A colega de barraca era o tipo de pessoa que Malu costumava evitar manter contato e em seus círculos de amigos. Era como se todas as meninas sem graças do seu antigo colégio tivessem unidas em uma só, a garota de pegada vintage era um clichê ambulante, pelo menos na cabeça da brasileira. Não compreendia como Junior e Heath sentiam atraídos por ela, principalmente o Sonserino. O Junior ela tinha noção, fazia parte da personalidade do outro acalentar os coitados e se misturar com qualquer pessoa sem graça que aparecesse na frente.
Mesmo antes de ser transferida para Hogwarts East High, Maria Luíza era obrigada a escutar Junior falar sobre sua melhor amiga. Todas as vezes que conversavam o nome da Joey era posto na conversa: “Você vai gostar da Joey”, “Ah! Porque a Joey é uma pessoa muito legal”, “Sabia que a Joey também gosta de cantar evidências no karaôke?”. Antes mesmo de conhecer essa tal da Joey, um ranço descomunal cresceu em seu coração. Era como se Junior estivesse colocando a outra em seu lugar, fazendo com que Joey ocupasse o vazio que havia no coração desde que foram separados.
Lembra com perfeição do primeiro momento que conversaram, sendo apresentadas por Junior, o qual insistia em exaltar as qualidades da outra. Em poucos minutos de conversa ela compreendeu o que significava, Joanna não passava de uma versão menos gostosa dela e MUITO sem graça. Como o primo, fazia parte do time do povão que não selecionavam bem as amizades. Mas uma coisa Malu tinha que tirar o chapéu, ela possuía ótimo gosto para namorados.
Como teria de atura-la no acampamento como colega de equipe, Malu estampou na face o seu melhor sorriso. Quem olhasse diria que estaria se divertindo na presença da outra, mas não passava de fachada, como todas as mulheres felizes em comercial de absorvente. “Afinal, porque essa sua amiga quer tanto essas frutas? Ela não poderia vir no nosso lugar?” Franziu o cenho descontente com a atividade, no fundo só queria aproveitar a bonança que o acampamento proporcionava. Nunca foi o tipo de pessoa que colocava a mão na massa para fazer as tarefas, mesmo quando o avô insistia que ela tentasse ajudar no cafezal, sentir como era trabalhar por um dia “Lolita, um clássico” O romance poderia ser errado, mas não fazia com que ela se interessasse menos com a história. Do mesmo modo como adorava Cinquenta Tons de Cinza. Lolita estava no top 5 dos seus livros favoritos de romance. “Você já leu? Eu acho apaixonante”
Era difícil acreditar que Maria Luiza e Samuel eram primos, as diferenças iam bem além da aparência, a maneira de se portar de ambos eram muito diferentes, mal parecia que cresceram juntos da mesma forma que Junior descrevera quando tocava no assunto de sua prima. Talvez, toda aquela relutância vinha apenas de sua parte, era verdade que ficara um tanto decepcionado em relação a mais nova dos Almeida, afinal, tinha pintado uma imagem completamente diferente da garota com todos os relatos de Junior, a expectativa de ter uma amiga que compartilhasse as mesmas “raízes”, por assim dizer, havia a deixado bem animada. Entretanto o que acontecera fora o oposto, mesmo dividindo o mesmo dormitório havia algo entre eles que não se misturava, no final, Joey acabou encontrando essa amiga em Sandra e Maria Luiza tornara-se apenas uma garota com quem dividia o dormitório. Talvez a única coisa que realmente tivessem em comum era Junior...
Pegar algumas frutas era o mínimo que poderia fazer naquele acampamento, além de que essa era uma das tarefas que precisavam menos de qualquer tipo de habilidade física, algo que ela não possuía “Bom, ela estava fazendo a contabilidade da comida, aparentemente teremos que nos virar para nos alimentarmos” comentou enquanto procurava as melhores frutas a serem colhidas, deveria ter prestado mais tenção quando sua avó ia a feira “Com isso em conta, trouxe um pouco de comida, caso queira pegar... Digo, não é bem comida, é mais um monte de doces e comidas industrializadas com pouco valor nutricional, porém, caso se canse das frutas tem de sobra” não se deu o trabalho de olhar palavra quando falou isso, estava ocupada de mais averiguando se aquela ameixa estava boa, porém o convite era verdadeiro. “Hum... Li esse livro depois de ter assistido The Crush com a Alicia Silverstone” o filme assistira pois arranjava qualquer desculpa para ver a atriz, já o livro foi por curiosidade e bom... Falar que não gostara era pouco, havia algo de muito perturbador na romantização da maioria com o assunto do livro “Ele realmente é... Um clássico” aquela era a melhor coisa a se dizer naquele momento.