a professional painter after her marriage to Miense Molenaer in 1636. The loss to Dutch art caused by her abandonment of painting when she was in her late twenties is keenly felt when we confront this painting od a boy playing the flute, which shows her at her best. The brushwork here has become personal, and the subtle gradations in value on the light-grey wall and the colouristic harmony of the boy’s red hat, olive-green jacket, violet trousers, and mottled green chair make an exquisite effect.
Estabeleceu, portanto, o óptimo artífice que, àquele a quem nada de especificamente próprio podia conceder, fosse comum tudo o que tinha sido dado parcelarmente aos outros. Assim, tomou o homem como obra de natureza indefinida e, colocando-o no meio do mundo, falou-lhe deste modo: «Ó Adão, não te demos nem um lugar determinado, nem um aspecto que te seja próprio, nem tarefa alguma específica, a fim de que obtenhas e possuas aquele lugar, aquele aspecto, aquela tarefa que tu seguramente desejares, tudo segundo o teu parecer e a tua decisão. A natureza bem definida dos outros seres é refreada por leis por nós prescritas. Tu, pelo contrário, não constrangido por nenhuma limitação, determiná-la-ás para ti, segundo o teu arbítrio, a cujo poder te entreguei. Coloquei-te no meio do mundo para que daí possas olhar melhor tudo o que há no mundo. Não te fizemos celeste nem terreno, nem mortal nem imortal, a fim de que tu, árbitro e soberano artífice de ti mesmo, te plasmasses e te informasses, na forma que tivesses seguramente escolhido. Poderás degenerar até aos seres que são as bestas, poderás regenerar-te até às realidades superiores que são divinas, por decisão do teu ânimo». […] Quem não admirará este nosso camaleão?
Discurso Sobre a Dignidade do Homem, Giovanni Pico Della Mirandola (1463-1496)
Christian Lacroix, Spring 1994 Couture
Via: https://www.vogue.com/fashion-shows/spring-1994-couture/christian-lacroix