Diferentemente do seu comportamento padrão diante de figuras do sexo masculino, Natalie conseguia enxergar certa graça na atitude extremamente grosseira de Nicholas Mackenzie. Por uma porção de questões próprias a ex-sonserina evitava companhias masculinas o quanto podia, ao menos quando estava sóbria. Em sobriedade os únicos homens com quem perdia mais que alguns poucos minutos eram aqueles que pertenciam à sua família, especialmente seus primos gays, e com seu chefe no Ministério da Magia, um homem que lhe parecia peculiar demais e que tinha como único objetivo não preencher o padrão de homem hétero mala. Por outro lado, em estado de ebriedade Abbott era mais receptiva a figuras masculinas. Eram nesses momentos que tinha suas travas de contenção suspensa, e se deixava envolver mais facilmente por quem quer que fosse. Era naquele estado que se permitia suprir os desejos carnais extremamente comuns a alguém de sua idade. Não era como se odiasse os homens em geral, mas a experiência desagradável que vivenciara por volta de seus dezesseis anos a marcara ao ponto de não deixá-la confortável ao redor da maioria. Prometera a si mesma que jamais cairia naquele tipo de armadilha de novo, e no quanto pudesse seria ela a ditar as regras de qualquer envolvimento. Promessa que renovara diante do que ocorrera a Alice. A experiência de sua melhor amiga era infinitamente pior que à sua, enquanto Bones seguia lutando com as próprias questões para se manter de cabeça erguida, Abbott em seu lugar provavelmente teria se retirado de cena por tempo indeterminado. E naquele ponto não negava que sentia muito orgulho da fortaleza que Alice demonstrava ser em momentos de caos. Norte de pensamento que tratou de acalmá-la um pouco mais quanto a preocupação que seguia martelando em si a respeito da melhor amiga. Alice sabia se defender melhor que qualquer um, pensou, ao voltar a afastar os fios grossos de seus cabelos do rosto, no mesmo instante em que notara a movimentação do homem ao seu lado. Era interessante a forma que ele abraçava os próprios joelhos, como se estivesse se contendo. Ao menos, era aquela a impressão que sua mente já turva pela mistura de bebidas lhe dava. – Não há nada o impedindo de realizar suas intenções sexuais. – rebateu, antes de arquear uma de suas sobrancelhas. Mesmo ébria Natalie possuía uma outra regra com relação a homens: nunca se envolver com alguém que poderia topar ao acaso no dia seguinte. Dar abertura as provocações sexuais de Nicholas era ir contra sua própria regra, mas naquele instante não se importava tanto assim, o que já indicava que não estava raciocinando adequadamente. Suspirou, profundamente, diante do comentário dele a respeito da própria família. – Imaginei que o fossem. A maioria ainda o é, mesmo que nos últimos anos tenham se esforçado para fingir que se adequavam a nova disposição política. – um ligeiro bufo escarnecedor escapou por seus lábios. – O Ministério baixou a guarda, a Ministra acreditou que era seguro protocolar as mudanças e puff. Estamos todos vivenciado uma nova era de caos. Tem sua graça. – murmurou, distraída com os próprios pensamentos. Natalie ainda não possuía uma opinião definida sobre os rumos que o mundo bruxo tomava. Literalmente se encontrava entre duas bandeiras, a que sua família materna defendera por anos, e a que sua família paterna sempre fizera parte. Era uma briga entre a manutenção de direitos das famílias completamente bruxas, contra uma maior abertura àqueles que adivinham de famílias não mágicas. Particularmente, não possuía nada contra nascidos-trouxas, de alguns até gostava bastante, como Fallon Evans que salvara sua bunda algumas vezes durante os anos em Hogwarts, especialmente em Transfiguração. Outros queria expurgar do planeta, como Arthur Badcock e sua cretinice. Existia em si um grande conflito interno porque por mais que gostasse de acreditar que possuía muito mais dos Abbott em si, Natalie estava ciente que a parte Black era que a dominava. A mesma parte que garantira a ela um lugar na Sonserina, e que a fazia levar a autoridade materna acima da paterna. Sendo assim, talvez pendesse para o mesmo lado que Selena, e por ter aprendido a conhecer a forma de atuação de sua mãe, tinha consciência de que ela esperava o momento certo de demonstrar suas inclinações. A posição que mantinham naquele momento era confortável, não valeria a pena jogá-la fora por um movimento que poderia ser apenas passageiro. Natalie voltou a arquear uma das sobrancelhas enquanto o ouvia informar sobre calabouços e torturas. Palavras que pareciam encaixar como uma luva no que o seu avô lhe explicara anos antes, sobre os Mackenzie serem peças coringas no que determinava as relações entre as nobres famílias bruxas. Pensar no tipo de tratamento que esperavam dispensar a outros seres humanos lhe embrulhava o estômago, o que tratou de não demonstrar em seu semblante que seguia impassível. Mesmo que possuíssem um total de zero intimidade, não a chocava que ele jogasse aquela informação em seu colo com extrema facilidade. O círculo purista era restrito, e era comum que coisas daquele tipo fossem vomitadas sem qualquer julgamento. – Aposto que deram guarita para algum parente meu sim. Se não foi um Black, foi um Malfoy, ou um Lestrange. Essa ninhada toda se mistura em uma só. – comentou, displicentemente, e sem deixar transparecer que não era a maior fã do fato de que tinha parentes em todas as árvores genealógicas possíveis. Poderia ter dito algo a mais, porém sabia que quando estivesse sóbria se daria de cara com um dilema moral. Levar, ou não, a sério as palavras dele sobre tortura, e se deveria ou não reportar ao departamento ao qual pertencia no Ministério. Revirou os olhos, exasperada com a dor de cabeça que teria posteriormente, e com a risada pra lá de esdrúxula do mais velho. Ao ouvi-lo recitar o motto dos Mackenzie percebeu que o conhecia, provavelmente de alguma de suas conversas sobre história com seu avô materno. Havia ali um significado interessante que em um outro momento talvez colocasse um sorrisinho de deboche em seus lábios. – Isso foi quase um elogio? Você tirou o doce dos meus lábios antes que eu tivesse a chance de experimentá-lo. Rude. – voltou a revirar os olhos, dessa vez ao vê-lo limpar o gargalo do cantil em que sequer encostara. Uma atitude puramente provocativa que encaixava com o padrão de homem babaca do mundo bruxo. Natalie empinou o queixou brevemente ao ouvi-lo se referir a Alice como trepadeira. Não chegava a ser ofensivo porque o tom utilizado não implicava ofensa, era mais como se ele estivesse dizendo algo óbvio, como quão fria era aquela maldita noite. Ainda assim, nos últimos meses vinha ouvindo inúmeras coisas desagradáveis a respeito de sua melhor amiga e adquirir uma postura defensiva era natural. Perdera as contas de em quantas brigas se envolvera naquele início de semestre, e de quantas vezes Teddy tivera o desejo de arrancar suas orelhas. Só não iniciaria ali mais uma confusão porque sabia que existia uma relação entre Alice e Nicholas. Só não fazia ideia de em que isso se firmava. – Que ela gosta de trepar eu estou consciente, aliás, quem não gosta? Enfim, espero que ela esteja bem. – novamente a preocupação com a melhor amiga apitou em sua mente. Embora Alice fosse completamente capaz de se defender, Natalie detestava a ideia de que ela se encontrava sozinha em um ambiente hostil. Se ela demorasse muito a aparecer seria obrigada a invadir aquela maldita festa. Ou podia simplesmente acabar com aquela arruaça convocando alguma figura de autoridade, opção que levou um sorriso cínico aos seus lábios. Nada lhe deixaria mais contente do que que arruinar de vez com a noite de Trashbag. Linha de pensamento que se entrelaçava com o interesse de Nicholas no que dissera a respeito de Arthur. A ex-sonserina virou-se um tanto a mais para a direita, para que tivesse uma melhor visão do mais velho. – Isso não é de agora. Anos atrás aquele merda se aproveitou de um momento de fragilidade meu para me humilhar, desde então ele tenta repetir o fato. Intimidação. Invasão de espaço pessoal. Nada que dê o resultado almejado por ele. – e enquanto falava ficava bastante óbvio que nutria um enorme ressentimento por aquele cidadão. Talvez ressentimento sequer fosse a palavra adequada para mensurar a quantidade de raiva que Arthur seguia movendo em si. – Eu adoraria dar a você a chance de massacrar um pouco mais aquela cara horrorosa, mas cheguei à conclusão que esculacho e agressão física não dão resultado. Ele ainda vai me atormentar, ou a Alice, quando tiver uma chance. O que me faz pensar que preciso melhorar o meu jogo. É necessário fodê-lo de uma forma que deixe impacto. Que o faça lamentar. Pensarei em alguma coisa nos próximos dias. – completou, e havia um brilho obstinado em seu olhar. Quando Abbott se propunha a algo ela ia até o fim, independente das consequências. A ex-sonserina apoiou uma das mãos no chão antes de curvar o torso para frente. Não chegava a invadir o espaço do mais velho, mas estava próxima o suficiente para sentir o cheiro de álcool nele. – Porém, ainda sentaria nua no seu colo pelo simples fato de que, bom, é uma proposta interessante demais para deixar passar. – bateu as pestanas, lentamente, enquanto o fitava com atenção. Um sorriso muito breve e lascivo pontuou o canto dos seus lábios. Jamais saberia precisar o que a impulsionava a tentar burlar sua regra pessoal, mas existia algo de muito interessante na forma como Nicholas se portava, como se nada mais importasse. – Não sei se serve de consolo, mas o gêmeo sombra foi emboscado faz um tempinho. Deve ser por isso que não compareceu a própria festa. Pelo jeito o que rolou com ele foi bem merecido. – embora deixasse transparecer algum desprezo em seu timbre, Natalie não tinha grandes motivos para odiar Andrew. Se o fizesse não o teria socorrido na noite da tal emboscada. Lembrança que causou um espasmo incômodo em sua coluna. – Quem seria seu desafeto de número 0? – questionou, mais para tirar a imagem de Andrew estropiado da mente do que por curiosidade. Até porque, se não lhe falhava a memória, Nicholas Mackenzie tinha uma rivalidade com os irmãos Fraser, William em especial. Nada novo sob o sol diante da propensão a inimizades do squad sonserino. Franziu o cenho enquanto assimilava a informação de que, por vezes, o Mackenzie sequer trepava com as prostitutas que pagava, fato que lhe parecia bastante deprimente. Alguém ali parecia experenciar uma existência um tanto solitária – algo que definitivamente não era da sua conta. – Pelo seu relato parece uma experiência interessante. Particularmente sou a favor de nunca se negar a nada. Vou colocar essa na lista das experiências que preciso vivenciar antes dos 20. – deu de ombros, deixando passar o novo comentário a respeito de Alice. Porém, checou novamente o celular apenas para se certificar de que não possuía nenhuma nova mensagem da melhor amiga. Bufou ao jogar o aparelho novamente dentro de sua bolsa. Esperar. Só restava esperar. Repetiu para si mesma, antes de voltar a atenção para o mais velho. Distraída como estava, mal se deu conta do momento em que ele se pôs de pé. Natalie o escrutinou com o olhar, lentamente, demorando-se um momento a mais na região púbica, e em seguida nos lábios, um instante antes de se levantar. Esfregou as mãos na saia, limpando-as e em seguida encarou o mais velho. Nem ela mesma saberia precisar o brilho que existia em seus olhos verdes, mas era um claro indicativo de que nada de sensato se passava entre seus neurônios. Deu um passo à frente, colocando-se exatamente diante do mais velho, porém, novamente, sem invadir o espaço pessoal dele. Um sorrisinho voltou a pontuar os seus lábios, e ia alargando-se pouco a pouco. Sorriso que basicamente se dava diante do desafio imposto por ele. Por se esconder à sombra de Alice era comum que o potencial de Natalie para qualquer coisa sempre fosse posto em dúvida. Além disso, havia aquele seu indiscutível ar de inocência. Grandes olhos verdes, longos cabelos ondulados e cheios, e uma postura que a primeira vista parecia muito correta. Era uma de suas vantagens. Ninguém, além de Alice, realmente a conhecia. – Ah, eu tenho é? – questionou, enquanto pendia a cabeça ligeiramente para a direita. – Bom saber que meu sobrenome de mariquinhas segue me colocando acima de qualquer suspeita. É uma blindagem bastante valiosa, principalmente quando minhas intenções não são das melhores. – voltou a arquear as sobrancelhas, enquanto dava um passo a mais em direção ao mais velho. Não encerrava a distância entre eles, mas os colocava em extrema proximidade. – Quanto ao pacto, veja bem Satanás… – um risinho anasalado lhe escapou. - … não gosto muito da ideia de garantias. O que começa em uma noite deveria se encerrar naquela mesma noite. – murmurou, pausadamente, porque nunca atravessava a regra de não repetir o cara com quem trepava. Regra que existia unicamente com o objetivo de proteger a si mesma de possíveis decepções. Era também um dos motivos pelo qual ignorava a existência dos caras que via no dia-a-dia. – Por outro lado, aprecio bastante a ideia de trepar e ser agraciada com mais de um orgasmo. A maioria dos caras mal consegue causar um e você está prometendo mais que isso. – completou, enquanto fitava os lábios do ex-sonserino, Natalie os tocou com a ponta do indicador no mesmo instante em que voltava a encarar os olhos castanhos do mais velho. – Agora que a possibilidade se enraizou na minha mente estou me questionando sobre qual seria a sensação dos seus lábios e língua na minha pele. Mais precisamente em minha boceta. – sussurrou, em um tom que equilibrava lascividade e uma falsa inocência, algo muito natural seu. Ao calar-se a ex-sonserina roçou a ponta do dedo rapidamente sobre os lábios dele. – Bom. – murmurou, ao deslizar a língua sobre seus lábios. – Meu critério diria que nunca se deve desperdiçar a oportunidade de testar os talentos de um escocês bem disposto. Só não sei o quanto esse seu nariz quebrado vai limitá-lo. De qualquer forma, imagino que podemos nos divertir de outras maneiras. – o sorriso lascivo voltou a pontuar seus lábios e era acompanhado de um brilho artimanhoso em seus olhos verdes. Embora não fosse das mais confiantes em sua postura diante do sexo masculino, Natalie sabia disfarçar muito bem. Afastou-se, apenas o suficiente para medi-lo de cima a baixo, antes de dar dois passos e se colocar ao lado dele, mas de frente para o muquifo onde ele deseja beber. – Bom, eu não pretendo mofar em lugar algum, e imagino que você também não. – piscou, em provocação antes de rumar em direção ao bar.
Sexo era uma das palavras favoritas de Nicholas como também uma das suas coisas preferidas a serem feitas. Havia algo de muito excitante em nortear qualquer assunto para o sexual porque ele conferia a reação das pessoas e essa reação era o que o alimentava a continuar em determinado nível, sempre rumando para uma elevação que poderia ou não culminar no ato propriamente dito. Embora fosse uma pessoa cheia das malícias, não queria dizer também que suas palavras e seus gestos expressavam interesse porque estava aí outro comportamento muito seu, muito naturalizado como acender um cigarro depois do almoço, e que poderia ser meramente uma falcatrua. Ou, no mais corriqueiro, sua própria defesa. Ou um jogo em que, por vezes, saía pela tangente apenas para deixar o interesse circulando. Tinha consciência de que nem todas as garotas suportavam aquele seu papo, nem a quantidade de palavrões, nem sua constante frieza, o que o divertia. O que o deixava sedento em continuar até perceber que ganhara. Tornar uma situação impossível era quase um fetiche assim que farejava desconfortos. No caso de Natalie, ele se sentia mais tentado a manter aquela linha de provocações ao vê-la correspondê-las de um jeito que não negava ser banal demais, porém, curioso. Uma das coisas que o prendia de pronto era ver mulher sendo tão baixa quanto ele, algo que se expressava quando lançara para a ex-sonserina seu sorriso de canto carregado de malícia genuína. Não era grande coisa, óbvio, visto as condições e circunstâncias que já trepara em toda sua vida. E o quanto de tempo já gastara até para uma rapidinha. No geral, o sexo era seu modo repelente para qualquer intruso, especialmente contra garotas enxeridas, e o mesmo se aplicava para fomentar um interesse que soava precisamente como isca. Se alguém a mordesse, lucro para os dois. Caso não, nada o abalava porque havia outra verdade de que o mundo estava cheio de criaturas no cio. Não tinha tanta frescura quanto ao modo de realizar o ato, mas, se pudesse decidir a todo o instante, não treparia em outro lugar a não ser aqueles que tinham certo requinte. O famigerado bom gosto e ele prezava bom gosto como ninguém. No passado, antes das drogas, preservara aquele lado de si. No presente, muitas vezes ainda se norteava pelo tempo das drogas que o ensinara meios e métodos para fazer a coisa toda funcionar. De quebra, havia o acréscimo da pouca vergonha dos Mackenzie, algo praticamente genético, os próprios adoradores de uma baixaria, especialmente as de quinta categoria. Uma família em que era comum sempre encontrar primos trepando ao ar livre, sem um pingo de vergonha na cara. Se pudesse definir seu clã, seria uma orgia e isso também o divertia. Ele mesmo havia se iniciado muito cedo naquele caminho, que o satisfazia tão quanto tomar controle do grupo do qual pertencia em Hogwarts, lidar com as loucuras de Charlie e usar uma quantidade cada vez mais alta de pó. Ele tinha o talento de ir ao luxo à podridão, e era da podridão que gostava um tanto mais, apesar de não anular sua preferência por ambientes confortáveis, que poderiam render uma incursão mais demorada. De qualquer maneira, o Mackenzie não se recusava em trepar a qualquer hora e em qualquer lugar. Porém, menos com qualquer pessoa. Espiando Natalie, ainda prostrado no mesmo ponto, não notou nenhuma relutância se tivesse chance de comê-la. Capaz que a fodesse com gosto porque, de fato, o uísque o deixava mais excitado que o normal. Embora ele fosse um completo pentelho em usar do linguajar sexual a torto e a direito, sua seletividade também se aplicava a quem comia. Algo não muito notável para quem parecia disposto a comer todo mundo que estivesse pela sua frente, mas a questão de status também se aplicava ao ato sexual em que ele mesmo prezava em deixar uma marca. Ele prezava que falassem bem de si, não apenas pelo fato de pertencer a um clã purista. Aquele descaso, distanciamento e frieza camuflavam um ponto de verdade sobre Nicholas que era a cautela. Uma cautela que também servia ao sexo porque, independentemente do lugar, se sentia na missão de fazer a porra toda direito. Não significava que realmente se importaria emocionalmente com a outra pessoa que traçava, mas acabava no piloto automático. Não apenas pelo seu bel-prazer, mas também porque havia a questão do poder. Inclusive, do jogo porque era muito difícil saber se ele falava tudo aquilo da boca para fora ou se realmente existia a famigerada gota de verdade. Tudo que falava incitava um engajamento. Ele tinha consciência disso, embora pagasse de tonto na maioria dos casos. Ou como o piadista. Na companhia de Natalie, não existia o fundo de verdade até ela se aproximar com uma expressão um tanto diferente se comparada ao instante em que se sentaram na calçada para dar um jeito no seu nariz. O caminhar lento, que supôs ser pela bebida, mais a lascividade no sorriso dela o mantiveram atento. O interesse muito bem instalado dentro de si aumentara, fustigando seus orbes cor de uísque, e aproveitou o breve silêncio acarretado pela súbita aproximação da ex-sonserina para analisar o que ela vestia. Riu-se, seus ombros se contraindo para sinalizar que estava se expressando de alguma maneira. Cada peça era muito fácil de tirar, pensou, deslizando a língua por entre seus lábios, sorvendo o gosto forte do uísque que desejava ainda um tanto mais. Como bom observador, notou o brilho singular nos olhos da garota e se perdeu por um instante no sorrisinho malicioso que ela sustentava e que achou muito do insolente. - Há uma coisa que aprendi durante o início da minha carreira dentro de um clã em que primo come prima, irmão come irmã e assim por diante. Todo mundo tem um lado podre e tu precisa ser um receptáculo para que esse lado podre venha à tona. Tu precisa se mostrar tão podre para que a pessoa do outro lado se sinta em um ambiente seguro para deixar esse lado exposto. E é libertador. É excitante. É viciante. Tu se sente no topo do mundo. Não sei quais são os botões de Vossa Majestade, mas com esse sorrisinho nessa cara de bolacha mais todos seus comentários sobre o filhote de aborto, posso acreditar que tu só precisa da chance para deixar essa podridão transparecer e eu acredito que sou tua chance por hoje. Espero que seu embarque seja recompensador, especialmente quando chegar o momento em que tu sentará no meu pau e vai rebolar essa bundinha formidável até me dar câimbras. Para ter se aproximado, não acho que tu queira pagar de puritana. E, se for teu objetivo, pode sair da porra da minha frente que eu tenho mais o que fazer. - começou a dizer, enquanto seus olhos contraídos acompanhavam toda a movimentação da garota à sua frente. - Em comum acordo, também não tenho paciência para lidar com o dia seguinte. Mas, se a trepada for realmente boa, é bom mantê-la próxima, da mesma forma que os inimigos. Vossa Majestade gosta de praticidade, o que concilia com meu talento de fazer a coisa toda acontecer em menos de segundos e fazê-la desaparecer como se nunca tivesse acontecido. Acho que estamos na mesma porra de página. - ao concluir, era notável que o tom de voz de Nicholas havia se alterado. Não havia uma risca do deboche. Nem presunção. Ele se direcionava a mais nova polida e contidamente, enquanto sua mente maquinava meios e formas de realmente atingir a meta de fodê-la. Ainda estava atento a todo o movimento dela, não se movendo, nem mesmo quando ela dera mais um passo em sua direção, encurtando consideravelmente a distância. Suas sobrancelhas iam se arqueando conforme a deixava tomar conta da fala e do cenário, assumindo uma postura extremamente blasé. Não relaria em um só fio de cabelo dela em nome do jogo. Ela parecia disposta a jogar e, naquele momento, pagou de anjo passivo que nem sabia o que estava acontecendo. Mas sabia, e começava a apreciar um tanto mais aquela companhia em que se via nitidamente o dual comportamento que o Mackenzie honestamente apreciava nas pessoas. Não acreditava que todo mundo era bom. Na real, ele defendia a bandeira de que todo mundo era um filho da puta e sempre estava disposto a colocar essa tese em cheque. Para todo mundo, bastava apenas a oportunidade certa para que esse lado se manifestasse e ele agia como propagador. Não era à toa que quanto mais sujas, melhor. E quanto mais pudesse incitar a sujeira delas, mais se excitava, algo que Abbott estava conseguindo sem muita dificuldade. Sem nenhuma interferência da sua parte, o que era melhor ainda. Mesmo sem saber o que exatamente começava a se desenvolver ali, via outra Natalie, caída na espiral sexual dos seus comportamentos, e estalou a língua em sinal de singela satisfação. - Mas tenho que dizer que Vossa Majestade é muito fria. Nem sequer uma rapidinha de manhã? Já não estou disposto a colocá-la na minha lista de próximas trepadas, bòidheach, sad but true. - seu risinho megalomaníaco se fez presente, impulsionando sua cabeça para trás. - Tu não tem escolhido a rola certa pra sentar, essa que é a verdade. Tenho certeza que tua frustração com o filhote de aborto é porque ele não te comeu direito. E, a propósito, eu não prometo nada. Tu tem que tomar cuidado com as ilusões que pode criar. - zombou, tirando as mãos de dentro do bolso do sobretudo. Tirou as luvas e tocou brevemente a ponta do próprio nariz. Ainda doía, mas o álcool circulando em seu organismo mais a adrenalina que aquela conversa começava a provocar dentro de si, parecia anestésico. Sorriu, lascivamente, e empurrou os cabelos de Natalie para longe dos ombros. Segurou alguns fios para sentir a textura. Nicholas era muito apegado a texturas. - Posso oferecer de bom grado minhas habilidades com a língua. Com os dedos. Com meu pau. Isso dá praticamente três orgasmos. - se calou, ao sentir o toque dela em seus lábios. Sentiu uma vontade insana de estapear a mão ousada e invasiva, mas tudo que fez foi tirar os dedos que seguravam uma madeixa para fechá-los ao redor do pulso dela, sem imprimir tanta força. Começou uma massagem sutil contra a pele dela, com as pontas dos seus dedos gelados, que se intensificou um tanto mais ao ser baqueado pelo comentário seguinte da mais nova. Aquilo o fez rir audivelmente, mas sem a maldade anterior. Era uma risada frívola que o fez puxá-la em um tranco em sua direção, quase colando seus corpos. Encontrão que o fez fechar os olhos por alguns segundos ao ser arrebatado pelo hálito de uísque, do seu uísque, escapando por entre os lábios cheios dela. - Eu gosto de uma putinha perversa com cara de inocente. Que paga de filhinha da mamãe. Normalmente, são as melhores trepadas. - murmurou contra os lábios da ex-sonserina e, sorrateiramente, desceu o braço dela, ao mesmo tempo que unia suas mãos. Duas mãos, de dedos entrelaçados, que pararam na altura da parte íntima dela e, sem aviso, pressionou-as contra aquela região, depois que ela se atrevera em deslizar a língua contra os seus lábios. Ação o bastante para eriçar os cabelos da sua nuca e dar pungência ao seu estado de excitação. Aproximou-se um tanto mais, deslizando a barba pela bochecha dela enquanto botava mais pressão nas mãos unidas contra a boceta dela. Sem dificuldade, direcionou o polegar da mais nova aonde sabia que era o clitóris e intensificou a pressão ao circular aquele ponto breve e precisamente, movimento o suficiente para propagar ainda mais o desejo em suas veias. Voltou ao campo de visão dela, sua cabeça pendendo para o lado e revelando o quase breu no tom de seus olhos, para em seguida se curvar contra o pescoço da ex-sonserina para alcançar o lóbulo da sua orelha. Deslizou a língua suavemente antes de mordê-lo com um pouco de força, expressando os poucos segundos que ela roubara seu juízo ao se expressar a base de baixarias. - Vou entender isso como sinal verde porque eu realmente estou muito interessado em chupar tua boceta. Eu realmente gosto de chupar boceta e estou muito do interessado em saber se ela é bem apertadinha. Inclusive, estou curioso para saber como tu geme e qual é seu sabor. E espero que não tenha muita consideração pela sua calcinha porque ela já é minha. - pressionou as duas mãos pela última vez contra a boceta dela, liberando uma respiração pesada que mais parecia um sopro contra a pele dela. - E, emendando, acredite em mim que já comi menininhas inofensivas em situações piores. - sussurrou mais uma vez, liberando a mão dela, deixando seus dedos resvalarem propositalmente contra a parte interna das coxas dela. Ao se endireitar, se deparou com o sorriso lascivo da mais nova e uma risadinha nasalada de satisfação lhe escapou. - Tu já começou a deixar o escocês de pau duro e acho que teremos que tomar providências quanto a isso, bòidheach. - acompanhou-a pelo rabo de olho e girou nos calcanhares para fitar o bar, apinhado de gente, que roubou uma careta nada agradável. Por ser um andarilho de carteirinha, praticamente tinha formação em todos os botecos de Hogsmeade. De fato, aquele ali era um muquifo, o que lhe dava nojo, mas não o incomodava. Já estava bêbado, sem juízo e realmente de pau duro. Não faria a porra de diferença em traçar Natalie na rua ou lá dentro. Era algo assim muito certo na sua mente. Sem delongas, acompanhou-a rumo ao bar, consciente de que não era mais a bebida que queria. Queria fodê-la, de preferência o mais rápido possível, embora estivesse quase consciente de que garotinhas como aquela amavam provocar e não cumpriam porra nenhuma, o que tornava a coisa um tanto mais interessante. Ao contrário de alguns cornos de ego ferido, Nicholas sabia que o não de uma daria em sim de outra. Ao estarem um tanto mais ao fundo do local, Nicholas direcionou Natalie ao que sabia ser o medonho depósito de bebidas, puxando-a bruscamente pelo braço. Selou a porta com um feitiço e a encurralou contra a parede mais próxima depois de guardar a varinha. Sorria, meio maníaco, de canto, empurrando-a contra uma pequena câmara para bebidas. Ações e movimentos que um cara sensato evitaria, mas esse cara sensato não era Nicholas, que tomara a situação para si. O ambiente estava mal iluminado, mas ainda assim era possível vê-la, mesmo que sombreada. Ela poderia vê-lo, meticuloso em realizar o que estava muito disposto em provar. - Temos negócios para resolver. Como contar quem seria meu inimigo de número 0. Tenho uma forma muito especial de contar esse segredinho. - suas mãos despregaram da prateleira e tomaram os braços de Natalie. Seus dedos percorreram sua pele macia até repousarem em sua cintura. Sem um pingo de delicadeza, afastou as pernas dela para os lados com os pés. Antes de descobrir se teria a chance de fodê-la, queria chupá-la primeiro. Essa era a promessa da noite e o resto que se fodesse. Bom de ter lidado com muquifos é que nada era impossível para ele e não foi tão difícil ficar de joelhos e puxar a garota pela bunda, com o mesmo tranco grosseiro de outrora, de maneira que a parte íntima dela ficou na altura da sua boca. Pendeu a cabeça para o lado, como se estudasse o ponto que a atingiria primeiro. Repetiu a mesma massagem, agora nas pernas dela, explorando a textura quente de sua pele, partindo da batata até chegar na altura da barra da saia. - Posso dar dicas enquanto te chupo. - murmurou, seu sotaque mais carregado graças a expectativa do momento. Suavemente, seus dedos tamborilaram contra as coxas da mais nova, subindo lentamente em direção a calcinha dela. Sentiu o limite do tecido e o empurrou um pouco para o lado para checar se ela estava molhada. Sua curiosidade mais seu estado de excitação lhe roubavam um juízo que nunca existiu. Um juízo poluído por uma sequência de outras baixarias que tinha consciência que não conseguiria realizar nem a metade. Não em cima de uma merda daquelas. Deslizou o indicador do clitóris até a entrada da boceta dela, quase em câmera lenta. Repetiu o processo, sentindo a parte íntima dela se contrair em resposta ao toque do seu polegar que desenhou um W entre as suas dobras molhadas. A saliva tomou conta da sua boca. - Acho que a primeira letra já foi. - anunciou debochado, antes de abaixar a calcinha dela em outro movimento abrupto. - Esta é tua chance de ser cuzona e dar no pé, mas sou muito empenhado em dar motivos pra uma putinha ficar. Pra me ajudar, tu pode apoiar tua bundinha deliciosa ali, mas o que importa realmente é tu abrir essas pernas pra mim e me deixar tomar conta do resto. - fitando-a, provocativamente, subiu a saia, sem deixar de tocar cada parte da pele exposta da mais nova, e a puxou mais para si. Nicholas tinha uma preferência abrupta em suas relações sexuais, não apenas pelo poder, mas porque achava a coisa toda excitante pra caralho. Considerou a aproximação boa o suficiente para se curvar em direção à boceta dela, tomando um cuidado impossível de se ter com a porra do seu nariz. E o nariz nem era uma preocupação quando deslizou a língua e sugou rapidamente o clitóris da mais nova, em uma breve preliminar antes de abocanhá-la.