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Morrer antes de morrer
Entende, que quando o amor nos alcança, deixamos de ser donos de nós próprios. Fazemos coisas involuntariamente. Nós continuamos a viver, sem querer na realidade viver. Entende que obsessão e amor hão de estar sempre ligados. Entende que hoje quero morrer mais que nunca. Não porque não te tenho, mas porque não sei como fazer as coisas mais triviais que costumava fazer. Deixei o yoga, voltei a fumar. Fracassei no que tanto lutei para conseguir. Deixa-me só fracassar mais uma vez antes de partir. Deixa-me só rastejar aos teus pés uma vez mais. Deixa-me dar-te um beijo forçado, mesmo que depois me batas. Deixa-me meu Deus, mesmo que logo a seguir me insultes e vás com outra pessoa. Deixa-me apenas tocar-te uma vez mais, cheirar-te um vez mais. Lês-me? Responde-me só via sms ou via facebook. Mata esta ansiedade que me corroí. Lembra-te que algum dia hás de chegar a este ponto, mesmo que tenhas cercado o teu coração com arame farpado. Amor corroí, amor consome e amor chega a matar. Amor não tem nada de bom. Deixa-me apenas te avisar para não caíres mais nessa armadilha, chamada “amor”. Não fracasses, como hoje estou fracassando. És perfeito. Quantas mais merdices tenho que te dizer? Deixa-me só humilhar-me uma vez mais e parto logo. Por favor amor, só quero os teus lábios, um segundo apenas e logo parto. Para sempre e bem para longe, mas dá-me os teus lábios, uma única vez mais ou morro antes de morrer.
PS
E já tanto tempo passou. Esta dor também já deveria ter passado. Quase meia-noite, olho em redor e tudo se mantém. O quarto continua intocável. Os meus sentimentos não se organizaram com o tempo. Tu continuas cá, sim, cá neste quarto. Está nos quatro cantos, nas roupas e na cama. Estás dentro de mim e no meu espelho. És o meu reflexo. És o ar que abastece este quarto, mesmo de porta fechada. Já passaram meses e eu continuo aqui. Já não escrevo com tanta frequência, porque tudo isto me atingiu. Eu continuo vivo, nem hei de fazer nenhum disparate, mas começo a questionar o que será felicidade. Não que não saiba o seu significado, mas custa a crer que venha a sentir tal. Não é que nunca tenha sido feliz, porque ... não tenho a certeza ... mas acho que já fui ... feliz ... não sei. É esta a parte horrível de uma depressão. Não ser capaz de se lembrar como era antes. Não ser capaz de ver que algum dia fomos felizes, talvez não sabíamos, mas fomos. Talvez, foi naquelas alturas em que andava de skate pelas ruas, com os meus amigos e a única coisa que sangrava era os joelhos. Talvez na altura que batia ás campainhas e fugia a correr. Talvez na altura que roubávamos os pães da padaria. Pareciam coisas tão triviais, que acho que até agora estavam esquecidas. Mas talvez, pensando bem ... foi talvez quando fui feliz. Hoje bater à campainha e correr é demasiado imaturo. Mas afinal a felicidade é a imaturidade, ou estou errado? Não sei sequer o que é mais o errado e o correcto. Eu escrevo estas coisas tão tontas que nem sou capaz de voltar a lê-las assim que as publico por tão tontas serem. Eu escrevo, simplesmente, porque há uma possibilidade quase inexistente de me vires a ler. Não quero likes, só quero um seguidor tu. Não quero mais seguidores, não quero que ponham gostos nos meus textos, porque em nada vos diz respeito, nem vocês entenderiam estas balelas. Só quero que voltes.
PS
who did that to you? Who fucked you up so bad, emotionally and mentally that you’ve completely shut down anyone who tries to help you. You don’t talk about your feeling, you push people away, and you let negative people in. You refuse to open up and let someone love or care about you. Who fucking did that to you?
c.s (via darling-youre-my-demon)
P’ra quem se perdeu
Quantas noites já adormeci no teclado? Quantas noites simplesmente não adormeci? Quantas noites dormi com o telemóvel junto à almofada? Quantas merdas de noites eu pensei que não iam acabar e sempre acabaram? Quantos mais anos tenho de esperar, por ti? Diz-me o que preciso de fazer e eu farei. Eu espero por ti todos os minutos da minha vida. Eu escrevo para ti todos os dias da minha vida. Eu penso em ti todos os segundos da minha vida, mesmo nas horas mais atarefadas, quando parece não caber mais nada na minha cabeça, mas tu estás sempre lá, não num canto, mas em primeiro plano. Diz-me onde falhei. Eu hei de concertar tudo. Diz-me onde nos perdemos, eu hei de encontrar-nos novamente. Aponta as minhas falhas e eu hei de concerta-las todas. Diz-me o que tenho de fazer que eu farei. Eu deixo-te para sempre se voltares a ser meu por mais um dia. Só mais um dia, para te mostrar e dizer o quão grande é este amor que tenho por ti. Dá-me uma noite mais, pronto, uma noite e eu deixo-te. Eu desapareço do mapa, eu morro, eu mato-me por ti, mas deixa-me consumir-te uma vez mais. Eu sei que sou doentio, que não estou ciente do que escrevo, do que digo ou do que sinto. Mas este sou eu no mais natural estado de loucura, de saudade. O auge da saudade, quando aperta de tal forma que o ar deixa de fluir. É aquela saudade que bate a toda a hora, que mata-nos, meu deus, não sei como descreve-la, ajudem-me por favor. Eu estou morrendo de algo que sempre disseram que não mata, a saudade. Eu juro que as marcas desta saudade são evidentes, na pele, na cara, nos olhos, na fala. Eu estou morrendo e todos estão se apercebendo, todos intervêm de algum modo, mas quem sou eu? Não sei mais quem sou, perdi-me em ti, deixei-me em ti, entreguei-me a ti e tu partiste, meu deus, levaste-me contigo, traz-me de volta, o meu eu, a minha sanidade, vêm ou eu morro. Mata-me ou eu mato-me. Mas aparece. Deixa-me ver-te uma vez mais, apenas uma. Vêm, corre, não consigo esperar mais, os meus dias são terríveis, a saudade é constante e o meu coração sangra, esvazia-se em sangue. Não o controlo mais, meu deus. Onde cheguei? Onde estou eu? Quem sou eu? Onde está aquele idiota que detestava todos e que apesar de solitário não sofria? Vêm, não amanhã, vêm hoje caralho, mata-me ou mato-me. Dá-me um tiro na cabeça mas deixa-me fugir primeiro. PS
Já li inúmeras vezes que devemos preservar as pessoas mais importantes da nossa vida. As pessoas focam-se tanto nos amigos, na familia e ás vezes em relacionamentos que se esquecem que as pessoas mais importantes da nossa vida somos nós. Amigos partem. Família diminui, relações são passageiros. Podemos perder tudo isso. Mas quando nos perdemos, é tão difícil nos encontrarmos que desistimos, ás vezes. E essa sim é a pessoa que nunca devemos perder, deixar partir, porque essa não volta. Essa pessoa nós precisamos a cem porcento. Não vivemos sem nós mesmos. Mas continuamos a nos preocupar com terceiros e cada dia nos perdemos um pouco. Nos amores platónicos ou fracassados. Na família que se degrada. Nos amigos que partem sem se despedirem. Em todas essas ocasiões nos perdemos, a nós, ao nosso coração que parte também com cada pessoa. E quando nos apercebemos estamos perdidos, ás vezes dentro de nós mesmos. PS
SOLidão
Amigos saem e entram da nossa vida, como se nossa vida fosse um quarto que qualquer um entra e sai. Amigos tal como entram, saem, sem explicações e ás vezes deixando tudo mais desorganizado do que já estava. Amigos são prescindíveis. Não hei de dizer que a solidão é uma solução infalível. Mas como tudo na vida é uma questão de habito. É uma questão de habituar-se à solidão. Solidão cura os males do amor, os males da saudade e os males dos apegos. Solidão ensina-nos a ser independentes. Podemos ser independentes financeiramente, mas antes de o sermos, precisamos de ser independentes sentimentalmente, precisamos de saber amar sem coração, sorrir sem intenção e falar sem motivação. Precisamos de nos matar um pouco por dentro, de nos torturar um pouco, ao ponto da dor deixar de ser dor. Precisamos de morrer ao ponto de não precisarmos de alguém, apenas de nós mesmos. Precisamos de nos magoar para nos entregarmos à solidão. Talvez, não tenhamos mais a sensação de felicidade eterna, mas com certeza não teremos outras desilusões que muitas vezes vêm mascaradas. Precisamos de matar o nosso coração e enaltecer a nossa consciência. Coração é ingénuo e inocente. Precisamos de o moldar, alterar até que fique dormente. Não por instantes, mas para sempre. Não precisamos de estar cheios de sentimentos. Não precisamos de nos encher de amor ou ódio. Sentimentos são corrosivos. Precisamos de nos moldar, de nos afastar e aprender a ver o mundo numa outra perspectiva, sem ninguém nos segurando as mãos, sem ninguém olhando a mesma paisagem que nós. Precisamos de nós, de enchermos-nos de nós mesmo, de amor próprio e egoísmo, porque senão formos senhores dos nossos corações, nunca havemos ser senhores das nossas vidas. E não há vida mais miserável do que aquela vivida baseada em sentimentos que corroem.
PS