Oi. Como está? Quanto tempo. Tem anos que não escuto o seu nome e nada sobre você. Achei esse número na minha jaqueta preta e resolvi ligar. E por sorte, ou azar o número ainda era seu. Mas pera, não desligue, não se assuste. Eu senti sua respiração mais rápida quando você reconheceu a minha voz. Ei, não precisa se assustar, liguei por saudade, ou por tédio. Ainda tem o teu sutiã preto no fundo da minha gaveta, talvez você ainda queira, talvez você já deve ter milhões de sutiãs pretos, ou talvez você nem goste mais de preto. Eu to bem, ta tudo bem, só to um pouco trêmulo, sua voz ainda consegue me deixar nervoso, mas não precisa ficar em silêncio. Quanto tempo que se passou. Aqui faz frio e nem sei qual a temperatura de onde você está, mas tudo bem, não precisa me dizer, isso não me interessa agora. To entrando em becos, em diversos assuntos, dando mil voltas, e o tempo só passando novamente. Eu poderia te dizer agora que ainda tenho saudade, mas deixa pra lá, isso não vai interferir nada na sua vida. De quem é essa voz masculina no fundo? É seu marido? Tá, não precisa dizer, eu entendi o que o seu gaguejar quis dizer. Tudo bem, meu tempo já acabou faz tempo, já entendi. Sei que agora está balançando sua cabeça e com os olhos cheio d'agua e detestando o meu drama. Vou desligar, meu café vai esfriar assim como seu amor se esfriou por mim. Oh, espero que esse cara aí, te faça mais feliz do que eu já fiz. Fica quieta, não precisa tentar se explicar, faz tempo que perdi o direito de saber da sua vida. Eu sei que depois desses anos, você ainda usa aquele mesmo perfume e ainda tem aquele cordão que eu te dei. Disso eu tenho certeza! Continue assim, talvez essa seja a única coisa que sobrou de mim. Esse cara aí ta nervoso, não quero atrapalhar. Vou desligar o telefone e fazer aquelas torradas que você amava. Poderia te dizer pra você me procurar se acaso ainda me amar. Mas percebi que aquele número na minha jaqueta preta foi uma arma para matar as minhas esperanças.
Tututututututu -desabei de tanto chorar-