Not today Justin

❣ Chile in a Photography ❣

titsay

Love Begins
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styofa doing anything

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noise dept.

Andulka
Misplaced Lens Cap
$LAYYYTER
AnasAbdin

⁂

Discoholic 🪩
RMH

ellievsbear

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Lint Roller? I Barely Know Her
Mike Driver

PR's Tumblrdome

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@hmmkei
“Do que mais gostou desde que veio para cá?”
Não era a primeira vez que me via diante dos holofotes em Nantis, mas também não podia dizer que estava acostumada com o calor das luzes cegantes. Assim como na última entrevista, eu precisava de alguns segundos para me aclimatizar novamente com Olesya e agir de uma forma que não fosse mecânica, então... Aquela pergunta permitiria aquilo. Bom, podia ser pior, não? Fingi pensar por alguns segundos, inflando as bochechas levemente ao brincar com a luva que tinha posto para esconder a marca dos dedos do próprio czarevich --- e não é que ele tinha mais força do que eu tinha calculado? “Logo no meu ponto fraco, Olesya? Eu não conseguiria escolher uma coisa, nem se a minha vida dependesse disso! Ah, meu Marte em Gêmeos...” Dramatizei ao tocar as costas da minha destra na testa, sentindo as bochechas esquentarem à medida em que tomava ar para continuar a falar. As bobagens de astrologia tinham vindo a calhar, e então eu continuei, não antes de dedilhar o meu queixo, estalando os dedos ao pensar em uma resposta apropriada: “’m just messin’ with ya. (1) Tem sido bem divertido lidar com tantas pessoas diferentes fora de Nova Zembla: um experimento sociológico, eu diria.” Assenti, tentando não esboçar o sorriso travesso que certamente estava traduzido no meu olhar ao brincar com a plateia. Ziva detestaria o termo porque, bem, ele sabia o que significava para mim: eu estava testando limites com a corte do czar --- ainda não tinha achado um limite rígido, o que era uma boa, mas ao mesmo tempo me dava liberdade para ser mais ousada. Uh, talvez fosse melhor que ele não visse a entrevista: eu já podia quase sentir o puxão de orelha figurativo assim que recebesse mais uma carta dele. ”Vovô e vovó estariam orgulhosos.” Concluí. Eu era uma pessoa sociável, afinal de contas: gostava da troca interpessoal tanto quanto qualquer pessoa extrovertida. Se era recíproco... Bem, não era problema meu.
Após o tédio da Cerimônia do Corte --- no qual eu tive que me segurar muito para não bocejar ---, a parte excitante do evento havia acabado de chegar! Sentiria falta de algumas das competidoras, mas minha veia competitiva estava um pouco irritada: ora, sete tinham feito algo tão pouco digno de nota para serem excluídas logo de imediato? Eu queria uma competição divertida, desafiadora e, se possível, longa o suficiente para que eu tivesse a desculpa perfeita para não voltar para casa tão cedo e elas se deixavam ser tão pouco notáveis assim? Uma vergonha, mas pelo menos a competição se tornaria mais acirrada agora: quando o círculo se fechava, todas ficariam mais atentas à sua volta, o que significava mais entretenimento. As pontas dos meus dedos praticamente comichavam, o que nunca era um bom sinal, de acordo com Zeevie, enquanto esperava pela minha vez de ser chamada por Olesya e, por alguns segundos, eu sequer me importei com a presença atrás de mim, soltando o ar pela boca numa risada anasalada antes de estalar a língua: “Mil rublos que ela vai bancar a humilde. Quer apostar?” Ante o silêncio, meramente dei de ombros, o sorriso diabólico emplastrado nos meus lábios enquanto eu antevia os resultados da entrevista. “Quem cala consente. It’s a bet, then. Ooh, showtime! (1) Três. Dois. Um.” Assobiei para mim mesma, revirando os olhos ao oferecer a palma da mão para a pessoa atrás de mim. “Dontcha worry: (2) não precisa pagar agora. A gente acerta essa continha depois do jeito que quiser. Eu sou uma credora bem flexível.” Sure, a voz da minha consciência cuspiu, quando você quer, e você quase nunca quer. “'Sides, meu vestido não combinava muito com bolsos, então...”
Trust… I don’t really trust Tsumu, though. But it’s not like I even need to trust him. I know the ball will come anyway.
Bonus:
vnvdvici:
Era óbvio que a todas tinha de dar o mesmo tratamento, o que significava que até a Lytkin tinha de estar ali naquela tarde – estranhariam se não estivesse e ele seria obrigado a dar explicações. Entretanto, era demais esperar que ela encarasse a dinâmica com seriedade. A parte boa, era que Grigori, a essa altura, e especialmente depois do episódio no baile de seu aniversário, já esperava por aquilo. ‘ Sente-se ’ ordenou de novo, como em reprise ao que tinha ocorrido em seu escritório. Era como se, enquanto de pé, as palavras lançadas por Natalya tivessem mais força sobre ele, e era sempre necessário cortá-la antes que se prolongasse. Ao ouvir a réplica, baixou o rosto para massagear as têmporas, experimentando exatamente aquilo que temia experimentar numa tarde como aquela, ao fazer perguntas como aquela. A bem da verdade, um dos maiores temores do Morozov era ser ridicularizado como pretendente – daí a sua insegurança em relação às mulheres e todas as suas travas. ‘ Vejo que tem prestado atenção nos meus discursos ’ pontuou, recostando-se, por fim, no assento para encará-la. Ele não podia temer uma favorita, mesmo que ela pudesse comprometer sua imagem ou que soubesse o que dizer para fazer com que se sentisse pequeno. Dali em diante, teria de aprender a relevar o deboche, pois, ainda não tinha encontrado alternativa para se livrar da morena. Além disso, quanto mais se mostrava afetado, mais a outra se mostrava tentada a prosseguir. ‘ Espero uma resposta verdadeira ’ esclareceu, depois de um suspiro. ‘ Não seria benéfico nem pra mim nem pra elas—vocês ’ se corrigiu tardiamente ‘ esconder as reais intenções, porque em algum momento isso virá à tona e prejudicará ambas as partes ’ tanto que havia pedido sinceridade no início. Todavia, não esperava que a representante de Nova Zembla compreendesse. Quase se levantou ao ouvir a sugestão, mas lembrou que o salão era dele, e se alguém tivesse que ir embora, que fosse ela. Evidente que, a essa altura, a semente da insegurança já tinha sido plantada. ‘ Não preciso da sua ajuda. Mais que isso: não precisamos conversar, porque sabemos que estar aqui, para a senhorita, é uma inconveniência, e você se tornou, para mim, uma inconveniência também. Não vejo por que mentir quanto a isso ’ deixou tudo em termos claros. ‘ Então, deixe que respondo a pergunta por nós dois: não, não existe a menor possibilidade de um relacionamento amoroso entre nós ’
Talvez eu ainda não estivesse recuperada da dose cavalar de laxante que Hedeon me obrigara a tomar no dia anterior, já que tinha achado a poltrona fofa o suficiente para me permitir desmontar sobre ela, abrindo um sorriso preguiçoso ao escutar as palavras do Morozov. “’Course, babe! Que tipo de noiva eu seria se não prestasse atenção no meu querido futuro marido?” Levei a destra ao peito de maneira travessa, fomentando uma careta de ofensa chocada --- ora, vejam só: consegui até deixar uma arfada escapar! Grigori, como sempre, parecia estar constipado --- quem devia estar passando mal era eu, não ele ---, mas preferi não comentar: tinha aceitado uma pequena trégua com o czarevich, afinal. Quanto tempo ela duraria? Dependia muito mais dele do que de mim. “E eu nunca disse que você não tinha presença... O que é meio que o mínimo pro que você quer, então: Parabéns por fazer o mínimo?” Acenei impassivelmente, brincando com o pingente de esmeralda que minha estilista tinha escolhido só para aquela ocasião. Bem, eu tinha dito muitas coisas para o moreno, mas aquela não parecia uma delas, pelo menos. “Só disse que você não tinha nem um pinguinho de chill. O que ainda é verdade, vide... Isso tudo aí.” Gesticulei na direção geral dele antes de apoiar a bochecha em uma das mãos, revirando os olhos diante da linha de raciocínio que ele tinha decidido adotar. Geez, ele era ingênuo mesmo, não era? Não tinha vivido muito tempo na corte, mas Liev e Yekaterina tinham criado quase uma cópia dela no Palácio de Nova Zembla: pessoas como Grigori não eram material para a política. Claramente. “Yer not gonna get ooone.” (1) Acenei, cantarolando ao interrompê-lo enquanto falava sobre a resposta, comprimindo os lábios em uma fina linha para tentar impedir o bocejo de escapar, muito ciente de que a minha voz estava pendendo para a sonolenta. “But sure, do yer thing, I guess. Go crazy.” (2) Gesticulei sem dar muita importância para o que estava falando. Veja, minha cabecinha já estava começando a fanficar os possíveis resultados de alguém mentindo e sendo pega com a boca na botija. Huh, será que pegariam alguma Favorita com um guarda, ou, pior, com algum dos emissários? Talvez fosse proveitoso continuar na corte só para acompanhar aquilo de per---
Franzi o nariz ante as palavras dele, piscando algumas vezes para voltar à conversa. “Quê?” Deixei escapar em um tom mais alto do que deveria, bufando como uma criança cujo pirulito tinha sido tirado da boca. “Só é uma inconveniência porque você não aceita opinião diferente da sua, sabe?” E tinha sido assim desde a primeira vez em que nos encontramos, acrescentei mentalmente ao arquear uma das sobrancelhas, sustentando o olhar do czarevich. “Você vive perguntando para os outros o que acham e, quando alguém diz a verdade, você age como se tivesse ofendido os próprios Santos. O seu problema é de analista.” Gesticulei, brincando com o dedo da luva que tinha escolhido para esconder as marcas arroxeadas nos meus punhos. E então... Ele tinha que dizer as palavrinhas mágicas, não? Quase senti meus olhos brilharem ao me empertigar na poltrona, abrindo um sorriso travesso à medida em que pendia a cabeça para o lado, abraçando as minhas canelas da mesma forma que tinha feito em seu gabinete. “Oh, is that a challenge?” (3) Podia sentir a ponta dos meus dedos comicharem ante a perspectiva de mais um joguinho: dessa vez um em que nós dois íamos jogar (in)voluntariamente. "Só por curiosidade: com o que você me premiaria quando eu ganhasse, hm? Eu não tenho muito interesse no que você tem pra me dar, então... Vamos lá, vende seu peixe! Faça com que eu queira que isso aconteça.” Bati palmas para encorajá-lo ao me inclinar para frente na poltrona, semicerrando os olhos para analisar a proposta como se fosse ele quem tivesse que me convencer a algo.
vnvdvici:
𝒇𝒍𝒂𝒔𝒉𝒃𝒂𝒄𝒌 (𝖒𝖆𝖘𝖖𝖚𝖊𝖗𝖆𝖉𝖊 𝖇𝖆𝖑𝖑) hmmkei ,
Tinha errado em mostrar alguma aflição, abandonando temporariamente a máscara fria. Julgara mal: achava de verdade que isso facilitaria o contato com a Lytkin, que poderia despertar sua empatia. Porém, não fora feito para aquele tipo de trabalho, e tampouco contava com algum charme. Devia ir embora e mandar outro para negociar em seu lugar, mas só Deus sabia o que a morena teria feito nesse meio tempo. No fim, ele tinha de admitir que ela estava certa ao dizer que ele não tinha noção do que estava fazendo; fora afoito e imprudente, como um garoto inexperiente, só porque o orgulho não admitia que alguém tivesse passado pelo esquema de segurança que tinha montado. Era visível, no entanto, que Natalya zombava dele por ter cogitado que ela era um espião estrangeiro, e agora que a cena se revelava, Grisha não podia achar a situação mais ridícula. ‘ Você não devia ter vindo. Te dei ordens para não vir ’ devolveu em tom cáustico, sabendo que tinha sido tolo por acreditar que ela obedeceria; seu cérebro, aliás, tinha descartado de imediato, na abordagem, a possibilidade de que era a favorita quem estava debaixo da fantasia de médico da peste. Ela devia estar mesmo adorando a posição em que estava – superior a ele – o que permitia que debochasse à vontade, sem que o czarevich pudesse fazer nada além de comprimir os lábios e desviar o rosto. ‘ Sabe bem por que ’ ele não se humilharia ainda mais dizendo que tinha uma reputação a zelar e uma fachada que não deveria ser desfeita por um episódio isolado. Tinha errado, mas isso não significava que estava pronto para aceitar seus erros e permitir que todos os vissem. Respiração dificultosa começou a escapar à medida que era cutucado, e ele se conteve para não envolver o dedo feminino. ‘ Seria bastante desagradável ’ anunciou, sem querer dar maior intensidade ao episódio, agora encarando a mais nova fixamente. ‘ Já estamos conversados. Tenho certeza de que entendeu bem a situação aqui ’ ele não queria se sentar naquele banco e dar a entender que ela tinha algum poder sobre ele, mesmo agora, de modo que cruzou os braços a frente do peito, encarando-a de cima depois de se aproximar. ‘ O que você quer? ’ forçou-se a dizer, sentindo na boca o gosto amargo da corrupção, mesmo que julgasse estar acima disso. ‘ O que você quer pra ficar de boca fechada? Deve haver algo que queira ’
O franzir de nariz que dei quase podia ser traduzido num “você realmente quer ser difícil agora, huh?”, mas preferi ficar quieta ante a incapacidade do moreno de dar o braço a torcer e simplesmente sentar no banco ao meu lado. Bem, a perda era toda dele --- era ele quem ficaria cansado depois de um tempo, não eu. “E eu deveria perder essa noite linda só porque você ficou irritado com uma coisinha ou duas que eu fiz?” Levei a destra ao peito, repuxando os lábios para baixo em uma expressão falsamente magoada. Okay, eu tinha pisado em mais um dos calos do Morozov, mas, no fim, ele ainda me agradeceria por ser tão boazinha com ele. “Ya wound me, truly!” (1) Acenei dramaticamente, mantendo a expressão de mágoa por mais tempo do que o necessário. “Você não fez isso com mais ninguém, Grigori!” Continuei, deixando o ressentimento se destacar antes de suspirar, acenando como se aquilo não tivesse importância. Bem, eu não tinha o escutado porque as ordens dele pareceram arbitrárias, mas... A verdade era que ninguém conseguiria me segurar, se eu quisesse muito fazer alguma coisa, fosse proibida ou não. “A gente ainda nem ‘tá casado e você já acha que manda em mim? Babe, não é assim que a banda toca.” Neguei, fazendo um biquinho ao finalizar, sobrancelhas arqueadas no momento em que apoiei meu queixo em uma das mãos --- oh, a expressão de cachorro amuado já tinha dado lugar ao deboche tão logo percebi que ele estava (ora, vejam só!) com vergonha. E então... Oh, eu senti meus olhos lacrimejarem de emoção tão logo escutei as quatro palavrinhas mágicas. “O que eu quero? Oh, that’s so sweet! O aniversário é seu, mas quem ganha o presente sou eu? Thanks, babe!” Soltei uma risadinha, antevendo a reação do moreno. “Viu? Eu sabia que você conseguia ser um cavalheiro quando queria...” Pisquei algumas vezes, incapaz de diminuir o sorriso emocionado nos meus lábios, mas me forcei a pender a cabeça para o lado, semicerrando os olhos. “Você fala como se a gente não estivesse do mesmo lado...” Soprei, fazendo uma careta ante a resposta ríspida dele. “Eu, como boa patriota, também quero que você escolha a melhor pessoa possível para o cargo.” Assenti, piscando algumas vezes ao levar minha destra ao peito. Quem visse, até pensaria que eu era um modelo de civismo. “E eu também quero que essa competição seja interessante: tanto para mim, quanto para você e para o povo de Moscóvia...” Continuei, alisando o sobretudo e evitando deliberadamente encará-lo nos olhos. Verdade fosse dita, eu não queria voltar para Nova Zembla tão cedo --- as memórias ainda estavam lá, em cada cantinho do Palácio de Verão ---, mas também não queria ser negociada por Anatoly para o higgest bidder. O Favorado tinha me fornecido uma chance de escape momentâneo, e eu ainda não estava pronta para me desfazer das mordomias que ele trazia, ainda que isso significasse ter que brincar um pouco mais com a cabeça e o coração do próprio czarevich. Bem, pelo menos ele me manteria entretida até que eu julgasse que tinha sido o suficiente. “Nós precisamos aparar algumas, uh,” parei por alguns segundos, procurando a palavra na ponta da minha língua, “arestas pra nos certificarmos de que estamos na mesma página, sim?” E, novamente, acenei para que ele se sentasse. Seria a última vez que seria tão bondosa com meu brinquedinho favorito, caso ele quisesse continuar a ser difícil.
Com tanto acontecendo no palácio, era demais esperar que ele estivesse com cabeça para o Favorado. Isso, no entanto, não retirava a responsabilidade assumida por Grigori, embora ele estivesse, mais do que nunca, com a intenção de assumir uma postura prática em relação ao processo. Depois de pedir que organizassem um dos salões menores do Palácio de Maxim para aquela tarde, garantiu que duas poltronas fossem dispostas, uma de frente para a outra, e aguardou, pacientemente – ao menos daquela vez – o ingresso da favorita no recinto. Do lado de fora, as demais deviam aguardar que seus nomes fossem chamados, sem que Grisha tivesse estipulado um tempo limite para cada conversa. Podia se empenhar em encontros, mas a data da primeira eliminação se aproximava, e ele precisava estar certo da decisão que tomaria. Depois dos usuais cumprimentos polidos, o Morozov inclinou-se, apoiando os braços nas coxas, para questionar: ‘ Seja sincera, senhorita… Acha que pode vir a ter sentimentos românticos por mim? ’
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Ziva diria que eu não estaria realizada, senão quando os outros estavam irritados ou desesperados: situações caóticas geralmente me confortavam, embora não fosse exatamente dada a se por em situações de perigo real --- bem, não normalmente, pelo menos. Os burburinhos e aumento das rondas eram facilmente detectáveis, assim como um guarda-costas sempre à minha cola, o que significava que alguma coisa tinha acontecido enquanto todos estávamos absortos no baile. Estava acostumada com o tratamento, embora fosse muito mais fácil lidar com eles em um terreno conhecido como o do Palácio de Verão em Nova Zembla. Suspirei ao soprar a mecha de cabelo para longe dos olhos, entediada ao esperar na antessala. “Quem sabe ele nos dê um presentinho especial, hm? Ouvi dizer que ele já beijou a primeira Favorita. Quem você acha que foi? Oh, eu tenho certeza que foi ela.” Meneei com a cabeça ao encontrar a favorita em questão, dividindo um sorriso travesso com a competidora ao meu lado que mal conseguia se conter de nervosismo ante toda a situação. Pobre menina. Quase sentia pena. “Condessa Natalya, queira por gentile---” “Oh, that’s my cue! (1) A gente termina nossa conversa mais tarde, ok?” Pisquei ao me levantar, emplastrando um sorriso de simpatia antes de praticamente saltitar na direção da sala, sendo recebida por ninguém mais, ninguém menos, que o próprio Mister Simpatia --- ou algo parecido com isso, já que ele parecia tenso... Bem, mais do que o normal. “Já sentiu saudades? Aw, fofo.” Pisquei, ciente de que Morozov veria aquilo como puro deboche. Hmm, o que ele tinha em ment--- Estalei a língua ante a pergunta dele, tomando ar para não rir, achando graça do questionamento. “Oh, boy... Eu sabia que você era um romântico encubado quando disse que ‘o bem do meu país está acima da minha felicidade’, ou algo assim, mas isso...” Neguei levemente, levando a destra aos lábios para esconder o sorriso travesso enquanto revirava os olhos, animada. “Isso é demais pra mim!” Mordi forte o interior da bochecha antes de gesticular, tentando respirar calma e pausadamente à medida em que entrelaçava os dedos, pendendo a cabeça para o lado. “Eles crescem tão rápido! Eu ‘tô tão orgulhosa!” Caçoei, fingindo secar uma lágrima, para então abrir um meio sorriso, me sentando de maneira mais confortável na cadeira disponível antes de imitar a posição dele, até... “Você espera uma resposta diferente do ‘sim’, de verdade? Ninguém lá fora vai falar nada diferente.” Arqueei uma das sobrancelhas, suspirando teatralmente ao deixar uma risadinha escapar. “Yer really clueless, ain’tcha? (2) ‘T’s okay, é pra isso que eu ‘tô aqui.” Me empertiguei, estufando o peito ao abraçar uma das pernas dobradas. “Vamos lá, melhora essas perguntas antes que eu faça as minhas.” Bati palmas para encorajá-lo, esboçando um sorriso animado ante a perspectiva de mexer um pouquinho mais com o moreno. “Tem uma fila de favoritas assustadas esperando o dia inteiro só por isso: você tem que estar à altura da expectativa. ‘T’s only fair... (3)”
𝐚𝐧𝐭𝐞𝐬 𝐝𝐚 𝐟𝐞𝐬𝐭𝐚 𝐝𝐚𝐬 𝐛𝐫𝐮𝐱𝐢𝐧𝐡𝐚𝐬 (𝐬𝐮𝐩𝐞𝐫 𝐟𝐥𝐚𝐬𝐡𝐛𝐚𝐜𝐤) ~
vnvdvici:
Ele entendia que algumas das moças da corte tinham sido criadas em meio a tantos mimos, que era praticamente impossível que fossem reeducadas na idade adulta, ainda mais por ele. Simplesmente torcia para que mostrassem seu melhor – e seu pior – no breve tempo de convivência que teriam, para que ele pudesse avaliá-las de todos os ângulos, de forma analítica o suficiente para ser capaz de emitir parecer e fazer a melhor escolha não só para ele, mas para o país. Uma escolha imprudente não afetaria apenas Grisha ou a família real, mas toda Moscóvia, e ele se importava demais com a nação para que permitisse se casar com alguém menos que adequado. ‘ Vamos mesmo falar de respeito, lady Lytkin? ’ o queixo caiu em descrença para esconder o riso de indignação. Sabia que não devia estar tão exaltado logo pela manhã – madrugada, como Natalya havia referido – mas a morena provocava nele aquele tipo de reação. Havia sido precisamente por isso, aliás, que a evitara nos últimos dias, mesmo que na noite do baile tivesse exigido um pedido de desculpas formal – o qual, por sinal, ainda não tinha vindo. ‘ Não é disso que se trata ’ o tom era firme, especialmente porque se incomodava que o visse como alguém tão fútil ao ponto de se importar com a beleza física. Asseio pessoal era importante, mas se a favorita não entendia isso, não seria ele a explicar. Por todos os Santos, a garota ainda estava bocejando, e ele tinha certeza que não tinha se preocupado em sequer passar uma escova no cabelo naquela manhã. Foi a provocação, contudo, que fez com que perdesse a paciência: ‘ Asseguro que não gostaria de me ver tentar ’ soltou rudemente, de uma forma que tinha prometido não usar com aquelas garotas, em tudo mantendo os olhos sobre a postura alheia, ainda desleixada. Nunca vira ninguém que se portasse tão mal em seu gabinete – era ultrajante. Entretanto, era visto que tudo não passava de uma brincadeira para a condessa, que continuava com suas piadas, obrigando o czarevich a fazer com que o levasse a sério: levantou-se, então, de seu assento, caminhando até onde ela estava e girando, para ele, a poltrona em que a Lytkin se acomodava. Depois, apoiou uma das mãos no topo do encosto para que se inclinasse e tivesse a total atenção da mais nova. ‘ Sabe muito bem do que estou falando ’ pronunciou devagar, encarando os olhos levemente repuxados. ‘ Uma medalha. Você foi a única a chegar tão perto, e também é a única que tem motivos para isso. Deve ser uma espécie de piada pessoal para você ’ no fundo, não tinha assim tanta certeza. A acusação era um tiro no escuro, e poderia, com isso, estar ofendendo a família nobre da qual provinha Natalya. Ao mesmo tempo, a representante de Nova Zembla já tinha lhe ofendido de tantas formas que isso não parecia nada em comparação.
Natalya arqueou uma das sobrancelhas, claramente desacreditando de suas palavras. “Pois parece.” Deixou escapar em um sopro, inflando as bochechas de maneira infantil, ciente de que estava fugindo do olhar dele ao analisar as unhas bem feitas, o que só acrescentava à postura relaxada. A vozinha de sua consciência pediu cuidado, mas o diabinho, que se assemelhava muito com Mika, a impulsionou a testar as águas de maneira mais... Intrépida. Ela ainda não conhecia Morozov muito bem, mas as poucas vezes em que trombara com ele --- a ida repentina ao seu gabinete sendo uma delas --- já a deram uma noção básica de quem ele era: engomado, facilmente irritável e autoritário. Sankt Yuri sabia que Kei detestava militares, e Grigori, o czarevich, a lembrava constantemente do motivo. Não, ele não se importava com os frufrus da corte --- fosse isso, ela poderia pensar no caso dele e fazer um esforço para se adequar ---, mas ele exigia algo além, que a condessa simplesmente não estava disposta a entregar. Uma pena para ele; um divertimento para el--- Oh, Abriu e fechou a boca algumas vezes, arregalando os olhos ante a aproximação repentina. Aquilo nos olhos de Grigori era... Cólera? Não conseguiu desviar o olhar, ciente de que estava parecendo assustada --- talvez estivesse --- com a mudança de atitude repentina. Ela não... Calculara bem. Ele já tinha estourado? Tão fácil? Oh, boy, aquilo era ruim para todos os envolvidos, não era? “F-ato.” Vacilou ao começar, a voz uma oitava mais aguda, ao que cerrou os olhos em descrença. Não, aquilo não serviria. Mordeu a língua com alguma força, tentando se recalibrar ante a nova situação. “Fato curioso sobre mim: eu não sou particularmente afeita ao kabedon.” Murmurou incoerentemente, deixando a risada engasgada escapar para tentar suavizar o clima, muito ciente de que ele fizera aquilo de propósito --- Mika costumava fazer o mesmo quando queria intimidá-la ou a convencer de alguma coisa ---, o que trouxe um gosto metálico à sua boca quando mordeu o interior da bochecha com força demais. Kei, não é hora pra is--- Eu sei, eu sei! Se viu discutindo com a própria consciência, até... Estalou a língua, retomando as rédeas do seu corpo a tempo suficiente para esboçar um sorriso travesso, debochado. “Ah, aquela medalha!” Acenou brevemente, assentindo uma vez assim que seus olhos se semicerraram, fingindo se lembrar do seu pequeno souvenir. “Eu acho que me lembro de Vossa Alteza usando algumas no baile...” Titubeou. “Você não tem, sei lá, um bilhão delas?” Deu de ombros, franzindo o nariz levemente ao piscar: veja, a noção do perigo estava prejudicada com a Lytkin. “E eu fui realmente a única a chegar tão perto? Assim? Interesting.” Gesticulou debochadamente para o espaço entre eles, cada vez menor. Natalya já tinha se acostumado, mas não podia deixar de ressaltá-lo --- quem sabe, assim, ele se afastaria e ela poderia respirar um pouco mais sossegada. “Se eu me lembro bem, isso só aconteceu porque você foi um escoteiro muito mal educado e não respeitou o distanciamento social. So, tell me, who’s really at fault’ere, huh?” (1) Piscou, aumentando o sorriso endiabrado. Embora quisesse, o coração não batia tão forte em seu peito desde... Muito tempo, e a Lytkin se viu interessada em continuar com o jogo: adrenalina inundando os sentidos antes que pudesse pensar. “Don’tcha worry, though: (2) eu realmente encontrei uma medalha caída por aí. What are the odds?!” (3) Fingiu surpresa, escondendo os lábios com a canhota. “Não sabia que era sua, é claro.” Deu de ombros, ciente que ele não podia provar que tinha sido ela. “Você precisa ser mais cuidadoso com as suas coisas, Alteza.” Repreendeu, fazendo um biquinho ao puxar sua gravata em um movimento rápido, aproximando-os ainda mais. “Da próxima vez, talvez a pessoa que achar não esteja disposta a devolver, sabe?”
𝐟𝐞𝐬𝐭𝐢𝐧𝐡𝐚 𝐝𝐚𝐬 𝐛𝐫𝐮𝐱𝐚𝐬 (𝐟𝐥𝐚𝐬𝐡𝐛𝐚𝐜𝐤) ~
rionasuacara:
— ❝ Que porra de barulho foi esse? Eu jurava que estávamos entrando em guerra! Ainda bem que foi só essa bosta de vaso, ufa. Você está bem, querida? Se machucou?❞
Pisquei algumas vezes e... Bom, podia ser muito pior do que Aisling. Inconscientemente, o canto dos meus lábios se repuxaram para cima e eu segurei sua mão, começando a correr na direção oposta. “Não tem tempo pra isso! C’mon, let’s go!” Gritei, mordendo o interior da bochecha ao virar a terceira --- ou seria a quarta? --- à esquerda. Assim que vi que estávamos longe do fogo cruzado, pelo menos por ora, me permiti respirar fundo, me livrando da máscara de doutora da peste para tomar um pouco de ar puro. "Tudo nesse palácio é feio e... Velho.” Desde as pinturas, até as camas e os talheres. Estava acostumada ao luxo, mas ainda não conseguira me acostumar à Nantis como um todo: Nova Zembla era muito mais rica em vários sentidos. Concordei em uma voz esganiçada, cerrando os olhos ao engasgar com a falta de ar. “Mas se você soubesse como eu não posso dar motivo pro meu futuro marido falar...” Mordi o interior da bochecha com força, franzindo o nariz de dor. “Anyways...” Pigarreei, me empertigando contra a parede. “He’dn’t be very pleased, if y’know whatta mean.” (1) Não que eu precise deixá-lo feliz... Mas fazia parte da trégua tentar ser uma pessoa um pouco menos... Problemática? Bem, no fim das contas, quem tinha ganhado mais vantagens era eu, então não tinha muito do que reclamar, mas ao mesmo tempo... Bufei.
kimhedeon:
Hedeon tinha n motivos para desconfiar da garota. Porque, se tinha qualquer dúvida antes (inexistentes, diga-se de passagem), a silhueta e o modo de falar a entregavam. O receio e atenção provindos da movimentação até a escolha de palavras, detalhes que nunca seriam perdidos por um oficial tão envolvido na segurança. — Por onde eu posso começar? Sua atenção à mesa de bebidas, a ansiedade no modo que se porta, ter vindo aqui me perguntar sem oferecer uma alternativa. E pelo fato de você saber o que esperar de um encontro assim só a faz mais suspeita. — Terminou com a língua passada nos lábios cheios, a taça sendo mudada de posição na mão para que o longo indicador pudesse contornar a borda cristalina. O bastardo sorriu feito o demônio que era, que carregava dentro de si e só soltava as amarras atrás do painel sofisticado de suas aeronaves. O reconhecimento era uma benção para os ouvidos, um banquete para os olhos e um arrepio sutil na coluna esticada. Ereta. Só deixa as coisas melhores, não é mesmo? — Meu humor é incrível quando não sou incapacitado, ou o resto dos convidados. — Quem ficaria sorridente e rindo de si quando estava dobrado de dor em algum canto inominável? Ou ficava super humorado ao ter a roupa manchado e os cabelos em desalinho? Os jogos da corte eram delicados e cheios de detalhes, e eram ainda piores com quem já tinha o nascimento como desvantagem. Hedeon respirou profundamente, o desafio recaindo sobre os ombros como um manto, poderoso e imponente. — Pelo o que ouvi, sua máscara não é como a minha. Nada foi costurado ao redor da minha cabeça. — Porque a própria estava afastada para poder permitir a entrada do líquido, o suficiente para não causar horror às frágeis criaturinhas nobres. — A senhorita já parou para pensar que uma pegadinha dessas pode provocar à vossa senhoria? As acusações? Mesmo favorita, uma punição teria que ser aplicada. — Tinham câmeras ali, escondidas pela equipe de segurança, a mando do bastardo sem nome. — Mas vou oferecer à você uma saída da humilhação. Vire seu bico para cima e me deixe derramar o suco por ela. Um gole, eu peço, para provar que nada de mal está fazendo aos inocentes e eu declamar um pedido de desculpas pela suspeita à altura.
Damnit. Nunca mais tentava ser boazinha com o próximo: sempre era sinônimo de cilada. O que aprendi nas parcas vezes em que Yekaterina me levou à Igreja estava seriamente errado. Lemmetellya, kids: stay in drugs, eat your school and don't do vegetables. (1) “Tudo circunstancial, meu caro Heidy.” Estreitei os olhos, comprimindo os lábios em um sorriso travesso ao arquear uma das sobrancelhas. “Você claramente ‘tá me julgando com um pré-conceito estrutural. Só porque eu pareço suspeita, quer dizer que eu fiz isso? Aliás, o que é isso?” Assobiei, piscando inocentemente. “Ora essa, Heidy, não sabia que você tinha impersonado Sherlock Holmes.” Acenei, repousando ambas as minhas mãos na cintura ao dar uma pequena palestra: meus melhores trabalhos sempre eram fruto de improvisação, por que aquele não seria, também? Enquanto o mantivesse entretido, os pobres beberiam o suquinho e eu ainda teria acesso VIP à desgraça generalizada. Você só podia ter se abstido de joga---- Shh, o zumbidinho da minha consciência estava falando demais nos últimos dias, não estava? Ante as palavras do guarda, dei de ombros, inflando ligeiramente as bochechas ao esconder minhas mãos entrelaçadas atrás do corpo. “Yer no fun when y’act like that, y’know?” (2) Suspirei, desviando o olhar propositalmente do capitão para passar a mão pelo sobretudo escuro, e então... Oh, boy. Aquilo era ruim. Muito, muito ruim. Quando começavam a falar de consequências... “Isso é uma ameaça, Hedeon?” Arqueei uma das sobrancelhas, pendendo a cabeça para o lado ao encará-lo abaixo da máscara de plague doctor. “Você levantaria esse falso logo de mim? Esse anjinho? You wound me, Heidy! (3)” Engoli o sorriso entre as palavras de tristeza, piscando algumas vezes antes de gesticular brevemente, levantando o indicador assim que o pensamento passou pela minha cabeça: “Quem ia me punir? Você?” Bem, aquilo certamente deixava algumas imagens mentais bem interessantes cravadas na minha mente. Deixei as palavras escaparem num tom risonho, muito ciente de que não estava lidando com um guarda mais leniente. A voz da minha consciência quase grasnou, mas... Ora, que graça teria se não pudesse brincar mais um pouco, huh? Assim que ele continuou, entretanto, me vi umedecendo os lábios lentamente, mordiscando o interior da bochecha ao soltar uma risada curta, fraca. “Okay, okay! Digamos que eu tome.” Comecei. “Você precisaria de mais do que um pedido de desculpas.” Acenei com a ponta do bico de tucano da máscara na direção do suco, levantando as mãos em sinal de rendição antes que ele pudesse reagir, sorriso apologético nos lábios embora ele não pudesse vê-lo --- nada que eu não deixasse filtrar na voz, é claro. “Eu sou alérgica a toranja e isso aí parece bastante com suco de toranja.” Assenti, lembrando-me da mentira deslavada que tinha contado a uma das damas de companhia. Se ele era tão bom no trabalho quanto se gabava... “Pode perguntar pra marquesa! Ela viu como eu quase sufoquei, dia desses...” Continuei mordiscando o interior da bochecha, dando de ombros antes de soltar um bocejo, certa de que tinha me livrado daquela --- oh, to be young and dumb, minha consciência concedeu. “Mas, é claro, se você ainda pretende me fazer beber, eu acho que posso fazer esse sacrifício, não é mesmo? Tudo para que ninguém levante falso de mim.” Blefei ao arquear a sobrancelha, sinalizando para que ele me servisse um gole generoso do suco repleto de laxante. Sabia que ele não cairia naquela, mas o que custava tentar? Sankt Yuri não abandonaria sua filha em sua hora mais escura...
vnvdvici:
Ele não tinha só ignorado os protestos como também ignorado os protocolos de segurança para fazer sua investigaçãozinha particular. Pela primeira vez em muito tempo, Grisha tinha fechado os ouvidos ao bom senso, e só podia culpar a competição por mexer tanto com sua cabeça e por lhe deixar tão apreensivo. Agora, a besteira que tinha feito era estratosférica, para não dizer irremediável. No lugar de um rebelde camuflado ou de um espião estrangeiro, ele tinha encontrado a única favorita que estava impossibilitada de comparecer à festa – graças a ele. A Lytkin também era a única com capacidade para aquele tipo de número – inclusive os comentários impertinentes enquanto a arrastava – de modo que ele devia ter adivinhado. ‘ Ahn? ’ encarou a favorita, incrédulo por ela ainda estar fazendo piadinhas mesmo depois do que tinha acontecido. Ao menos ele poderia descartar qualquer machucadura ou trauma, se Natalya nem mesmo parecia afetada, embora soubesse que a simples menção daquele episódio seria suficiente para causar burburinho na corte, e uma revolta da Casa Lytkin. ‘ Ao menos tem noção do que acabou de fazer? Por que não se identificou? Por que não disse que era você? ’ perguntou exasperado, gesticulando, ao mesmo tempo em que tentava não dar mais vazão à raiva. Aquela garota tinha a capacidade de arrancar o pior de seu temperamento, e aquele episódio apenas provava isso. Não importava que as bochechas alheias estivessem coradas – a vergonha maior era do czarevich: pela falha, pela exposição, pelo contato indevido. ‘ A culpa é toda sua ’ respondeu com aspereza assim que percebeu a acusação no tom alheio, riso seco escapando ao final. Era óbvio que a culpa não era exclusiva da representante de Nova Zembla, pois se outro guarda tivesse lidado com ela, o tratamento poderia ter sido diferente, ou mesmo a favorita poderia ter se revelado antes que a desgraça acontecesse. Mas mesmo esta postura autoritária e demonstrativa de irritação seria substituída pelo pânico de uma revelação. ‘ Natalya, não… Por favor ’ se forçou a dizer, chegando mais próximo para encarar os olhos repuxados, na esperança de que ela entendesse. ‘ Não pode contar a ninguém sobre o que aconteceu ’ tinha quase certeza de que a condessa tinha armado toda a cena propositalmente, e ele tinha caído feito um patinho.
A expressão acuada de Grigori era bonita demais: não sabia se já o tinha visto daquele jeito, mas me vi esboçando um sorrisinho travesso ao tombar a cabeça levemente para o lado, estalando a língua. Oh, eu podia me acostumar com muita facilidade àquilo: algo em fazer ele se contorcer de raiva, quase literalmente, fazia meu sangue bombear um pouco mais rápido nas veias. “Ei, calma!” Me apressei em acalmá-lo, mordiscando o interior da bochecha ao piscar algumas vezes para tentar apartar a vontade de rir, ciente de que o tom de brincadeira não seria bem recebido pelo moreno. “Se você tivesse um pinguinho disso,” gesticulei, fazendo um sinal com os dedos, “não estaria nessa situação, estaria?" Arqueei uma das sobrancelhas ao provocá-lo, dando de ombros ante a metralhadora de perguntas que fez. Podia respondê-lo, mas que graça teria? Não podia dizer que estava com medo de ser proibida de sair novamente, medo de ficar sozinha tempo suficiente para pensar asneiras relacionadas a Mika ou a Ziva ou a... Pisquei, voltando a mim a tempo suficiente. “Eu não sei, Grrigorri.” Comecei naquele sotaque estrangeiro não-identificável, abrindo um sorriso zombeteiro ao me inclinar para a frente, as mãos entrelaçadas atrás do meu corpo. “Talvez eu só quisesse saberr como você lidarr com donzelas indefesas; talvez eu só goste de te ver irritado e quisesse ver até onde iria... Você quer mesmo gastar seu tempo nos ‘e se’s?” Titubeei, mostrando a língua de maneira infantil antes de continuar, suspirando teatralmente: “Oh, don’t get me wrong: you failed the test. Big time. (1)” Acenei de maneira impassível ao me ajeitar, cruzando os braços à frente do corpo, embora não conseguisse me desvencilhar do sorriso animado: não julguem! Qualquer um reagiria assim na minha situaçã--- Oh. Abri a boca, atordoada ante os novos eventos: Grigori... Implorando? Isso não podia ser normal, podia? Será que ele estava com febre? Pendi a cabeça para o lado, umedecendo os lábios antes de mordiscar o lábio inferior. “Não posso? Por que?” Provoquei, embora soubesse sobre o que estava falando. “Seria muito ruim pra você, não seria?” Continuei a cutucar, incapaz de conter o meio sorriso nos meus lábios à medida em que me empertigava para dar uma boa olhada nos olhos dele. Estava ciente da aproximação, ainda que tivesse apenas arqueado uma das sobrancelhas como forma de ratificação aos movimentos dele. Antes que pudesse responder, entretanto, meramente dei de ombros, afastando-me dele. “Vem.” Mandei, me sentando em um dos bancos dispostos no jardim antes de bater no lugar ao meu lado para que ele se sentasse, como um bom garoto. Kei... Isso não pode acabar bem, o anjinho em meu ombro direito alertou, mas eu meramente pisquei, sentindo o ar congelar à minha volta. Estava começando a ficar frio demais, mesmo para as roupas de couro, então talvez devêssemos terminar com aquilo de uma vez --- não que eu me importasse com o estado de saúde de Morozov, eu só não queria pegar um resfriado. "C’mon, we don’t’ve all night!” (2) Chamei em tom jocoso. “A gente ainda tem muita coisa pra conversar e eu ainda quero aproveitar um pouquinho da festa --- isso mesmo, da festa que você me proibiu de participar.” Suspirei teatralmente, apoiando o lado do rosto em uma das mãos. Oh, como tinha sofrido nas mãos de Grigori, o Bruto!
vnvdvici:
Mesmo com a interjeição de dor, Grigori custou a afrouxar o aperto, temeroso de que houvesse uma fuga. Para piorar, a figura diante dele ainda escondia algo às costas, tendo o príncipe rapidamente a virado para descobrir que se tratava de uma… bengala? ‘ Por que está escondendo isso? ’ demandou, tomando o bastão e lançando-o longe, visto que podia se tratar de uma espada oculta. Como não tinha encontrado semelhantes mascarados, toda a sua atenção agora se focava no outro, a testa franzida em preocupação e o estampido do coração a martelar nos ouvidos. Há dias que não experimentava aquele tipo de tensão. O sotaque estrangeiro apenas intensificou suas desconfianças, fazendo com que arregalasse os olhos e praticamente arrastasse o médico da peste consigo, como se acolhesse o conselho alheio. Por conta da máscara, não tinha certeza sobre ser uma voz feminina a que ouvia, mas teria. Não podia fazer aquilo diante dos convidados, para não causar pânico, bem como para que não o recriminassem por seus métodos – o que ele podia fazer? Não era tão simples lidar com terroristas. Já do lado de fora, enquanto segurava os pulsos do prisioneiro como algemas — não tinha lhe ocorrido que o outro sequer tinha força para apresentar resistência? — o Morozov puxou a máscara, enfim revelando… ‘ Natalya? ’ negou com a cabeça, mordendo o lábio inferior com fúria antes de soltá-la, só então percebendo que poderia ter machucado uma favorita. Ele estava fodido. ‘ Inferno! O que é que você tem na cabeça? ’
Mordi a língua para não provocá-lo assim que ele me virou, tomando a querida bengala das minhas mãos. “Ér... É u-uma herrança de família! Dev-olva!” Gaguejei ao me inclinar para a frente para tentar recuperar o objeto, piscando algumas vezes. Mordi a língua para não deixar o comentário sobre uma kink em particular escapar, sob pena de estragar completamente meu disfarce --- de novo, eu já tinha uma certa noção de que Grigori podia ter uma manhandling kink, mas sentir na pele... Oh, boy, ele não era um cavalheiro? O sonho de consumo de todas as meninas em toda a Moscóvia! Inflei as bochechas por debaixo da máscara, franzindo o nariz a cada passada que era obrigada a dar. “Senhorr, esperro que isso a tocarr a minha bunda seja uma arrma!” Deixei escapar, tentando não gargalhar: oh, não parecia ser nada demais, mas, ainda que não conseguisse ver a expressão de Grigori, ele devia estar morrendo por dentro. E então, gani baixinho, fosse pela forma como ele prendeu as minhas mãos --- oh, com certeza deixaria manchas roxas ---, fosse porque eu precisava soltar algum som que não fosse a gargalhada que estava prestes a sair, não importasse o quanto eu mordesse a língua. Se eu fizesse isso, todo o meu esforço estaria perdido antes mesmo de eu começar a curtir a noite. Eu podia sentir as minhas mãos empaparem dentro das luvas de couro e o meu coração palpitar, mas tão logo chegamos na varanda e ele me virou de volta... Damn it. Não tinha pra onde ir, né? Tentei impedir que ele tirasse a máscara, mas Grigori foi mais rápido, e eu precisei respirar fundo ao perceber seu olhar irado. Bom, pelo menos eu estava respirando um pouquinho de ar fresco pela primeira vez naquela noite, de modo que cerrei os olhos, soltando um suspiro de alívio antes de, enfim, ser solta, minhas mãos indo direto massagear meus pulsos machucados. “Geez, so much for bein’ the prince charmin’ ev’ryone’s waitin’ for...” (1) Suspirei ao semicerrar os olhos, ainda tentando respirar o mais fundo possível daquele ar gelado, que simplesmente congelava os pulmões --- depois da estufa em que eu tinha me posto voluntariamente, parecia a melhor opção. “Não sabia que já estávamos na base do primeiro nome. That’s so cute, babe.” Arqueei uma das sobrancelhas ao exprimir de maneira cínica, ciente de que as maçãs do meu rosto estavam queimando, embora eu estivesse praticamente pulando de excitação ante a oportunidade. Oh, aquilo era muito bom. Sentia como se tivesse descoberto uma mina de diamantes. “Sabe, eu podia te perguntar a mesma coisa.” Dei de ombros, levantando meus próprios punhos para exemplificar meu ponto ante a pergunta dele. “Yer really needa chill. (2) O que todos diriam se soubessem o que acabou de acontecer aqui, huh?” Fiz um biquinho ao franzir as sobrancelhas, dedilhando o queixo como se estivesse pensando realmente nas consequências. “Não sou uma profissional,” estreitei os olhos, abrindo um sorriso travesso ao me lembrar de nosso primeiro encontro, “mas imagino que deva manchar bastante a sua imagem, não?”
an-stasia:
Anastasia entendia cada vez menos as atitudes que a outra levava. Tinha certeza que a outra era bem diferente, e não sabia dizer se era de uma maneira boa ou ruim para ela, mas também não tinha o mínimo de interesse em descobrir. — Uhum, extremamente amigável. - Balançou a cabeça negativamente, não via valor o suficiente na pelúcia para fazer aquilo para a outra. — Troca nenhum pouco equivalente, acredito. - Negou novamente e cruzou os braços. — Sem acordo, nice try.
Suspirei teatralmente, dando de ombros. “Yer loss.” (1) Claro, podia continuar com o joguinho, mas... De repente, convencê-la não parecia mais tão interessante quanto antes. Podia muito bem sumir em meio ao restante de corpos da multidão, não? Hmm, se eu fosse rápida e esquiva o suficiente, com certeza. Mordisquei o lábio inferior, guardando a pelúcia na bolsa de couro. “Isso foi...” Murmurei, buscando a expressão certa na cabeça ao dedilhar a base do bico da máscara. “Chato, na verdade. Yer no fun, m’lady.” (2) Pisquei, pendendo a cabeça para o lado. “Um conselho,” levantei o indicador antes de me afastar: “esse ato de menina inocente e indefesa só funciona até um certo ponto. Levelup. I know ya can do it. (3)” Pisquei, fazendo um sinal de joinha antes de acenar brevemente. “Até a próxima!”
𝙚𝙣𝙘𝙚𝙧𝙧𝙖𝙙𝙤 ~
viktcrjk:
O som alto poderia até ter sido abafado pela música, mas não o suficiente para não ser ouvido. O guarda apressou seus passos para ver o que poderia ter acontecido, esperando — para variar — o pior cenário possível. Mas ao se deparar com o vaso estraçalhado e uma convidada parecendo querer fugir da cena do crime, pigarreou alto. “Boa noite, senhorita. Você sabe quem foi o autor disso?” Claro, só poderia ser ela, mas fingiria que não suspeitava disso.
Shit. Não tinha sido rápida o suficiente. Quase podia escutar todos os sermões do mundo quando percebi a aproximação dele. Escondi as mãos atrás do meu corpo, assim como a arma do crime, pendendo a cabeça levemente para o lado à medida em que dava um ou dois passos completamente inocentes para trás. Hm, será que ele perceberia? Esperava que não. “Sabe, eu ‘tava me perguntando a mesma coisa! Que tipo de pessoa consegue quebrar essa coisinha delicada, hm?” Comecei, esbaforida. Talvez, se o mantivesse ocupado, pudesse me afastar o suficiente para que ninguém me vinculasse ao pequeno acidente... Qual é! Eu ainda tinha muito mais coisas guardadas para o evento --- não ia gastar todas as minhas fichas num vasinho feio como aquele. “Espero que Vossa Alteza Imperial não fique chateado... Deviam colocar essas coisas num seguro de, sabe, muitos bilhões de rublos.” Acenei rapidamente ao tentar impersonar a voz de outra pessoa, suspirando de maneira teatral à medida em que gesticulava. “Aliás, bela fantasia. Você é um...” Estreitei os olhos, me inclinando para frente para tentar ter uma visão melhor --- oh, as lentes da máscara eram péssimas! “Um mordomo?” Kei, what the heck? A voz da minha consciência quase teve um ataque, mas era uma dúvida razoável, oras.
haneulisaqueen:
Deslocada. Era como me sentia em outra festa na corte de Moscóvia. De algum modo, a visão da multidão mascarada só servia para reforçar o sentimento, além de me tornar apreensiva. Quantos inimigos poderiam caminhar livremente sob o disfarce de convidados da festa? Talvez tenha sido um erro comparecer ao evento, mas já estava devidamente vestida e diante das portas do salão. Abaixei a máscara e respirei fundo, colocando-me em movimento. Prestes a me juntar as demais pessoas da corte, o som de louça estilhaçando me fez sobressaltar, cessando assim os meus passos. Com um virar de rosto, pude ver os cacos de um vaso espalhados no corredor. Diante deles, encontrava-se uma figura vestida com uma fantasia que não podia representar pior mau agouro. “ — Quase me matou do coração!” Reclamei a medida que me aproximava da pessoa com cautela, evitando os pedaços cortantes e mantendo uma distância segura da outra pessoa – eu não tinha o conhecimento de quem se escondia sob a fantasia de um plague doctor. “ — O que aconteceu aqui?” Indaguei, referindo-me ao vaso quebrado.
Oh, pega com a boca na botija... Aquilo era ruim. Muito, muito ruim. Pendi a cabeça para o lado, mirando a mulher bem vestida à minha frente: nah, ela não podia ser uma guarda, o que significava que, com os saltos-altos, ela também não ia conseguir correr atrás de mim caso eu decidisse fugir, mas então ela começou a falar e eu tinha um coração, apesar de Mika constantemente dizer que ele era uma pedra. “Wasn’t tryin’ to, tho.” (1) Dei de ombros, esboçando um sorrisinho ao cerrar os olhos. “’Cê tá bem? ‘Tá sentindo alguma palpitação ou coisa parecida? Parece que você viu um fantasma ou algo assim.” Pisquei algumas vezes ao soltar em voz risonha, mordiscando o lábio inferior ao me aproximar cautelosamente, ainda que pisasse em um ou dois pedaços do vaso ming imperial de sabe-se-lá-quando. “Yer know, imma doctor. (2) É minha obrigação checar se você ‘tá com febre ou coisa parecida.” Continuei, tentando acalmá-la ao levantar ambas as mãos. Viu? Eu sou uma pessoa boa! Se você escutou o contrário, é tudo intriga da oposição. Diante da pergunta dela, entretanto, parei por alguns segundos, fazendo um biquinho ao dedilhar a base do bico de tucano da máscara, como se só tivesse considerado a pergunta agora --- o que, se fosse honesta, não estava lá muito longe da verdade. “Eu não faço a mínima ideia.” Dei de ombros exageradamente, assobiando. “Se a gente não se apressar, com certeza vão achar que fomos nós duas.” HA! Melhor lógica não havia. “’Tá escutando isso?”
vnvdvici:
O estrondo fez com que virasse a cabeça, preocupado. Grigori reagia de forma extrema aos sons que sinalizavam alguma destruição, simplesmente porque a guerra havia mexido com seu cérebro, ao ponto de fazer com que associasse esse tipo de ruído ao temor e à ansiedade. Instintivamente, o moreno caminhou a passos rápidos até o corredor, desfazendo-se da máscara que vestia e jogando-a num canto simplesmente porque queria estar preparado se se deparasse com uma ameaça, pronto para a ação. Ironicamente, não foi preciso que fosse longe: tinha caminhado poucos metros quando esbarrou na figura incomum — numa fantasia que escondia demais, até mesmo cabelos — que ele foi obrigado a conter. ‘ Se identifique. Agora. Antes que eu acione os guardas do palácio ’ ordenou, segurando o antebraço alheio e vasculhando os arredores em busca de semelhantes. Mesmo com a ameaça, o Morozov não pretendia chamar ninguém, certo que podia dar conta da intercorrência.
Será que devia me esconder? Nah, eles estariam esperando por isso. O barulho tinha sido mais alto do que eu tinha imaginado, afinal. Damnit. Virei o segundo corredor a direita, tentando não assobiar de nervoso ao esconder a bengala atrás do corpo antes de... Oh, shit. Pisquei algumas vezes, sentindo as palmas das mãos suarem ante a presença dele bem na minha frente. Alô, carma? Yer a funny lil bitch, arentcha? (1) Qual seria a melhor forma de sair dali sem que ele percebesse quem eu era? “Ouch!” Deixei escapar, tentando ganhar um pouquinho de tempo: Grigori geralmente não era assustador, mas com os remanescentes de maquiagem e a memória do último pesadelo bem fresca em minha mente... Umedeci os lábios, tentando pensar um pouco --- era difícil, mas já tinha saído de situações piores, então: “Eu não falar moscovês.” Dei de ombros apologeticamente ao gesticular com o braço livre, esboçando um sorriso nervoso, embora a mão no meu braço estivesse machucando. Não que ele pudesse ver, é claro. Por que eu tinha que encontrar logo com Grigori, dentre todas as mil e uma pessoas no palácio? Uh, será que era o destino? Arquejei, arqueando uma das sobrancelhas teatralmente. “Você escutar este barrulho (2)?” Continuei, soltando um silvo incompreensível ao me manter na personagem: uma que não fazia a mínima ideia que era Grigori bem na minha frente --- era uma estrangeira com muito bom gosto, veja bem. “Eu achar que veio de lá de fora. Você já checar?” Assenti algumas vezes, esquecendo-me que o bico de tucano da máscara vibrava para cima e para baixo mais vezes do que o necessário, dada a força. Oh, boy... Detestava admitir, mas não era como se ele fosse burro a ponto de cair naquela.