❝ A NEW WORLD. ❜ — ⌜GRUPO I: arno, hai li, moana, axel⌟
scionoracle
Quando um portal misterioso abriu-se de uma hora para outra em meio ao palácio do País de Gales, nenhum dos herdeiros acreditou que uma mera corrente de guardas poderia conter a curiosidade dos mais esforçados por muito tempo. Era necessário apenas esperar para que o primeiro se perdesse naquele lugar. Dispostos a descobrir mais sobre o objeto claramente místico, Scions abandonaram a tranquilidade de suas férias e se engajaram em planos elaborados para desviar a atenção dos seguranças. Enquanto aqueles homens mantivessem os olhos atentos sobre o portal, não havia forma de passar pelo mesmo e descobrir seu significado… Contudo, a maneira de atração utilizada fora deveras interessante: um incêndio no salão principal, conhecido como Ala dos Diplomatas, onde acordos eram fechados e negócios eram tratados. Aparentemente, iniciou-se de uma hora para outra, mas foi o suficiente para acordar o instinto primal dos guardas: proteger. E assim, sem pensar sobre as ordens do superior, correram para o castelo.
Aproveitando-se disto, os Scions mais curiosos puderam se locomover até o misterioso portal, portando apenas o que conseguiram carregar em um último instante, fosse apenas a própria Esfera no bolso ou uma mochila já preparada de antemão. Independente de seus preparos individuais, ao se aproximarem do portal, perceberam que não estavam sozinhos. Por mais que pudessem ter tramado com um ou dois amigos, a maioria não se conhecia tão bem assim. Possuíam apenas um objetivo em comum: descobrir o que estava acontecendo naquele local.
Ao escutar o grito dos soldados aproximando-se, se apressaram em adentrar o portal antes que os guardas os alcançassem e colocassem todo o trabalho à perder. A viagem foi diferente para cada um deles: os mais sensíveis poderiam sentir enjoo e dores de cabeça, pois era como se o próprio cérebro tivesse sido retirado do crânio, girando e girando sem parar. Imagens desconexas passavam por seus olhos, pareciam mundos diferentes: em uma delas, destacava-se um enorme dragão, soprando fogo azulado diretamente em seus olhos, mas que não os queimou; em outra, mulheres trajadas com folgados vestidos brancos e transparentes dançavam ao redor de uma fogueira, com chifres de cervo como adorno nas cabeças; em uma terceira, um velho de roupas desgastadas e cinzentas observava um mundo devastado, igualmente monocromático, onde apenas restava uma casinha no topo de uma colina. A velocidade das imagens aumentava pouco a pouco até o momento em que transformou-se em um borrão branco. Cada um deles sentiu uma pancada na cabeça, e quando abriu os olhos novamente, já não estavam no País de Gales.
O cenário ao redor parecia-se com uma gruta, com estalactites formando-se no teto quase translúcido e um pequeno lago cercando a rocha de extremidades irregulares na qual os Scions se encontravam caídos, com dores em diferentes locais e talvez alguma ânsia de vômito. A água era transparente, com ondulações quase nulas. Abria-se para o oceano, de forma que olhando para frente, para a saída do local, era possível enxergar a lua no céu estrelado e um amontoado de árvores na outra margem. O problema era o instinto: o medo natural fazia algum alarme tocar dentro do corpo de cada um.
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Eram raras as vezes nas quais Mictlantecuhtli falava com Arno durante o dia, mas estas eram as mais perturbadoras. Quando isto acontecia, o herdeiro italiano aprendera que ficar longe de quaisquer substâncias que pudessem alterar sua visão de mundo — incluindo remédios, bebida, doces, dentre outros — seria sua melhor opção para sempre. Ao ingeri-los, Micli não costumava poupá-lo, dando-lhe visões sangrentas e trágicas sobre o que aconteceria ao seu redor. Infelizmente, o deus, tentando desesperadamente alertar seu protegido do mal que se aproximava utilizando uma forma distorcida de anúncio, acabou levando-o a tomar uma simples aspirina para a dor de cabeça que o atormentava desde o início do dia. Geralmente, Arno a aceitaria de bom grado, dado sua constante prática de mortificação corporal, aproximando-se de Jesus por meio da dor e da restrição. Contudo, não conseguira nem ao menos realizar suas orações matutinas direito e sentia-se imundo por isso.
O deus lhe levou até o portal, onde percebeu espíritos, espectros na forma de sombras escuras. Deslocando-se lentamente, elas iam sentar-se sobre os ombros dos guardas ali presentes e passavam a lhes sugar a vitalidade. Já vira encostos daquele tipo antes, pois o assombravam quando era pequeno, fazendo-o acordar aos gritos devido a violência. Eram os piores. Com um movimento de mão, os espantou e os mandou de volta para o lugar de onde vinham. Ainda assim, o fluxo constante de lixo espiritual continuava… E Arno era fraco demais para contê-lo. Sua única saída era ver com seus próprios olhos o que diabos assombrava aquele maldito artefato antes que espalhasse sua podridão para todos os Scions presentes no local.
Preparou-se o dia inteiro, apanhando uma velha mochila de camping e enchendo-a de suprimentos e instrumentos que poderia necessitar na viagem, apesar de não possuir a menor ideia de onde iria parar. Por fim, teve de visitar a garagem do palácio para encher uma garrafa de combustível. Já havia realizado o ato inúmeras vezes antes, então apenas quis se certificar de que não havia mais nenhuma pessoa dentro da Ala dos Diplomatas antes de acender e atirar o Coquetel Molotov para dentro do cômodo. Observou de longe e, ao perceber o próprio êxito, não demorou para correr em direção ao portal, da forma como o pai lhe ensinara. Ao chegar e encontrar outras pessoas, ignorou-as. Não queria saber as possíveis reclamações. Apenas entrou, empurrando quem estivesse em sua frente. Arno nunca tivera fama de educado mesmo.
A viagem foi uma perturbação sem fim. Odiou cada momento, porque apenas aumentou sua dor de cabeça. Lembrava-se de ter gritado de pura dor, mas não ouviu o som da própria voz. A visão se clareou, e quando tudo parecia demais, caiu de costas na pedra. Bufou audivelmente, sentindo o estômago dar voltas; não demorou para levantar-se e vomitar no ponto mais afastado possível, limpando a boca com as mangas do moletom que trajava. Apenas então virou-se para os companheiros de viagem, percebendo que os possuía. Analisou cada um dos pés à cabeça, percebendo que os conhecia de vista. Não se dignou a promover apresentações. “Vai dar merda isso ai.” Indicou, apontando para o lago. “Não me parece seguro. Eu não sei, só tenho um sentimento ruim em relação à isso.” Semicerrou os olhos. “Talvez, se fizermos uma ponte…” Olhou ao redor, interessado. “Não parece ter matéria morta por aqui, então não posso manipulá-la… Mas em todo lugar existem ossos. Eu posso invocá-los… Só não sei se vão aguentar o gigante aí.” Indicou, apontando para Axel. “Com todo respeito, professor Vidar.”
O asiático nunca foi um exemplo de pessoa sensata, sempre topou fazer coisas arriscadas, não ligava para as consequências na maioria das vezes. Mesmo que seu Daemon sussurrasse para não fazê-lo, Li estava com a ideia em mente desde havia escutado os boatos, e não ficaria de fora. Após passar um tempo pelos corredores do castelo, acabou por ter a ideia semelhante a de alguns ali. Mais semelhante ainda a de Arno.
Iniciar um incêndio era a coisa mais fácil para si, havia pego sua mochila talvez de muitas vezes que se arriscava e combinou com seu Daemon de espera-lo ao lado de fora da Ala dos Diplomatas enquanto atearia fogo, porém assim que havia chego notou a presença de um garoto. tā mā de - Xingou em um murmurio, esperando ver as chamar tomar conta do local. Seria mais fácil e sem evidencias se tivesse chego um minuto antes, porém antes de dar as costas e continuar, notou que seria mais fácil se ajudasse, passou a comandar o fogo pelas mesas e cortinas até soar o alarme. Assim saiu correndo do local, ao reencontrar Salysae apenas sorriu com exito ignorando totalmente os xingamentos de seu daemon enquanto corriam para o portal.
Não esperava ver tantos ali, e não esperava ainda mais que atravessar tal coisa seria tão torturante. Sentiu o estômago querer sair pela boca enquanto barulhos extremamente agudos e irritantes ecoavam em sua cabeça. Seu corpo se encontrava quente mais que nunca, e esperava que acabasse logo antes de se encontrar em chamas e depois acordar nú em um lugar desconhecido. Controlar seus pulsos se tornava difícil, as veias queimavam a cada imagem e clarão em sua mente, até finalmente tudo se apagar em branco ao sentir como se todos os ossos de seu corpo tivesse se quebrado finalmente sentindo o chão.
Ao tomar o controle de si, pode ouvir o som familiar de tosses, resmungos, e água. Sentiu o estomago querer sair uma ultima vez, provocando uma forte tosse até os respingos de sangue serem jogados no chão, assim que levantou não evitou um minimo sorriso, tipico de Li ao fazer algo arriscado que poderia sair completamente ruim. “Acho que fui... Triturado por dentro.” - Disse limpando o suor que escorria por seu rosto com as mãos, seu corpo ainda se encontrava quente, então não evitou retirar a primeira blusa para secar o rosto, enquanto ouvia o mesmo rapaz da Ala dos Diplomatas falar. - Analisou a gruta junto com o olhar do mesmo, havia pensado em entrar, mas não em como sair até estar la. “Eu não posso ajudar muito se for fazer uma ponte, mas deve ser o único caminho para não passar pelo o lago, com certeza deve ter muitos ossos lá no fundo. ” - Se aproximou do lago não podendo ver o quão fundo seria, mas apenas por ser desconhecido Li não hesitava em pensar que talvez tal aguá fosse completamente tóxica e não arriscaria nadar na mesma se tivesse outra opção.













