thisisfrankenstein:
- Caramba, eu não acredito que perdi a chance de ser seu namorado quando tive a fase de cabelo grande!!! No fim, não passei de outro participante do revival emo, masssssss posso garantir que já fui chamado de Harry Styles pelo menos algumas vezes na vida. Sinto muito que ele tenha ferido suas emoções quando eu estava aqui, a versão do Paraguai, dando mole. A vida, realmente, não é justa! – o sarcasmo de Frank deu profundidade ao contra-argumento sobre Harry Styles. Forçando-o a abafar o riso em seguida antes de dar outro gole no vinho. Percebeu que nem checara a garrafa para avaliar a porcentagem de álcool, pois não estava de brincadeira sobre a sua facilidade em perder as estribeiras quando escapava da sobriedade. Apesar desse talento testemunhado por poucos, nunca se metera em grandes encrencas. Parecia que esse ponto era parte exclusiva do seu eu sóbrio e deveria ser pelo desejo de querer lembrar depois. Algo que não acontecia quando se embriagava socialmente e acabava no sofá, ou em qualquer outro canto, que discutia no dia seguinte sobre a certeza do último local que estava antes da sua visão ser tomada por um completo breu e ter seu corpo assumido por outra espécie de personalidade. – Eu acho que nunca tive uma musa musical, será que sou gay ou tenho problemas? – ele esfregou o indicador pelo queixo, falsamente pensativo. Seu olhar acabou sendo seduzido pelo céu limpo, sem estrelas, só com uma Lua. Evento de raridade quando se encontravam no outono. Presumiu, lembrando subitamente das falas naturebas de seu pai, de que o dia seguinte não haveria Sol. Todas as vezes que dizia aquilo se sentia meio profético e poderia ter dito para preencher o súbito silêncio, mas estava realmente focado em lembrar se algum dia fora fã tremendo de algum artista. – Eu poderia dizer Beatles para afirmar que sou tão cool quanto os Triggs. E, caramba, achei genial que todo mundo tem nome inspirado na banda por causa das músicas e parece de bem com isso. Menos o Jude, porque achei que ele me socaria quando comecei a cruzar com ele e foi irresistível não meter um Hey, Jude! Pensei que estava sendo amigável, mas senti que minha morte poderia acontecer a qualquer momento. Enfim, deve ter lacuna para preencher pelo resto de uma vida. Acho que escuto música por osmose, pensando seriamente em assinar as recomendações da outra Alice, a Freitas, porque sou uma calamidade nesse assunto. Tenho a pequena certeza de que paguei muito pau pra Dua Lipa. Aquela mulher na turnê do segundo álbum me lembrou de ter poluções noturnas, mas acho que deve ser muita informação para seus preciosos ouvidinhos. Foi mal! – ele sorriu, meio cheio de si, embora brincasse com metade daquela frase. – Falando sério, sou uma flor frágil que gosta de Snow Patrol. Fui em todos os shows e estava ocupado demais na pandemia achando que aprenderia a tocar violão. Maior bobageira! Mas, somando todos os Longs, a família é devota ao Fleetwood Mac e já estou pronto para um duelo musical entre a gente e todos os Triggs. – na sua mente, era o potencial encontro do século, especialmente porque não havia nada mais divertido que irritar fã dos Beatles com outra banda dita a maior do Reino Unido. Por isso, se viu rindo de novo, de um divertimento secreto. – Minha mãe é maior fã e aí contaminou a família inteira. É quase impossível não entrar em casa e algum disco não estar rodando. O que faz cair em toda a questão do trailer e é aí que o nível do seu cachê seria perfeito para comprar um monte de badulaques! E, tenho que concordar, seria a conjunção perfeita ter a sua conta bancária e meu ótimo olhar de curador para comprar coisas imprestáveis. Sairíamos piores que a Luna e não estou forçando a barra. – era muito comum que as pessoas achassem que os Longbottom passavam por apertos financeiros por conta da existência do trailer, mas era até melhor que imaginassem, já que assim ninguém se sentia intimidado em ser tão grande e ter que fazer uma manutenção disso. Querendo ou não, eles miravam o oposto dos Potter e dos Weasley, mantendo a maior distância dos holofotes. Apesar do marco geracional e histórico, tentavam ser os mais normais possíveis. Ponto esse que o silenciou prontamente ao ouvir a revelação de Fallon sobre ter transtorno obsessivo-compulsivo. Não se assustou, nem se viu chocado. Sua postura se manteve acessível, mas tomou um tempo para melhor articular o assunto, sem pincelar com alguma de suas piadinhas (e sabia que seria impossível). Educadamente, colocou o vinho sobre a mesinha e esfregou as mãos no jeans. – Não sei qual é o conteúdo desse maravilhoso vinho, mas obrigado por achar que pode confiar em mim para contar sobre isso. – a nuance de brincadeira pontuou seu timbre raramente sério. Presente exclusivamente em casos de calamidade, frustração com alguma situação no DP ou quando estava prestes a ficar tão puto que seria capaz de bater a testa na parede. Ou então quando alguém precisava dele para algo e era quando inseria polidez e atenção completos. O perigo morava no seu excesso de honestidade e ele nunca se preocupara com isso, mesmo consciente de que poderia realmente estourar umas bombas. – E, outra, como você me conta uma coisa dessas e não me dá o direito de fazer as perguntas bestas? Pôxa, Fallon, assim fica difícil! – ele brincou, mais porque a ex-corvina entregara todos os pontos que facilmente questionaria sobre o assunto. Olhou-a atentamente enquanto meneava a cabeça em ceticismo sobre ela ainda ter falado tudo tão rápido, como se fosse uma espécie de telefone sem fio. Com sentido no começo e facilmente esquecido quando se pensava sobre para rebater a informação corretamente. – Bom, se está tudo sob controle, então está sob controle. Mas tenho que dizer que fiquei intrigado pela forma como os livros estão organizados na estante, porque não é apenas por cor ou ordem alfabética. É algo que só a pessoa que fez entende. Uma vez da Casa de charadas é possível ver charadas em todos os cantos. – pontuou, sem saber se estava certo ou se era somente burro, como se sentia em qualquer livraria devido à facilidade da sua irmã em fazer as escolhas naquele quesito. Gostava de livros, mais que de música, mas também parecia incapaz de escolher por conta própria. Sendo que o problema vivia em racionalizar demais, o que não era o caso ali. Estava tranquilo, oferecendo um sorriso amigável e confiante à ex-corvina. – Talvez, eu tenha notado algo mais, mas serei incapaz de lembrar agora. Mas, hei, tenha calma! Listen to the wind blow, down comes the night! – ele cantarolou Fleetwood Mac, apontando para o céu noturno. Se estivesse alcoolizado o suficiente, com certeza já estaria dançando ao redor daquela mesa e chamando todos os demônios para a Terra. Redimiu-se a batucar a batida da música na coxa da perna que continuava flexionada sobre a chaise. – Ao menos comigo, não precisa ter receio em contar essas coisas. Embora não seja geracional, saúde mental é um lance totalmente dos Longbottom e temos como provar. – e foi inevitável não pensar nos avós. Um tópico que tinha seu próprio jeito de chateá-lo e fazê-lo esconder a leve contorção na boca do estômago com um pigarro. Era um fato de família forte o suficiente para deixá-lo preocupado com os exageros de trabalho de Alice, com as plantas do seu pai, com os silêncios súbitos de sua mãe e até com seu próprio estresse. Ninguém vira nada diretamente, mas era como se tivessem, já que prestavam visitas ao Mungus e temiam a realidade de que, em algum instante, seus avós faleceriam no Mungus. E todo dia parecia perto de um novo tipo de burn out quando o assunto vinha à tona. Muitas vezes, era por isso que sequer sentia vontade de voltar para casa depois do trabalho, pois não sabia qual peso traumático estaria na mesa do jantar assim que entrasse. – Houve um momento que achei que meu pai estava com sintomas de TOC também, porque ele começou a ficar muito organizado e estrito no universo dele. Qualquer coisinha ele tinha um momento relâmpago de humor. Acho que pude concluir, me orientando pela dádiva que é o TikTok, que não era nada disso. É algo mais profundo vindo à tona e que pareceu ser possível controlar quando mais novo. Não tem como deixar impacto de trauma no fundo da cabeça por muito tempo, uma hora engatinha para a superfície e creio que deve ser isso. Daí, o laudo atual é que ele seja acumulador, mas do tipo mais esquisito possível, que ainda consegue categorizar e é até aí que espero que ele chegue. – porque, uma vez que a coisa saísse do controle, era provável que a visão de Neville se transformasse e começasse a acumular como uma caçamba de lixo. – Por isso que tenho ainda muita mandrágora para vender e espero que seja equivalente a quantidade de vezes que posso cruzar os hemisférios, perdão sou péssimo em Geografia, pra te ver! – ele lançou uma piscadela marota antes de selar os lábios com um zíper invisível. – Então, assim, Fallon Evans, se você contar meu segredo, conto o seu, tá? Soube que a Ritinha te adora e panz!… – brincou de novo para diminuir a seriedade do momento, instigando-o a dar outro gole no vinho para engolir seu próprio incômodo. – Mas, sério, que bom que você reconheceu os sintomas e foi se cuidar. Isso é um passo enorme, você tem que se orgulhar. E se orgulhar também de falar tão claramente e ainda pra mim, a última pessoa escolhida para entrar no time de Quadribol. Pode ficar tranquila que comigo não precisa realmente controlar seus impulsos. Sei que não somos tão amigos, como você e William, por exemplo, mas, no que eu puder saber e ajudar, pode contar comigo. – concluiu com a mesma seriedade polida que transpareceu nos seus olhos castanhos, que a miravam com uma atenção admirada. E redobrada também, pois, inconscientemente, procurava algum outro sinal do transtorno mental que ela possuía. Reteve-se ao devolver a taça de vinho para a mesinha e se acomodou de volta na chaise, sem perdê-la de vista. – Aliás, preciso incorporar minha versão coach para avisar que você não precisa trabalhar o tempo todo para controlar o que deve parecer incontrolável. Ainda mais sendo milionária!! Você pode me mandar uma mensagem e a gente pode andar de bike. Tem coisas que corvinos precisam aprender e se chama opções de divertimento que não envolvem gastar mais do cérebro, sabe? – era um conselho sincero, especialmente porque parecia um reflexo natural da Casa em ser imparável e só querer, querer, querer, fazer, fazer, fazer, para, no fim, não ter nada. – Agora, voltando ao trailer, é engraçado, porque a ideia foi minha. – ele riu de um jeito envergonhando, coçando brevemente a nuca por ser uma lembrança juvenil. – É meio Capitão Fantástico mesmo, inclusive, é um filme que assistimos com uma exagerada frequência nas maratonas em família. Tudo começou com Frank, mais conhecido como Faniquito Longbottom, de saco cheio de fazer as mesmas coisas no final do ano. E ele sugeriu a ideia e os pais gostaram. Alice foi difícil, porque ela é muitooooo city girl aesthetic! Mas virou projetão de família, a gente levou um ano para construí-lo e parece realmente uma casa. Poderíamos morar lá dentro, mas continuamos no mesmo endereço. Teve um período que ninguém queria voltar para casa e a gente ficou na estrada por três meses. Sem medo de perder o emprego ou desaparecer! – ele arrancou o celular do bolso e procurou a foto do trailer dos Longbottom na galeria. Arrastou-se pelo estofado a fim de ficar mais próximo de Fallon e mostrar a imagem, deixando-o ombro a ombro com a ex-corvina. – Não acho que seja tão descolada como a fazenda do Malcolm, mas tem planta e levamos a calopsita da Alice. – uma ponta de orgulho tomou suas feições ao repassar as fotos. Mal sabia seus pais que já formulava outra ideia de jerico em função da proximidade das festividades. – A gente pega a estrada todo final de ano, então, assim que o recesso de Hogwarts cair e passar o lance do reencontro, a gente mete o pé. Fica o convite se quiser ir. A gente sempre recebe um convidado e acho que este ano não tem, a não ser que James mude de ideia. Sabe como é, o gato tem a agenda lotada! Mas tem espaço o suficiente para seis pessoas. Pode levar um dos gatos. – ele guardou o celular, antes de revirar os olhos pela lembrança de que James e Alice ficavam cheios dos segredinhos e ninguém confirmava a pegação. Era quando voltava a assumir o papel de irmão mais velho, porque não queria que sua irmã tivesse o coração partido pela kenga do Quadribol, como Albus costumava dizer. – Daí, iniciamos o reality, pois será um tipo de Crossroads, onde a menina bruxa rica se mistura com adoradores de mandrágoras e não sentem perigo de serem doidos no meio do nada. É a parte favorita do meu ano, depois do meu aniversário, óbvio! – ele sugou o ar da noite. Sentiu-se meio amortecido e era o caso da mistura do álcool com o cansaço que começava a arder nos seus olhos. – E, outra, depois de toda essa conversa, quais seriam as vantagens de a gente trocar de vida se você pode se encaixar na minha, hum? Largo minha batina com a mesma rapidez do Flash. – o risinho divertido lhe escapou e seus olhos se mantiveram concentrados na presença dela, especialmente para se sentir desperto. Sentiu necessidade de piscar algumas vezes, mais pelo fato de que, de repente, alguma coisa pareceu fora do lugar. Julgou ser a movimentação de Evans na sua direção e pigarreou, sentindo o centro do tórax estufar com a súbita e exagerada quantidade concentrada de ar. Coçou a nuca de novo e recuperou o fio da meada ao se lembrar da pergunta sobre viver nos EUA. – Como diria a maior hate da Raven do UK, aka Lys, vocês pareciam até gente no meio de uma Sonserina! Mas totalmente adoráveis. É muito conceito quando as amizades ultrapassam o colégio, sem dúvidas o que vocês têm é raridade. Ainda mais pelo pouco que li no Profeta Diário e tinha seus nomes envolvidos. Tão famosos e poderosos que eu jurei que vinha uma 3ª Guerra bem aí. Já estava preparado para morar no Brasil. Deve ter sido bem dramático e foi até bom ver que Georgia passa bem. Na época que a situação dela foi reportada, achei que era mentira. Pra mim, ela tinha morrido e estavam abafando, porque aconteceu em Hogwarts. E sabemos como ali é um antro de assunto que meio mundo dá uma aliviada ou passa um paninho. Mas foi bom vê-la viva. Assim como você não é um catfish, ela confirmou não ser um robô. – embora não tivesse uma relação de longa data com a ex-sonserina também, era fato que uma vez que se virava assunto dentro e fora de Hogwarts, era praticamente impossível conter o que poderiam saber e o que poderiam falar. E realmente sentia alívio por ninguém ter morrido. – Acho muito legal ver as pessoas que estudei em seus habitats naturais, já que fomos sufocados com aquele uniforme feio que dói. Nem que eu tentasse seria galã dentro daquele negócio, embora meu look de hoje possa dizer o contrário, investi no melhor visu de fezes, como pode perceber. – falsamente cheio de si, Frank arrumou a gola do casaco e deslizou as mãos pomposas pelo tecido, na intenção de alinhá-lo e parecer o típico corvino sem ranhuras. – Agora, fico surpreso de saber que os bruxos daqui também são malas. Faz sentido por viverem de chamar os ingleses de enjoados. O que podemos concluir é que teremos que abrir campanha para Georgia e William voltarem para o UK. Assim você sofre menos com a inabilidade da turma daqui não entender o seu sotaque elegante e perfeito. – o rosto dele ficou subitamente sério, mas as bochechas tremiam pelo esforço de segurar o riso. De novo, assumiu a expressão de quem contaria um segredo arrebatador e se curvou minimamente para murmurar as palavras. – Fallon, estou ficando cansado de ter que revelar meus segredos de sucesso, mas aqui vai outro: o futuro não existe! É duro, eu sei, mas o futuro é um experimento social para ver quem morre primeiro de ansiedade. É igual quando Malcolm disse uma vez sobre o tempo ser criação da mente e é tipo isso. Sendo clichê, eu posso morrer no voo amanhã, então, faço tudo que posso agora. E fica aqui meu discurso de missa para aprovação, pois preciso garantir meu futuro de padre ou de coach. Viu só? – Frank estava longe de querer ser uma daquelas duas versões “profissionais”, que brincava entre os grupos e era motivo da sua também diversão particular. – Não precisa se preocupar. Apesar do que eu disse sobre meu pai, ele é um velho tranquilo. Ele engana todo mundo com essa de que não somos cool, quando o homem tem umas mechas grisalhas, como se fosse um modelo, pelo amor de Merlin! – e caçoava sobre aquilo ao chamá-lo de galã e ele detestava. – Acho que ele tem a mesma energia que seu pai e já estou pronto para quebrar meu nariz e ele reconstruir. – não que odiasse seu nariz, mas era o único ponto que encontrara sobre si mesmo para render chacota. Coçou-o, franzindo-o cheio das graças, antes de fechar os olhos assim que o indicador de Fallon acertou o centro da sua testa e depois acariciou suavemente os fios de cabelo que não se sustentavam mais com o gel. Ao abri-los, se deparou com o sorriso da ex-corvina, daquele cheio de dentes que de alguma forma alcançava os olhos e achou lindíssimo. Reteve-se. Perguntou-se se era efeito do álcool de novo, pois, apesar das suas considerações especiais sobre ela, não se achava um grande sortudo para ter uma chance sequer. Se é que poderia colocar daquela maneira em uma situação totalmente amigável. – Sou uma grande caixinha de surpresas e, normalmente, e para terror geral, costumo fazer o que dizem que não tenho coragem de fazer. Claro, com limites, pois não trocaria minha liberdade para assassinar alguém. Mas, no que condiz a aspectos fáceis de serem cumpridos, dou meu jeito. A única coisa que poderia me atrapalhar neste caso seria meu passaporte, mas, como herdeiro de uma família que tem um trailer, o documento vive em dia. Valeu a pena demais passar horas no avião para cumprir a promessa de te ver, como bom pretendente virtual. Nem eu acreditei quando desembarquei, pois uma coisa é passar de carro em um lugar. Outra é realmente ficar, andar e tal. – pelo benefício da magia, o trailer dos Longbottom não tinha tanto veto de trânsito. Estava registrado no contexto de transporte mágico e podiam estar em Paris em um segundo, como nos EUA no outro. – Acho que seria a maior espécie de cárcere privado já vivido, ainda mais porque, pff, você tem dinheiro, eu não passaria fome e sede, e cumpriria meu papel de enaltecer sua beleza, sua inteligência, como um queridíssimo Golden Retriever. E, aliás, é isso mesmo que você quer? Porque estou sentindo que você quer me seduzir neste exato momento! – um sorriso duvidoso pontuou seu rosto, embora pudesse sentir os músculos das costas enrijecerem de súbita tensão, conforme os dedos de Fallon transitavam pela pele do seu rosto, deslizando pela sua barba. Deixando traços que o aqueceram prontamente. De novo, voltou a sentir o ar estufando o centro do peito e as mãos grudadas no jeans começaram a suar. Sabia que era o nervosismo sobre algo que não sabia ainda se acontecia e foi tomado por um leve sobressalto ao vê-la mudar de posição, nivelando os olhares. Achou que entraria em outra espécie de paralisia, pois Fallon estava perto demais e parecia que seu coração batia no centro da testa. Tudo, se acelerando rápido demais e o congelando na mesma posição. Parte era álcool. Parte era o que ela despertara por simplesmente olhá-lo, como se quisesse alcançar algum tipo de profundidade. Viu-se arrebatado pelo perfume dela, que parecia vir em sua direção devido à oposição do vento. Não conseguiu identificar a nota específica, mas foi o suficiente para sentir o rebuliço de um espasmo na boca do seu estômago. Conforme ela falava, mais ficava impossível focar nos olhos, pois seu sangue ondulava depressa. No formato de um súbito desejo orientado pelo flerte tímido com a boca da ex-corvina. Aumentando sutilmente o calor que parecia reter o ar que saiu com um pouco de dificuldade. Sentiu vontade de tocá-la, mas conteve as mãos firmes na calça jeans. – Como posso responder tudo isso sem parecer um completo desesperado? E, a título de curiosidade, não estou desesperado. Na verdade, um pouco perdido? Não de um jeito ruim, que me faça lembrar de que larguei um bolo no forno, lá onde Judas perdeu as calças ou algo assim. – ele declarou com certo Q de confusão e nervosismo. Devagar, se aproximou, e arrancou a coragem de um Longbottom ao segurar as mãos que ela tanto massageava enquanto falava. Assim que ajustou as palmas e apertou os dedos, ignorando o fato de que engoliu em seco, sentiu a pele dela entre o quente e o frio, como se quisesse acertar as emoções. As suas definitivamente estavam geladas, mas o encontro de texturas abasteceu-o com uma nova onda gentil de calor. – Eu não sei quem falou isso no chat, ou se é eco maluco da minha cabeça, mas acho importante dizer que não vim aqui com o intuito de conseguir algo com você. Por isso o desesperado. Eu vim com emoções honestas de realmente passar um tempo na sua companhia. Até de Georgia e William. Tem vezes que, lá do outro lado, é meio solitário e Dia de Ação de Graças, por exemplo, não costuma ser um dos meus favoritos. Além da oportunidade de vender Mandrágoras e estar aqui com vocês, eu também queria a desculpa para escapar. – ele sorriu de um jeito franco, mesmo que sentisse reações desconexas passando pelas veias. – Eu vim mesmo porque fui autorizado a vir e que mal seria rever uma pessoa que, secretamente, sempre achei genial? Além de muito gata, claro, o que me faz dizer que nem todas as caixas de areia dos seus gatos serão o suficiente para meu caminhão sustentar essa responsa. – gentilmente, os seus polegares deslizaram pelo dorso das mãos dela e não soube dizer se ela se aquietou ou se estava em uma espécie de contenção enquanto o ouvia. – Eu estava focado em tempo de qualidade. Mas, repetindo a garantia, seu sensível emocional está protegido em minhas mãos e posso protegê-lo por essa noite. Bem aqui! – ele ergueu as mãos unidas e sua cabeça pendeu um pouco para o lado, mantendo o mesmo sorriso franco. – Se você quiser a mesma proteção por outras noites, vai ter que contratar meus serviços premium. – as últimas palavras se tornaram sussurros automáticos quando os rostos ficaram mais próximos. – Mas tá bem aqui, na palma da minha mão, quer mais time de bloqueio que esse? E digo isso também sem intenção de soar o garanhão que fala o que você quer ouvir, tá? Daí, você vai ter que fazer a parte mais difícil que é confiar em mim. Eu me acho confiável, mas sou apenas um homem me defendendo. – ele deu de ombros, pois era um fato. Mas nada o impediu de sorrir meio abobalhado em resposta ao sorriso gentil da ex-corvina, como se realmente estivessem prestes a compartilhar algo que ainda não conseguia prever. No entanto, parecia sentir, em forma de uma expectativa que engrandecia conforme a distância se atenuava. Em nenhum momento interrompeu o contato visual e deslizou a língua pelos lábios subitamente secos. Poderia dizer o quanto mais fosse, mas já estava envolvido e dali mesmo só Helga para responder, porque ele mesmo nem se atreveria. Suavemente, soltou as mãos unidas para emoldurar suavemente o rosto dela. Seus dedos resvalaram carinhosamente pela pele macia e sua cabeça pendeu para o outro lado, como se não pudesse perder algum tipo de reação. Seus olhos se contraíram de um jeito gracioso e enigmático. – Não sei qual seria a mesma vibe, mas, se for o que estou pensando, e que envolve uma quantidade exorbitante de saliva, acho que estamos na mesma vibe. Afinal, só existe um hot priest burro e esse, definitivamente, não sou eu. Como futuro cardeal, posso me atrever a iludir William sobre a ideia fixa de te achar alguém e me iludir também, pois somente uma aberração recusaria não entrar na sua vibe. – mais atrevido, fitou os lábios de Fallon e se inclinou na direção dela, norteado pela vontade de realmente beijá-la. Sua voz manteve o tom de sussurro assim que alcançou os olhos dela novamente. – Corvinos são competitivos, então, essa é a hora da verdade: você me beija ou eu te beijo? Eu não me importaria de começar, pois tenho uma série de amigos para contar e me gabar depois. Mas posso estar lendo os sinais totalmente errado e, se for esse o caso, me desculpe e aí vou pedir licença para me afogar na piscina.
A respiração de Fallon ligeiramente destoava do que poderia ser considerado como normal. Não que estivesse em meio a uma crise de ansiedade, mas, abrir-se da forma que havia feito, para alguém de quem até então não era assim tão próxima era um passo gigantesco que inevitavelmente criava um ligeiro caos em seu sistema nervoso. Tinha receios, óbvios, que envolviam desde ser vista como esquisita pelo seu transtorno obsessivo-compulsivo até a possibilidade de estar, mais uma vez, colocando os pés entre as mãos, no que condizia relacionar-se com um indivíduo do gênero oposto. Ler sinais e enxergar oportunidades no que dizia o envolvimento com outras pessoas, infelizmente, definitivamente, não era seu forte. Entretanto, não poderia negar que todo flerte, sem grandes intenções, ocorrido nos chats começara alimentar um interesse inocente que fora se fortificando conforme conviviam naqueles dias. Sentir-se a vontade, confortável, era provavelmente a real razão para que tivessem aquela conversa em que fora, talvez, demasiadamente franca. Observando-o, em silêncio, mordiscando o interior do lábio inferior, a ex-corvina buscava qualquer indício do que mais desgostava quando pessoas eram informadas de seu transtorno: dó. O TOC não era o fim do mundo, se convencera disso muito lentamente, portanto acreditava que qualquer empatia em excesso não se fazia necessária. A ex-corvina suspirou profundamente, relaxando a postura, os ombros, se deixando envolver pela diferença de temperatura entre suas mãos e as dele que agora as envolviam. Evans o encarou e certamente em seu olhar expressava a gratidão de quem não experienciava o grande constrangimento após exposição de situação mental. - Hum, não chega a ser uma charada. - murmurou logo antes de pigarrear para clarear a voz uma vez que sua garganta repentinamente parecia excessivamente seca. - Mas gosto de organizar por gênero e data de lançamento mais que pela cor. Faz mais sentido para os meus queridos neurônios desbalanceados. - um sorriso singelo que escondia certo constrangimento ganhou seus lábios. Por vezes se sentia mesmo estranha por conta de suas manias, mas era algo que precisava conviver e que combater não resolveria - apenas a deixaria em maior desacordo consigo mesma e estava cansada de se desgostar. - E nem mostrei a minha coleção de HQs, com essas eu tenho um excesso de zelo, não vou negar! O que me faz informar que, ao contrário dos Triggs, e apesar do rápido massive crush no Harry Styles, música nunca foi muito uma das minhas obsessões, ao contrário da literatura. Ler sempre foi refúgio e embora associe personagens a músicas, bem, não posso alegar que sou uma grande expert. Embora, claro, Snow Patrol seja excelente para fossas e choros com a cabeça enfiada no travesseiro. - uma breve careta pontuou suas feições uma vez que tagarelava e tentava soar divertida para não dar as suas questões mais peso do que elas possuíam. - Well, agora terei que pesquisar mais profundamente sobre a discografia do Fleetwood Mac porque, bem, preciso ao menos fingir que conheço alguma coisa no caso de realmente ganhar uma vaga na viagem de trailer. Seria terrivelmente vexatório não conseguir cantarolar uma música inteira! Veja bem, que impressão daria a sua mãe? - brincou, enquanto lentamente movia as mãos de maneira a poder entrelaçar seus dedos aos do Longbottom. Carinhosamente seu polegar resvalava pela pele macia do dorso da mão dele. Um suspiro contido escapou a ela. - O engraçado, digamos assim, é que nunca conversei realmente sobre isso com William. Ele sabe, óbvio, mas acho que nos acostumamos ao fato de vivermos em caos emocional e mental e de que certas coisas não precisam ser ditas para serem compreendidas. Mas, well, inegavelmente foi como tirar um peso dos ombros dizer a você. Um pouco como tirar um grande elefante do meio da sala, talvez? Pelo menos agora você está ciente de que não tenho meus momentos de esquisitice gratuitamente. - enquanto falava, em um tom de voz baixo, a ex-corvina pendeu a cabeça brevemente para a esquerda, para que pudesse visualizar melhor a completude dos traços de Longbottom. Os olhos castanhos pareciam carregar o mesmo entusiasmo do início da noite, o que a tranquilizava sobre a possibilidade de estar causando péssima impressão. Norte de pensamento que perdeu-se ao ouvir o comentário seguinte dele. Evans arqueou brevemente as sobrancelhas e um sorriso capcioso ganhou o canto dos seus lábios. Ela curvou-se brevemente para a frente, encurtando um pouco mais a distância entre eles, deixando-se envolver por aquela atmosfera de quem dividia um segredo. - Hum! Caso você não tenha percebido ainda, Frank Longbottom, é muito do meu interesse desvendar cada um dos seus segredos. Ainda mais quando eles parecem assim tão sábios. - sussurrou a pouca distância que os separava. A vontade de cerrar aquela distância voltou a se fazer presente, mas o receio de meter os pés pelas mãos era ainda maior, especialmente com seu histórico recente. - Listen, você pode vir sempre que quiser, ok? Eu não tenho um sofá para oferecer como Georgia e William, mas tenho um quarto de hóspedes ou… - a ex-corvina encolheu os ombros, com as sobrancelhas arqueadas, antes de liberar uma breve e melódica risada. - … sempre há um airbnb nessa cidade. You know. - completou com um olhar falsamente inocente. Estava, claramente, apenas brincando, especialmente para tentar não permitir que nervosismo em excesso se espalhasse por seu sistema. Entretanto, expectativa brotara em si sem que sequer pudesse racionalizar a respeito. Nada tinha a ver com o vinho que fazia morada em seu organismo ou com os comentários alheios sobre a relação entre ambos. O que se desenrolava naquele momento era algo que dizia respeito apenas aos dois e que ganhava nuances por conta do dito tempo de qualidade que vinham passando juntos. - Você não me soa perdido. Muito menos desesperado. E, sejamos honestos, do tanto que William e Natalie perturbam a minha paz a única desesperada poderia ser eu! Mas juro que não estou! Apenas muito muito interessada em tempo de qualidade com alguém com espírito de golden retriever, especialmente quando aos olhos alheios eu me pareço muito mais com uma gata antipática. - o cenho ligeiramente franzido suavizava as feições da ex-corvina deixando-a com uma expressão que era tudo menos antipática. Fallon mordiscou brevemente o canto de seu lábio inferior em uma demonstração de que se sentia ansiosa. Não a ansiedade ruim que por vezes era paralisante, mas a considerada normal pela ciência e que vinha junto ao desejo que parecia se fomentar e fazer morada em sua corrente sanguínea conforme Frank se aproximava. O compasso de seus batimentos cardíacos já era ligeiramente destoante do dito normal e refletia-se na maneira em como respirava, seu tórax subindo e descendo algumas vezes mais por segundo. A expectativa crescia exponencialmente, mesmo que racionalmente não quisesse alimentá-la, especialmente ciente do quão trágica era sua trajetória naquele campo, ainda assim, era impossível não se permitir envolver quando se sentia vista e realmente percebida por alguém. Um alguém com quem identificava-se de maneiras diversas e que estar confortável se fazia essencial para que pudesse se permitir sem tantos receios do que viria em seguida - era como se as palavras dele sobre a inexistência de futuro de certa forma ecoassem no fundo de sua mente. A ex-corvina fechou os olhos brevemente ao sentir as palmas das mãos dele em seu rosto, contato que lhe roubou um sorriso de canto, satisfeito. Evans voltou a mordiscar o centro do próprio lábio inferior e em seguida deslizar a ponta da língua sobre o local - uma demonstração sutil de como tudo em seu corpo parecia desperto pela aproximação, pelo contato e pelo sutil aroma cítrico que se desprendia do corpo do Longbottom. Ao voltar a fitá-lo, as orbes azuladas prontamente buscaram por encarar as castanhas. Por alguns instantes o silêncio entre ambos era interrompido apenas pela sutileza das respirações e pelo friccionar das palmas de suas mãos sobre o tecido macio da camisa dele quando, instintivamente, as apoiou nas laterais de seu corpo, sentindo brevemente a musculatura coberta. - Hum? Mesma vibe, então?! Bom saber que meu poder de sedução não é completamente inexistente. - brincou, com um breve biquinho formando-se em seus lábios, no exato instante em que seu olhar recaiu sobre os lábios dele. Evans engoliu em seco e sentiu um ligeiro rubor tomar conta de suas bochechas porque, de repente, descobrir a sensação que os lábios de Frank causariam sobre os seus, sobre sua pele, parecia essencial. Ali, tomada por um lampejo a mais de coragem, curvou-se um pouco mais para perto, tornando a distância quase inexistente. Tão perto sentia o hálito mentolado que se misturava ao aroma do vinho que compartilhavam. Fallon levou a mão esquerda a nuca de Frank, deslizando as pontas dos dedos finos pelos fios que cobriam a região. - Hum, tecnicamente nós estamos sobre uma piscina coberta. Mas longe de mim permitir a atrocidade que seria você se afogando, embora, bem, poderia testar minhas habilidades em primeiros-socorros. - murmurou, com certo divertimento, enquanto apoiava brevemente sua testa na dele. A ex-corvina depositou um beijo suave no canto dos lábios dele e em seguida roçou gentilmente o nariz no dele. Gestos tenros que destoavam do deslizar das pontas de suas unhas pela nuca do ex-corvino. - Muito competitivos, realmente. E gosto de vencer, inegavelmente! Mas posso deixar você levar a fama dessa vez. - murmurou tão próximo que seus lábios roçavam brevemente nos dele causando frisson e alimentando seus desejos. - Well, o marketing do seu serviço premium me parece muito satisfatório. Mas, seguindo as diretrizes do direito do consumidor eu vou aceitar minha amostra grátis, especialmente porque vai que você desiste de me fornecer seus serviços! Preciso ao menos aproveitar minha chance! - concluiu, com uma ligeira piscadela acompanhada de um sorriso maroto, antes de permitir-se beijá-lo da maneira que vinha desejando pelos últimos minutos.



















